05jun
Arquivado em: Séries

Olar, pessoal, tudo bem? Como prometido, começo minha maratona de resenhas de The Bold Type. Meu plano era publicá-las todos os domingos, mas, como podem conferir, deu errado!

 

O importante é publicar, não é mesmo?

 

Então que este primeiro episódio da 3ª temporada deixou um gosto agridoce. Não reconheci a série que amo. Como também não saí desta premiere me sentindo feliz ou querendo abraçar o mundo. Eu saí estressada e temendo que The Bold Type caia na maldição de muitas que vão ladeira abaixo em seu terceiro ano. Por enquanto, o que posso dizer é que eu queria Sarah Watson de volta.

 

Meramente porque, desde que Amanda Lasher assumiu, minha insatisfação com a série só cresceu. Com esta premiere, o sentimento deu uma agravada e devo confessar que estou meio aliviada por ela ter saído do controle de The Bold Type – e vocês entenderão isso ao longo das resenhas. O finale da S2 já não tinha me deixado contente. Uma concha de retalhos em que muito não se encaixou e pouco fez sentido. Algo muito doloroso de dizer sobre esse universo que ainda aprecio.

 

Como nem tudo é flores, vamos ao que interessa!

 

Resenha 3ª temporada de The Bold Type

 

O episódio abriu com um ritual que claramente se tornou a assinatura de Asher desde a S2: sexo. Eu não consigo mais lembrar qual foi a última vez em que vi uma abertura diferente em The Bold Type desde a saída de Watson. Detalhe que eu não deveria me incomodar, mas, quando só tem isso para se mostrar, temos um problema não apenas de fanservice. Temos também um problema de risco de hiperssexualização e de enchimento de linguiça. E é o risco de hiperssexualização que me deixa tensa. Ainda mais quando me lembra de Gossip Girl.

 

Algo que ocorreu nesta premiere. Foi ótimo ver os casais heterossexuais bem, mas, honestamente, isso pouco me interessa. Uma educação que Watson me deu visto que o romance sempre ficou em segundo plano e Lasher simplesmente se escorou em cada dupla sem o menor aprofundamento. Inclusive, não apagou aquele 50% de tentativa em resgatar seu trabalho em Gossip Girl.

 

Mas teve a abertura dentro do táxi que é outra assinatura do período Lasher para situar toda a história. Um ponto que não tenho do que reclamar, porque parece retorno das férias. Mesmo sem ser férias.

 

Tudo estava aparentemente perfeito até o bonde desandar. Ryan é um desocupado. Richard atravessa Sutton com o papo de morarem juntos. Sutton, apesar de maravilhosa, lida com um tipo de shaming (de novo??) por ser mais nova que o namorado. Além disso, com a gratuidade de ter que se sentir minimamente culpada, porque o boy perde os dates profissionais por conta do relacionamento. Para sorte geral, essa personagem sabe se posicionar e fez isso com a mesma maestria das outras temporadas. Em contrapartida, o que me preocupou foi se isso escalar erroneamente, pois a questão de idade pode muito bem não ser um problema. Há uma dezena de dramas que ambos podem enfrentar, mas soltaram faísca no trope de homem galã coroa com a novinha.

 

O que é também sintomático visto que homens mais velhos querem mulheres mais novas visto que as mulheres mais velhas deixam de ser atraentes por justamente envelhecerem. Uma questão que Suttard nunca deixou aparente até agora. E, acompanhando a temporada, houve vários motivos para eu não curtir esse viés. Meramente porque nunca pesou entre ambos. O que sempre pesou entre o casal é que os dois possuem visão de vida totalmente diferente. Sim, pode incluir a idade, mas o profissional sempre serviu de influência na vida de todos os personagens da série.

 

Esse redemoinho ilustra demais o que aconteceu repetidas vezes ao longo da S2. Há pautas interessantes que poderiam ser aprofundadas, mas, do nada, elas são transferidas para a nuvem. Ninguém nunca mais ouve falar e isso se repetiu bastante ao longo da trajetória da tríade na S3 (e vocês também lerão isso nas futuras resenhas).

 

O que salvou entre essas interações dos casais foi a união entre Jane e Sutton. Uma brecha de luz que me fez entender porque eu ainda vejo The Bold Type. Ambas me fizeram esquecer facilmente do 2×07, o episódio fiasco sobre armas. Foi ótimo vê-las juntas, embora, admito, eu esperasse que Sloan causasse o inferno na questão da mudança de sua BFF. Algo expressado na reação dela ao saber que Brady tinha chances de viver com Richard – e a melhor parte disso foi a porta bater no mala Patrick. Amém que minha anja ficou de boa!

