06ago
Arquivado em: Séries

Chegamos a mais um final de temporada de uma renovada The Bold Type e minhas emoções não mudaram tanto assim. Na verdade, elas suavizaram a partir do instante que o 3×08 entrou em cena e o season finale certamente fez o favor de camuflar outras perspectivas. Eu me deixei levar e suei pelos olhos, pois não consigo me fazer de plena quando o assunto é Jacqueline. E foi com ela que encerramos mais um ano desta série que, apesar de tudo, segue como dona do meu coração.

 

A reportagem sobre Pamela continuou, mas como plano de fundo que determinou uma sequência de reviravoltas inesperadas. Porém, o esperado aconteceu: “tudo deu certo”. Do começo da temporada até o 3×06, praticamente tudo foi supérfluo para qualquer construção de um conflito que rebatesse em todos os personagens. Além do mais, tudo veio/se resolveu facilmente. Comentário que se aplica, inclusive, à abordagem de uma mulher famosa que abusa mental, física e emocionalmente de outras mulheres. No caso, modelos que, no fim, ganharam uma relevância impactante para a conclusão deste ano de The Bold Type. O que me faz retornar ao foreshadowing e que continuo a defender como um artifício que não ajudou a S3 tanto assim.

 

Vamos lembrar da cena de corrida Suttard. Claramente uma cena insignificante para ser escolhida como pontapé de história. Depois dela, nada mais veio à tona para emendar o papo sobre o falecimento do pai de Richard e foreshadowing é alimentar aos poucos. Algo que não aconteceu.

 

Assim como esse exemplo, outras partes desta temporada ficaram perdidas no meio do caminho e acabaram empurradas rapidamente para dar justificativa de determinado evento. Como o livro do Ryan e o curso de Sutton. O que deixa claro que a S3 de The Bold Type não soube alimentar várias de suas histórias e este foi o maior pecado ao longo desta experiência.

 

De qualquer maneira, era de se esperar que a reportagem de Jane e de Jacqueline fosse um sucesso e que nada mais fosse dito. Afinal, não havia tempo sobrando para desenrolar algo mais nesse cerne. O que é contraditório para um texto que acabou truncado no meio do caminho – parte no online e outra parte na revista. É difícil comentar jornalisticamente sem ter o conteúdo em mãos, mas, devido a rapidez dessa storyline, resta acreditar mesmo que tudo foi de extrema qualidade e que Pamela ficou pianinho (ao menos por enquanto porque eu não acredito que ela deixe por isso mesmo). O que não é tão difícil visto que essas personagens são extremamente comprometidas.

 

Mas, em uma cena deste finale, deu para ver que a reportagem foi curtíssima. E eu fiquei WTF? No mais, se conclui que Jane e Jacqueline agiram corretamente. Só assim para este episódio ter alguma coleta de louros. Mesmo que tais louros sejam surreais, como o subplot que envolveu Alex.

 

The Bold Type - Jane e Jacqueline

 

No encalço da reportagem nasceu outra pauta: ser fake feminista. O argumento usado por Pamela para tentar se defender do “ataque” da Scarlet e eu fiquei aguardando o pretexto dessa ideia. Uma ideia que, com certeza, seria muito interessante para a série abordar, pois há quem acredite que feminismo é somente sobre apoio às mulheres. Sobre constante sororidade e não é bem assim.

 

Da mesma forma que não dá para passar pano em homem escroto, o mesmo se aplica a mulher.

 

O feminismo fake abalou seriamente Jane que se sentiu uma falcatrua. Eu trocaria fácil o discurso dado por Jacqueline lá no camarim do desfile, pois o que precisava ser realmente dito é que feminismo envolve política. E uma política que não é somente sobre igualdade de salários. Ou sobre um grupo de amigas que se dá bem e se apoia. Intimamente, não sei qual foi o motivo de Sloan navegar nessa dúvida, pois ela mesma teve aprendizado de sobra para sacar que nem tudo é feminismo.

 

Jane pode ser falha em reconhecer privilégios e tudo mais, mas ela sempre me pareceu mais entendida sobre feminismo (branco). De um jeito a compreender que há uma ponte entre essa pauta e o girl power.

