16jul
Arquivado em: Séries

Este episódio de The Bold Type me deixou com os sentimentos em conflito. Algo que tem sido muito comum ao longo desta temporada, mas, neste caso, o impacto foi mais forte. Meramente porque tudo me pareceu surreal e eu tentarei ser o mais clara possível (e posso falhar!!!).

 

Alex recebeu destaque e é aí que reside esses sentimentos em conflito. Eu fiquei chateada pela escolha de fazê-lo o cara errado quando se tem poucos caras bons na série. O que não se compara ao maior incômodo de usarem logo o personagem que representa uma minoria para trazer uma ótica sobre consentimento em uma situação que só aparenta ser consentida.

 

O papo de consentimento veio de um conto publicado por uma mulher que centralizou um tal de Jeff. Um cara que tem uma história muito parecida com a do Aziz Ansari, que acreditou que seus avanços foram “normais”. O ator entendeu que a mulher queria (“se fazendo de difícil”) e seguiu avançando. Muito me pergunto se a inspiração desta trama veio daí. Algo que não duvido.

 

O episódio se resumiu a educar Alex e não manchá-lo para sempre. Viés que trouxe a sensação de surrealidade, pois, hoje, sabemos que uma situação dessas não fica na passada de pano. E foi mais ou menos assim que me senti a partir do instante em que o personagem descobriu que era o tal Jeff e começou a enquete entre as mulheres da Scarlet para capturar a gravidade do caos. Atitude que transmitiu a sensação de que elas deveriam afagar a crise de consciência dele. Não curti não!

 

Também não curti o que já mencionei: escolheram o único personagem negro para se prestar a esse papel. Um personagem que entrou em The Bold Type como aliado da tríade. Sei bem que ninguém está imune a cometer uma burrice. Sei também que ninguém nasce desconstruído. Porém, eu ainda acredito que poderiam ter inventado um extra, porque só assim atingiriam algo verossímil. Afinal, mesmo que Alex tenha errado, não existia intento de punição.

 

Daí vocês podem me dizer: então está correto porque homem não recebe punição mesmo.

 

Bem, se Alex fosse branco isso caberia perfeitamente.

 

 

Este episódio deixou perceptível o quanto os roteiristas ainda tratam a storyline do cara negro como se fosse branco. Eu sei que a série preza pela harmonia, mas, dessa vez, tudo pareceu mentira. Por Alex ser tão querido, quem escreveu o texto não quis maculá-lo ao ponto de retirá-lo de The Bold Type. E deu para sentir isso do começo ao fim. Inclusive, nas atitudes da tríade.

 

A crítica meio que perdeu o tom quando Alex começou a tecer seus pensamentos e a caçar respostas – que me deixaram com o desejo de acertar um murro em seu nariz. Ele ficou atrás do próprio rabo (normal?) e se direcionou para entender o que diabos aconteceu visto que o próprio se vê como um cara bacana. Não desceu, pois soou como se a mulher lhe devesse algo. Também não desceu esse “inconformismo” sobre o personagem finalmente “cair na real” sobre os homens serem os piores.

 

Em contrapartida, a crise de consciência foi legalzinha. Era o mínimo, mas ainda assim foi difícil engolir esse viés dado a um personagem que até dias atrás falava sobre racismo. Ele sabe que o peso do punho não é justo com quem é negro. Se você me coloca um assédio no meio, a coisa toda tende a piorar. Algo que não deu indício de que aconteceria assim que esse jovem revelou ser o Jeff.

 

Revelação que pediu matéria. Ótimo, pois houve o assumir da responsabilidade. Contudo, se esqueceram de que ele é um homem negro. O ponto cego (e que já deveria ter melhorado) de The Bold Type e este episódio entregou que ninguém estava maduro o suficiente para tratar desse viés.

 

Referindo-me sobre como vi a trama, digo com tranquilidade que Alex transitou pelo seu conflito como se tivesse o benefício de um homem branco. As soluções sugeridas a ele vieram de um ponto de vista branco. Mesmo que a pauta da vez envolvesse consentimento feminino, não dava para fingir que não havia a questão de raça embutida também. Mas The Bold Type pecou de novo visto que algo assim já aconteceu: quando Kat desafiou um policial e saiu magicamente ilesa.

 

The Bold Type tem dois negros em cena que são bem-sucedidos. É ótimo, mas, infelizmente, esse privilégio não apaga a cor da pele e a série segue agindo assim. Como rolou com Adena que, magicamente, conquistou seu sonhado visto quando os EUA estão em crise com imigrantes.

