25jul
Arquivado em: Séries

Chegamos na metade das resenhas desta temporada de The Bold Type e meus sentimentos seguem confusos sobre basicamente tudo. Por um segundo, eu acreditei que o episódio passado não tinha acontecido visto que este não fez muito sentido. Claramente um roteiro de transição para a 2ª parte da S3 que não foi tão ruim assim. Porém, não rendeu aquela rica experiência.

 

Este episódio centralizou Richard e seus amigos cheios do #whitepeopleproblems. Confesso que, ao menos para mim, estava aí um personagem cujo background sempre quis saber mais. Principalmente quando nunca esconderam o fato de que esse homem é bastante requintado. E, tendo isso em vista, era meio óbvio que os elos de amizade dele não fugiriam da elite. Amigos muito próximos e todos muito distantes da realidade de Sutton – que foi afetada direta e indiretamente nesse evento.

 

O jantar na casa de Richard foi a solução encontrada para mudar de cenário visto que a Scarlet despertou hackeada. Troca que não me deixou menos agoniada, pois ver Sutton assumindo esse evento me deixou muito insegura e pensativa sobre o possível futuro de Suttard. Considerando que Meghan contou em uma entrevista que tem um instante WTF? para sua personagem, a única coisa que penso no momento é gravidez não programada. Uma pauta que tem sido lançada nas entrelinhas. Jane e a fertilidade. Kat e o aborto. O que me fez questionar se os planos de Brady não serão afligidos por um papel materno não planejado. Honestamente, acharia o fim da picada.

 

Vejam bem: cinco episódios depois e a sensação de canto algum desta temporada permaneceu forte. Salvo Kat que manteve até aqui o fio do seu desenvolvimento, muito embora no modo rápido demais considerando que falamos de campanha política. Uma propaganda que leva certo tempo.

 

 

Se é para ser realista, Suttard demorará anos para ter uma família. Sutton entregou no auê do jantar que não pretende ser mãe e segue decidida em construir uma carreira. O meu medo vem dos roteiristas que podem fazê-la se arrepender disso do nada (e de novo). Vamos lembrar que foi nesse mesmo clima que a personagem deu um toco no mozão lá na S2 e com sentido. O que não teve sentido foi a culpa que colocaram na conta dela pelo término e que não deveria existir. Um sentimento súbito que reforçou a ausência de coerência na continuidade do fim ao retorno (também súbito) do namoro. Nem tudo é perfeito, mas não significa que tenho que ficar contente.

 

Vamos combinar que essa de mulher se sentir culpada pelas suas decisões não cola mais. Uma entrega do 2×10 para que esse ship retornasse com força cataclísmica. Por essas e outras que uma gravidez não me parece impossível, pois seria repeteco (provavelmente mal conduzido) de storyline. Caso isso ocorra, seria como tirar a autoridade dela mesmo que indiretamente. Afinal, venderiam como algo inevitável e que não tem como combater. Passo que interferiria nos desejos dela que remetem à proposta de  The Bold Type como série. Ou seja, o foco na carreira.

 

Não nego que a pauta gravidez é relevante também, mas não se socado para garantir que um casal fique junto. E é o que vejo acontecer entre Suttard e, honestamente, espero que não.

 

E vale frisar que esses meus comentários são a base do fato de que não vi esta temporada do 3×07 em diante. Processo que será retomado logo menos para dar continuidade às resenhas.

 

Durante este episódio, eu quis tirar Sutton daquele espaço. Não porque os amigos não eram legais (ainda bem que eles não eram arrogantes como eu imaginei), mas porque ela estava desconfortável. Ela não estava pronta para vestir esses calçados, o que me faz destacar o defeito recorrente de Richard. No caso, atropelá-la, como se tudo estivesse simplesmente pronto e perfeito. Calma, anjo!

 

O casal não tem tratado os buracos que existem na relação. Os roteiristas têm prezado demais certa romantização e a conversa deste episódio me fez bater palmas. Um papo que deveria ter rolado no 3×01, nem que fosse por cima. A sorte é que ambos sempre prezaram por diálogo. Imaginem caso não.