 

A dúvida dela serviu de singelo impacto para a trama e foi uma pena o roteiro perder a chance de explicar o real sentido de sororidade. Como de costume, a resolução (quase) veio no bote salva-vidas chamado quote da editora-chefe. Não foi tão mal assim, nunca é, porque há efeito. E o efeito das palavras de Jacqueline funcionou como uma faca de dois gumes para a própria Jacqueline. Falar é diferente de agir e capturar que a chefia não acreditou no que dissera à Sloan foi muito bom. Principalmente quando se mencionou a idade das modelos e o que elas emanam para o público jovem.

 

Daí o rebuliço na trama ocorreu e confesso que fiquei desnorteada. Foi basicamente um 8 e 80, pois, do abuso causado por Pamela, o roteiro empacou na questão de imagem corporal. E o objetivo ficou bastante claro: dar um pouco de força ao que Sutton realizava no desfile do seu curso.

 

O momento que Jacqueline arranca os editoriais de moda do flatplan me deixou sem chão. Ação em um timing perfeito. No ponto de transição rumo à conclusão e fiquei speechless. Tudo porque eu lembrei de uma parte da minha história que, com toda licença, compartilharei com vocês:

 

O que Jane disse a Jacqueline apertou em um nervo sensível. Eu tinha 14/15 anos quando eu me vi com a ideia fixa de ser modelo. Idade em que eu consumia a revista Capricho e já tinha problemas com minha autoimagem. Os anos 90 trouxeram o conceito de supermodelo e minha referência para alcançar o que eu aspirava foi nada mais, nada menos, que Gisele Bündchen. Parte de mim sabia que eu não era magra o bastante, nem muito menos alta, mas havia uma agência que vivia fazendo propaganda na rádio e que parecia aceitar todos os tipos de jovens para torná-las… Modelos.

 

Eu fui nessa agência acompanhada da minha mãe, porque, afinal, eu era menor. Comecei um curso de passarela e não houve um instante em que eu não me senti complexada com tudo ao meu redor. Desde o professor, que não disfarçava o interesse de dar destaque para a menina mais bonita da classe – loira, magra e de incríveis olhos azuis –, até o clima que afirmava nas entrelinhas que eu não pertencia ali.

 

Foi no dia do desfile de conclusão do curso que me senti “feia” e inadequada. Meramente porque, na apresentação de formatura, eu fiquei no fundo. Na frente, bem, vocês devem imaginar quem ficou. O resultado é que me senti muito mal e isso me marcou de um jeito profundo. Eu não lembro desse episódio com frequência, mas, quando ele me vem à mente, o agridoce da vergonha me detona.

 

Hoje, eu vejo que era óbvio que tal agência era mercenária. Ela evidentemente se alimentava de adolescentes como eu fui, crentes que poderiam ser modelos, nem que fosse de comerciais – e isso serviu de motivo para mim também, porque eu tinha uma colega na escola que fizera comerciais sendo do meu tamanho e nada magérrima. Eu não era o tipo padrão. Nunca fui. Mas esse lugar me deu a “chance de sonhar” um pouco enquanto tirava dinheiro para N, Y coisas que uma garota como eu pediria para a mãe bancar e assim continuar vivendo nessa grande bolha de ilusão.

 

Eu cheguei a fazer um book, levando minhas próprias roupas. Lembro-me que o fotógrafo disse para minha mãe que eu tinha “cara de quem aprontava”. Bem, eu tinha 14/15 anos para um homem começar a impor malícia em mim. O que reforça a linha de diálogo de Jane, extremamente cabível, pois, de fato, jovens são sexualizadas ou adultizadas em capas e no interior de revistas. E em cursos de passarela. Não sei como é hoje, mas acredito que não tenha mudado tanto assim.

 

Muitas das modelos consagradas começaram a trabalhar na adolescência. A pureza que agências poderiam explorar tranquilamente se não houvesse consciência dos responsáveis (os pais que as acompanharam). E isso não efetivamente impede esse tipo de exploração que também pende para o emocional.

 

Quando Jane falou sobre a idade e fez referência ao costumeiro “menina-mulher”, eu voltei para esse capítulo que eu sei que tudo de mim se esforçou para apagar. Toda vez eu me pergunto onde estava com a cabeça, mas, adolescente, né?

