13ago
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Este é um texto que publiquei no site (que não existe mais) do meu projeto chamado Contra as Feras (e que agora faz parte do Hey, Random Girl!). A ideia inicial era um especial com várias frases importantes deste livro, mas acabei falhando no processo. Em contrapartida, eu decidi não excluí-lo para sempre, pois há uma mensagem relevante que eu não queria perder.

 

 

Este é aquele livro que não precisa de uma resenha. Até porque eu não faria jus visto que não se trata de uma biografia que valeria a pena esmiuçar. Na verdade, as páginas de If You Feel Too Much: Thoughts on Things Found and Lost and Hoped For são tingidas com um apunhado de blog posts assinado por Jamie Tworkowski (algo que não me deixou tão satisfeita, confesso). Uma pessoa que não figura pela primeira vez na minha vida, pois é dele uma das organizações que tem meu coração: To Write Love On Her Arms (TWLOHA). O real motivo de eu ter corrido para fazer esta leitura que contribuiu para meu projeto de regeneração.

 

Por quais motivos escrever sobre esta leitura se não fiquei satisfeita? Bem, apesar de ter esperado muito mais do seu conteúdo, não quer dizer que eu não tenha encontrado passagens que me identifiquei e que tenha aprendido algo. Mas, antes de entrar nessa parte, eis um resumo do livro:

 

É uma coleção de histórias pessoais que transita entre descobertas, esperanças e celebração da vida. Seu autor é reconhecido internacionalmente por ser porta-voz da prevenção ao suicídio e o TWLOHA (sua organização) representa um grande papel nessa luta. Como disse, não é uma autobiografia, mas uma coletânea de blog posts que dão um pouco de luz nas trevas (e foi justamente por ter textos soltos, sem cronologia, que torci um pouquinho o nariz e terminei a leitura meio a ver navios). Algo que Jamie domina como ninguém visto que também lidara com a depressão. Um assunto que marca bastante este livro que é seu debut como escritor.

 

Pronto! Agora podemos conversar sobre a primeira reflexão em cima deste livro.

 

━━━ ❤ ━━━

Jamie menciona várias pessoas que nada mais são personagens de histórias escolhidas a dedo para figurarem em If You Feel Too Much. Já na abertura, temos um prefácio assinado por Don Miller, amigo próximo do autor, que diz:

 

“Não acredito que somos acidentes no mundo e não acredito que deveríamos ser atores também. Acho que deveríamos ser nós mesmos e nós fomos feitos como um milagre.”

 

Uma frase que reflete a contextualização do livro como um todo. Jamie lutou contra a depressão e muitas das passagens publicadas foram escritas em algum momento difícil dessa fase. O que destaca a relação dele com o assunto e o quanto ele passou a dar valor à existência. Ele reaprendeu a celebrar a vida e trabalha arduamente para inspirar jovens por meio do TWLOHA.

 

Vi-me em um estado reflexivo depois de ter lido o prefácio. Há uma verdade indescritível no fato de que não somos um acidente no mundo. Há uma verdade indescritível de que somos um milagre. Afirmações que não precisam necessariamente de um contexto religioso para serem respaldadas. A vida é um milagre em si, independentemente se você acredita em Deus ou não.

 

Eu mesma acredito no poder do universo e sempre me espanto quando percebo o quanto estamos conectados. O quanto certas coisas têm sentido. Obviamente que eu pedalei para chegar a esta conclusão. Afinal, houve um tempo em que amaldiçoei a vida e foi um processo longo para revalorizá-la. Mas não é de hoje que acredito em conexões aparentemente ao acaso tão quanto no que esse universo lança no meu caminho – e que calha de ser na hora que mais preciso.

 

Por eu ter aprendido a acreditar que sou mágica (substituindo a palavra milagre), o processo seguinte foi exercitar a verdade do quanto é preciso fazer com que cada minuto da vida valha a pena. É difícil. Muito difícil, especialmente quando você perde o leme da sua jornada e fica à deriva. Perdendo-se de tudo, um fato que ainda me familiarizo. É sempre mais fácil dizer que fazer, mas uma vida de propósito nos impulsiona a viver. E isso é um de vários exemplos, pois cada um vive a seu modo. Cada um encontra sua própria prova de completude com o passar do tempo.

