04jun
Arquivado em: Música

Toda história de admiração tem um começo e esta é a minha história com Taylor Swift.

 

Uma história que só aparenta que nasceu em 1989, mas estava nas entrelinhas desde Red.

 

E, obviamente, fiquei chocada quando reuni os dados para escrever este texto.

 

Podemos dizer que esta é uma história que acabou suprimida graças ao famoso ranço. Até 2018 chegar e mudar esse jogo a 200/hora. Taylor diria que encontrei, junto com ela, o X spot e concordo totalmente. Afinal, nesse mencionado ano eu passei por várias iniciativas pessoais, além de muito processo de quebra e de reconstrução. Eu entrei em uma nova transmutação e foi essa mulher quem me acompanhou. Ela bateu na minha porta mental, depois de um ano de sumiço imposto, e pediu licença para passar um tempinho comigo. Um tempinho que durou um semestre.

 

O resultado? Ela foi a artista que mais escutei em 2018. Por reputation.

 

E a visitinha mental se deu com Out of the Woods.

 

E sua presença, por enquanto, segue permanente. Tomamos chá todo fim de tarde com torrada com geleia.

 

Taylor Swift

A cara de quem sabe o que fez (via Tumblr)

 

O patrocínio desta história é ao som de reputation que terá sua parte narrada muito em breve. Mas, para adiantar, guardem a informação de que esse álbum me ajudou a atravessar um dos meus períodos embaçados de 2018 e contei uma parte no texto sobre Jessica Jones. Embaçados em um sentido de reflexão sobre o que se abriu durante meu processo de análise. Além disso, do que começou a ocorrer, sem folga, como se eu vivesse meu próprio season finale.

 

Um season finale que veio mais cedo que o dito normal, pois, até onde sei, esse encerramento se dá em 31 de dezembro. Eu senti esse gosto de encerramento na virada, mas eu já me via como outra pessoa, com outras expectativas, antes dessa data chegar. E reputation esteve comigo e me ajudou na minha reconstrução. Além disso, me inspirou a compreender os desdobramentos desse citado entretempo tão quanto de entretempos passados.

 

Mas, antes de chegarmos a esse ponto importante, vamos saltar para 2010.

 

Época que ainda não era Red, mas tinha um misto de Fearless com Speak Now.

 

Prelúdio: a origem

 

Quem eu fui em 2010? Bem, eu estava na faculdade e pensava todo dia em trancar o curso. Pensava em como terminar um péssimo relacionamento. Tinha um estágio que era um misto de alegria e de desespero. Não há tanta informação sobre esse entretempo na minha mente, o que me assusta um pouco. Não é à toa que esta parte do post só nasceu por eu ter revisitado meu Last.fm. Foi quando dei de cara com a informação de que esse foi o ano em que escutei Taylor Swift pela primeira vez. Ao menos, com algum tipo de prova em forma de scrobbles.

 

Era dezembro de 2010. Fearless e Speak Now possuem a diferença de um scrobble.

 

Eu não me lembro exatamente como cheguei a ouvi-la visto que country não é meu gênero favorito. Fearless até fez um pouco de sentido devido ao single You Belong with Me, cujo videoclipe passava direto na Mix TV e eu o achava muito adorável. Eu sempre parava para vê-lo, algo que ocorria quando This is Me da Demi com o Joe estava no auge. Nem sabia quem era a loira da vez, mas o conceito da garota nerd (que hoje a gente vê como estereótipo) me deu um senso de justiça.

 

Afinal, eu nunca fui a escolhida pelos garotos dito bonitos da escola.

 

Concluí que eu entrei em um embalo momentâneo, pois, pelos dados do Last.fm, Taylor só se fez presente nesse mencionado mês. Há alguns scrobbles em 2011, mas, de maneira geral, aqui temos o caso de deixar a música tocando enquanto se lava a louça. Ou estuda. Ou sei lá.