 

 

A curta conversa entre Suttard funcionou de certo modo. O texto destacou o lance da diferença de idade de um modo até que apropriado, pois é evidente que ambos se encontram em diferentes fases da vida. Richard quer descansar na rede. Sutton descobriu agora onde quer dar voo. Por mais que tenha parecido pura ideia jogada no vácuo, os amigos serviram de provocadores para o papo que faltava e só tenho a agradecer aos envolvidos. Demorou, mas o importante é deixar tudo às claras.

 

Eu gosto muito de Suttard. Ambos preenchem minha romantização interior apesar de eu torcer o nariz várias vezes para o que andam fazendo com essa storyline. É importante prestar atenção nas falhas. Como tem ocorrido com Ryan e Jane que parecem que brincam aleatoriamente.

 

Sim, eu sei que existem casais como Ryan e Jane. Mas é claro aqui que Jane e Ryan também vivem momentos diferentes. E ninguém parece muito interessado em discutir isso. A bola de neve vem!

 

Para além do casal destaque do momento, esse jantar teria sido muito boring se não fosse por Jane e Kat. Eu curti a intenção de reunir todo mundo em outro/mesmo cenário, pois as pessoas tendem a revelar outro ângulo de quem são quando saem do ambiente profissional. Porém, ficou bastante monótono. Claramente aquele evento que ninguém se conhece e ninguém sabe o que papear.

 

E me incomodou um tiquinho o fato de Richard quase tornar o jantar em um open bar. Tudo para não deixar evidente que Jane nem tem plot direito. Patrick não ornava com nada ali e não digo isso por causa do meu ranço. Só o carregaram para esse momento porque Sloan não teria com quem dialogar. Kat ainda tinha Tia, cujo objetivo foi saber se havia interesse a mais ali.

 

De maneira geral, este episódio trouxe a real sobre a falta de objetivo em conflito. Todo mundo tratou a Scarlet hackeada como algo banal. Salvo Jane devido às entrevistas com as modelos, mas, ainda assim, largaram o caos de mão. Ninguém vivenciou o pesadelo de ter a privacidade tomada – e escoraram em e-mails que levaram para o episódio seguinte com o valor de vários nada.

 

 

Por não ter plot, nada como saturar a treta entre Jane e Patrick. Foi chato. Foi deselegante. Bitolaram demais nessa de Sloan dar voadora no patrão na menor chance. Injetando mais motivo para detestarem essa personagem. Tô mentindo? Como na temporada passada, viraram minha filha do avesso para ser a mais mala do rolê a qualquer momento do dia. Me respeitem!

 

Apesar de não ter curtido esse momento, eu não tiro nada do comportamento de Jane. Eu mesma não tenho paciência para homens como Patrick. É difícil ficar quieta quando um cara como ele parece focado em apertar um nervo. Em ser desagradável. Eu não cheguei a dar um show, mas minha fama de relutante percorreu vários corredores sendo que o que eu fazia era evitar que me sobrecarregassem. Não cola mais comigo essa de não querer contratar outra redatora porque sou muito eficiente e capaz. Eu brigo sim e muito consciente da possível consequência.

 

Mas sabemos que  The Bold Type anda fugindo da consequência. Jane em uma dessas seria demitida. O que me faz dizer que a sensação de se achar protegida de Jacqueline tem que diminuir.

 

Não sei bem se, após esse fuzuê, a trégua que eu entendi como a gente precisa fazer Sloan aceitar Patrick, porque o jovem precisa de simpatia foi uma boa pedida. Creio que foi mais desespero do tipo se ela confiar nele, bem, o efeito de confiança geral é automático. Sei lá, eu achei a trégua meio forçada. Assim, muito cômodo a Scarlet ser hackeada depois que Jacqueline discursou lindamente e fechou pauta com Jane para Patrick ganhar uma flanela na testa no dia seguinte. Pagar de incompreendido quando aprendemos sobre o que ele anda fazendo no episódio passado. Aos meus lindos olhos, o personagem só quer ser “amigo” de conveniência. Fiscal da vida alheia, mais preferencialmente de quem o trata como um fantasma/de quem não tem controle.