 

Crer que não estamos aqui à toa e que não estamos sozinhos soma esperança no âmago. Esperança de que podemos fazer sempre o melhor. Sermos melhores. Sermos quem somos destinados a ser.

 

O que me faz pensar em uma das minhas frases de vida e que estampou por um tempo o header do site Contra as Feras: você é você por uma razão. Não lembro se cheguei a comentar sobre sua real origem, mas, só para refrescar, a própria foi encontrada em uma entrevista com uma das mulheres que mais admiro – Bethany Joy Lenz (mais conhecida por ter trabalhado em One Tree Hill). Uma afirmação que surgiu no momento certo e que virou meu mantra pessoal de número 1.

 

Vejam bem. Apesar de ter demorado a acreditar que eu sou eu por uma razão, sempre tive meio certo dentro de mim o fato de que tudo ocorre no tempo certo. Pelo motivo certo. Encaixando como uma perfeita luva. Como acredito no universo, automaticamente creio em seus sinais. Ele atua diariamente sobre mim e me redireciona. Ato que só é um pouco mais difícil de enxergar e de aceitar quando me cego pela dor. É quando preciso vencer sarcasmo e ceticismo.

 

Além disso, meu estado deprimido.

 

Há outro mantra pessoal que é enraizado em mim e que calha com o parágrafo acima: nada é por acaso, tudo está escrito. Essa frase tem todos os créditos de uma tia que vivia repetindo isso dezenas de vezes quando prestava uma visita aqui em casa. E eu era uma adolescente e não tinha ideia de onde ela queria chegar. Só sei que me roubava risos. Mais pela entonação enérgica que ela inseria em cada palavra. Anos mais tarde, compreendi o significado dessa sentença e a partir daí me toquei que minha vida aqui é muito mais intencional que, por assim dizer, estratégica.

 

Acredito que fomos feitos para fazer algo. Não apenas para existirmos. Estamos aqui para transformar, uma busca complexa e ao mesmo tempo tangível. Uma sequência de crenças que também só veio com o meu amadurecimento e, às vezes, é difícil de engolir. Nem todos os dias são escandalosamente inspiracionais, mas é bom lembrar que você é você por uma razão. E se essa razão ainda não existe, calma! Tudo tem sua hora – e comigo foi exatamente desse jeito apesar de um dia ter acreditado piamente que eu não tinha muito o que oferecer ao mundo.

 

Tudo está nas entrelinhas, confie em mim.

 

A frase destacada do prefácio deste livro também afirma que devemos ser nós mesmos. E está aí outra coisa que aprendi a acreditar: somos um traço único no universo. Outra mensagem sempre muito fácil de dizer, mas um tanto difícil de seguir à risca. Afinal, há inseguranças. Há incontáveis fatores, como o status da nossa saúde mental. Nem todo dia é dia para sair da cama.

 

E tudo bem também.

 

Daí eu penso em imagens motivacionais. Aquelas que dizem que você pode ser quem quiser, mas a sociedade afirma que não. É uma eterna corda bamba, mas aí encaixo a questão do propósito. O propósito dá seu próprio jeito de nos transformar e de nos mover. Com isso, há o aval para a nossa criação (ou recriação) particular que nada mais é deixar nossa assinatura no mundo.

 

O que abre de novo para a verdade de que não somos um acidente. Não estamos aqui à toa. Apenas, precisamos de paciência combinada a grandes doses de resiliência. Algo também fácil de dizer, pois, considerando o mundo hoje, desespero tem nos encontrado rapidamente.

 

If You Feel Too Much - Propósito

“Seu propósito está escondido dentro de suas feridas”

 

E é aí que temos que relembrar do propósito que, infelizmente, não se encontra na esquina. É um processo de autoconhecimento e de autodescoberta (ou de redescoberta). Por mais que eu pareça muito segura das minhas intenções, essas mesmas intenções oscilam. É quando ocorrem as famosas crises de identidade. É quando questiono quem sou, o que faço e o que está acontecendo.

 

É quando vem apenas a santa crise.