 

As poucas vezes que ouvi You Belong with Me, um single de 2009 vale dizer, não deixa de representar a minha história de Origem com Taylor Swift sem eu ao menos saber quem era Taylor Swift. Não saber quem era Taylor Swift entra muito no que mencionei: ela tocava um gênero que eu não curtia. Ainda não curto. Não me prende. O máximo que me pega é um country com folk, algo que sinto bastante quando escuto Red (e é uma impressão exclusivamente minha).

 

Partindo do estereótipo da jovem loira, Swift era “toda errada” porque não fazia pop. Meu histórico com jovens loiras vem de Britney Spears a Jessica Simpson, o pop puramente (e puramente objetificado). Por essas e outras que imagino que Taylor não grudou em mim. Mais pelo seu som. Um caminho que encontrou outros obstáculos graças aos pensamentos machistas que vinham à tona conforme algo sobre ela passava embaixo do meu nariz.

 

Algo que conto logo menos.

 

Antes de 1989 sequer ser pensado, lá estava ela: a fase Jogos Vorazes. A última saga que me apaixonei. Eu tive a fase hardcore com Safe & Sound – e Taylor está lindíssima no videoclipe, SOS –, embora tenha feito parte do grupo resmungão que perguntou: o que essa menina tá fazendo aí, hein?. O motivo? Nem eu sei, mas, aos poucos, fui abalada pela febre de “repudiá-la”.

 

A fase Jogos Vorazes veio de mãos dadas com a Era Red na minha vida, cuja faixa que mais escutei foi The Last Time. Um ponto desta história que tenho mais noção por motivos de Gary Lightbody. Um feat. que poderia ter me deixado contente por motivos de visibilidade ao artista favorito, mas, naquele tempo, eu detestei. Automaticamente, veio a primeira dose de ranço sobre essa mulher. Por que ela tinha que mexer no meu queijo?

 

O ano era 2012 e aí entramos na machistinha interior. Se você é fã da Taylor e ordenar essa história, verá que não tem sentido algum. Não há ordem nos fatores, pois eu sempre cheguei tarde em todos os rolês que a envolviam. Então, eu pegava o clima de ranço nas alturas. Salvo 2016 em que eu vi tudo acontecer e fiquei 1 ano todo no mood nunca nem vi.

 

Voltando, estava tudo bem na nossa relação sem vínculo. Até ela chamar minha atenção com o dueto com o Gary (Snow Patrol), na música The Last Time, do álbum Red. Daí entramos na fonte de ranço de meio mundo: a vida amorosa dessa mulher. Claro que a criança aqui, nem um pouco desconstruída em 2012, achou que Swift logo namoraria um dos seus cantores queridos.

 

E veio ele. O slut-shaming.

 

Como também o revival da fase MSN: ao vivo eu detestava Taylor Swift. No meu quarto, eu viajava na maionese com The Last Time Safe & Sound. Recordo-me disso, porque eu tive um MP3 e eu botei as músicas populares de Red e as duas que ela deu voz para a trilha de Jogos Vorazes. Nunca ouvi meu eu interior reclamar.

 

Soa tudo muito bom, mas eu vivia mais ou menos um lance mean girl. Ao mesmo tempo que eu escutava essas faixas, com sérios heart eyes, eu ficava irritada com a Taylor “invadindo” meu quadrado. Eu fiquei brava (???) com ela pagando de amiguinha dos meus artistas protegidos e incógnitos. Bem adolescente. Bem aquela situação de amiga pela frente, inimiga pelas costas.

 

Uma juvenil com mais de 20 anos pensando desse jeito. Amém que essa febre horrorosa passou!

 

Taylor Swift e Gary Lightbody

via Tumblr

 

{pensamento idiota}

 

Como assim ela ousou dividir uma música com meu cantor favorito que tem 0 tudo a ver com sua musicalidade? Ela vai tentar seduzir ele também?

 

{/fim do pensamento idiota}

 

Eu vivia basicamente a cena em que Cady Heron narra que está obcecada por Regina George. Com a diferença de que eu não fiquei obcecada pela Taylor, porque a mídia sempre representou melhor esse papel. Tão quanto os haters. O que eu queria naquela época era que o dueto flopasse, mas ela foi lá e lançou um videoclipe. O que rolou foi o que os estudiosos chamam de morte terrível.

