01ago
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Pode-se dizer que este episódio de The Bold Type também foi muito próximo ao que The Bold Type costumava entregar em seu primeiro ano e em parte do segundo. Houve uma mudança significativa na narrativa visto o retorno de Adena, o que deixou Kat a única à mercê de uma presença sem plot profissional. Confesso que não me importei muito nesse quesito, pois Edison teve uma storyline contínua e que prendeu o interesse. Sem precisar de um shipper para transitar ao longo da S3. Algo que não posso aplicar para Jane e Sutton. Duas personagens que não ficaram longe de seus parceiros e este episódio veio na forma de um grato milagre divino.

 

Kat fechou o 3×07 com uma mensagem de Adena nas entrelinhas. Um repeteco de cena que preferi não comentar antes, mas, como meu amor por Kadena deu uma diminuída, graças ao que os roteiristas lamentavelmente fizeram, não há como negar que repetir o mesmo tipo de cena para outra pessoa que entrou na vida de Edison foi um tantinho difícil de engolir. É como se não houvesse outro lugar a não ser a cama dessa personagem – o que não é de todo mal, não mentirei.

 

Com a mensagem nas entrelinhas, Kat pulou da cama com todas as emoções a mil por hora. O que justifica o nome do episódio visto que Edison se viu à flor da pele sobre uma experiência que parecia ter se encerrado. Um momento importante que assentou como a personagem ainda se sentia sobre a ex e foi bacana vê-la decidir em não entrar em contato. Só desaprovei um tanto o jeito como Sutton reagiu, mas essa sou eu que ficaria pau da vida demais sobre invadirem minhas mensagens para dizer o que eu não quero em dado momento. Foi meio sem noção?

 

Adena retorna para a 3ª temporada de The Bold Type

 

O encaixe de Adena na trama foi condizente para uma temporada que tem entregado muito resultado sem embasamento. Sem o famoso respaldo, algo que não ocorreu aqui. Um acerto e tanto, pois, da mesma forma que se preocuparam em reapresentar os sentimentos de Kat sobre a ex, o mesmo se aplicou a essa personagem que preencheu as entrelinhas deixadas em Paris.

 

Adena ficou uma temporada praticamente completa de fora. Ninguém sabia se Nikohl retornaria para The Bold Type e a forma certeira com que ela deu as caras foi sucesso. Posso dizer que até no tempo certo, pois sua presença não interferiu no processo político de Edison. A personagem tinha suas questões, falou sobre elas, e ainda emendou no que acontecia na Scarlet. Outro ponto alto porque reavivou o tipo de ponto de vista fotográfico que ela tem.

 

Graças à Adena, mais um passo foi dado no caso Pamela e isso rendeu uma cena lindíssima. Até Pamela merece confete por ter sacado o que ocorria. A criminosa acelerou o processo de Jacqueline e de Jane, dois lados da moeda que rechearam mais o atrito rumo ao derradeiro season finale.

 

Só que eu tenho que reclamar um pouquinho ou não sou eu. Mantenho o ponto de vista de que o caso Pamela deveria ter ganhado prioridade mais cedo. Embora o episódio tenha entregado nuances já muito familiares quando se trata de pautas como essa, e que seguem certeiras de emocionantes, tudo ficou corrido. Impedindo um relacionamento mais duradouro com o que ocorria. Além disso, não trouxe muito do conflito que seria lidar com Pamela e assim tornar possível a melhor compreensão desse lado da história que é extremamente cinza. Nem todo mundo sabe o peso dessa situação e do que ela provoca quando se tem uma mulher abusadora no poder.

 

Principalmente quando Pamela acredita que tudo vale em nome da arte. Passar frio. Ficar pendurada por horas. Era outro tipo de repercussão em comparação ao que ocorreu no 1×10.

 

A ideia de mudar o viés foi bacana, mas não trouxe o esperado impacto. Não teve elemento surpresa, como quando Jacqueline revelou que também foi estuprada. Não sei vocês, mas o efeito do 1×10 ainda é muito presente na minha vida e virou base de comparação para tudo.

 

Jane e Jacqueline na sessão de fotos

 

O comportamento das personagens envolvidas também é questionável. Além do fato da reportagem ter transcorrido sem outras maiores dificuldades, paranoia não se fez presente no semblante de Jane e de Jacqueline. Fato que fortalece o quanto ambas pareciam ser as próprias donas da Scarlet e o quanto, pela milésima vez, ninguém se interessou em medir as consequências futuras. Retaliação, difamação, essas coisas, que é esperado a se temer, independentemente de se fazer a coisa certa.

 

Da mesma forma que foi surreal Kat não saber de linchamento virtual e recusar estratégia da própria campanha, Jane e Jacqueline foram um tantinho irresponsáveis ao longo da construção dessa reportagem. E a culpa em si foi da elaboração do viés de trama. Ele foi picotado, entregue em trechos já resolutivos para que a dupla dinâmica pudesse trabalhar tranquilamente. Queimando a etapa de realmente se pesar o que ocorria e posso dizer com tranquilidade que até os quotes de Jacqueline viraram fórmula para não ter desenvolvimento. É só ela falar que dá certo.

