03jul
Arquivado em: Séries

Ao contrário da premiere, eu gostei deste episódio de The Bold Type. Tudo porque o papel de Patrick foi reduzido e assim eu consegui ouvir direito as vozes de Sutton, Jane e Kat. O mesmo se aplica à Jacqueline que deixou claro o que eu suspeitei no 3×01: o embuste mirim só quer causar no terreno dela e tentar fragilizá-la. Em suma, o cidadão “permitiu” que elas ocupassem o centro da trama como deveria ter rolado no retorno da série. Tô errada? Não tô!

 

Nada de sombra para as minhas anjas!

 

A trama abriu com o amor entre Jane e Sutton e sigo apaixonadinha. Muito melhor iniciar o episódio com uma dupla de amigas visto que dá o termômetro dos ânimos para o expediente. Tudo bem que ainda torci o nariz para a mudança de Brady por ter me soado súbita e cheia de influência da parte de Richard, mas nada como um remendo para dizer que está tudo bem. E que todo mundo está feliz.

 

As personagens principais pareciam mais personagens de The Bold Type e isso trouxe certo alívio. A começar por Sutton que, junto com Richard, chocou (finalmente) com uma realidade nova e que terá muito mais impacto na vida dela. Principalmente quando pensamos em status social, pois largaram nas entrelinhas de que ele tem gosto requintado e que suas outrora parceiras foram da elite. No geral, foi muito legal acompanhá-la preservando seu lifestyle ao ponto de querer lavar as próprias calcinhas. Vamos combinar que soa fácil se acomodar na realidade do homem em questão, mas essa jovem segurou a onda. Foi ótimo não vê-la ceder.

 

Mas me perguntei se, por um acaso, Jane não lavava as roupas dela (#risos).

 

 

Apesar da conversa sobre lavar ou não a roupa ter sido muito legal, está aí outro exemplo de diálogo desnecessário. Sendo que há vários temas interessantes que Suttard poderiam conversar em decorrência da mudança. Poderia haver outra crise de consciência, especialmente porque ambos deixaram de compartilhar tempo de tela na S2. Os dois estão efetivamente juntos nesta temporada e o período da S1 foi extremamente marcante. Roupas eram o assunto mais urgente?

 

E o salto temporal nem foi tão grande assim, hein?

 

Sei que Sutton é 100% nem aí, mas seu comportamento não deveria apagar a necessidade de uma conversa que os colocasse em um patamar equilibrado. Mudança não é brincadeira. Ainda mais quando comentaram dezenas de vezes de que Suttard contariam com problemáticas “reais”.

 

Amo simplicidades, mas, de acordo com entrevistas, esse shipper é cheio das “problemáticas”. A começar pelo lance de idade e do quanto Sutton tem sido sexualizada pelos coleguinhas de Richard. Enfim, eu já me abri sobre isso na resenha passada, então, vamos seguir esse baile!

 

Suttard foi o eixo deste episódio e eles sempre me atraíram pela sua leveza romântica. Talvez, seja por isso que falar sobre roupas tenha calhado e tudo bem. Mas não é essa a questão. Meu amor aqui vem pelo fato de que ele sempre torceu por ela e nunca se deixou ser deslumbrado por estar com uma mulher mais nova. Ambos possuem uma química maravilhosa que se acertou no decorrer de uma trama que me deu um pouco de esperança sobre The Bold Type não estar 100% perdida.

 

Papo que rebate em Kat, a personagem que tem conquistado pouco a pouco um papel de relevância na trama. Embora ela esteja desconectada do ritmo de Sutton e Jane, ela segue como meu maior ponto de interesse desta temporada. Ao contrário do que Patrick provocou na premiere, que sigo considerando nada natural, especialmente por se tratar de um personagem novo, aqui a vimos tomando as rédeas da situação. E The Bold Type é sobre isso. Cada uma tomando uma decisão. Contando uma com a outra. Em caso de urgência, basta chamar Alex para gerar o desempate.

