13ago
Arquivado em: Contra as Feras

Eu não poderia ter escolhido uma maneira mais inspiradora para apresentar a vocês o To Write Love On Her Arms (TWLOHA), uma organização internacional sem fins lucrativos que toca demais no meu coração. Seu principal objetivo é dar auxílio a qualquer pessoa, especialmente adolescentes, que lida com depressão, bullying, vícios nocivos, suicídio e/ou automutilação. Não menos importante: informar sobre essas pautas.

 

O TWLOHA (em tradução literal: para escrever o amor em seus braços ou nos braços dela) nasceu devido a uma experiência real. Jamie Tworkowski, o fundador, acompanhou a luta de Renee Yohe e dividiu a história dela no Myspace com o título que batizou a organização. O compartilhamento do texto atingiu números inesperados e a partir daí se cimentou caminho para que essa organização se tornasse o que é hoje. Um caminho de luz e de esperança.

 

A organização tem mais de 10 anos no radar e continua firme e forte dando auxílio a quem acredita que suas vidas não importam. O core é a música. A base vem dos relatos que dão força para aqueles que lutam, em qualquer parte do mundo, e que querem viver. Há muitos posts legais no blog e muitos artistas gringos apoiam a causa.

 

O movimento tem o amor como principal vertente e tem muitos projetos paralelos para inspirar e fortalecer seus seguidores, como o Storytellers e o Heavy & Light. Uma das minhas ações preferidas é Fears vs. Dreams, que impulsiona qualquer um a compartilhar os maiores medos e os maiores sonhos. Tudo o que a organização faz visa amenizar os espinhos do percurso que podem ser muito mais tenebrosos para alguns.

 

O TWLOHA acredita em dias melhores e em finais felizes, pois vivemos em um mundo carregado de baixa autoestima. Bastam dar uma olhada ao redor. É muito fácil notar. Acima de tudo, a organização relembra, diariamente, que a esperança é real e que ser resgatado é possível.

 

Eu me identifico tanto com o TWLOHA por ter vivenciado algo parecido ao que aconteceu com Jamie. A sensação de incompetência foi brutal e até hoje carrego marcas do que vi, pois a situação me afetou muito. Tão quanto o que vivo hoje e que me fez transferir este texto para o Hey, Random Girl!. Eu aprendi do jeito mais difícil o quanto as pessoas vivem de máscaras. Que há algumas pessoas que não são sinceras. Que há algumas pessoas que são afligidas por muitos fantasmas e que possuem vergonha de dizer isso em voz alta. Que há algumas pessoas que sabem o quanto o buraco do qual se encontram atingiu uma profundidade vista como incontornável e não se sentem encorajadas em pedir ajuda.

 

Eu vi isso acontecer. Eu ainda vejo. É algo que muda a visão de vida. Muda como você pensa na razão de alguém pensar que é menos digno de viver ou que não aguenta mais, especialmente quando “não falta nada”. Daí, batemos naquele velho discurso hipócrita: há fulanos que se encontram em um lugar pior e ainda assim enfrentam o dia. Nada disso é preciso. Da mesma forma que há diferentes formas de amor, há diferentes formas de dor. Não cabe a ninguém chamar isso de frescura ou de mimimi. Ou criar a deselegante “competição de tragédia”.

 

Eu sou uma pessoa rebelde com relação ao modo como algumas pessoas escracham às pautas que envolvem o TWLOHA. É fácil colocar o dedo em riste para chamar uma pessoa deprimida de preguiçosa ou afirmar que o bullying na escola é para “fortalecer caráter”. O desafio mesmo é ouvir e compreender. Por isso organizações como esta são importantíssimas. Ainda mais quando se pesa o fato de que todo mundo foi criado em épocas diferentes e responde a determinados assuntos com base naquilo que vivenciou. Nem sempre a opinião cabe ao momento atual.

 

Minha versão adolescente não se compara em nada ao que vejo agora, por exemplo. Rola sim o argumento de velha ranzinza (na minha época…), mas não é sensato fazer um comentário sobre algo tão sério com base única nas suas experiências. Elas não são verdades absolutas.

