05ago
Arquivado em: Séries

Este episódio de The Bold Type deu continuidade ao anterior e focou em cimentar o que restou da storyline política de Kat. Véspera de Eleições, nervos à flor da pele, o último esforço. Caminho que, ao mesmo tempo, abriu um tanto mais para a trajetória relâmpago de Sutton e deu um choque emocional em Jane. Um cenário que me faz dizer com tranquilidade que nunca dá erro visto que a tríade foi devidamente centralizada. Mas não significa que não houve seus poréns.

 

Poréns que The Bold Type entrega desde a temporada passada e segue entregando.

 

Jane foi essencial para assentar o clima de nervosismo e de inquietude que impregnou do começo ao fim deste episódio. A reportagem, que ficou a entender que alcançaria um salto definitivo aqui também, trouxe o face to face com Pamela. Momento que moveu estribeiras em poucos minutos de conversação. Definitivamente, ela foi o símbolo mínimo de caos e essa impressão respingou no intento do roteiro em concluir alguns pontos. Além de deixar reticências para o season finale.

 

Como comentei na resenha passada, é uma pena que essa reportagem tenha sido injetada tão em cima da hora. Provavelmente, somente pensada para cobrir um padrão em The Bold Type visto que não havia nada a contar depois de Patrick. O plot de Pamela chama a atenção, é deveras importante, mas a ausência de desenvolvimento não trouxe proximidade. Muito menos o peso da gravidade do que a fotógrafa cometeu ao ponto de ninguém ter um advogado como companhia. Para uma criminosa (e poderosa), faltou impacto. Detalhe que as ameaças jorradas ao vento não engataram. Nada do resultado me convenceu por ficar, aparentemente, por isso mesmo.

 

Apenas refrisando meu ponto de vista.

 

Em contrapartida, a ideia ao redor da criação de Pamela voltou a dar luz à Scarlet tão quanto ao papel de Jane e de Jacqueline como geradoras de storylines que repercutem em tensão e em inspiração. E isso foi positivo, embora nada desta trama tenha realmente tensionado e inspirado. Tudo foi tão, mas tão sutil, que desacreditei várias vezes do posicionamento de Pamela e do efeito da matéria. Até Alex contou com um pouquinho de preocupação sobre alguns aspectos de publicar seu texto, consciente da retaliação. E a fotógrafa apenas saiu de cena? Com uma notinha em outro jornal? Está aí um assunto que seria um inferno se pensarmos no caos das redes sociais atualmente.

 

Pamela - The Bold Type

 

Eu me mantive curiosa, mas, por não ter tanta expectativa, era de se esperar um fim mais ou menos. Até porque a série em si mostrou que não há mais tanto comprometimento com o político furtivo (só com os casais, rs) e nem em mandar mensagem. Porém, o conflito de Pamela acelerou todo o processo que trouxe um Patrick que me fez rir em descrença. Afinal, depois do murro verbal de Jane, eu esperava que ele se revelasse como o aguardado cretino da noite.

 

Está certo que vê-lo ser bonzinho com Jane e Jacqueline representa um “desenvolvimento”. Muito do mixuruca, mas melhor em comparação ao que foi entregue para Ryan. And that’s the tea! 

 

No fim, Patrick virou catapulta para Jane e Jacqueline se movimentar. Ainda assim, imaginei se seguiram com o processo de entrelinhas a fim de desviar a atenção sobre ele ter mesmo péssimo caráter. Mas, independentemente do intento, só sei que os episódios sem esse jovem funcionaram. O personagem desocupou espaços e ainda bem que ainda dava certo tempo – ou o fracasso da reportagem seria bem maior.

 

Patrick - The Bold Type

 

Ignorando meu ranço, foi interessante me ver ainda duvidando de Patrick. O que não me faz negar que, ao menos nesse quesito, fizeram até que um bom trabalho. Eu quis arrancar meus próprios cabelos no instante em que Jacqueline entrega parte da reportagem para ele. Juro que vi uma grande traição, afinal, como confiar em alguém que, desde o início, não escondeu que queria puxar seu tapete? Ainda bem que isso não rolou, embora a dúvida tenha ficado no ar.

 

De certa forma, Jane serviu de compasso moral nessa transição da reportagem visto que ela mesma a queria estrelando na versão impressa da Scarlet para irradiar na editora-chefe. De forma a recuperar o poder de Jacqueline diante do Conselho. Houve um risco, detalhe também milagroso para uma The Bold Type sem consequência, pois, de fato, ceder tal trabalho fortaleceria a área de Patrick. Uma verdade que não anula a entrelinha de que ambas, depois de lutarem tanto contra esse jovem, deram tudo de mão beijada. Ele ganhou facilmente o poder de acabar com a revista.

 

E isso, amigos, veio fácil demais pro meu gosto. Isso se for verdade, né? De certo modo, faria sentido, pois, desde a S2, Jacqueline não se abstém na hora de atravessar a política editorial da revista. Ela também tem dado motivo para ser demitida e penso que Patrick jamais perderia uma chance, como a que foi dada neste episódio, para injetar mais raiva no Conselho sobre sua “rival”. Ainda mais porque ele não encontrava uma brecha eficaz para apunhalá-la e a ganhou de bandeja.