 

Resenha 3ª temporada de The Bold Type

A cara da maldita!

 

Patrick. O que dizer sobre ele? Detestei à primeira vista e segui detestando o embuste. Fim!

 

Ele foi a causa essencial de ter me deixado com a impressão de que eu assistia outra série. Daí, temos que conversar sobre o quanto a S2 de The Bold Type não fez jus à Jacqueline. Ela não contou com um desenvolvimento justo e que contemplasse o que passou a ocorrer na S3. É fato que a personagem vinha sendo visada e tudo mais, mas nunca tocaram mais fundo nessa ferida. Ok ela ser a mulher imbatível. Sem chances de puxar o tapete. Mas puxaram e o golpe veio do nada (para não dizer que queimaram as etapas).

 

Daí me colocam um pentelho para assumir a parte digital da Scarlet e que não me convenceu nem um pouco com o papo de ser aliado das mulheres. Ok que isso me deixou meio aliviada, mas as ações conseguintes desse personagem garantiram que eu o detestaria até o fim. E esse sentimento não mudou!

 

A atitude dele de conhecer cada colaborador da Scarlet pareceu muito maneira, mas soou como se Jacqueline fosse a distraída na empresa que lidera. O que vi em tal atitude foi a tentativa de convencimento de que Patrick merecia vários biscoitos e uma faixa enorme de boas-vindas. Afinal, o rapaz era o novato do ambiente. Para tensionar mais, um rapaz dúbio. Um homem muito bem pensado para ser o descolado a fim de soar “diferente” dos outros caras da série. De quebra, veio com o selo “feministo”. “Feministo” querendo puxar o tapete de Jacqueline… Hum…

 

Para uma premiere e uma série que tem liderança feminina, claro que ele tinha que fazer ótimas impressões. É o pensamento sensato. Contudo, volto no que comentei sobre Jacqueline. A ronda de Patrick é algo que a editora-chefe costumava fazer. Até tirarem isso da sua storyline – e outras coisas mais.

 

Um dos piores momentos da presença forçada de Patrick foi o conselho dado para Kat. Tudo que vi foi a ação da pessoa branca em finalmente ter encontrado uma negra (com o “brinde” de ser bissexual) para usá-la de token. Edison é a única que abre para o papo de diversidade nesta série e sigo achando bizarro que, desde a S2, não contrataram mais ninguém que contemplasse outros grupos.

 

Ver Angie escorada é o fim do mundo, sabem?

 

Resenha 3ª temporada de The Bold Type

 

Assim, eu acho legal homem dando conselho para mulher. Vide Richard que é a melhor pessoa para conversar com Jacqueline. O mesmo para Alex que é o melhor aliado e preenche os “requisitos ausentes” de diversidade na série. Ryan não fica por menos, apesar de agora ser resumido por seu corpo e seu senso de humor. Patrick é totalmente o oposto, o que pode ter sido intencional. Porém, ele veio com aquele tom de white savior que me impediu de dar uma segunda chance no decorrer do episódio. Além do mais, ele interferiu nas subtramas que não ficaram muito bem divididas.

 

Só se ouvia o novato falar e agir como a maioria dos personagens da série. Se isso não é forçar a barra, eu não sei o que é.

 

Vejam bem: The Bold Type já possui 3 caras que sempre equilibraram a balança de aliados – e vale dizer que simplesmente pararam de desenvolver isso junto com as meninas. Concentrar tudo em um Patrick não trouxe uma gota de conforto. Ele parecia bom em tudo até para aconselhar a única personagem negra com voz ativa na série. Tenha dó, né?

 

De alguma maneira, até os homens começaram a perder desde a S2. De modo que não era necessário ter um extra. Um intruso que, em poucos minutos, conseguiu descaracterizar um episódio. O que destaca outro efeito incômodo dessa premiere: falar só dos homens em cena. E assim a S3 seguiu várias vezes, como se Jane, Kat e Sutton não tivessem outro assunto. E o mesmo vale para o excesso de comentários sexuais. Eles não são chatos, mas, em demasia, empobrecem os diálogos. Como as próprias cenas nesse viés que são filler.

