14maio
Arquivado em: Escrita

Se houve uma pauta que eu senti muita falta de escrever neste site foi sobre a escrita. Tanto na parte do Help, Escritor! quanto no meu Diário de Escrita. Assim como vários âmbitos da minha vida, este em questão entrou em um tipo de hiatus que foi retomado em novembro de 2017. Época que marca o NaNoWriMo. Depois disso, segui com o processo e, este ano, terminei o 1º rascunho de uma nova história.

 

A última vez que passei por aqui foi para contar sobre o mencionado novo projeto de escrita. Uma história que ainda acho que é um Young Adult. Sim, sei que rolou um estranhamento ao anunciar esse ponto, porque eu contei recentemente que eu não leio mais tal gênero. Não tanto como antigamente. Porém, a inspiração veio de um frame da minha vida que eu quero dividir e, logo menos, postarei o que aconteceu durante esse intento que ainda me anima.

 

As outras vezes que passei por aqui foram para falar do We Project. Meu primeiro livro que é uma trilogia (não publicada). Essa história ainda existe. Me perturba de todos os jeitos, especialmente quando tento me convencer de que essa história foi apenas um curso para o futuro. E sei que não foi só isso porque 1. eu queria saber se eu era capaz de criar um universo por conta própria visto que toda minha experiência de escrita se deu no campo das fanfics. 2. estava mais do que na hora de tentar escrever algo que não fosse fanfic. De algum modo, essa parte da jornada não morreu e prometi que darei uma relida no material ainda este ano. Torçam por mim!

 

Agora, falando somente da escrita. Durante esses entretempos, eu comecei a passar por uns perrengues repetitivos. Mal era setembro no novo (não mais novo) job e minha escrita começou a ser “criticada”. “Criticada” devido àquela velha moda do cliente querer saber mais que o redator e assim decidir por uma versão ainda pior do que já estava pior – e a culpa nem era minha.

 

Eu devia estar acostumada. Mas… Eu vi que não estava. Até deixar clientes vencerem por WO.

 

Assim, para quem não sabe, ser redator de agência é basicamente isso: você escreve, manda para o cliente, o cliente bagunça tudo, você diz que está sem sentido e ele quer esse sem sentido porque foi ele quem editou. No meu caso, foi um ela. Mais uma mulher minando meu estado de graça.

 

Eu não aguento mais mulher agindo desse jeito. Ainda bem que havia outra mulher maravilhosa ao meu lado, que sempre me apoiou.

 

De homem eu espero um total de vários nada.

 

Ao contrário da última vez, em que saí de um estágio por causa de uma mulher que fez exatamente a mesma coisa, porém ao vivo, eu lutei de volta. Desintegrando por dentro, mas lutei. Até que, em dado momento, percebi o quanto essa luta dentro do mundo corporativo é estressante. E que, quase sempre, não vale a pena. É tipo insistir com criança teimosa. Uma hora você joga o pano!

 

Para minha própria surpresa, eu saí bem mal desse novo episódio em que uma-mulher-arrasa-meu-trabalho-e-nem-me-ajuda. Automaticamente, eu retornei aos tempos áureos do boicote no estágio. De certo modo, foi uma situação de gatilho e isso afetou minha autoestima. Além de me emperrar nos questionamentos relacionados aos motivos disso ainda me afetar e por quais infernos eu me deixava à mercê de uma pessoa que nem compreensão da minha área possuía.

 

Ai, sabem, tem horas que eu mesma me boto no cantinho da disciplina. E sem motivo!

 

Foi um baita choque me ver reagindo do mesmo jeito. Afinal, eu achei que esse sentimento de inferioridade sobre a escrita estava aniquilado. Mas ele veio. E aprendi a ser uma “redatora espiritualizada”. Em outras palavras, dar o meu melhor e largar para o universo. Se o cliente estragar, se preocupando em ser o menos construtivo possível, para que confrontar uma luta perdida?

 

Como dizem por aí, há certas lutas que não dá para vencer.

 

Então, eu comecei a ser zen. Ao menos, tentei, pois, vez e outra, o comentário nada a ver sobre algum erro vinha. O marco do chamado erro gravíssimo que, quando chegava, eu ria de nervoso. Era algo como chamar um funcionário de colaborador, sério. No dia que isso rolou, a agência pareceu que desmoronaria.

 

Quando a explicação veio, depois do caos instalado de graça, eu ri de verdade. Afinal, a empresa nem tinha manual de redação. Ou seja, eu não tinha bola de cristal para saber que funcionários não eram colaboradores.