 

E, a título de informação, a posição de Carly no 3×07 me fez pensar que ela escondia um transtorno alimentar pelo olhar dado à modelo em cena. Imagem corporal é gatilho sim. Por isso, às vezes, eu condeno o excesso de nudez feminina no entretenimento – quando não há razão para ter.

 

The Bold Type - Jacqueline

 

Retornando, a observação de Jane impulsionou o ato de Jacqueline em tomar responsabilidade pelo que é publicado na Scarlet. De fato, não há como equilibrar uma denúncia de pessoas como Pamela e não mudar processos internos. Nem muito menos manter as portas abertas para que isso se repita. A fotógrafa pagará pelo que fez (#oremos), mas a moda continuará explorando jovens em outros cantos. Tão quanto explorando um ativismo fake em que se vende a blusa feminista, mas se escora em trabalho escravo. Ou pregando feminismo entre as páginas da revista, amor ao corpo, enquanto a capa, o começo, o meio, os anúncios, e etc., seguem retratando a mulher padrão.

 

A reviravolta da trama inspirou um olhar que é muito atual. A mudança não tem que estar só na vitrine ou em uma matéria de revista. Ela tem que estar do lado de dentro também. Pensamento que trouxe a revolução de Jacqueline. O elemento surpresa que esta temporada de The Bold Type careceu. Eu fiquei muito mexida, especialmente porque eu acompanhei o finale sem expectativa.

 

Eu nunca pensei que The Bold Type chegaria nesse ponto de abordagem – e credito meu total desligamento com relação a esta temporada e nem sei como cheguei ao fim. Ainda mais depois do 2×03, cujo tema foi body positivity. Um tema explorado sob uma ótica branca e magra, e que entregou basicamente o que segue ocorrendo em várias revistas femininas (temos posicionamento, mas nem tanto assim…). Sei que revistas no molde da Scarlet são amarradas. Principalmente pelo mencionado Conselho de homens brancos e héteros. Mas esse tipo de mudança tem que começar de algum ponto e Jacqueline apostou até seu cargo ao derrubar os editoriais de moda.

 

E essa é a atitude que precisa ser tomada!

 

Sutton e Jacqueline uniram uma pauta em comum que abriu para a chance da Scarlet atender o que se pede hoje. A mulher de verdade. Não é uma tarefa fácil, pois, se fosse, revistas já teriam mudado sua política editorial. Já haveria mais revistas nas bancas com modelos que remetem ao universo em que se alocam. Ainda não há brasilidade nas capas de revistas femininas e muito da culpa vem de uma imprensa feminina que se construiu sob a lupa francesa e que se consolidou com influência dos EUA. Por isso o padrão eurocêntrico ainda pesa demais por aqui e que corresponde à camada privilegiada da sociedade. A camada que tem o dinheiro para investir nesse tipo de jornalismo.

 

E, claro, se ver representada sob uma lupa já muito normalizada.

 

A atitude de Jacqueline foi excelente. Sem contar que abriu finalmente para a chance de The Bold Type tentar ser mais diversa – eu sendo iludida. Como disse, para gerar uma mudança dessas, o que tem do lado de fora tem que espelhar o que há dentro. Ou seja, a redação tem que mudar também, o que deu valor à contratação de Adena como fotógrafa fixa da Scarlet. Não adianta dizer que despertou para o problema por fora quando do lado de dentro continua branco e privilegiado.

 

The Bold Type - Patrick e Jacqueline

 

A tremedeira também veio quando Jacqueline anuncia diante de Patrick que ele precisa se resolver. Em outras palavras, ser aliado ou não. Pela primeira vez ao longo desta temporada, eu tive que concordar com a hesitação dele. Um sentimento que também não parece existir em The Bold Type, pois todo mundo faz o que tem que fazer por não ter… Isso mesmo consequências.

 

Por um segundo, eu pensei no básico: Patrick é homem e não entende a necessidade de colocar diversidade na Scarlet. Em contrapartida, ele testemunhava o novo movimento de Jacqueline em desafiar o Conselho. Um padrão de comportamento que tem vindo desde fins da temporada passada e que, até então, não gerou um tipo de consequência grave. Se rolou um foreshadowing aqui, diria o que já disse na resenha passada – o cidadão ganhou o cartão para derrubar a editora-chefe no momento que o online publicou parte da reportagem sobre Pamela. O que deu a ele o buzz tão sonhado em clique, além da possível apropriação de ideia. Eu não duvido de nada disso.