 

Este episódio entregou que Patrick estava pau da vida com as escapulidas das duas e nenhuma delas informou o que faziam para quem claramente se acha chefe da revista e do site. Desde que chegou, ele não perdeu a chance de tentar diminuir a editora-chefe e “contratar” Jane foi o início da audácia de quem varria no background a importância da versão impressa da Scarlet. Se ele não conseguiu acesso à informação com um Namastê, então, vamos na força.

 

Patrick me parece ter inteligência o suficiente para realizar um negócio desses. Ele parece ter tudo premeditado e nunca disfarçou que não curte ser deixado para trás. Especialmente por Jacqueline. O personagem se contorce quando alguém fala que a pauta é visada para a revista.

 

De qualquer forma, esse jovem não tem conseguido tirar a “rival” de cena. Ninguém quer ser leal a ele. Pode não ser nada no futuro (que ainda não assisti visto que parei no 3×06), mas os fatos estão nas entrelinhas. Ele sabia da agenda de Kat. Meteu indireta para Jane do nada. Foi o primeiro a saber que a Scarlet foi hackeada. Pregou de vítima o episódio inteiro por ter recebido uma suposta carcada. Nunca apagarei da minha mente o que Oliver disse sobre o personagem desde o dia 1. Ele se esconde naquela posição de Namastê para vender que é um anjo desprovido de maldade.

 

 

Patrick é minha fonte atual e central de raiva. Desde que chegou, ele não ajuda. Não acrescenta em nada. Kat tem levado a S3 (até aqui) tranquilamente nas costas. Tudo bem que este episódio foi o mais fraco para a personagem, mas ainda seguiram dentro do plot criado para essa linda. Sutton também.

 

Já Jane…

 

Mesmo com a mudança bem-vinda de ares, nada efetivamente avançou. A temporada segue em superfícies, triscando no que eu chamaria de pauta morna. A série costumava ter sua complexidade dramática e tudo que tem ocorrido vem em forma de diálogos vazios e jogo seguro (os casais). Não tiro mérito do resgate de vários detalhes que sinalizam para a S1, mas posso dizer com tranquilidade que The Bold Type passa pela maldição da S3.

 

Explicando melhor: eu vejo os terceiros anos de série como o miolo de um livro. Se não desenvolvem acompanhando os dois arcos anteriores, bem… Sei que teve mudança de showrunner, mas eu mesma não aceito quando a substituta simplesmente começa a cancelar o que rolou antes.

 

The Vampire Diaries ensinou demais!

 

É possível mudar de cenário, mas sem fugir tanto da base. E é a base que não senti ainda nesta temporada de The Bold Type. Ao mesmo tempo que parece tudo muito junto, tudo parece disperso. O que me faz voltar na questão de consequência. Esta temporada entrou na nave da Xuxa e não saiu de lá.

 

Este roteiro foi bem parecido com o 3×01 em que se confunde facilmente movimento com desenvolvimento. Pretty Little Liars foi mestre nisso e é irônico notar tal detalhe já que Lijah Barasz, uma das roteiristas deste episódio, fez carreira na série de Marlene King. Chegou um ponto que PLL começou a entregar muito a base do nada e The Bold Type tem batido nessa linha tênue.

 

Para não dizerem que eu cheirei meia: do nada Sutton conseguiu o estágio e ninguém viu o vestido que ela fez. Ryan não tem storyline, é um completo escorado, e, tcharam!, seu livro será publicado. Jane fez todo o caminho da fertilização para logo ser esquecido tão quanto seu papel profissional, porque Patrick se tornou mais relevante na vida dela. Jacqueline boicotada pelas vozes da mente do Conselho da revista e ninguém a enfrentou de frente para gerar atrito. Precisam de mais?