 

Ou não. Vai saber se Patrick não virou gente.

 

Acho um máximo como Jacqueline acredita e vai sem hesitar, mas isso nunca sai barato. Ainda mais para uma mulher tão qualificada e influente que incomoda todos os homens da mesma empresa. É fato que ela faz crer que manter seu posicionamento é fácil. Que basta ela subir para falar com o Conselho e acertar os ponteiros. Infelizmente, faltou um pouco de noção para respeitar a hierarquia. Fato que rebate em Jane, óbvio, que absorve tudo que a chefe faz e como age.

 

É sim um saco respeitar chefes como Patrick e uma turma como o Conselho. Mas… É a realidade de muita gente e tem que saber quando ficar quieta/refutar. Tudo bem que eu perdi essa coerência de ficar quieta há muito tempo e por isso não critico tanto essas duas. Eu seria muito da falsa se o fizesse. Contudo, não quer dizer que eu não tenha lidado com consequências. Tudo tem seu preço.

 

Kat e Adena - The Bold Type

 

Do outro lado desta pista havia a corrida final de Kat nas Eleições. Era óbvio que ela perderia, pois, automaticamente, seu posto na Scarlet aka seu protagonismo na série seria comprometido. Se um Patrick já deu muito trabalho para encaixar e se tornar (in)útil, uma substituta de Edison seria o apocalipse de The Bold Type. Principalmente porque alteraria uma dinâmica que não tem motivo para ser interrompida. Não somente pela química que sustenta todos os episódios, ainda mais os fraquíssimos, mas porque as três são muito alma gêmeas. Além disso, exigiria a energia que os roteiristas não andam tendo para situar novos personagens. Vejam bem o que fizeram com a Angie.

 

Ainda defendo a ideia de novos rostos, especialmente diversos, em The Bold Type. Entretanto, é preciso tomar cuidado no que se quer mudar. Patrick caiu da espaçonave e todo seu foreshadowing emperrou o desenvolvimento da tríade e dos secundários. De quebra, nem ele evoluiu e me foi muito palpável a impressão de que esse personagem uma hora encheu e sua redução foi necessária. Não tinha mais caminho para esse jovem. Imaginem com uma nova Kat? Pesadelo!

 

Eu gostei de ver Kat espiralando do lado da moeda que refletia a ideia de sair da Scarlet. Ela começou ali e foi fazendo carreira. Criou vínculos profundos. Deixou sua marca. Tornou-se a primeira chefe negra de mídias sociais da revista. Por mais que a série tenha deixado de explorar esse último canto da storyline de Edison, toda a importância dela não é tão fácil de anular.

 

A vibe positiva ao redor de Kat foi excelente também. Gostei do roteiro ter entregado positividade e apoio para quem estava perdendo a cabeça. De quebra, inspirou-a a não confrontar seu angst com a presença intensificada de Adena. Amei ver a mãe dela tão quanto o apoio do pessoal da Scarlet. Trouxe o gostinho certo de uma finalização que entregou Reynolds como vencedor da corrida.

 

Male, male, eu queria que Kat ganhasse. Admito que não fiquei contente, mas, considerando que tudo passou rápido demais e que Edison é nova no ramo, a perda foi condizente nesse primeiro momento. Até porque o processo rendeu a quebra da zona de conforto e a expansão de horizontes. Sem contar que a S4 pede um plot novo, né? Repetir o tema política com esse tipo de viés ficaria, bem, repetitivo.

 

Tais horizontes encontraram certo congelamento diante do fato de que, sem política, Kat foi arremessada para o detestável trope do triângulo amoroso. O conflito emocional de estar entre Tia e Adena foi pertinente, mas não no mesmo tanto que os questionamentos sobre seu papel caso ganhasse a eleição. Um caos que a fez procurar por Adena a fim de se acalmar e foi justo. Afinal, a ex a colocou no início dessa trajetória que envolveu muita autodescoberta.

 

Mesmo com o coração partido, Kat buscou um ambiente comum para fugir do barulho e ornou. Mas triângulo relâmpago? Depois de todo aquele perrengue em Paris? Sem condições…

 

Apesar do que fizeram com Kadena, Adena tem um lugar muito especial no meu coração. Ela é calma e leve ao mesmo tempo que é assertiva e enérgica. Ela é muito compassiva, um tipo de pessoa que imagino que seja boa de ter por perto. Por isso que digo que não havia outro lugar que Kat poderia estar, independentemente do discurso da ex ter aberto para sua bissexualidade e sua identidade racial. O que rolou aqui foi um ancorar em espaço comum. Totalmente neutro. Algo que Tia não poderia oferecer já que a própria trabalhava diretamente com as Eleições.

 

Reunir Kadena gradativamente foi um ponto positivo deste e do episódio anterior. Um suspense no intento não faz mal a ninguém – a não ser que seja o Patrick. Depois do papo do reencontro, era preciso ver se ambas ainda se sentiam confortáveis uma com a outra. E repito que Kat e Adena têm tudo para serem boas amigas. Mesmo que o desejo não tenha evidentemente se apagado.