 

De uns tempos para cá, tenho aprendido a cultivar o olhar interior e a cultivar pensamentos positivos. Atos que não são fáceis de manter, mas que não deixam de ser a forma que escolhi para me impulsionar para fora da cama e para almejar o melhor. Estando bem por dentro, tudo tende a ficar bem por fora. Um exercício de quem não perde tempo em se autossabotar na menor chance – e tenho me esforçado para mudar isso e tem sido complicadinho.

 

É esse esquema de querer e, depois, se sabotar que preciso vigiar. Sigo vigilante porque é muito bom cultivar o que há de melhor dentro de mim. E deixar isso transparecer para o exterior. Ao menos para mim, é um caminho para suportar com um tanto mais de compostura os dias difíceis. Uma lição recente se querem saber.

 

Dia após dia, não saio da cama sem revisar meus pontos positivos. Algumas metas. Assim, calibro minhas emoções e foco no propósito. Mas, como disse, nem todo dia é dia. E tudo bem.

 

E de onde viria esse propósito que tanto falo? No meu caso, das minhas feridas. Foi esse caminho cheio de espinhos que me colocou neste instante. Neste site. Alimentando o Contra as Feras.

 

Propósito é uma palavra relativa. Particular de cada um. Alguns encontram sua inspiração em um intercâmbio para a África, por exemplo. A semelhança vem do conselho de que nenhum propósito deve ser minimizado. Somos diferentes. Queremos coisas diferentes. Porém, nada nos anula de causar um tipo de impacto no mundo.

 

Impacto. Uma palavra que, do meu ponto de vista, está casada com o propósito. Nisso, emendo o prefácio de If You Feel Too Much com um insight próprio:

 

Não somos acidentes, temos propósito, podemos causar impacto e assim resultar milagres. Ou, se preferir outra palavra, podemos resultar magia no mundo e na vida de outras pessoas.

 

Há algo importante a se mencionar: escolhas. Escolhas moldam a existência e reforçam o fato de que não somos um acidente. Temos desejos, sonhos, etc.. Cada escolha é como um farol aberto que nos direciona a alternados lugares e ao encontro de divergentes pessoas, o que resulta em lições. E, caso não tenha escolha, as respostas para nossas aflições podem estar nas entrelinhas. Olhe seu dia com mais carinho!

 

Na adolescência, era legal dizer a minha mãe que eu não queria nascer. Uma brincadeira devido ao meu parto que foi muito complicado e que se tornou uma piada interna. Uma piada que, ditada em um dia ruim, parece muito verídico. Aí eu entro na espiral de que eu não tenho nada o que fazer aqui. Mas, de novo, algo maior nos escolhe para estarmos aqui. Eu tive muita dificuldade para estar aqui e, às vezes, me pergunto como minha versão mirim foi tão forte.

 

E como a versão adulta pode ser “tão fraca”.

 

Algumas pessoas são muito esclarecidas sobre seu propósito. Outras seguem perdidas. Outras estão seguras. Outras vulneráveis. Dizer que não somos um acidente soa como uma balela, eu sei, mas devemos sempre acreditar que podemos sempre mais. Ter foco para assim se dar o eixo e enfrentar até mesmo dias desesperadores.

 

Cada um se vê de uma maneira, mas condenar a existência é um dos descasos que considero mais pesados e que cometemos contra nós mesmos. Algo que também não aprendi de uma hora para a outra. Confesso que, na adolescência, eu não via prazer na vida e aceitei apenas existir nela. Muito dessa fase me foi roubada, o que afetou demais como eu me via e o que fazia. Inclusive, me fez indagar os motivos de estar aqui além de me “esforçar” o dobro para ser aceita.

 

If You Feel Too Much - Milagres

M.i.l.a.g.r.e: algo formidável, que surpreende. ❤

 

Retomar a vida foi um tanto complicado e é complicado para várias pessoas – e elas acreditam piamente que não deveriam estar aqui. Às vezes, vejo a sombra daquela garota que acreditou que era um acidente. Que cometia mais acidentes porque não conseguia se sentir bem consigo mesma. Aceitar-se. Mais tarde, eu compreendi a mensagem. Agora, adulta (mas nem tanto assim), tornei meus capítulos em possíveis histórias. No caso, as histórias mais difíceis, cheias de feridas.