 

Repito que a única que segue pontual em sua própria storyline é Kat, embora eu tenha começado a pensar no quanto esse caminho está fácil demais. Nem pela questão dos podres do passado, mas porque mulher não é perdoada por absolutamente nada. O que muda é o grau do ataque.

 

A S3 tenta ficar nos trilhos, mas está difícil. Gosto do aspecto de prolongar determinadas histórias, pois, como comentei na resenha passada, dá senso de fluxo. Porém, esse papo de hackear só veio para conciliar algumas aceitações, como Jane sorrir e acenar para Patrick.

 

Resta saber o que programam com o vazamento dos e-mails, pois a matéria sobre Pamela é o conflito maior que chegou quase tarde demais. É a âncora para salvar o resto da temporada, principalmente porque há uma intersecção entre a preocupação com as modelos e o ainda intento de cancelar Jacqueline.

 

Tenho interesse, mas não tenho tantas razões para me animar.

 

Concluindo

 

 

Até aqui deu para perceber que os roteiristas se empenharam muito mais em foreshadowing e nos shippers. Deve ser por isso que há essa sensação de sem objetivo e que tudo é suspeito. Não há um conflito maior que sustente todo o resto, por exemplo, e o fato de tirarem Jane do cerne das pautas ainda cobra seu preço. De episódios que entregavam uma trama redonda, aqui temos quase vários nada de plots. Vide esse hack da Scarlet que não teve meta e foi resolvido preguiçosamente.

 

Gosto quando largam informação nas entrelinhas. Isso possibilita a quem assiste juntar peças ou refletir, como eu fiz com essa minha teoria de gravidez da Sutton. Só que eu acredito que The Bold Type não tinha tanto gás para tanta mudança na narrativa. Os roteiros deixaram de ser assertivos e é possível notar isso graças ao empenho de “manter o mistério” sobre Patrick. Tudo bem, eu mesma sinto o efeito da irritação de não saber qualé a dele. Porém, o apelo da S1 faz falta sim.

 

Para encerrar, eu não sei muito bem o que dizer sobre Kat e Tia. Eu tenho curtido muito a Tia. Por um instante, eu achei mesmo que Edison apenas projetava, mas dei uma pesquisada e li que para uma mulher bi/lésbica é complicado descobrir na lata se a garota que elas estão a fim é hétero ou não (me corrijam se eu estiver errada). E eu fui até o fim acreditando que Tia era hétero. Pode ser que o jogo mude, pois, duas temporadas atrás, Kat nem era bi.

 

Tenho que comentar rapidamente sobre o desuso aka desserviço com a fada Angie. É difícil engolir que, depois daquele grande episódio da temporada passada, essa personagem é o featuring da turma dos escorados. Ela virou reforço para fofoca ou dos grandes eventos da Scarlet sendo que a realidade dela é tão importante quanto a de Kat. Vide o quanto a própria Kat tem aprendido sobre o impacto de ser birracial graças à sua candidatura. Esse é um grande favor que fazem (e ainda nem é tão aprofundado assim, vale mencionar) já que na S2 esse ponto correu demais.

 

De uma hora para a outra, Edison se tornou superentendida e não é bem assim. Há muita dor no processo de desconstrução. Sou incapaz de falar por quem é birracial, mas não é simples também.

 

Fico triste em ver que quem nasceu para ser pupila de Kat agora é um nada. Mil vezes tivessem dado um destaque a ela que a Patrick. Nem sempre compensa botar homem mala numa história.

 

Angie merecia mais! E logo nos reencontramos na resenha do próximo episódio!

 

PS: Alex ainda tem o job e segue normalmente.

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Stefs Lima
Jornalista, fundadora do Contra as Feras e ex-líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I AM THAT GIRL. Não poupa no textão e nem nas doses diárias de café. Além disso, acredita piamente que você pode ser sua própria heroína.
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