 

As coisas que a gente precisa passar na vida! Bem #whitepeopleproblems. O que entrega a verdade de que o estado zen não deu muito certo. Eu simplesmente me via brava pelas coisas que eram ditas e que não afetavam só a mim. A equipe que eu trabalhava ouvia meleca demais e de graça.

 

Ai, sabe, não dá!

 

Para além do tudo bem ou do tudo bom (sim, esse drama rolou também, juro), eu percebi o real grande problema: eu participei de lugares em que minha escrita influenciava em um total de vários nada. Não quer dizer que eu não amara cada processo, pois tenho recordações positivas do meu primeiro job após a formação. Em contrapartida, parece que não existe um lugar em que o texto não é só texto. Um lugar que vê o texto como um conjunto de palavras que visa um poder transformador. Pode até existir, mas eu não o encontrei ainda. E, quando encontrá-lo, quero acreditar que serei uma pessoa mais feliz, pois estarei dentro da visão que eu tenho sobre o ato de escrever.

 

Durante todas as peripécias que lidei entre pessoas vs. escrita, eu percebi que esse mundo roubava de mim a minha ferramenta de trabalho. Sem querer ou não. Na maioria dos casos, era de graça, porque eu não ganhei uma dica construtiva do lado negativo dessa narrativa. Esse mundo me botou para baixo sendo que eu tenho a suave noção de que não sou tão ruim. Eu me garanto em vários casos, mas eu não consigo lidar com crítica vazia. Eu levo demais para o pessoal.

 

Vai entender!

 

Por levar para o pessoal, me vi querendo mudar esse quadro. Não somente por questão de justiça, mas porque, ao contrário de alguns clientes, eu sei que a escrita é importante para tudo. De quebra, eu preciso honrar mais as críticas construtivas que eu recebi. Foi por causa dessas críticas que eu melhorei com o passar do tempo.

 

Para quem não entendeu muito bem, esses episódios negativos criaram o afastamento de uma das poucas ferramentas que eu tenho: escrever. Até que, neste entretempo, baixou o not today, Satan! Uma luz que não veio do nada. Eu escuto direto na terapia sobre uma questão chamada ressignificar. Palavra que entrou na minha vida como bandeira visto que eu tenho o poder de mudar as impressões e os pesos dessa, e de outras, situações para o meu bem. Nem tudo precisa entrar e ficar. Algumas coisas simplesmente podem ser diluídas e esquecidas.

 

Eu não quero mais passar por esse perrengue porque a escrita importa. E muito.

 

Peyton Sawyer - One Tree Hill

via Tumblr

 

O insight sobre começar um projeto que fale sobre a importância da escrita não veio das minhas chateações. Veio do instante em que dei de cara com um quote da Peyton Sawyer. Personagem da série One Tree Hill e que, do nada, deixou de ser minha favorita na época em que a assistia. Um papo que podemos ter depois, pois, o foco aqui, é o como ela via a arte. Mais precisamente a música. Ela não tratava a música apenas pela letra. Ela traduzia o sentimento.

 

É assim que eu vejo a escrita. Eu preciso transmitir o sentimento letra por letra. Eu preciso sentir que o texto, de alguma forma, tem um significado que possa ajudar quem está do outro lado.

 

“Você sabe, eu tenho essa teoria: existe dois tipos de pessoas no mundo. Há pessoas da letra e pessoas da música. Você sabe, as pessoas da letra tendem a ser analíticas. Elas sabem tudo sobre o significado da música. Elas são aquelas que você vê com o CD, cinco minutos depois de comprá-lo, debruçadas sobre as letras, interpretando tudo. Então, há as pessoas da música, que não poderiam se importar menos com as letras. Desde que ela tenha uma boa batida e se possa dançar com ela. Eu não sei, às vezes, pode ser mais fácil ser uma garota da música e não uma garota da letra. Mas, como eu não sou, deixe-me dizer isto: às vezes, as coisas te encontram quando você precisa que elas te encontrem. Eu acredito. E para mim, geralmente, são letras de música.Peyton Sawyer.

 

O Pinterest é um dos sites em que vira e mexe reencontro a inspiração e só a Deusa sabe como cheguei ao quote acima. Só sei que, em um primeiro momento, fiquei paralisada. Foi o caso do achado certo, na hora certa. Eu não me lembrava dessa colocação da personagem e lê-la me fez retornar a 1ª temporada da mencionada série. Em que Lucas diz que a arte da Peyton importa.