 

Queria que fosse assim na minha vida.

 

Assim, eu sempre pagarei pau ao que a editora-chefe tem a dizer, mas a entrega aos pedaços e a pirueta para deixar tudo pronto e publicar não trouxe tanta proximidade. Nem verdade diante da construção dessa situação. O vazamento da entrevista pareceu que nunca existiu – e eu duvido muito que Pamela não a teria usado em seu benefício para desmontar a reportagem.

 

Eu disse que amei Jane e Jacqueline trabalhar sem interrupção de Patrick. Porém, foi tanto segredo que até isso comprometeu na hora de conduzir a reportagem. Só isento as modelos por motivos óbvios.

 

A história também não engajou o peso emocional que deve ser para uma jornalista cobrir e escrever sobre uma mulher que abusa física e emocionalmente de outras. Jane e Jacqueline não tiveram esse momento, como ocorreu no 1×10, e o valor de choque nem chegou na superfície desse roteiro. Por essas e outras que é meio frustrante ver que Sloan dormiu no texto para estar tudo pronto no dia seguinte. Sendo que a proposta aqui não foi nem um pouco igual ao que ocorreu no 1×10.

 

O resultado de tudo apenas mostrou que Jane e Jacqueline caíram em uma storyline sufocada pela falta de tempo de construção. E daí eu tenho que bater na tecla de novo sobre os episódios que deram voz ao Patrick e que foram inúteis. Para no fim ele só acenar!!!

 

Fato que fortalece ainda mais meu comentário sobre essa história ter sido entregue aos pedaços praticamente aleatórios e com fácil solução contra a ameaça que Pamela representava. Uma reportagem, ainda mais com esse calibre, não se resolve de um dia para o outro. O salto temporal de The Bold Type não é tão grande assim e não me escorarei na “pouca” quantidade de episódios da série.

 

Modelos fotografadas na Scarlet

 

Honestamente, eu queria ter me emocionado mais com essa história. Porém, nem expectativa eu criei graças ao circuito a desejar dos 6 primeiros episódios. Sem contar que deram mais atenção ao retorno de Adena em vez das modelos – o efeito do foco chatíssimo em shipper. Dessa forma, digo que o 3×04 conseguiu ser o único relativamente emocionante desta temporada por ter atuado na complexidade de Jacqueline. Algo que não ocorreu aqui e se apoiaram em frases de efeito.

 

Eu fiquei triste no episódio passado quando a fotógrafa comentou o que Pamela fazia com as modelos. Tão quanto contente por ela ter ajudado Jacqueline e Jane a confirmar quem sofreu um tipo de abuso para que rolasse quebra de confidencialidade. Sem esse grupo, não haveria reportagem. Contudo, eu esperava um tantinho mais, especialmente porque essa história conflitava diretamente com a principal mulher no poder da série. Aka Jacqueline que, até então, trata todas como rainhas.

 

Foi inevitável não associar as fotos ao caso Cosby (New York Magazine). Daí veio um incômodo que eu não tinha sentido até o momento: a produção das fotos. Por ser uma revista de moda, o foco foram as modelos. Não tiro o mérito, mas elas não estavam tão cruas como Adena intencionou. Em contrapartida, deu para rever o estilo da fotógrafa, que sempre curtiu uma sombriedade.

 

Sei que não é fácil falar sobre abuso, especialmente quando a pessoa envolvida tem extremo poder. Por isso que volto na questão de que essa reportagem deveria ter começado mais cedo. Para trazer mais das modelos. No 1×10, duas vítimas falaram, mas era uma matéria. Neste caso, era uma reportagem que, automaticamente, pede amplitude visto a necessidade de várias páginas, pesquisas e fontes. Ir cortando caminho definitivamente não rendeu um resultado satisfatório.

 

Sem dúvidas, essa ideia de storyline poderia ter alcançado muito, mas muito mais, e isso me deixa igualmente triste. Ainda mais por ser esta série. Honestamente, eu espero que role um follow-up.

 

E sei que soo repetitiva, mas perderam tanto tempo focando em coisas desnecessárias para não se alcançar um tipo de mérito que The Bold Type conquistou em redondos 40 minutos no passado.

 

Triste história.

 

Os outros plots

 

Richard e Sutton conversando

 

Sutton ficou meio no cantinho, mas eu gostei de vê-la no curso. Uma história de última hora e sem respaldo algum que abriu para a realidade de que metade da classe provavelmente tem dinheiro e tempo vago para entregar os melhores trabalhos. Cenário que criou um mínimo atrito entre Richard e ela sobre money, dando senso de continuidade ao comportamento dessa personagem desde a época das calcinhas. O que parecia ser uma necessidade de tomar conta das próprias coisas se revelou como uma crise de independência. E tenho que admitir que sua verdade me tocou mais que as modelos justamente porque, apesar dos pesares, os roteiristas seguiram a linha de Brady.

