30jul
Arquivado em: Séries

A quantidade de emoções mistas sobre esta temporada de The Bold Type é bem inquietante. Até o momento, só destaco dois episódios como suficientemente bons (3×02 e 3×04) e isso é muito visto o marasmo desta S3. Nada de impactante mudou a dinâmica deste ano da série até aqui ou contribuiu para o desenvolvimento das personagens, e eu tive que fingir plenitude.

 

Apesar da proposta do flashback ter sido muito legal, não posso dizer o mesmo sobre os desdobramentos. Ou a falta deles. De novo, veio a sensação de que nada acontece, ao ponto do vazamento dos e-mails ser meramente ilustrativo. O que me fez concluir que este roteiro não passou de outro preenchedor da temporada. Sem foco e pertinência. E é muito triste!

 

Como disse na resenha anterior, falta base de conflito. O sustento que se faz presente e que beneficia a dinâmica da tríade, independentemente do percurso de cada uma. E não é preciso uma base para 10 episódios. Afinal, o 1º ano de The Bold Type soube se desenvolver com 10 temas.

 

Lembram quando a Scarlet era tudo? Com isso, o jornalismo e a moda? A S1 introduziu a revista e o desejo profissional/amoroso da tríade em equilíbrio. A S2 trouxe a Incite até não ter mais cunho informativo. O peso do jornalismo não tem existido desde fins da temporada passada e é algo possível de cobrar porque esta série foi inspirada na jornada de Joanna Coles na Cosmopolitan.

 

A visão de Lasher nesses dois últimos anos se desviou totalmente da visão de Sarah Watson. O interesse exclusivo nos shippers do ponto de vista dela diz muito. De forma a estragá-los, claro, salvo Suttard. Um casal que não merece flanela de bom comportamento, pois nem houve desenvolvimento na hora do retorno (mas pelo menos não rolou caixa de ovo e beijo invasivo and that’s the tea). O amoroso ficou acima do profissional que era a fonte de atrito.

 

E, sendo bem honesta, não tem muito que desenvolver entre os casais. Até porque Watson os criou já muito bem encaixados. Se fosse para ter conflitos, que fugissem do mais do mesmo.

 

Triângulo? Sério? Traição? Sério? Jamais esquecerei!

 

De certo modo, este episódio teve lá sua significância. Nostalgia é sempre muito bem-vinda. Foi ótimo retornar para 2014 e me forçar a lembrar onde eu estava enquanto Jane, Sutton e Kat começavam suas carreiras na Scarlet. A título de curiosidade, eu já tinha terminado a faculdade e saía do meu primeiro emprego depois da formação. E neste mesmo ano eu amaria o álbum 1989 da Taylor Swift. Artista que abriu o flashback e que me fez capotar de muita emoção.

 

Sutton foi a responsável em me deixar sem chão graças ao resgate da mitologia do dólar. Desacreditei que ela entrou na Scarlet como temporária e que chegou muito perto de voltar para o lar (cedo demais). Um lar que escapara não apenas com tal nota na carteira, como também sob o pretexto de gastá-la para o trem de retorno caso tudo desse errado em NYC. Vê-la alimentar o imaginário da revista, o quanto aquele ambiente é mágico e o sonho de jovens que querem fazer carreira lá, deixou meu coração bem quentinho. O mesmo para o instante em que Brady conhece Richard.

 

Embora eu ame muito a Jane, a minha storyline favorita sempre foi a de Sutton. E este episódio me relembrou e reforçou essa minha admiração. Ao longo da S1, não tinha como não torcer pelo seu sucesso. Principalmente quando o segredo sobre o dólar veio à tona. Ela largou um lar conturbado para conquistar seu sonho em NYC e jamais imaginou que estaria onde está. É lindo demais para mim! ❤

 

 

Jane me lembrou da minha fase de estágio em uma revista. Eu não tinha uma ídola até essa ídola se apresentar para mim durante meu expediente. Também fui enfiada em serviço administrativo e demorei um bocado para ter uma matéria assinada por mim. Pelos olhos dessa personagem, me recordei de um tempo que não deixou de ser ótimo. Uma fase que vira e mexe eu retorno cheia de saudade e sempre me perguntando o que aconteceria se eu não tivesse desistido por causa de uma pessoa. Tudo que me bastava era ter um caderninho e uma caneta na bolsa. E imaginar.

 

Kat não trouxe tanto peso dramático, pois, desde a S1, ela nasceu como uma personagem sem grandes dificuldades. Entre as três, Edison veio muito pronta, o que tornou toda a questão de raça ausente. O que me surpreendeu aqui foi saber que um homem ocupava o cargo de cabeça de mídias sociais e fiquei muito curiosa para saber o que aconteceu com ele. Claramente o cidadão não curtiu as propostas da colega de job e só concordou porque estava na cara de Jacqueline.

 

E, bem, eu consegui ver muito facilmente a ação dele em se apropriar das ideias dela. O que é muito comum, se querem saber, ainda mais de homens que não aceitam ficar abaixo das mulheres. Não era o caso aqui, mas não se nega o ego ferido daquele que se achava o mais antenado da sala.

 

Tudo muito lindo. Tudo muito fofo. Mas cadê o efeito da Scarlet hackeada?