 

De novo, eu me divirto à beça com o lado mais light das meninas. Porém, tem atingido o excesso que não seria absurdo algum reclamar na vida real (eu acho). Mas, para uma série, isso é sinal de falta de outros conteúdos.

 

Voltando para Patrick, eu honestamente não digeri como Jacqueline foi descartada. Algo que vem desde a S2, pois, assim como Adena, ela só surgia como Mestre dos Magos para dar conselho. Meu desejo é ver mais subtramas para ela, mas o novato deixou claro que infantilidade é o mood.

 

Patrick tirou todo o brilho de The Bold Type em poucos segundos. Pode ser meu lado protetor falando mais alto, não sei, mas eu tenho para mim que aqui temos uma série de mulheres. Tudo bem querer mostrar que sempre haverá um homem querendo usurpar o poder feminino, que é basicamente a meta desse cidadão, mas, por favor, não aniquilem a essência do projeto no processo. Fizeram tudo sobre ele, cortando o espaço de Jane, Sutton, Kat e Jacqueline. Trio que dançou muito previsivelmente nesta premiere, porque todos os espaços foram ocupados por arrogância intelectual de quem Oliver certamente acertou sobre ser um fake com tudo no lugar.

 

O ser aparentemente casual, mas com tudo planejado.

 

Mais motivo para eu ter visto todas as iniciativas de Patrick como forma de tomar poder.

 

Nada nele me pareceu de verdade e poderia ter sido o oposto se a matéria do dia não fosse sobre… Ele. Eu não quis acreditar que chegaram nesse nível no 1º episódio. Eu não quis acreditar que tiveram a pachorra de intitular esse episódio de “novo normal” por conta desse personagem.

 

A minha testa ardeu, na moral!

 

Por causa de Patrick, as meninas estavam deslocadas dentro da própria série. Com isso, o retorno fugiu demais de sua essência. Jane sempre foi o peão da trama com suas pautas relevantes e falar de quem se tornou seu chefe (a força, vale dizer) contribuiu para irrelevância. O personagem foi de certa forma cheio de si e intentou parecer legal nas palavras de uma mulher. Como ocorreu com a descoberta de que ele é “militudo”, que me pareceu mais forçado ainda por vir de outra mulher. Isso não me soa como aliança, mas massagem de ego. O cara queria ser aceito de qualquer jeito e claramente não souberam como introduzi-lo em pílulas. Deram a embalagem toda e não ficou tão legal assim. Claramente, o efeito da pressa de fazer um estranho ser digerido em 40 minutos.

 

Não, amigas, vamos com calma que dá tudo certo! Mesmo que você não saiba se sua série será renovada.

 

(e, no fim, The Bold Type foi)

 

Sloan teve que abaixar a bola, sendo que ela é a principal protagonista da série. Ela que sempre deixou claro seu interesse por outros tipos de pauta. Talvez, role um aprendizado, claro. Porém, foi triste sentir esse vazio, porque as matérias rendem a mensagem. A mudança na história.

 

Definitivamente, esta premiere não trouxe nenhuma mudança inesquecível. Só irritação.

 

Para não dizer que Patrick foi 100% ruim, curti o fato dele resgatar nuances dos personagens que atuam na Scarlet. Fiquei nostálgica com as referências para a S1, um tempo que me parece distante demais depois deste episódio. E também engoli o último conselho que ele deu para Kat em reflexo ao discurso que eu revirei os olhos de tão sem contexto. Quase, quase, ele me convenceu, mas não nasci ontem e encerramos por aqui.

 

Kat salvou a premiere

 

Resenha 3ª temporada de The Bold Type

 

Não há dúvidas de que quem salvou o episódio foi Kat. A única que entrou focada no senso de continuidade de seu plot visto que as outras meninas ficaram centradas em seus relacionamentos (que ganharam resoluções do nada na S2). Sloan foi a maior decepção por ter lidado com roteirista que não desistiu de escrever sobre “escolha um boy”.

 

Me poupe!

 

Edison foi o sopro de alívio por estar mais adequada ao contexto de The Bold Type. O mesmo para sua essência que, aqui, estava despedaçada devido ao término com Adena. Seus comportamentos de exposição coincidiram demais com o que a personagem sentia e fiquei contente por não terem queimado essa etapa. Como andam queimando um monte, honestamente.