 

Com ou sem esse evento, eu segui sem dar a devida atenção para ela. Essa “relação” ficou na superfície, pois o ranço sem justificativa plausível tomou todos os espaços.

 

Por mais que esse ranço sem justificativa plausível tivesse encontrado um cantinho bem quente dentro de mim, eu segui ouvindo The Last Time como se não houvesse amanhã.

 

Sonhei com ela várias vezes.

 

Fiz videoclipe na minha mente.

 

Definitivamente, essa foi a primeira música da Taylor que eu soube cantar de cor e salteado enquanto o ranço oscilava. Um ranço que me impediu de reconhecer que eu curtia, nem que fosse minimamente, as músicas de Taylor Swift. Ou que minimamente me simpatizava com ela.

 

Mas ainda gosto da ironia de que foi um dos meus cantores favoritos que me influenciou a conhecê-la na fase Red.

 

As linhas vermelhas…

 

Taylor Swift - Safe & Sound

 

O ano de 2010 foi marcado por dois instantes: o Orkut dando seus últimos suspiros e o Twitter ganhando mais e mais usuários. Eu vi tudo isso acontecer e antes era tudo mato.

 

Vários artistas se deram bem/se deram mal com o boom das redes sociais (e segue assim em um nível insuportável). Eu me lembro do caos que foi quando Demi Lovato foi internada na rehab pela primeira vez (a fase #Lovatic #PrayforDemi). Um exemplo de tantos outros visto que Taylor também acabou arrastada nesse mar vermelho. A personalidade que poderia ser considerada como uma das fundadoras do famigerado clickbait graças ao interesse constante em sua vida amorosa.

 

Daí temos outra informação que acabei de lembrar: Taylor “furando o olho” da Demi e “arrasando” meu Semi. Lembro do ask Taylor até hoje, o que entrega que eu peguei muito dos incômodos da Demi sobre quem era a menina Swift. Eu me vi como a mãe querendo proteger a filha. A própria Xuxa querendo proteger a sua anja.

 

Para alimentar vários níveis de ranço instalados, Taylor se tornou a famosa que bastava colocar o nome junto com um título tendencioso que, bam!, o estrago era feito. E foi assim que meu pequeno desdém sobre sua figura começou a crescer por conta própria.

 

E sem justificativa plausível.

 

Eu poderia manter a ideia de que esse ranço cresceu só porque ela “duetou” com um dos meus artistas favoritos (#stefsjuvenil). Em contrapartida, eu cravo no que muitos de vocês já sabem: o ranço veio e se manteve graças ao zigue-zague de seus relacionamentos somado a outras coberturas ruins. Eu não era fangirl da Taylor, o que já configura a realidade de que eu não ia atrás de saber o que era verdade ou mentira. Assim, aderi a visão de meio mundo. Ou seja, achismo. O que é igualmente tóxico, porque você replica inverdades prejudiciais.

 

Os anos se passaram e eu nem sequer pensei no trabalho dela. Só sabia que Taylor era namoradeira e, em efeito à minha educação tradicional, eu a via sob uma lupa meio conservadora. Não se tratava da questão de virgindade, por exemplo, mas do famoso rótulo dos anos 90 que ouvi demais: a rodada do rolê. Daí temos o slut-shaming. Que meio mundo empregou… Sem motivo algum!

 

Mentira que tem motivo sim. Hoje, como seres de luz, sabemos que tem o teto de vidro chamado patriarcado. Um teto que desceu o manual machista e sexista sobre as mulheres. Taylor é um caso que dá para usar de exemplo em qualquer palestra para explicar como essa “cultura” funciona. Afinal, mulher que troca de namorado em curto espaço de tempo é o que mesmo? Ah, sim.

 

Quando penso sobre isso… Bem, eu nem sabia que meu pensamento era movido de slut-shaming. Nem sabia que, vez e outra, eu policiava a Taylor do pior jeito possível. Era desonesto. Machista mesmo!