 

O racismo existe e eu tenho quase certeza que Alex seria atacado primeiro por esse fator. Afinal, é esperado que negros sejam bandidos, estupradores e etc.. Percebem? Sem contar que o mundo está polarizado e racistas não ficam mais debaixo da cama. Nem muito menos os trolls.

 

O que me faz comentar sobre o clima jornalístico. Jornalistas não andam tendo desconto. Se um deles confessa que é um Jeff, vamos combinar que Alex seria rapidamente afastado da Scarlet (o que não rolou). E digo “afastado” porque é o máximo que posso prever nessa circunstância.

 

 

A pior de todas as partes foi Alex dizer que é da conta da mulher em parar o amasso. Vendendo o mito de que homens não conseguem controlar seu desejo sexual. Que não podem tomar essa decisão por si mesmos porque ficam irracionais quando o tesão está lá em cima. Eu me vi indignada em praticamente toda linha de diálogo desse personagem. O que, de certo modo, surtiu o efeito esperado diante da descoberta do cara legal ter sido um embuste. Porém, o que pegou é que ninguém trouxe nem que fosse 10% de estranheza sobre o que ele fez. Justamente porque, como eu disse lá em cima, todo mundo sentou para educar o princeso abalado pela sua “mancada”.

 

Tenha dó, né?

 

Eu capturei a missão do roteirista de fazer as mulheres limparem a consciência dele. Não vi isso como “educação”, pois o intuito geral foi Alex se tocar do erro sem real esforço individual. Se fosse educação, o personagem teria feito seu próprio trabalho de campo, como Jane fez várias vezes. Talvez, tal resultado foi pensado graças ao peso dele de aliado visto que, nesse caso, haveria mais chances dele compreender o que fez e assim mudar. O que não deixou de acontecer e isso foi positivo. Contudo, Alex recebeu praticamente uma carta branca devido ao seu background na série.

 

Um homem negro seria muito mais rechaçado por essa matéria. Ele seria escaldado pelo #MeToo. Era claro como água que a carreira dele era para acabar.

 

Mas… Comportando um olhar para os tempos atuais: Aziz Ansari voltou a trabalhar e garantiu que aprendeu. Se isso é suficiente para vocês, tudo bem, mas para mim não é não.

 

Alex querer se proteger virou uma busca para amenizar sua própria consciência. E ele não tomou consciência sozinho. Ok. De certo modo, as meninas falaram que o erro foi dele e ele não lutou contra. Mas ganhar biscoito por “compreender que foi errado”? Dar doce para a tríade a fim de garantir que tá tudo bem? Bem… Fica meu questionamento sobre o personagem ter colocado ou não em seu artigo de que é a mulher quem tem que dar um toque sobre parar quando não quer.

 

 

De todas, eu esperava muito mais de Jane. Ela ainda deu uma alfinetada e foi inteligente em deixar a resposta no colo desse cidadão, mas não me pareceu o suficiente. Eu fiquei decepcionada. Tem sido fácil demais se decepcionar com qualquer homem hoje em dia e querer arrancá-lo da vida nos tapas. E eu me senti sozinha quando a tríade da série foi compassiva. Nem que fosse meu melhor amigo eu seria didática, gente. Mas essa sou eu. A sorte é que não se anulou a crítica. Uma crítica que, como disse, não foi muito bem trabalhada, porque focaram demais no “nem todos os homens”.

 

“Nem todos os Alex”.

 

Suavizar para Alex, sem nenhuma punição maior, entregou praticamente o conto da carochinha. Um ponto de vista que calha no que os roteiristas seguem se esquecendo: personagem negro. Ele não é o homem hétero branco que, sem dúvidas, se safaria disso sem nem se esforçar.

 

Kat foi a única a endereçar que ele é negro e ficou por isso mesmo. Eu acreditei que essa abordagem retornaria, mas nem Jacqueline me ajudou nessa. Todas as personagens brancas da série se esqueceram desse fator e é nessas horas que The Bold Type entrega sua discordância.

 

Parece chato insistir nessa questão, especialmente quando consigo ouvir o famoso “nem tudo é sobre cor da pele”. Mas, infelizmente, o mundo do homem branco não é igual ao do homem negro.

 

Assim, eu fico contente que nada mais grave aconteceu com Alex, pois eu acredito que a série não teria condições de desenvolver as consequências. Se demorou um bocado para Kat estar onde está, imaginem o tempo de reparo para manter o único aliado da série? Por esse lado, eu compreendo a intenção de não querer queimá-lo tão profundamente.