 

E nem curto falar dele desse jeito, mas a série não tem me dado pauta para falar diferente.

 

 

O mais interessante é que as roteiristas (que incluiu a própria Lasher) criaram uma fluência muito boa de trama. Algo sentido na storyline de Kat visto que se marcou o início do que se tornará uma campanha política. Um início de conflito para que ela reencontre ordem na desordem depois de Adena e, com isso, apure seus bons instintos para criar em sua área de domínio.

 

Edison sempre foi ótima com mídias sociais – como a S1 fez questão de destacar. Vê-la retornar às suas raízes muito me animou. Tão quanto a abertura para o futuro político (a melhor coisa da S3, honestamente).

 

Amei muito a ideia de Kat se responsabilizar para salvar um point club voltado ao público lésbico. Amei ainda mais por ela não ter esperado um amém para tomar a iniciativa. Ela simplesmente seguiu seu instinto, como sempre faz, mas houve uma singela diferença. Edison entrou na série como a impulsiva das 3 e penso que este episódio entregou um pouco de amadurecimento nesse quesito. Ela se consultou antes de agir e não usou do seu trabalho para mobilização sem acionar um responsável. Para quem seguia às cegas, a personagem entregou consciência do seu poder. Consciência de qual limite poderia atingir a fim de chamar a atenção para uma causa.

 

Um saldo bastante positivo visto que o intento é lhe dar uma carreira política. O que aumenta um bocado a responsabilidade dos roteiristas em contar esse novo capítulo da história dela que, em dois episódios, foi direito ao ponto. Aqui, houve o rememorar de que Kat é ótima em se abrir e em engajar pessoas. Daí, vocês podem questionar sobre o que ela fez no 3×01, mas, repetindo, eu não senti naturalidade naquele momento. Era ela, mas ao mesmo tempo não era. O que não foi o caso deste em que a personagem não teve sua voz abafada por nenhum Patrick.

 

O que era omisso na S1, como mera função de social media, se tornou o boost em sua carreira que tem tudo para render bons frutos agora. Estou empolgadíssima! Sem dúvidas é minha storyline favorita. Até porque, pelo visto, entrarão no papo esquecido na S2: o fato de que Kat é negra.

 

Tento entender o problema de se esquecerem desse “detalhe” o tempo todo. Aí, do nada, Edison surge como a mais consciente do rolê e também não faz muito sentido. Próximo!

 

Jane, coitada, seguiu amarrada ao mundo do mala Patrick e eu fico de testa quente. Afinal, ela é o cerne da trama por meio da sua ligação com Jacqueline. Não mentirei: eu esperava que ambas resgatassem o pique Scarlet visto na S1. Aí enfiaram um cara 100% nada a ver.

 

Quem eu devo culpar?

 

Assim como na premiere, Jane se manteve na sombra. Na semana passada, deu até para digerir (com a força do ódio), mas dessa vez não. Não quando na S1 a pegada para abordar o assunto BRCA e congelamento de óvulos seguiu uma linha interessante de conscientizar mulheres. Principalmente as que não vão com tanta frequência ao médico e que não possuem noção de seu próprio corpo.

 

É bárbaro que Ryan seja um cara legal (eu acho). Que ele apoie Jane. É o mínimo que um homem tem que fazer. Porém, a ideia de jerico de Patrick sobre a matéria me fez lembrar da caixa de ovo. De novo, queimando storyline ao enfiar personagem masculino onde não é para enfiar. Foi um total atropelo de um momento que era somente de Sloan. Afinal, o corpo é dela, minha Deusa! Já não vivemos por tempo demais com homens querendo se meter em nossos processos reprodutivos?

 

 

Para tornar isso digerível, só mesmo romantizando. Ryan quer fazer parte da vida de Jane e tudo bem. Mas Jane tinha um intento e esse intento tinha que ser, no mínimo, respeitado. Tinha que partir dela a mudança de opinião e não da intromissão grotesca de um personagem.