 

De quebra, slut-shaming entrou no meu dicionário em 2015 e só foi nessa fase que comecei a entender o modo como eu pensava sobre as namoradeiras. O que inclui a história do homem que trai e a culpa é da moça envolvida. Traduzindo: o homem sempre é a vítima da namoradeira.

 

Me respeita!

 

Hoje, eu vejo com muito mais clareza o quanto Taylor passou anos da sua vida lidando com o slut-shaming da mídia. Com críticas de ser a “jovem de coração partido que precisa vencer na vida falando mal dos boys”. Em boa parte dessa narrativa foi comum ter pena dos caras e não dela. Ela era a “caçadora”, a namoradeira sem fim, porque “os usava para ter música”. De algum modo distorcido, Swift se tornou o “cara” que só vê “a mulher” como um ser inanimado. E todo ser inanimado normalmente ocupa o lugar de musa e essa musa… Partiu o coração do artista.

 

Os caras seriam as musas e Taylor o artista de coração partido – e que só sabe produzir assim. Porém, em vez de receber biscoito por isso, como o próprio amigo dela, Ed Sheeran, ela foi julgada. A imprensa e os haters sempre recorriam à vida amorosa dela para desmerecer seu job. Para rebaixar mesmo. Ou criar um tipo de diferença no estereótipo de que mulher só sabe escrever romance e afins. Entendem a toxicidade desse pensamento?

 

Não se nega que Taylor usou de suas histórias para compor. Algo que a maioria dos escritores fazem. Escritores, no masculino, e nenhum é criticado por isso. Nem sua visão machista de musa.

 

Mas Taylor foi, especialmente ao longo da Era Red. Jake Gyllenhaal rings a bell? Uma menção ainda suave por ser a mais popular. Contudo, ao longo dos namoros, a mídia vacilona não perdeu a chance de cutucar os ex-namorados a fim de ter alguma declaração bombástica sobre ela. E o foco era sempre a farpa que os fazia se passar por grandes vítimas de Taylor Swift.

 

Sobre o quanto eles se sentiram humilhados. E meio mundo se compadeceu com esses “pobres coitados”. Tipo eu. A denúncia do machismo internalizado de outrora.

 

Mesmo eu não sendo relevante, eu fiz parte do reputation. Bem no conforto da minha casa e sendo 100% who, porque eu jorrei veneno sobre essa mulher. Um veneno que nunca foi meu. Um veneno sem sentido. Um veneno de uma origem sempre muito duvidosa por não se embasar em uma opinião 100% minha. Muito era osmose do que os outros falavam e, por preguiça ou sei lá o quê, nunca fui atrás de saber o que ela tinha a dizer ou disse. Eu só fui mais uma que não sabia o que estava falando sobre Taylor Swift, mas falava quando se avistava a menor oportunidade.

 

E não era um falatório positivo. Ao menos, não até 1989 acontecer.

 

Que se tornaram azuis… 

 

Taylor Swift - 1989

 

Mesmo com todo esse rolê fragmentado, Red pode ser considerado o primeiro álbum que tive contato com a Taylor. Uma relação mais próxima, mesmo que envolvesse as faixas hits. Como I Knew You Were Trouble que denunciou a minha ainda atração por música pop.

 

Não me lembro como soube do dueto da Taylor com o Gary, provavelmente foi a santa internet, mas sempre me vi acompanhada pelas famosinhas dela. E ainda sigo amando The Last Time. Mas, antes de ser uma admiradora declarada da Taylor, algo que vocês compreenderão melhor na 2ª parte deste especial, eu vivi, mesmo sem querer viver por justamente nunca ter me considerado uma Swiftie (e eu nem sabia o nome do fandom), meu instante adolescente. Cultivando o amor que se nega para ninguém tirar onda com sua cara. Cultivando aquela raivinha sem sentido.