 

Nessa mesma timeline, Peyton sente dificuldade de expor sua arte, porque ela não quer apenas expô-la. A personagem quer um significado. Ela não acredita em uma arte “vazia”.

 

À primeira vista, parece que sua arte é desenhar quadrinhos, mas, lá no background, sempre tinha uma música. Uma música que dava nuances à emoção do momento. O que entrega o quanto essa personagem foi a ponte musical dessa série e tudo que ela indica tem seu peso e sua medida.

 

Significado. O seu nome do meio.

 

Um apelo do qual me identifico e que tento aplicar durante a escrita. A escrita é meu ofício geral, aquele que paga minhas contas. Além disso, o ofício que uso para desbravar minhas emoções. É com a escrita que lido com os altos e baixos. É onde eu me afirmo e reafirmo.

 

E escrever, mesmo que seja para um cliente, vem de um ponto profundo do meu ser.

 

Apesar de eu conseguir juntar palavras que agregam em um total de vários nada, ou que não têm sentido, eu sempre sinto falta da liga do sentimento. Como a boa INFJ que sou. Como Peyton afirmou, eu prefiro a sensação de repassar um texto a fim de encontrar ganchos. A fim de encontrar algo muito além nas entrelinhas. Eu gosto da pausa dramática que vem junto com o que escrita f***, mddc! 

 

Definitivamente, eu não sou a mulher do texto. Eu sou a mulher da palavra.

 

O que soa bem religioso, mas vocês entendem onde quero chegar. Na amarração do quote.

 

Obrigadinha!

 

 

No quote acima, Peyton difere o modo como as pessoas tendem a ouvir vs. sentir a música. Não é muito diferente da escrita visto que há quem escreve por escrever e há quem coloque seu mundo em cada palavra escrita. A escrita em si é um ato universal, mas penso que ela não influencia em nada se não houver seu peso gerador de mudança. E essa é apenas minha opinião.

 

Por me atrelar ao significado, eu penso demais em qualquer trabalho. Ao notar que nenhum dos meus textos fará diferença em ambiente corporativo (e estou aberta a mudanças, hein?), eu fico arrasada (#INFJ). Eu passo pela questão de que minha escrita é só capitalismo e é exaustivo.

 

Porque não é a verdade! Quando há significado no que você faz, certos pesos cedem.

 

Eu ganho para escrever. Acho válido uma pessoa vender sua arte. Mas penso que a razão de tudo é criar justamente com isso aqui: coração. Dentro do que você acredita. Trazer a experiência. Perceber que cada palavra sua pode ter um peso tanto para construir quanto para destruir (e eu recomendo construir, always).

 

É fácil se desvalidar quando sua escrita parece não importar em alguns lugares.

 

E a diferença mora quando você percebe que sua escrita importa.

 

Encontrar o quote da Peyton cabe no que ela mesma menciona: o que você precisa uma hora te encontra. E, quando eu o encontrei, lá fui eu desbravar meu caderno laranja de ideias.

 

É um sufoco muito grande ter que trocar a chavinha mental e me despir de quem eu sou para escrever para outras pessoas. Apesar de conseguir, sempre rola a angústia de botar uma palavra ao lado da outra sem propósito. Por isso que sou quem foca na letra. Na palavra. O que cabe até para a música. Eu vou atrás do significado, de montar esse significado, e, depois, analisar como me sinto.

 

Após ler e reler esse quote, a ideia deste post nasceu. Um projeto para o decorrer deste ano em que quero usufruir o melhor da escrita e tentar ajudar quem anda sem inspiração. Ainda mais os redatores que só vivem frustrados e que acham que não há solução para o futuro.

 

Eu não posso garantir que há solução para o futuro. Porém, posso garantir que é possível amar a escrita de novo. E tudo começa com o sentimento que se aplica ao longo desse processo.

 

Além disso, no papel de ser uma pessoa da palavra. Não apenas do processo ou do produto final.

 

O que eu quero com este projeto é saudar a escritora que há em mim e em você. Ainda mais nesses tempos em que escrever tem sido um dos mecanismos essenciais para fugir do caos do mundo.

 

Seja com tudo bem ou tudo bom, eu estou pronta! ✿

 

Imagem: Dom J via Pexels

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Stefs Lima
Jornalista, fundadora do Contra as Feras e ex-líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I AM THAT GIRL. Não poupa no textão e nem nas doses diárias de café. Além disso, acredita piamente que você pode ser sua própria heroína.
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