 

De um papo sério, que contou com um ótimo diálogo entre Kat e Jane, tudo foi reduzido para Jane deixar Ryan entrar. Mas ele já não vive praticamente escorado na casa dela? Ai tenha dó!

 

Eu fico nervosa quando romantizam uma empreitada feminina que envolve saúde, por exemplo. É 2019 e sabemos que, com apenas um Google, não é assim que a coisa funciona. Sei que The Bold Type quer entregar tudo harmonioso e perfeito. A série não quer acarretar mal-estar. Porém, o mal-estar aconteceu justamente pelo pensamento de que o casal estava acima do corpo de Jane.

 

Que esse relacionamento é mais importante.

 

Concordo que Ryan tem que fazer parte da vida de Jane. Afinal, eles namoram. Porém, tem uma coisa chamada tudo ao seu tempo. E tempo para os shippers heterossexuais não anda tendo. Achei mesmo a gota usarem a situação delicada de Jane como artifício do shipper se resolver – sendo que não tinha nada a ser resolvido. O que me fez detestar ainda mais a existência de Patrick. Se a ideia era criar um agente provocador, bem, aqui temos um agente de descaracterização de trama.

 

Quem tem sentido bastante essa descaracterização é a própria Scarlet. O lar da série tem ficado em segundo plano e dá a entender que não há mais criatividade para se gerar discussão positiva. E a única discussão que parece existir é o #MeToo ou outro tipo de abuso. O que é extremamente positivo, mas The Bold Type vem de uma temporada que não aprofundou muita coisa. E o fato de Jane ter ficado escoradíssima, recebendo uns backgrounds 100% nada a ver, veio cobrar seu preço. Com tanto espaço vazio que ficou na S2, bem, os shippers conquistaram relevância. A artimanha de quem, possivelmente, não sabe o que contar. Ou que acredita que só esse caminho é o suficiente.

 

Sendo que nem os caras desenvolvem e isso pode se tornar um empecilho para a tríade.

 

Digo, para Sutton e Jane que precisam seguir com seu desenvolvimento pessoal/profissional.

 

Acho bacana homens aliados, mas é importante separar o que é da mulher. Jane se sentir mal por não incluir o boy poderia muito bem vir depois. Tenho certeza que poderiam gerar um papo muito bacana entre Ryan e Jane, como na época do Ben – que não foi intrusivo/que agiu dentro do esperado/e nada a ver Jane dizer que Ben foi intrusivo sendo que Ryan a beijou enquanto namorava.

 

De novo eu tenho que ser a anti-shipper do rolê, mas eu gosto de shippers. Desde que não atrapalhem o poder de decisão e nem o desenvolvimento das personagens. Ryan é um “amor” (eu ainda tenho emoções oscilantes sobre esse jovem), mas ele me irritou em dois episódios. O mesmo Patrick. Richard nem comento porque ele ficou de boa (e ele é meu fave).

 

O que me incomoda mais é Jane escorada. O que é compreensível, pois a temporada passada conversou bastante com Sutton. Nada mais certo que Kat ter todo o destaque para preencher o que minguou na série: a militância furtiva. Em contrapartida, há tanto sobre Sloan que pode ser contado. Como o irmão que segue mencionado, mas nunca visto. Seria muito legal ver as raízes dela, pois, como já comentei por aqui, seu talento de subir muros ou de ser julgadora não são traços meramente ilustrativos da sua personalidade. E tem sido ótimo vê-la mais leve, não mentirei!

 

Os outros plots

 

 

Bem li que Oliver teria um destaque nesta temporada e amei. Até o impasse dele foi muito bem colocado na trama, sendo a semente do início do expediente que se revelou em uma causa judicial. Eu gosto muito dele e o foco dado foi merecidíssimo. E eu tenho tesão em ver a casa dos personagens.