 

Quando você lida diretamente com assuntos que o TWLOHA aborda, o ponto de vista muda. Eu vi tantos outros amigos não se amarem o bastante, se machucarem e até mesmo terem um surto por causa do pensamento de que a vida é uma porcaria. Nunca argumentarei contra quem diz que o inferno é o que vivemos aqui e agora, com todas as perdições, todas as provações, todos os ganhos e todas as perdas, pois, a cada dia, toda vez que ligo a televisão, me convenço mais disso. Eu até arrisco a dizer que a juventude de hoje não está preparada emocionalmente para enfrentar a ferocidade além da porta de casa. Ela é um tanto mais frágil e mais carente de afeto e de proximidade. Marcas profundas desta geração onde grande parte das pessoas é solitária. Às vezes, por achar que é melhor assim.

 

Muitos pais se conformam em largar a filha em frente ao computador por achar que está tudo bem. Soa como uma forma de mantê-la segura. Porém, os pais aniquilam a oportunidade dessa filha viver e de conhecê-la. Às vezes, a filha “não faz por onde”, pois há mães e pais que tentam se aproximar e recebem um berro malcriado como resposta que não passa de uma recusa ao auxílio (e é preciso insistir sim!).

 

Há aqueles que vivem em lares disfuncionais, que têm todos os motivos para serem desagradáveis, mas optam pelo melhor caminho. Há aqueles em lar harmonioso que sentem falta de algo, mas mantêm o semblante de que está tudo bem. Não há como negar que muitos se “assentaram” por achar que nada além do próprio quadrado importa, mas importa. E muito.

 

Crianças e adolescentes vivem de aparências, alguns de um jeito mais obcecado que outros, o que abre espaço para males como transtornos alimentares. Não se trata apenas de uma questão de maus-tratos, de maturidade ou sei-lá-o-quê. Um dos pontos delicados é a falta de aceitação, algo muito debatido pelo TWLOHA. Alguém aqui consegue se imaginar completamente excluído, não por opção, mas porque ninguém o quer por perto? Pior, sem você ter feito nada? É esse um dos eternos dramas da adolescência e acho que hoje está bem pior. Afinal, o autêntico é bizarro.

 

Muitos lidam com a pressão de ser quem são ou de aparentar quem não são. Nem todos os sapatos são confortáveis. Daí, caímos em um consenso: todos querem amor, especialmente a criança ou a adolescente que acredita que não se enquadra em absolutamente nada. Ou que ninguém se importa. Podemos chegar perto de sermos cruéis, mas é preciso buscar e relembrar que também somos dotados de amor. Cada um escolhe o que quer distribuir ao próximo, e é isso que sempre vem em retorno.

 

O mundo tem muitas portas para que cada um escolha a melhor. Eu não acredito em caminhos sem retorno, só que nem todos conseguem retornar por conta. Ninguém quer se perder, mas também não é algo que simplesmente se evita. Assim, há vezes em que precisamos de mãos para ao menos nos manter na superfície.

 

E a visão do TWLOHA traz o propósito de pessoas encontrando a vida, a liberdade, o amor. Curtindo uma formatura, um jogo de futebol, um casamento, um nascer do sol. O que a organização quer é impulsionar pessoas a se transformarem em pais incríveis, quebrar ciclos e realizar mudanças.

 

Acima de tudo, acreditar que tudo passa. Estamos inclusos em uma sociedade que se torna cada vez mais egocêntrica e fútil. Hoje, somos parte de um quebra-cabeça de selfies, de filtros, de mentiras, de falsidade e de modismos. Porém, somos instrumentos de uma batalha diária e todo mundo pode vencer.

 

Todo mundo pode ser amado. ❤

 

É muito bom acompanhar algo que ganhou força com o passar do tempo e só quero que a mensagem continue a ser transmitida. Espero que o To Write Love On Her Arms inspire vocês também.

 

Para conhecer, bastam acessar: To Write Love On Her Arms

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Stefs Lima
Jornalista, fundadora do Contra as Feras e ex-líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I AM THAT GIRL. Não poupa no textão e nem nas doses diárias de café. Além disso, acredita piamente que você pode ser sua própria heroína.
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