 

O arremate do finale meio que tirou Patrick do seu possível intento de derrubar Jacqueline. Concordando com a ideia, ele apenas deu aval para que ela se afundasse por conta própria.

 

Fato que corrobora com a atitude de Jacqueline em declarar com assertividade que a revista é dela, mas é óbvio que não é. Afinal, a Safford seria como o Grupo Abril. Há alguém acima gerenciando o que acontece embaixo, o que dilui a ideia de que há uma redoma de vidro na cadeira da editora-chefe. Ela sempre deu a entender que sim e é ótimo, pois autoestima é tudo. Porém, nada a impede de ser demitida e a personagem só engatou motivo atrás de motivo ao longo de uma temporada e meia. De quebra, facilitando o caminho para Patrick assumir toda a redação.

 

Isso se for a grande tramoia da vez. Nem eu mesma confio nas minhas teorias.

 

Patrick demonstrou uma mínima relutância, mas agiu em apoio à Jacqueline. Se ele foi a causa do desmonte da redação impressa da Scarlet, bem, teremos que esperar os primeiros sinais da S4. Tudo bem que eu não queria vê-lo de novo, mas…

 

E, minha nossa, chegar aqui ainda duvidando dele… A única coisa que parece que deu certo na S3.

 

Por mais que seja difícil de admitir, já que eu compreendo determinados impulsos em ambiente profissional, Jacqueline desceu na montanha-russa sem o cinto de segurança. Jane e ela se reaproximaram ao longo da S3 e agiram muito iguais diante de quem está acima delas. Pura fantasia, ainda mais para Sloan que poderia ter sido demitida já no 3×05 sem dó e piedade. Afinal, jornalismo está em crise. Ser substituído está muito mais fácil em comparação a 10 anos atrás.

 

O único ponto real da atitude delas foi desgostar do chefe e sair na treta com ele. Quem nunca? Não há mesmo vontade de respeitar qualquer homem, ainda mais os do Conselho e os próprios Patrick da vida, mas, infelizmente, há uma hierarquia. Mas, para efeito de cliffhanger, Jacqueline tomou seu partido. E, honestamente, ela nunca me pareceu burra em não saber das consequências de ir contra a política editorial da Scarlet. O mesmo rolou no 2×10, destacando um padrão de comportamento.

 

Tão quanto de repetição, pois, a meu ver, Jacqueline tinha que ter terminado esta temporada muito mais forte. Principalmente depois de tanta tentativa sem pé e nem cabeça de destruí-la.

 

O que me preocupa agora é o mesmo que me preocupou com uma possível vitória de Kat nas Eleições: já não deu certo com Patrick, imaginem outra pessoa no lugar de Jacqueline?

 

O choro… Ele está liberado demais neste momento.

 

Os outros plots

 

The Bold Type - Jane e Ryan

 

Pode entrar Jane e Ryan para meu hall de decepção. Gente, o que foi aquilo? Sério que a última ideia de Lasher foi romantizar todo o stalk desse mala para cima de Sloan? Nem sei por que pergunto, pois é evidente que ela teria uma ideia dessas depois de fazer aula em Gossip Girl.

 

Nem no último momento eu consigo defender a ex-showrunner. SOS!

 

Não foi nada bonitinho a circunstância e o que Ryan fez. Vamos combinar que ele é errático desde a temporada passada. Roubando beijo de Jane e forçando a barra para ser o cara da vida dela com a maldita caixa de ovo que só Jesus na causa. Não há nada de romântico em um cara invadir o espaço de trabalho da mulher e se declarar. Não desse jeito. Primeiro porque é constrangimento. Segundo porque é intimidador. Terceiro porque se cria compadecimento pelo cara, o que automaticamente cria a cobrança para a mulher “dar uma nova chance”.

 

Há quem vá dizer que foi tudo de bom, mas eu discordo fervorosamente. É por atitudes romantizadas como essa que toxicidade em shipper é normalizado. Que relacionamentos abusivos escalam, porque o cara entenderá que essa é a fórmula para limpar todas as suas cagadas – e eu precisei usar cagadas, porque sem paciência para isso aqui.