 

Eu vi que viver no mundo em que Taylor é sua trilha sonora é igual ao famoso 8 e 80. É tabu dizer o nome dela. Ainda segue um tipo de “problema” você curti-la. Como se você tivesse desonrando o “cancelamento” de 2016. É quando vejo que essa vibe de cancelamento é a toxicidade do momento.

 

É fato que os rumores, desafetos e tretas da Taylor me afastaram da própria Taylor. Só que o 1989 aconteceu e a musicalidade desse álbum casou com um estilo sonoro que amo ouvir. Músicas dos anos 80 são incríveis e ver como ela capturou boa parte da essência da época me extasiou.

 

O 1989 fez a Taylor ser constante no meu 2014 e em boa parte de 2015/2016. Épocas em que eu terminava de escrever o We Project. Eu não conseguia parar de escutá-lo e foi aí que comecei a notar similaridades minhas com ela. Nada tem a ver com relacionamentos, embora eu acredite que, nós duas, víamos que qualquer amor era amor e o pegávamos para nos sentir menos sozinhas. A questão real aqui foi a escrita. Foi a primeira vez que prestei atenção em suas letras.

 

Eu me vi apaixonada pela montagem entre letra e música, e como esses elementos se encaixavam. Como esses elementos provocavam diferentes emoções em cada nova experiência. Foi a primeira vez que comecei a ir atrás de saber qual era a dela e vi como ela fazia valer fragmentos da sua história ao se apoderar das narrativas. Blank Space uma das provas e me lembro que eu ri ao escutá-la pela primeira vez. Ela rebate o rótulo de a “doida dos relacionamentos” ao ser a “doida dos relacionamentos”. Uma linha de raciocínio que eu peguei anos mais tarde com reputation.

 

Eu não entendo muito do processo de compor música, mas eu me encantei com a entrega dela nas letras. Ainda me encanto, se querem saber, pois é uma entrega cheia de variáveis. Cheia de momentos diversos. Resumindo: é a tal da experiência. Normalmente, escritores (no geral) escrevem dentro daquilo que experienciam e o amor se tornou o tema central da carreira de Taylor. Um amor que eu nunca entendi e que ela me deu as mais variadas nuances.

 

Hoje, eu escuto Red com outro formato de coração que nada tem de sofrido. Soa como uma saudade do que não aconteceu. O que parece meio triste, mas, sério, eu fico saudosista pelo boy que nem chegou.

 

Até o reputation chegar e zonear os atributos comuns no “rebrading” da Taylor em cada Era. Inclusive, me deixar meio sem chão visto que cada música desse álbum se encaixou com meu 2018.

 

Taylor tem uma facilidade incrível de se projetar na música. De trazer suas experiências em estrofes padrão ou em versos brancos. Eu gostei disso e assim encontrei a similaridade que criou o elo que não existia entre ela e eu.

 

Eu mesma preciso escrever a partir de um evento. O que não soa tão “inovador”, mas o evento vem da experiência, do sentimento que trouxe e o que se aprende com isso – ou o que faltou aprender. Materiais para que, mais tarde, você veja o quanto mudou. Para que você veja o quanto suas cores não são mais as mesmas.

 

Swift me deu todas as chances de tornar as linhas vermelhas e azuladas da minha vida em douradas. O que é irônico dizer, pois reputation é sua fase mais “sombria” por ter muito preto. E reputation se tornou, ironicamente, o álbum que me deu mais luz.

 

Ao longo da minha experiência com o 1989, me vi admirada pela capacidade dela em contar suas histórias. Verdade que ficou enrustida em mim, não pela vergonha de curti-la, mas porque eu ainda não tinha encontrado meu ponto de identificação com seu trabalho. E agora eu tenho!

 

Essa Era foi dita como a Era da autoestima. O avesso do Red. Eu, como a pessoa que preza intimidade, eu me vi admirada com o processo de composição da Taylor em 1989. Bem-vinda depois de ter sido a pessoa guiada por matérias imbecis e comentários idiotas. Mesmo com tudo que disseram/dizem sobre sua pessoa, tudo virou material para que ela mesma pudesse compreender como se sentia. E escrever também é isso: explorar emoções.