 

Sutton e Carly - The Bold Type

 

Sutton estava um pouquinho distante do caos, pois sua missão foi se preparar para o desfile do curso. E o primeiro passo, ao mesmo tempo que pensava em uma linha de roupas, foi contratar modelos. Apesar de ter amado a situação de Kat e o estresse gerado por Pamela, meu coração por Brady sempre bate um tanto mais forte. O papo com Carly foi simplesmente tudo, embora eu tenha que destacar a questão de representatividade.

 

Lógico que eu pensei em Edison para assumir essa posição, pois falamos de uma criança negra. Que precisa de negras como exemplo. Talvez, Angie, porque a personagem é latina. Sei que tal conversa sobre aparência veio à base da relação entre Brady e Oliver, mas faltou um pouquinho de recorte. Não basta mais dizer que todas são lindas do seu jeito. Algo que aprendi não muito recentemente.

 

Informação que não dá para cobrar, porque The Bold Type perdeu a mão na hora de cumprir o básico. Um básico que, antes, andava junto com a premissa e que tornou esta série o amor da minha vida. E daí veio a S3 que reforçou mais o pecado que já vinha de fins da S2: pouquíssima pauta e raso desenvolvimento. Em contrapartida, não há como negar a mensagem vinda do posicionamento de Carly e que foi lançada na direção de Sutton. O padrão de beleza é eurocêntrico e eu amei demais o fato dela dizer que é fácil uma loira e magra falar sobre aceitação.

 

Juro que gritei na minha sala! Pena que não partiram para uma conscientização completa.

 

O papo foi bastante amigável e a atitude de Carly em se comparar com a modelo me deixou arrasada. Foi legal trazer uma pré-adolescente passando por esse processo, pois aqui está uma geração que compete com o que vê no Instagram. Falsas realidades que deixam geral para baixo. Principalmente quando falamos de imagem corporal.

 

Ponto que deu a temática para o desfile de Sutton e, normalmente, eu amo as temáticas de Sutton. No caso, trazer para a passarela roupas que atendessem a todos os tipos corporais femininos. Medida que me fez lembrar do episódio 2×03 e de algumas de suas falhas. Lá foi muito fácil falar de aceitação corporal quando todas que foram fotografadas eram… Isso mesmo, magras!

 

O retorno desse viés abriu uma nova chance de fazer diferente e direito (e duvido). De usar o incômodo de Carly como exemplo e assim tirar meninas magras e brancas dos holofotes. Ponto esse que me deixou com uma pulguinha atrás da orelha, porque Jane e Kat têm o corpo padrão.

 

E nem dá para exigir muito mais. Só na S4 mesmo.

 

Concluindo

 

Sutton, Kat e Jane - The Bold Type

 

Eu curti várias camadas deste episódio por incrível que pareça. Eu voltei a me encaixar junto com a série, algo sentido desde o episódio passado. As experiências anteriores foram estressantes e sei bem que fui bastante dura. Eu tento me lembrar de não me envolver tanto com algo que gosto, mas tem horas que realmente não dá. Mas, felizmente, aqui temos um caso de bolo em crescimento. Possivelmente dentro da receita que The Bold Type costumava entregar (mesmo com a ausência de outros tantos elementos que pontuei ao longo das resenhas desta temporada).

 

Este episódio me arrancou risadas em meio ao estresse. Teve muita angústia envolvida e eu me vi impaciente – de um modo positivo – incontáveis vezes. Meu único adendo negativo mais forte é, lógico, o Ryan. Ele me deu mais motivos para decidir o que sinto por ele e a conclusão é que não gosto dele. O personagem me lembra muito os imaturos e galinhas de Gossip Girl. Eu não tenho paciência para esse homem hétero, mas vamos fazer o quê com o delay de amadurecimento?

 

Richard ganhou uma proposta que me parece interessante e justa. Até porque ele foi o personagem mais participativo da temporada. Embora tenha atravessado Sutton várias vezes, o mozão foi aprendendo. Tão quanto Sutton. O que me faz dizer que Suttard é de longe o melhor shipper de The Bold Type – e que poderia ficar pau a pau se Jane tivesse escolhido Ben. Quando ele aparece, eu fico sorrindo que nem uma besta, pois os suspirinhos pertencem à Adena. Geminiana em ação!

 

Enfim. Eu gostei do que vi. Depois de 3 episódios, eu senti que voltei a ver minha seriezinha de novo e toda aquela minha malice deu uma amenizada. E eu digo amém, porque estava tenso!

 

Definitivamente, eu senti o último empurrão. Não só para as personagens, mas para mim. É a “última chance”, antes do finale, de ver que nem tudo The Bold Type perdeu.

Tags: , .
Stefs
Jornalista, fundadora do Contra as Feras e ex-líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I AM THAT GIRL. Não poupa no textão e nem nas doses diárias de café. Além disso, acredita piamente que você pode ser sua própria heroína.
Você pode gostar de ler também Deixe seu comentário
Siga @HeyrandonGirl no Instagram e não perca as novidades