 

Me perdoem, mas estressada!

 

Um homem que se comporta desse jeito tira o poder da mulher em decidir o que quer, pois muitas cedem visto que o cidadão não para de pesar em cima. Caras como Ryan são sufocadores, não respeitam espaço pessoal. E o personagem nunca deixou de dar motivo. A diferença é que, dessa vez, a coisa toda gritou tanto que eu mesma desacreditei que gastaram roteiro para isso.

 

Pior foi Jane aceitá-lo de volta. Tipo a Jane? Sério que querem me fazer engolir isso? A garota passou por uma grande decepção amorosa no Piloto. Na S2, ela nunca me pareceu ter opinião na companhia de Ryan, porque Ryan estava ali para ser mais sabido que ela. O jornalista consagrado que a impulsiona a se desafiar. Ata. Na S1 funcionava, não mentirei, mas virou ciclo vicioso que entregou apenas o ponto de vista de que esse cidadão estará lá para salvar Jane. Não.

 

O personagem foi um completo desserviço da S3 e conseguiu apagar uma das protagonistas da série. É o famoso look at me, look at me, versão hétero top. Quem aguenta?

 

O mais horroroso é que Jane não teve tempo de engolir a situação. Ela foi sufocada por Ryan o tempo fucking inteiro. Ele estava em todos os lugares. No apartamento, na Scarlet, na rua, no celular, indo até um evento para ser um completo insuportável. Como rolou a temporada toda!!!

 

Acho engraçado que viraram a S2-S3 com o “suspense” sobre a escolha amorosa de Jane. Mas não tinha tempo para Jane pensar sobre ser traída ao ponto de pensarem em uma resolução altamente vergonhosa. O teste como fim da problemática. Igual foi feito com Alex para assim morar com Sloan. Pior é que colocaram Ryan bêbado para gerar compadecimento the flash. Me ajudem aqui!

 

Eu não tenho dúvidas sobre a descaracterização de Sloan. Até porque ela desenvolveu vários nada ao longo desta temporada. Ela virou o alvo para qualquer personagem masculino caber visto que Sutton e Kat tinham o que fazer. Para isso, ela precisou ser menos crítica para assim ser acessível.

 

Tão acessível que nem ela viu o quanto Ryan invadiu todos os espaços de sua vida. Ok que a personagem deu uma devida sapatada nele, mas segunda chance? A base do quê? Tudo que vi na S3 foi um casal escorado, pelado e sem diálogo. Coisa bem CW das antigas. And that’s the tea.

 

Muito me admira que Suttard conseguiram sobreviver à zona de traição de Jane/Ryan e Kadena. Porque só foi isso que vi na Era Lasher, traição como angústia de casal e que desgosto, na moral.

 

Ah, mas Stefs, traição existe. Mas minha nossa senhora não tem outra resolução de plot?

 

O que me faz cair em Kat, Tia e Adena. Precisavam repetir a dose de traição? Passando pano sobre ser namoro ou algo casual? Responsabilidade emocional passou longe em The Bold Type, hein?

 

Eu gosto de ver que The Bold Type tem uma variedade de casais. Isso reforça o quanto as três são diferentes e possuem gostos diferentes. Mas passar pano para alguém como Ryan, com repetição do argumento de que se ama e pipipipopopo, apenas me lembrou do pior de The Vampire Diaries. É escrita pobre e que dá moral para caras como ele serem endgame. Honestamente, eu quero nem ver esse shipper na S4, porque a coerência morreu antes mesmo dela nascer e ser solidificada.

 

Mas vamos falar de coisa boa!

 

Sutton deu apoio à storyline de Jacqueline e foi uma pena o desfile durar tão pouco. Inclusive, ter poucas mulheres em cena. Mas… Foi diverso à sua maneira. Com direito à participação da Joanna Coles (que pelo que li entrará como produtora executiva da série) e foi tudo de bom.

 

A iniciativa dessa personagem concluiu até mesmo a participação de Carly e o quanto é importante meninas como ela verem representatividade. Ver além do padrão eurocêntrico. Tudo bem que isso ainda é meio torto em The Bold Type, que se escora demais em Kat e perde a mão tem horas.