 

Em contrapartida, as pessoas da internet veriam cor primeiro e depois o reconhecimento do erro. O que traz a questão das consequências. Alex se mostrou preocupado, mas seguiu adiante com seu texto. Achei ótimo, mas os episódios conseguintes ressaltaram que esta situação foi esquecida. E confesso que ri demais porque eu já acho que posso desapegar dessa cobrança.

 

Eu esperava que Jacqueline tivesse a consciência de que Alex não é branco, mas ela o tratou como se fosse Jane. A publicação era importante sim, porém, a editora-chefe representa uma empresa. Por mais que tenha amado vê-la diferenciar o poder da cultura de massa vs. linha editorial, a personagem infelizmente não é a dona da Scarlet. Ok que ela tem o poder de decisão para conduzir a revista, mas é preciso proteger quem escreve também.

 

Vamos lembrar de Jane e seu quase processinho. Scarlet não é Incite.

 

O que me faz voltar em outra surrealidade – a falta de repreensão para Jacqueline depois de publicar o artigo de Jane (e pode ser que essa punição seja Patrick). Eu fico irritadíssima quando não rola punição e nem precisa ser algo grandioso. Até porque The Bold Type não tem tempo para drama.

 

Por mim, Jacqueline ficaria eternamente ilesa de qualquer dano. O mesmo para as meninas. Porém, não tem rolado verossimilhança. Por mais que The Bold Type seja um espaço seguro, o pensamento de empresa, e até mesmo do jornalismo em frente à feminicídios, estupradores e afins, não tem correspondido. E isso está evidente. Princialmente porque Jane não tem mais voz ativa.

 

Era muito difícil a nave da Xuxa pousar quando Jane assumia as pautas da semana. As pautas dela eram suaves, mas não menos relevantes. E essa personagem tem deixado de ser relevante na função que lhe foi dada desde o Piloto para ficar presa em umas storylines que minha nossa senhora!

 

Não conseguiram trazer Alex para a dinâmica que um dia foi de Jane. De aprender com o erro enquanto constrói sua matéria. Talvez, se tivessem feito isso, o roteiro teria funcionado melhor.

 

 

Considerando o tempo que vivemos hoje, com a direta extrema no nosso cangote, jamais que esse personagem receberia feedbacks que eu considerei muito leves. Mas The Bold Type quer harmonia e está aí um mantra que não se pode esquecer (mas tem horas que não dá).

 

A falta de comentários racistas me deixou abismada. E ainda deram uma forçada no #TimesUP. Por essas e outras que me senti em um universo paralelo. A Scarlet muito suave na nave da Xuxa.

 

Tudo bem que a abordagem da mídia americana não é como a nossa, mas o racismo está em todo canto. Querendo ou não, esse plot tinha a questão de raça e fizeram a pêssega. Como se só o comentário de Kat fosse o suficiente. É engraçado que Alex ainda conversou com Kat sobre a importância dela ser negra e tudo mais, e não foi feito o mínimo para que ele despertasse para isso antes de colocar seu artigo em resposta ao conto no ar. Não era uma questão somente de dignidade.

 

Nem muito menos de só cair na real de que até o cara bacana foi um embuste no passado.

 

Para não dizerem que estou muito amarga, houve alguns pontos positivos nesta trama. Como a necessidade dessa conversa visto que homens ainda entendem o “não” das mulheres como uma afronta. Ou como um “sim” para continuar o que fazem. Daí eu entro no que faltou neste episódio: são esses “nãos” que matam mulheres, porque os homens as vê como propriedade. Eu senti falta desse pedaço de mensagem, sabem?

 

Endereçar que a mulher não tem que temer dizer “não” foi muito bom também, mas acredito que isso deveria ter sido refletido na matéria de Alex. Uma matéria que eu queria ler na íntegra – e eu acho que a série podia começar a disponibilizar esses textos, sei lá, acho que seria muito rico.

 

Gostei do retratar do homem que se acha muito legal (e que sempre demonstrou ser assim) e que se viu em negação depois de descobrir que passou por cima da ausência de consentimento de uma mulher. Mudaram o ponto de vista narrativo neste episódio, bacana, mas sigo pensando sobre os motivos de não terem colocado Alex na rua, como acontece com Jane e suas dúvidas, para fazer homens falar.

 

O incômodo dele foi crível na medida do possível. Ainda mais quando o personagem chega a hesitar na hora de mandar a matéria – o que me faz crer na fanfic de que ele levou em conta de que é negro também antes de dar aval para publicar a bomba no site da Scarlet. Mesmo que ele seja bacana e tenha passado por sua própria desconstrução, ao ponto de ser uma fonte de apoio de Kat, nada o impediu de ser como tantos outros caras. Foi bom esse realismo que não é tão surreal. Mas, de algum modo, a série se esqueceu de que os tempos são outros. Um artigo desse não seria atacado só nos comentários. Vejam que Kat foi exposta na internet quando deixou seu lado político aflorar.