 

Sim, pessoal, cobrando as consequências. E não teve, pois o hack só serviu para impulsionar um flashback que, por mais que tenha sido divertido, não acrescentou em nada. O mistério em torno de Jacqueline foi a razão de uma possível transição que, no fim, manteve todo mundo no mesmo lugar. Nem Patrick foi respingado e eu achei que este episódio finalmente o desmascararia como vilão.

 

100% otária!

 

Foi aqui que eu desisti de The Bold Type e foi no final de semana que a botei em dia para continuar com as resenhas. Cheguei no ponto que a tríade não era mais o suficiente para me manter com a série justamente pela falta de trama engajadora e inspiradora. Essa história sem pretexto do hack na Scarlet foi a gota para mim. Eu tive que dar um tempo ou detestaria tudo sem chance de perdão.

 

Concluindo

 

 

Foi um episódio bem gostoso de assistir, não nego, mas, ao mesmo tempo, eu me entediei fácil. Tinha muita música rodando para preencher os cortes e a falta de história. Uma história que não deixou de ser a de Origem da tríade. Agindo como se fosse um 1×00. Mesmo sem um resultado pertinente, não dá para negar que este emendaria certinho com o Piloto de The Bold Type.

 

Além da nostalgia, o que eu curti verdadeiramente neste episódio foi a preocupação das roteiristas em fazer a lição de casa. Celine Geiger tem um pé com nostalgia e Amy-Jo Perry (produtora-supervisora) assinou o belo The Domino Effect. Não tinha como dar errado apesar de tudo.

 

Não sei se as idades foram coerentes, mas muitos detalhes dados no Piloto marcaram presença. Como o fato de Kat ser heterossexual, a menção do namorado que Jane ainda tinha antes dele virar matéria, o suco verde da Lauren. Teve o memory lane do clima de 2014, como ice bucket challenge (eu ri demais do Andrew). Mas, além de como elas se conheceram e começaram a trabalhar na Scarlet, houve a introdução do que viria ser o grande refúgio: o fashion closet.

 

O episódio conseguiu ser encantador à sua maneira, mas podiam manter só essa questão de nostalgia. Torná-la catapulta do hack não funcionou. Isso porque arrastaram esse assunto por duas semanas para engatar em uma coleção de vários nada. Não teve relevância. Nem fez jus ao peso de ter uma conta invadida. Ausência de drama que fechou esse viés de um modo extremamente inverossímil, como se as pessoas ficassem de boaça e relembrando o passado.

 

Jane foi a única preocupada visto que sua reportagem continuou a rodar como único ponto de tensão. Mas, convenhamos, se não houvesse Pamela, Sloan também ficaria de boa.

 

Sobre Kat e Tia, eu não sei o que dizer. Eu achei bacana, mas, como Sutton e Jane têm seus namorados, nada me tira da cabeça que investiram em uma ficante para Edison justamente sob esse pretexto de igualá-la romanticamente e ter pauta em comum de diálogo – além de gerar tensão com o futuro retorno de Adena. O que centraliza ainda mais o fato de que esta temporada de The Bold Type focou demais em personagem secundário e nem esses personagens secundários desenvolveram. Ryan eu não entendo porque ainda existe na série e é bizarro. Na S1, ele teve background desenvolvido. Pouco, mas teve. Agora esse cidadão só vive para ser sexualizado junto com Sloan. Um mood que sempre me lembra o pior da CW.

 

(e digo CW porque a ex-showrunner passou uma temporada trabalhando lá).

 

Foi depois deste episódio que veio a renovação de The Bold Type e confesso que fiquei surpresa. Até com a saída da Amanda Lasher, embora eu tenha ficado um tanto contente. Desde que ela assumiu a cadeira principal, a série oscila e não se encontra. Storylines superaram a incoerência, especialmente quanto ao tempo que vivemos. A S1 era muito mais equilibrada, situada. Trama e shipper funcionavam mil vezes melhor. Havia uma preocupação com os assuntos do momento. Lasher só se escorou em buzz e não trouxe nada inovador com o time de roteiristas.

 

Eu honestamente agradeço pela saída dela, porque eu mesma fiquei com receio quando vi que no seu currículo tinha Gossip Girl. Eu dei um pouco de confiança pela parceria em Sweet/Vicious, mas lá tinha a Jennifer acima dela. Enfim. Só sei que The Bold Type fugiu demais das suas verdadeiras origens e não será uma trama nostálgica que apagará essa verdade que se alastrou pelos episódios seguintes. Resta abrir torcida e acreditar que a S4 recuperará o que ficou para trás.

 

Eu gostaria de ter mais o que dizer sobre este episódio, mas, de fato, não tenho. E isso é meio decepcionante? Se eu ignorar tudo que escrevi até aqui, os erros de The Bold Type passariam 100% batidos, porque, no fim, o que ainda encanta é a amizade da tríade. Mas…

 

Não sei vocês, mas eu cheguei aqui bastante cansada e entediada. E posso dizer com propriedade que a criação de Patrick fez perder muito do significado de The Bold Type. Ele entrou rasgando e foi perceptível a dificuldade de costurar a presença dele de modo que fosse igualmente relevante.

 

Ao menos, Sutton, Jane e Kat estão bem cuidadas e hidratadas. E isso já me deixa feliz o bastante.

 

PS: tragam a Lauren de volta!

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Stefs Lima
Jornalista, fundadora do Contra as Feras e ex-líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I AM THAT GIRL. Não poupa no textão e nem nas doses diárias de café. Além disso, acredita piamente que você pode ser sua própria heroína.
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