 

A Era 1989 foi marcante de certo modo para mim. Foi quando eu cheguei mais ou menos a tempo do rolê acontecer. Eu amei as polaroides, porque está aí um tipo de fotografia que acho tudo de bom. Achei interessante a ideia de abordar o ano de nascimento depois de tanto álbum sobre amor perdido ou conquistado ou reconquistado ou ilusório. Antes das músicas, eu já estava atraída pela energia do conceito e fiquei um bom tempo imersa nela. Era uma energia boa que ganhou um outro nível quando resgatei esse álbum do limbo em 2018. Um álbum colorido. Feliz.

 

No post sobre 1989, eu escrevi que fazia tempo que eu não curtia um álbum pop em sua completude. Daquele jeito de querer morar dentro dele, algo que foi deixado lá na adolescência. Apesar de não ter tido meu coração partido por um crush há muito tempo, há algo na Taylor que mexe com a imaginação. Que, de alguma forma, acolhe. É engraçado lembrar que eu disse que New Romantics não tinha entrado na minha seleção de favoritas e que adorei Bad Blood sendo que eu detesto essa música atualmente. É bom ver essas mudanças, algo que voltou a acontecer na carreira da Taylor com a Era reputation.

 

Mas, antes do reputation chegar, houve o famigerado Dia da Cobra. E outros famigerados momentos, como o lance Tom Hiddleston vs. Calvin Harris vs. squad. Combo de tretas que acompanhei do começo ao fim. Com isso, o ranço voltou! De um jeito ilógico visto que eu não me considerava Swiftie (e ainda não me considero por motivos de tempo de casa). Eu me senti a amiga enganada. A que acreditou que estava tudo bem, mesmo consciente de que não estava.

 

Só sei que retornei ao mood nunca nem vi e Taylor Swift entrou na minha lista de artistas problemáticas. Geminiana quando pega ranço consegue superar o famoso 8 e 80.

 

E dessa vez eu tinha motivos de sobra para fortalecer esse ban.

 

Mas voltaram a ser cinza de novo…

 

Taylor Swift - reputation

 

Tudo tem um auge e o auge do meu ranço veio no mesmo ritmo que para todo hater consolidado da Taylor: a treta com a Kim Kardashian e o Kanye West . Foi aí que eu dei o famoso I’m done e acompanhei o #TaylorIsOverParty. Dei risadinhas contidas, como se realmente esperasse que a Swift fosse “cancelada” de vez.

 

Daí vocês me perguntam: por quê?

 

Amigas, nem eu sei, porque eu nem simpatizo com as Kardashian e o videoclipe que o Kanye lançou, e que deu aval a essa treta, foi tão ridículo que nem sei por onde começar. Eu mesma fiquei atordoada com o refrão que mencionava a Taylor, porque, bem, não me soava como a Taylor. Afinal, artista tem uma imagem de assinatura e imaginei que, como boa sagitariana, ela não permitiria uma coisa dessas. Mas daí a bomba veio e eu saí de ré.

 

Hoje eu tenho os motivos mais claros. Ao pesquisar para escrever este texto, descobri que essa treta nem foi o real motivo para eu “largar” a Taylor. Eu achava que sim até me dar conta de que nem me lembrava disso direito (e foi o reputation que me levou de volta). O que eu via muito embaçado, como possíveis coisas da minha mente, se abriu de vez quando eu vi a turnê de 1989, no ano passado. Lá, eu percebi de vez o que me irritou nessa Era ao ponto de ficar lendo a tag #TaylorIsOverParty quando ela estourou.

 

De certo modo, o “afastamento” aconteceu naturalmente, se querem saber. Para além dos relacionamentos, que eu nem me importava mais, o que me incomodou real foi vê-la estourar a própria imagem de um jeito que deixou de ser natural. Junto com isso, havia o squad que se tornou um mega trigger de autoimagem para várias garotas. Não menos importante, eu comecei a achá-la fake e forçadora de amizades (alá a vibe do Gary de volta).