 

O que, claro, enfatiza que a mulher é muito mais atacada em comparação ao homem. Ainda mais se for negra.

 

Pela falta de consideração de Alex ser o homem negro nessa situação, a continuidade não foi tão convincente. Prestou-se serviço muito rápido. Afinal, o evento aconteceu em um dia. E nesse mesmo dia aquela besta quadrada do Patrick o tirou para Cristo, o que roubou tempo para desenvolver mais o tema. Ficou tudo muito desleixado e pareceu que eu revia o pesadelo de número 2×07. Lá, ninguém mais sabia os motivos de Jane se irritar com Sutton por causa de Betsy e vice-versa. Mesmo caso aqui!

 

Foi com a suavidade que não existe nessa pauta que a trama se concluiu. Sem saber direito o que verdadeiramente queria comunicar assim que o tal Jeff veio à tona. O papel de Alex neste episódio foi de suma importância sim. Ele merecia mais destaque. Porém, sigo descontente com a escolha. Esse jovem poderia ganhar qualquer tipo de história – e parar de ser aquele que beija cada personagem por ser o tapa buraco de relacionamentos.

 

Outros pontos

 

 

O que andam fazendo com Jane? Eu gostaria de saber! Como disse, ela tem sido a personagem mais desinteressante e tenho apenas Patrick a quem culpar. Desde a chegada desse cidadão na Scarlet que a série parece incoerente.

 

Deixo o questionamento: como ainda tem revista quando ele rouba todas as pautas e todos os redatores de Jacqueline? Mais mistérios nessa nave.

 

Voltando para Jane. Foi totalmente contraditório (vejam bem) ela dizer que nunca viu pornô quando na S1 ela teve suas pequenas incursões assim que passou a desejar algo mais por Ryan. Ainda assim, eu curti algumas nuances desse plot, como vê-la abraçar sua sensualidade. Sem criar nenhum tipo de entrave – uma característica sua na S1. Amei, muito, demais, ao ponto de gritar, quando o casal vê pornô juntos e, bem, vocês sabem. Tão quanto amei vê-la com aquela lingerie maravilhosa. Katie Stevens tem todo direito de se orgulhar dessa cena.

 

Mas eu estou cada vez mais exausta de abordagem sobre sexo que só é fanservice e filler.

 

Eu gosto da dinâmica entre Ryan e ela, mas o que trouxeram esta semana já atingiu o fim da picada. Espero que o futuro seja bom com essa personagem, sério. Nem por ser minha favorita, mas porque, desde a chegada de Patrick, ela desapareceu para ficar à mercê do namorado. Ao ponto de não se engajar efetivamente com o que aconteceu com Alex. Perto de Kat e de Sutton, Sloan simplesmente tem deixado de ser relevante.

 

Em contrapartida, o fluxo de Jane tem sido suave e acho até bom. Porém, o peso dessa personagem, que sempre foi o peão da semana, tem sido esmagado. Quero minhas recompensas! E chega de Ryan e Jane pelo amor da Deusa!

 

Sutton entrou em seu novo foco de carreira. Isso eu achei muito legal, embora tenha vindo de um jogo de cena problemático. Ultimamente, The Bold Type tem soltado uns diálogos bem infelizes e, neste caso, foi a modelo e o body shaming. De uma série que pregou o body positivity na S2, botar na boca de Brady que ambas perderiam o emprego porque a modelo ganhou peso não foi legal. Para piorar, a interpretação dessa mesma modelo foi bastante aquém. É fato que a questão da magreza pesa no mundo da moda, mas poderiam dar outro tipo de assertividade. Ou repensar o argumento. Foi muito sem tato, além de dar risco de gatilho quanto à imagem corporal.

 

Para queimar ainda mais este episódio, veio o comentário da estilista que, felizmente, Sutton bateu de frente. Fábrica na China? Really? A problemática aqui é que a moda explora mão de obra. Abordagem cabível ao contexto, mas, como o mencionar da modelo, a entonação aqui foi extremamente perigosa. Sendo que isso é muito sério!

 

Imagina que loucura se The Bold Type encarna o pior de O Diabo Veste Prada?

 

Deus me free!