 

Eu gostei muito dos insights sobre Kadena também, o casal que não conquistou um bom desenvolvimento na S2. Atropelaram o assunto da imigração de Adena, que foi muito bem pontuado ao longo da S1. Sem contar que Adena passou a S2 somente deitada e dando conselho. Daí ela percebeu que sua inspiração voltava sem Kat por perto, um pensamento que não tem nada de romântico. É machista, igual homem só ver mulher como musa. Meu ship merecia mais!

 

Apesar de Kat ter retornado bem envolvida em sua trama, o efeito Patrick tornou muitas das suas ações meio que forçadas? Rola uma insegurança dizer isso, mas foi como eu me senti. Ele a pegou pra Cristo a fim de engatar buzz em nome das redes sociais da Scarlet. E o primeiro passo foi dizer que, por ela ser a face de mídia, automaticamente é necessário se expor na internet.

 

Esse conselho é válido, pois as pessoas querem saber quem está por trás de uma empresa e não seria muito diferente em uma revista como a Scarlet. O que me fez lembrar, inclusive, de uma palestra dada ao longo do meu curso de jornalismo de moda para revistas em que a palestrante disse que tinha o Insta pessoal bloqueado, porque queria manter as vidas separadas. Ser exposta nesse mundo, ainda mais da moda, é parte do negócio, mas, no caso de TBT, a pegada gerou um outro sentido que não desceu para mim. De novo, a impressão de Kat ser tratada como token.

 

Não é à toa que o comportamento dele com Jane, por exemplo, foi outro. O que me faz destacar que, magicamente, Patrick entrou na revista muito consciente da vida de cada uma. Do comportamento. Já sabendo jogar. E foi meio sem nexo – a não ser que ele seja stalker & hacker.

 

O que deu a entender que sim ao longo desta temporada de The Bold Type.

 

Mais sem nexo ainda foi a fala “primeira mulher negra a ser líder de social media da Scarlet”, algo que faço questão de frisar. Ouvir Patrick dizer isso me deixou só o meme cínico da Gretchen. Pior que isso só o conselho de homem branco. Que sempre tem muito a dizer sem ninguém pedir a opinião.

 

Amigas, não teve como não achar esse personagem o piorzão em tudo!!

 

Mas, como já disse nesta resenha, eu não tenho nada contra ao quesito acima, mas rolou incoerência. Coerência existe com Alex, por exemplo, porque o personagem foi construído para assumir esse papel de conselheiro. Além de ser negro, como Kat, o que cria ainda mais um contexto de segurança e de verossimilhança para ambos.

 

Agora quem é Patrick no rodeio, gente?

 

O discurso de Patrick sobre ser verdadeira pode ter sido de muita ajuda, especialmente porque não teríamos a cena lindíssima no final do episódio para honrar o significado de The Bold Type. Porém, essa pegada não me pareceu genuína. Misturou-se o fato de que o buzz de aparecer seria ótimo para as redes da Scarlet e não propriamente para Kat. Em contrapartida, Edison fez valer o momento, pois, apesar de ter sido “inspirada” pelo homem branco, ela falou com o coração.

 

Entretanto, eu tenho que admitir que essa sequência não me convenceu totalmente. Eu cheguei perto de aceitá-la, mas o tiro saiu pela culatra quando Kat expõe as coisas de Adena. O que trouxe uma premiere de oversharing no volume mais alto. Não é assim que exposição nas redes sociais tem que ser tratada. Ainda mais quando você bota outra pessoa na roda que nem sabe o que anda acontecendo. Sem respeito algum essa iniciativa, sério!

 

Mas ficou linda a cena do banheiro e o episódio podia ter se encerrado ali.

 

De todo modo, Kat foi a personagem que me fez retornar para a S3 de The Bold Type. Eu desanimei total depois da S2 e me vi ainda desanimada depois desta premiere, especialmente por Jane e Sutton repetirem muito da S2 neste episódio. Porém, com decaimento de storyline. Ambas ficaram sufocadas entre os boys e não soltaram nenhuma expectativa para o futuro.

 

Ao contrário de Kat que contará com uma carreira política.

 

Os outros plots

 

Resenha 3ª temporada de The Bold Type

 

A ideia do Summit foi legal, mas não ornou. Toda premiere tem uma festinha, mas, pela revista ter ficado praticamente de lado na S2, foi difícil associar o evento à Scarlet. Amei a presença de Betty Incrível Who, mas tudo só foi palco para reafirmar Patrick e trazer Kat mais como uma extensão da marca e não como pessoa. Chato!