 

Mas melhor fazer a não fazer.

 

E preciso dizer que: ainda bem que Sutton não confirmou minha teoria da gravidez.

 

The Bold Type - Kat

 

Falando em Kat, sem plot pertinente, só restou o drama uó de triângulo. O que salvou foi vê-la pirar em cima da impressão de que não poderia realizar todas as mudanças prometidas na campanha sem estar envolvida diretamente com política. Tudo que ela precisava era ver que isso é possível. Que ainda dá para gerar mudança sem precisar estar inserida em algum cerne político influente.

 

Agir eu já penso que é político e toda sua trajetória trouxe o que Adena sabiamente pontuou: crescimento. De quebra, deu uma amarrada de leve sobre encontrar meios de ser relevante. Felizmente não foi por meio do stories, amém! Nada contra, mas Kat saturou isso demais.

 

Ainda digo com tranquilidade que Kat levou esta temporada nas costas. Embora com falhas e furos, ela virou o símbolo de transição de outros tempos. Um marco em que se sai da zona de conforto para abraçar o que parece impossível demais. Com isso, a personagem fortaleceu o discurso de Jacqueline no 3×04, pois, de fato, Edison deu um enorme salto de fé. O mesmo Sutton que deu força no mesmo discurso ao afirmar que, às vezes, você tem que ir para um caminho inesperado e ver o que tem lá. Brady foi para o estilismo e viu que ama mesmo o behind the scenes.

 

Kat nunca vivenciou a política propriamente dita e isso fez parte da sua composição na S3. Ideia que a fez enxergar que há muita lição de casa a ser feita. Já Sutton gastou energia em um curso que pode não ter dado em nada, mas trouxe visão. Ambas correram riscos e Brady deixou no rastro a mensagem de que todo mundo merece fazer o que ama. Ou ao menos tentar algo diferente, porque esse algo diferente também construirá quem você é e abrir caminhos inesperados.

 

E Jane? Bem…

 

Concluindo

 

The Bold Type - Scarlet redação

 

A mesma dupla do 3×05 escreveu este episódio que foi unicamente acertado por Jacqueline. O desmonte da Scarlet teve seu impacto sim. Eu mesma amo esse lugar. Amo ainda o quanto de coisa que The Bold Type proporcionou para mim, pessoalmente falando, ao longo de 3 anos.

 

O que ficou nas entrelinhas é o quanto The Bold Type estará disposta a se desconstruir e isso dependerá da nova showrunner – Wendy Straker Hauser que está entre nós desde a S1. Ter The Handmaid’s Tale no currículo muito me apetece, embora eu não tenha assistido. Enfim, eu espero que a trama desta série reencontre seu caminho, pois esses dois anos foram difíceis.

 

Mesmo com uma temporada inicialmente vazia, sem pretextos e impacto, esses últimos 4 episódios pagaram um pouco a conta. Principalmente pela continuidade entre eles. Em curto espaço de tempo, The Bold Type até que se recuperou, deixou uma mensagem e o que imaginar para a S4.

 

Mas tenho que dizer que foco demais nos casais deu uma desgastada. Além de deixar o incômodo de que os roteiristas aparentemente perderam a mão para contar boas histórias. E, honestamente, não teve tantas boas histórias ao longo da Era Lasher. Eu lembro da S1 com muito mais facilidade.

 

A S2 entrou meio que sabendo o que queria contar até se perder entre os conflitos dos casais. Por ter deixado esse rastro, a S3 tentou acertar esses pontos. Suttard saíram como shipper favorito. Ryan e Jane eu gostaria que cancelassem e que bom que Kadena deu em amizade.

 

Enfim. Encerro minhas resenhas de The Bold Type com as mesmas emoções mistas do início desta temporada. Obrigada pela leitura! ❤

Tags: , .
Stefs
Jornalista, fundadora do Contra as Feras e ex-líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I AM THAT GIRL. Não poupa no textão e nem nas doses diárias de café. Além disso, acredita piamente que você pode ser sua própria heroína.
Você pode gostar de ler também Deixe seu comentário
Siga @HeyrandonGirl no Instagram e não perca as novidades