 

Meu incômodo com a superexposição pode ter vindo do fato de que gosto de artistas que raramente surgem nas redes sociais. Taylor atingiu para mim o nível além do too much. Ela não se protegia. Se enfiou em umas ciladas por total desinformação já que ela vivia uma Era 100% afobada. Que exigia sua presença em todos os cantos por ter se tornado a cool girl. Tudo era sobre a cool girl e ela meio que levou esse “rótulo” a sério demais. Justamente por ela ter se tornado a garota que todo mundo dizia ser BFF quando ser BFF não é excesso de biscoito na internet.

 

E nem tudo era sobre Taylor Swift, mas, de algum modo, não deixou de ser. E isso me frustrou demais! Claramente a idosa que não sabe mais brincar de ser fã de algo ou de alguém.

 

Como os idosos como eu diriam, Taylor viveu uma fase e aprendeu com ela.

 

E todo mundo teve sua fase e sempre tem a hora em que os boletos chegam.

 

A festa de “cancelamento” marcou a primeira vez que vi toxicidade entre fandoms, passada a Era Harry Potter e Jogos Vorazes. O lance entre Katy vs. Taylor me deixou ainda mais pau da vida, porque era nítido que rolava uma alimentação desse feed. Até hoje eu passo mal quando juntam o nome das duas na mesma headline. Enfim. Tudo e mais um pouco em 2016, época que todo mundo falava de feminismo e sororidade. Foi quando eu vi que algo de errado não estava certo. Mas, eu fiquei um pouco na festa do “cancelamento” e depois fui embora.

 

Os refrescos vieram anos depois sobre essa mesma Era. Em uma entrevista para a ELLE UK, Taylor comentou o que me incomodou demais em 1989 (item 18): o squad. Eu fiquei contente. Principalmente porque me deu a chance de entender o que também se passava na cabeça dela para agir de tal maneira.

 

Essa entrevista também esclareceu a treta dela com posicionamentos políticos. Um efeito do seu squad visto que era claro que a rodinha lucrava com o feminismo. E essa para mim foi a gota d’água, porque coincidiu com o período em que aprendi sobre feminismo branco e privilégio. Além do privilégio magro. Termos que, hoje, considero as maiores inspirações para meu outrora retorno à área cinza sobre Taylor Swift. Honestamente, eu agradeço por ela ter deletado o feed. Afinal, quando voltei a ouvi-la, eu queria ter meu momento intocado até me acostumar.

 

E me acostumei até demais, percebam!

 

Durante a Era reputation, que a mídia não tinha o que falar a não ser do seu trabalho, eu vi amadurecimento. Ela seguiu o que escreveu no Prólogo desse álbum e acredito que foi uma fase ótima. Estamos aqui para aprender e aprender de novo. É ótimo reconhecer que errou. Tão quanto mudar sua própria sintonia e se apoderar de mais uma narrativa a fim de revertê-la.

 

E lá estava um feed limpo que, do nada, trouxe uma cobra.

 

E, claro, eu estava lá. Vendo a cobra. Também vi o videoclipe de Look What you Made me Do e não entendi o conceito. Eu ainda estava muito meh! com a Taylor. Tudo que pensei foi: lá vem ela de novo.

 

O Spotify alegou 83 horas em que ouvi a Taylor em 2018. Pouco perto de um fã hardcore. Porém, os resultados do ano passado se acumularam a outros. Sendo mais precisa, aos dados de 2010. Às vezes, você precisa retornar ao passado e é sobre o reputation que falarei no próximo capítulo desta grande história de múltiplas visões.

 

Contarei para vocês como essa mulher voltou – do nada – para a minha vida e como ela me ajudou no período trash resultante de 4 meses de análise. Ao ponto de ser meu date na virada do ano.

 

Imagens: reprodução

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Stefs Lima
Jornalista, fundadora do Contra as Feras e ex-líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I AM THAT GIRL. Não poupa no textão e nem nas doses diárias de café. Além disso, acredita piamente que você pode ser sua própria heroína.
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