 

Um tipo de foco que ornou com Richard também e eu acho que o apê dele mudou, mas tudo bem. O que importa é que amo ver personagens em mood doméstico.

 

Ryan não fez parte desse grupo e eu mesma estou prestes a entrar na casa de Jane e retirá-lo de lá. Desde que esse jovem comentou na S2 que não tem uma Kat e uma Sutton, nada mais me importa a não ser saber o motivo disso. Quero o passado do Pinstripe na minha mesa!

 

Sobre Patrick, bem, amei ver esse cidadão quebrar a cara. É sempre bom ver embuste quebrando a cara. Semana passada, eu achei que meu ranço vinha do fator à primeira vista. Motivado pela intrusão e por todo mundo dar amém a quem nem conhece. Porém, o ranço é real. Achei graça de Jacqueline botando-o em seu devido lugar. Claramente um jovem inseguro que ganhou poder sem saber o que ter poder significa. Mais um ego masculino ferido e quem se importa?

 

O que eu queria mesmo é que Patrick saísse de cena, pois exausta das pautas ruins de Jane e do cerco dele em ser o cool do pedaço – o que me faz concluir que tudo não passa de jogadinha para competir com Jacqueline. A ponta desse personagem não colou desde o dia 1 e sei que sua víbora interior aflorará quando a verdadeira dona da revista retomar o seu poder. Aguardando!

 

Mas eu tenho que dizer que Jacqueline tendo que “se provar” para um pivete… Sério?

 

O que me faz dizer que: creio que o problema atual da série está na dinâmica. As mudanças não têm conseguido conversar com o que já existe. Jane vs. Incite. Kat vs. representatividade. Jacqueline vs. Scarlet. Sutton vs. carreira. Muito disso aconteceu pontualmente, mas, depois, não endereçaram mais. Simplesmente largaram e é isto. Mas cadê a continuidade do impacto?

 

Concluindo

 

 

De certo modo, este episódio veio para dar uma corrigida (por assim dizer) na fraquíssima premiere. Porém, eu não me apeguei muito. Na real, eu me concentrei nas possíveis melhoras já que o retorno da série me fez temer sobre a qualidade desta temporada.

 

Ao contrário do anterior, este episódio foi assertivo e fluido. Tudo se encaixou e não houve a sensação de cena solta. Ou de trama truncada. Houve momentos mais preciosos entre as meninas, mas nada disso apaga meu incômodo da ausência de foco inspirador. Já é o 2º episódio e eu me vejo cansada de dinâmica de casal e de pauta aleatória para ocupar um espaço que poderia ser mais bem aproveitado. O que denuncia que sim, houve umas partes que não curti. Porém, não foi uma sensação tão impactante como ocorreu no meu pós-premiere de The Bold Type.

 

Houve desenvolvimento e é isso o que importa no momento. Mas, como no 3×01, saí apenas leve. Algo que pode soar meio pretensioso, eu sei, mas o que me encantou na série foi sua mensagem. E até então não anda tendo isso e a única pessoa que posso contar é Kat.

 

O que não cancela o fato de eu ter me emocionado um tico graças a Oliver que me deixou sem chão. E fico ainda sem chão ao ver Jacqueline, a quem a S2 não fez uma gota de jus, ser julgada nas entrelinhas pela sua idade (e aqui teríamos outra pauta sensacional). Ainda bem que ela nasceu para ser essa chefe que sabe dar tapa só respirando e não precisa humilhar ninguém no processo.

 

Ao contrário de Patrick que fez bem isso com Jane na cena do elevador.

 

E, gente, que planeta é esse em que Ryan consegue entrar e sair da Scarlet como se fosse um restaurante? Eu dou risada, porque é o que me resta por hoje.

 

Até a próxima semana!

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Stefs Lima
Jornalista, fundadora do Contra as Feras e ex-líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I AM THAT GIRL. Não poupa no textão e nem nas doses diárias de café. Além disso, acredita piamente que você pode ser sua própria heroína.
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