15maio
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Lembro-me que a ideia deste projeto veio da minha leitura incessante de manifestos. Aqueles inspiracionais que sempre se vê na sala de alguém envolvido com algum tipo de arte ou no Pinterest. Desenhado com palavras que têm o poder de tornar o cotidiano um tanto mais leve.

 

Lembro-me que salvei alguns, pois me serviram de referência no entretempo de 2013/2014. Cada um marcou caminho para a minha busca pela inspiração, além de se tornar escudo contra qualquer negatividade. Conexão de energia que fez o Manifesto Aleatório nascer.

 

Por mais que este projeto tenha sido criado para o transcorrer de 2015, a influência maior veio de dezembro de 2014. Período em que sondei o I AM THAT GIRL e ingressei por meio do blog do movimento. Em janeiro, meu primeiro post foi ao ar. Em fevereiro, eu me tornei Chapter Leader em São Paulo. Fatos que se fundiram ao tom de inspiração vindo dos manifestos.

 

Experiências que influenciaram bastante no modo de criação do meu próprio Manifesto que chamei de Aleatório para combinar com o nome do site. Parte essa que também remeteu a verdade de que eu não sabia o que escrever. Eu, sempre rindo da cara dos planejamentos.

 

E a maioria dos meus projetos nascem assim. Se eu começo a pensar demais, eu não faço nada.

 

O Manifesto Aleatório veio para preencher o meu hábito de criar temas por ano. Foi um tempo muito bom, em que eu inspirava e me deixava inspirar, mas que parou em outubro de 2015. Interrupção que hoje vejo como o primeiro sinal de uma turbulência conseguinte.

 

Apesar disso, 2015 foi meu cinto de segurança bem apertado, que me impediu de ser extirpada da minha jornada. Este projeto tem todos os créditos por me segurar, porque eu me forçava a mudar o mindset.

 

Este ano eu o trago de volta. Talvez não em sua total essência, mas o intuito é o mesmo. Reencontrar a inspiração. Se deixar inspirar. E mudar o mindset quando as coisas ficarem ruins.

 

 

Quando dei uma zapeada nas postagens antigas deste site, especialmente os que se referem ao Manifesto Aleatório, notei minha ingenuidade e o sarcasmo acentuado (que não mudou) em algumas fases. Capturei meus padrões de vitimização berrantes e algo me diz que eu deveria sentir vergonha deles. Meramente porque ainda tento aceitar minhas vulnerabilidades, pois meu “hábito” é tentar controlá-las. Sendo que elas podem e devem fluir.

 

Por meio desses textos, vi que passei pelo processo de amadurecimento em vários âmbitos. Cada um me deu a visão de entretempos passados e o quanto alguns não condizem mais com o momento que vivo agora. E tudo bem! De certo modo, é lição retornar lá atrás e ver que você não é mais a mesma. Que você evoluiu e tem grande consideração pelo processo tão quanto pelo interesse em mantê-lo.

 

Muito me era incompreendido em tais linhas do tempo. Tanto sobre mim quanto sobre o mundo. Mas não apago muitas camadas desses anos apesar do que foi me dado de ruim. Ao menos, no que eu acreditava que era tudo de ruim, pois, hoje, me pergunto o que diabos era realmente ruim.

 

Quando fiz um balanço dos meus anos, 2013/2014 foram maravilhosos. 2015/2017/2018 também. 2016, bem, acho que nem preciso mencionar de tanto que já comentei nesta casinha. Alguns se assemelham na melodia que me derrubava – o desemprego; que, muitas vezes, não me impediu de fluir. Até a escrita, o verdadeiro modo que eu uso para tentar entender meus mundos e assim ficar ok.

 

Nem sempre funciona, mas é ótimo tirar uma parte da angústia do peito. E, quando eu reli o Manifesto Aleatório Vol. I, me surpreendi. Muito se conectou com o entretempo atual. Muito deixou de fazer sentido.

 

 

Em 2018, eu tentei retomar o Manifesto Aleatório. Escrevi sobre gratidão. Senti muitas dificuldades nesse texto e foi quando eu vi que a maneira da qual ele foi escrito não era muito compatível com a simplicidade que o projeto me trouxe. Talvez, me tornei mais profunda.

 

Em contrapartida, creio que o texto sobre gratidão veio para encerrar a 1ª fase do Manifesto Aleatório. Tudo porque eu não o finalizei em 2015. Realização que só veio quando eu revisitei tudo e daí eu vi que, quando tudo parou, me faltaram palavras para seguir.

 

O que sei é que tenho me tornado mais íntima com meu interior. Não estou mais tão na superfície dos meus sentimentos. Apesar de temê-los vez e outra, eu tento traduzi-los primeiro antes da bad.

 

Mas, às vezes, a bad vem e entra sem aviso. Às vezes, não tem como se segurar.

 

Eu tive que voltar aos posts passados para lembrar sobre a história de origem do Manifesto Aleatório. Em minhas palavras, o projeto seria uma “coletânea” de frases ou de palavras. A “soma de ideias que terão a ver com desejos e objetivos que representarão o Random Girl”. Cada texto seria publicado no tempo de um mês e nem sequer recordei do tema instaurado – seja você mesma. Intenção que eu investi ao máximo em 2015 e foi simplesmente incrível.

 

2015 foi um ano leve com um misto de início de treta intensa. Porém, o IATG me ajudou a mudar muita coisa em mim. Me ajudou a amadurecer mais. Ser mais grata. Conhecer meus dilemas. Buscar real ajuda anos depois. Tão quanto o Manifesto Aleatório que me impulsionou novas reflexões.

 

E quero crer que os textos do futuro sejam igualmente reflexivos sobre este novo entretempo.

 

 

Neste entretempo, eu tenho 33 anos e tudo que tenho a oferecer são vivências (ao menos no que minha autoestima permite praticar). Vivências de quem pegou todos os próprios cacos de vários outros tempos e os levou para a salinha da psicóloga. Um processo em andamento, cheio de contratempos, mas que me traz identificação com uma fênix. Que sempre volta das cinzas.

 

O Manifesto é uma parte dessa retomada de poder. De reconhecimento. De ver o quanto mudei em comparação ao tempo em que eu só queria viver do que eu amo e descobri que não é bem assim que a vida funciona. Tudo que quero com essa nova “coletânea” é trazer o melhor de uma fase de regeneração que me trouxe até aqui.

 

Almejo uma fase tão linda quanto à primeira. ❤

 

O 1º capítulo do Manifesto Aleatório vem no próximo mês. Empolgada para o retorno!

 

PS: enquanto isso, trabalho em uma surpresa que, se tudo der certo, sai ainda este ano.

 

Imagem: Rudolf Kirchner via Pexels

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Stefs
Jornalista, fundadora do Contra as Feras e ex-líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I AM THAT GIRL. Não poupa no textão e nem nas doses diárias de café. Além disso, acredita piamente que você pode ser sua própria heroína.
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