 

Chato também vale para a minha vontade de dar um soco em Richard. Eu quis gritar quando ele mente para Jacqueline e causa o embaraçamento de Sutton. Errar é humano e ainda bem que Brady é um ser abençoado.

 

Só que eu achei a mudança rápida, como o próprio retorno de Suttard. De algum modo, ainda ficou a impressão de que Sutton decidiu morar com ele “sob pressão”. A atitude dele em dizer que estava tudo ok em ela não ir meio que reforçou essa impressão. Com isso, tirando a naturalidade de uma transição importantíssima para todo casal.

 

Mas sempre tem algo que ganha no ranking de pior (tirando Patrick) e esse algo pior foi a forçada de barra entre Alex e Kat. WTF? Sinto muito pelo personagem que não tem desenvolvimento e só falta agora beijar Jane. E sinto muito por Kat, pois, de novo, a série traz a impressão de que bissexuais não possuem critério algum. Vamos lembrar que fizeram o favor de Edison trair Adena na temporada passada. Um abismo sem noção nesse writer’s room.

 

A ausência de Jacqueline como porta-voz da premiere também me aborreceu. Eu compreenderia essa mudança se os roteiristas a tivessem desenvolvido como merecia. E sabem o que me deixou chocada? Foi a falta de punição depois da publicação do texto de Jane no finale da S2.

 

Ninguém perdeu o emprego ou foi advertido. Não que eu quisesse Jane ou Jacqueline ou as duas fora da Scarlet, mas vamos ser coerentes? Aqui tem um viés que não precisaria de um Patrick, pois a S2 não deixou de repetir que Jacqueline era perseguida pelo conselho de homem branco e idoso.

 

Conselho esse que, focando apenas neste episódio, deixou claro que a contratação de Patrick é um tipo de retaliação. Afinal, essa turma só queria falar com o novato. Jacqueline o que tem a ver?

 

Um problema, vale dizer, pois Jacqueline tentou manter a parte digital e isso não foi desenvolvido. Simplesmente foi largado, pedaço por pedaço, sem nenhum embasamento. Como a matéria que surgiu do nada só para “criar atrito” no seu suposto “fim de carreira”. Onde está Cleo, hein? Entrou na S2 para vários nada!

 

Fiquei triste pela forma como Ben “saiu de cena” ao ponto de virar chacota. Nossa, gente, que decepção! Eu queria saber qual é o real problema com o nice guy, porque eu amaria namorar um nice guy como Ben. A sorte é que Ryan não é tão ruim assim, muito embora eu ainda considere o lance da caixa de ovo e o beijo desavisado como invasões de espaço sem limites.

 

Honestamente, eu queria que Jane ficasse solteira. Principalmente porque as pautas dela eram muito mais divertidas nessa fase. Ela explorava e ia se conhecendo no processo. Não menos importante, ela informava. Detalhe que The Bold Type deixou de trazer e parece que perderam a mão na hora de retomar a antiga Jane Sloan.

 

Vamos lembrar que Jane entrou em um ciclo repetitivo de julgamentos sem razão alguma na S2. Botaram nela a impressão de dramalhão mexicano em que tudo aconteceu em sua vida. Pelo amor, né?

 

Por outro lado, foi bom saber que a matéria de Jane sobre o custo do seu processo de fertilização deu certo. Ainda senti estranheza pela falta de uma represália, mas, pelo menos, essa storyline caminhará.

 

Ao menos é o que quero acreditar.

 

Melhor que tudo isso foi rever Angie. Para que criar Patrick sendo que existe Angie? Ai sabem…

 

Concluindo

 

Resenha 3ª temporada de The Bold Type

 

Quando eu terminei de assistir a season premiere da 3ª temporada de The Bold Type, me perguntei o que diabos tinha acabado de acontecer. Desde que comecei a acompanhar as promos e a me atualizar sobre as promessas quanto ao futuro de Jane, Sutton e Kat, tudo que senti foi um tremendo incômodo que já estava instalado desde o season finale da S2. Um finale que foi uma justaposição de tramas nem um pouco desenvolvidas para que chegássemos até aqui. Em outra justaposição do que sobrou no passado e que recebeu o título de Novo Normal.

 

Um título que não gostei. New Normal marcou um dos momentos mais icônicos desta série, lá no season finale da S1, quando Jacqueline confessa que também foi estuprada.