 

É aí que pego no pé de novo. As meninas estão envolvidas em uns papos que podem ser até legais, mas não têm sido tão memoráveis. Nem pertinentes. Não como eram na S1 e meados da S2. Mudar a dinâmica da série às vezes é bem-vinda, mas, depois de 3 episódios, a essência de The Bold Type não tem sido localizada. E pensar que trarão o #MeToo como questão me soa repeteco de salvação, porque essa pauta não deu erro por dois anos. O que não é incômodo. Contudo, os roteiros não têm tido fluência como antes. Tão forçando demais nessa de ser cool.

 

 

A única que segue tendo fluência e relevância é Kat. E abrirei alguns parênteses:

 

→ Mais uma mulher branca no poder enquanto uma mulher negra é sombra.

 

→ O senador é um homem negro que vilanizou.

 

Em menos de duas semanas, dois caras negros – e nem digo tanto para o senador porque ele já chegou com pinta de vilão – caíram nas sombras enquanto os personagens brancos seguem na boa. Eu fiquei deveras incomodada com isso até a proposta de candidatura de Edison ser oficializada.

 

Outro ponto que me incomodou foi a discussão sobre o estilo de Linda. O nome dela era Linda, mas não perderam tempo de criticar a aparência? Não sei vocês, mas achei meio irônico e pode ser apenas minha problematizadora interior falando mais alto. E eu tenho uma explicação: lá na S1, Jane abordou a congressista para falar de seu estilo. Sendo que ela queria o viés político, mas só foi esse caminho de pauta que lhe restou. E a própria Jane pareceu não se lembrar desse momento da sua carreira em que descobriu que essa mulher usava roupas como cortina de fumaça.

 

De novo, problemas para atender ao plot súbito de Sutton e do pior ponto de vista possível. O que deu uma salvada foi o resultado em brechó, porque, ao longo do episódio, só vi as duas querendo enfiar Linda em roupa de marca. Pode ter soado inofensivo, mas é como tirar a naturalidade da mulher em questão. Como se só as roupas a validassem tão quanto à sua aparência. Sei que é bem assim na realidade, mas, de novo, poderiam ter escolhido um caminho melhor em vez de querer mudar a roupa porque você acha correto e assim por diante.

 

A nova storyline de Sutton, por mais interessante que possa vir a ser (e tenho fé nisso), já começou errada. Porém, eu estou sempre disposta a acompanhar a carreira dela. Desde a S1, sua história de vida me encanta. Vê-la resgatar sua criatividade e o motivo de fazer o que faz é tudo pra mim.

 

Felizmente ainda sigo com minha preferência em Kat. Ela é a única que tem contado com um jus meio que completo – e eu tenho que criticar o fato dela ter usado depressão em vez de tristeza (ai, gente, não deixo passar não!). Parece bobo, mas para quem já chamou veganismo de estilo de vida, bem… (foi a própria Kat na S1).

 

Concluindo

 

É meio óbvio que eu não curti este episódio. Mas também fico pensando sobre a cultura do cancelamento. Sei lá. Só sei que esta trama não me desceu. Principalmente porque a tríade me pareceu tranquila demais. Eu esperava muito das três no conflito de Alex visto que cada uma experienciou algo que ou roubou sua dignidade ou deu choque na consciência ao longo das temporadas. Sutton com slut-shaming. Kat e o ataque online. Jane e a pauta sobre estupro. Cada uma tinha um peso para ao menos dar um gelo nele, mesmo que temporário.

 

A série anda se contradizendo demais e isso não me deixa contente. Tão quanto tratar Alex, Kat e Adena com conveniência (e ainda assim conseguem errar com o único trio que não é branco).

 

Apesar de alguns aspectos bons, eu cancelo este episódio. Quando eu achava que agora ia, não ia, porque sempre vinha algum tom problemático que me deixava brava ou desconfortável. O que restou foi se agarrar na amizade da tríade. É o que tem salvado, honestamente.

 

O que mais quero é que Patrick saia de cena, mas já deu a entender que ele trará mais caos. Não aguento como ele vigia Jacqueline, sério. É o homem com ego frágil demais. Que, como disse Oliver, só banca que sabe e acha que tem controle, mas corre atrás do rabo ao ver uma mulher com uma carreira de 10 anos sem a menor intenção de sair do posto que ocupa.

 

E essa festa de 10 anos não me parece muito animadora. Coitada da anja Jacqueline!

 

E, gente, o Ryan não tem casa? Nem job? Vai viver só do livro mesmo?

 

Até a próxima resenha, preciosos!

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Stefs
Jornalista, fundadora do Contra as Feras e ex-líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I AM THAT GIRL. Não poupa no textão e nem nas doses diárias de café. Além disso, acredita piamente que você pode ser sua própria heroína.
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