 

E assim arrematei uma parte do que considero meu propósito.

 

Não digo que todo mundo tem que passar por um episódio ruim para compreender a existência e para ter um propósito. Esse foi o meu caminho, aquele que me fez mudar.

 

Antes, eu dizia que era grata por tudo que me aconteceu de ruim. Hoje, eu nem ouso. Contudo, eu não sei dizer que tipo de pessoa eu seria se não tivesse passado por aquilo. Talvez, impossível de lidar, pois, já na adolescência, eu conseguia ser muito tóxica.

 

Meus atropelos me fizeram ver que não sou um acidente, embora ocorra aqueles instantes de autossabotagem e de indagações sobre o que faço da vida. Sobre os motivos de estar viva. Encontrar o propósito é difícil e penei por anos em uma busca que nem havia colocado como prioridade. Aí, volto no poder do universo, que me entregou todos os sinais para que eu começasse a correr atrás da minha diferença. Para eu ser melhor. Para esquecer o passado.

 

Ter essa vida de propósito não deixa de ser exaustivo ao ponto de você realmente se curvar e querer desistir. Porém, penso que ser a atriz, com uma faceta diferente a cada dia, da sua própria história fadiga muito mais. Dói. Uma vez desmascarada, você é livre.

 

É quando calha meu mantra de número 1 e o conselho da minha tia. Estamos aqui por algo maior que nós mesmos. Uma hora, encontramos o caminho e, finalmente, sacaremos que não somos acidentes aqui. E que podemos ser quem somos, indesculpavelmente. Se há algo que não falta é possibilidades.

 

Nossas vidas se interconectam de um jeito bizarro. Um impacto lá, afeta aqui – e vice-versa. Somos uma corrente insana de vidas e essa é a parte que nos torna esse acidente nada acidental interessante. Serumaninhos mágicos capazes de mudar. De amar. De aceitar.

 

Não digo que somos todos destinados um ao outro, mas temos a missão de sermos e de agirmos como pequenos milagres para tornar tudo ao nosso redor mais sustentável. Ainda mais em época de trevas que é quando batemos firme na quina do fundo do poço.

 

Uma organização como o TWLOHA indica que nossa vida é válida. Obviamente que não precisamos de uma ONG para termos conhecimento disso porque, independentemente de onde estejamos, somos importantes. Temos motivos para estar neste mundo. Temos nossas próprias histórias que podem sim se fundir a outras e causar um impacto positivo.

 

Somos muitos, mas dançamos na mesma canção: a da vida. Ou, como digo, do universo.

 

Podemos agir como agentes de mudança e é quando esse milagre em existir pode conquistar seu verdadeiro sentido. É quando damos importância à maré, à movimentação rumo à esperança de dias melhores. E isso tudo cria um fluxo em que, possivelmente, você também terá o melhor controle do seu ser e das batalhas que valem a pena enfrentar em cada capítulo da sua vida.

 

Com muito custo, aprendi a acreditar que eu não estou aqui aleatoriamente. Não estou de passagem. Tenho chances e possibilidades. Assim como você. Assim como todo mundo. Milagre é uma palavra tão ampla que casa perfeitamente com a magnitude de quem somos.

 

Com a magnitude de quem podemos ser.

 

Parte de nós o movimento em busca dessa nossa própria verdade. Do nosso propósito. Não menos importante: de sermos o milagre que estamos destinados a ser.

 

Tudo leva tempo e espero que um dia você acredite que não é um acidente no mundo. Temos que lutar por quem somos nessa imensidão caótica que é vida, pois podemos ser o nosso próprio milagre. E o milagre na vida não apenas de uma, mas de várias pessoas.

 

E quão fantástico isso pode ser?

 

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Imagens via Tumblr.

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Stefs Lima
Jornalista, fundadora do Contra as Feras e ex-líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I AM THAT GIRL. Não poupa no textão e nem nas doses diárias de café. Além disso, acredita piamente que você pode ser sua própria heroína.
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