 

Esta premiere não me empolgou (como boa parte desta temporada). Ainda amo as personagens, mas, depois deste episódio, eu segui insegura. Tudo porque houve um excesso de diálogos fracos, quase vazios. Com uma logística nem um pouco interessante, porque foi abrupta. Resultado de determinados acontecimentos que falharam desde a S2. É aí que desenvolvimento começa a cobrar.

 

A introdução de Patrick pode ser uma provocação para tirar Jane de seu cerne. Afinal, deu a entender que ele quer mesmo afanar todos os redatores de Jacqueline. Mas foi ele que tornou tudo muito esquisito. Deslocado. Totalmente sem uma gota de brilho. Daí o que resta é focar na tríade. O que nunca é demais, pois elas continuam a aquecer o coração com essa linda amizade.

 

Inícios de temporada vêm com rebuliço, mas não considerei Patrick como um rebuliço. Ele é um entrave de uma storyline que poderia ter caído muito bem no colo de uma mulher totalmente oposta à Jacqueline. Seria lindo ver uma wannabe Miranda. Seria mais condizente do que seguir pelo básico de meter um homem para gerar um choque breve e depois o pedido da cesta de biscoito.

 

Pode tudo ser um exagero. Pode ser que eu esteja protegendo a série. Mas minha insatisfação existe desde o episódio 2×07. Antes disso, eu segui feliz até tudo começar a perder um tanto de sentido.

 

A tentativa de mudar a narrativa para sair do que já foi mostrado entregou um retorno sem fluidez. Um retorno que tentou suprir os buracos do finale da S2. O que me faz ressaltar outro ponto de incômodo: a brevidade das cenas. A edição rápida que não aprofunda e que aconteceu demais na temporada passada. Que aconteceu nesta premiere.

 

Pode ser resultado da quantidade de personagens em cena. Não sei, mas sei que gente demais para dar conta pode dar ruim. Depois de anos resenhando Chicago Fire, ficou nítido que, ao menos para alguns formatos, o grupo de principais tem que ser de no máximo cinco. Mais que isso é zona!

 

Independentemente, a inserção desse novo personagem foi desonesta. Há agora uma quantidade maior de homens ao redor das protagonistas que só falaram sobre eles. Salvo Kat que fala sobre uma mulher, porém, o fim de Kadena deu respaldo ao comportamento machista de tratar mulher unicamente como uma musa. O que poderia até ficar em uma zona cinza se não fosse o fato de Adena ser uma artista.

 

Em um tempo em que tudo que muitas mulheres querem é não ser musa de ninguém.

 

Do feminismo furtivo, esta premiere tirou a pertinência de suas personagens. Tudo girou ao redor dos homens e elas ficaram em um universo à parte. Contudo, eles ganharam também uns momentos nada a ver. Ryan, o maior exemplo (ah mas objetificação, ata). Um cara que se deu mil vezes melhor na S1 desta série, pois, ao menos, ele contava sua história.

 

Algo de errado não está certo. Principalmente para Jane que, de todas, é a que mais precisava de um novo fôlego depois que passaram a escrevê-la mal demais na temporada passada.

 

A não mais showrunner deixou bem claro na S2 que seu intento era abrir espaço para os casais. Detalhe que não me incomodava tanto até este episódio acontecer. E só piorou quando na temporada passada muito se falou sobre objetificação e há uma grande diferença entre tornar uma cena de sexo útil a torná-la tudo que um roteiro sabe contar. Algo que aconteceu nesta premiere que, se não fosse por Kat, eu realmente acharia que via outra série.

 

E eu realmente achei que via outra série. Nem sabia o que escrever aqui, de verdade.

 

Eu ainda amo minhas filhas e espero sempre que cada uma conquiste uma storyline decente. Com ou sem boy/girl. Mas… O efeito truncado da série ressurgiu e isso é motivo para ficar com o pé atrás. Ao menos teve abraços fofos e a cena de apoio a uma Kat despedaçada foi tudo pra mim.

 

Apesar de tudo que eu disse, não tem como não sorrir ao ver essas mulheres incríveis. Não tem como não rir de comentários do tipo Ryan Jr.. O texto pode ter sido vazio em boa parte do episódio, mas não se anula o fato de que mulheres costumam conversar assim. Os roteiristas só precisam ter cuidado com a sina de querer um Sex and The City quando aqui temos outros perfis de mulheres.

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Stefs Lima
Jornalista, fundadora do Contra as Feras e ex-líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I AM THAT GIRL. Não poupa no textão e nem nas doses diárias de café. Além disso, acredita piamente que você pode ser sua própria heroína.
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