 

Apesar da “rasidade” de algumas situações, a história dela se faz presente de um jeito e de outro e é ótimo. Como o retorno do mencionar do pai que deixou o impacto negativo sobre grana. Sutton teve que aprender a se virar graças ao descaso dos pais e eu entendi perfeitamente essa questão. Inclusive, na hora do rachar da conta, eu pensei que engatariam aquela conversa chata sobre mulheres não deixarem mais homens ser gentis e fiquei aliviada em ver que não foram por aí. Justamente porque eu ia botar o selo feminismo branco sem senso de recorte em The Bold Type.

 

Foi ótimo saber ainda mais da vida de Sutton. Algo que sempre celebrarei, pois, como já disse tantas vezes, a dinâmica dos casais não me importa muito (e não anda tendo muito que fazer e fica nesse mais do mesmo uma hora chato e outra hora fofo). Ela tem um histórico de atrito com relação ao dinheiro, o que deu mais força ao “apego” dela com o famigerado dólar. E eu amei!

 

Desde que chegou a NYC, Sutton rebolou para estar onde está. Ter um cara como Richard, além de ser surreal para quem tinha muito sonho e aparente pouca sorte, especialmente por não ter uma formação na área de interesse, para contribuir financeiramente, de modo saudável, soa como um tipo de invasão de espaço. Para quem cresceu desse jeito, ganhar presentes caros é a própria morte.

 

Como ocorreu com a máquina de costura que Sutton recusou de primeira. Sem se tocar que ela perdia uma das partes mais importantes do relacionamento: a partilha. Richard comprou esse objeto não para esfregar que tem dinheiro na carteira ou para “comprá-la” e torná-la dependente, mas porque ele queria mesmo ajudá-la. Demonstrar apoio. Talvez, pelo que ela fez por ele no episódio passado e tudo bem. Foi fofo vê-lo empolgado. Por alguns instantes, eu quis sacudir Brady, mas, no final de tudo, seu esclarecimento foi muito cabível e condizente com sua storyline.

 

Mas não se nega que aqui teve outro conflito Suttard que fiquei muito ué?

 

Com o sucesso, Sutton ganhou mais gás sobre o preparo de roupas para um desfile que atrai compradores futuros. Uma oportunidade e tanto, mas não menos fácil, vamos combinar. Tenho interesse, porque essa personagem sempre se mostrou criativa na hora do caos.

 

Kat e Adena sentadas no banco da praça

 

Foi muito bom ver Kadena começar a colocar pingos nos is. Claramente ambas ainda se curtem e o que ocorreu em Paris precisava de um reajuste, porque foi inaceitável. Amei vê-las vulneráveis, educadas uma com a outra, reconhecendo o que uma tem de melhor. Como disse Kat, Adena foi sua primeira na parte da sua jornada anterior à política. Eu só não sei se eu teria o mode sangue de cobra para lidar com aquela ladainha de ser uma fonte de inspiração – que nunca me descerá.

 

Mas foi importante assentar a história delas de novo e isso fez muito do episódio valer a pena. Principalmente por conta do revival em si que as colocaram no ponto que pararam. Para tirar o cimento que Kat achou que colocou foi preciso reavivar o sentimento ou a lembrança ou os dois, e eu amei também. Mesmo que meu coração Kadena tenha falecido bastante, eu espero que ambas se ajeitem. Não precisa ser logo em um relacionamento, pois é possível vê-las como grandes amigas. Uma ainda acrescenta a outra, especialmente quando lembramos do 2×02. Um episódio marco para essa relação por todas as questões de ativismo e de abraçar quem você é sem medo de rótulos.

 

Ok que isso pediria uma dose de maturidade, pois Kadena como shipper foi demasiadamente destruído. Ainda segui crente de que não teria volta, pois, em curto espaço de tempo, Lasher e amigos tiraram tudo que ambas tinham de melhor. Nem sempre o foreshadowing é bom e aqui temos um exemplo. Elas nunca foram ruins de conversa, então, o golpe da musa segue injustificável.

 

Ainda não me desce Alex de boa e eu não sei mais como eu devo me sentir. Sempre penso na consequência e confesso que não fiquei confortável com a piada interna Jefflex. Nem muito menos com o fato de vê-lo confortável com a “brincadeira”. Não sei, gente, eu, como outrora vítima, não consigo abaixar a cabeça para esse tipo de situação. Me incomoda e muito vê-lo tranquilo, com tudo dando certo, ainda tendo as amigas agindo normalmente. É, eu sei que aqui cabe a questão de homens e privilégio, mas, poxa, a ficção podia fazer melhor, né? Eu ficaria muito grata!

 

Nem pelo que comentei sobre ausência de racismo. Foi frustrante ouvi-lo comentar sobre a coluna que ainda existe e o martírio da sua “vida dupla”. Independentemente do grau, o que Alex fez é indesculpável, mas o roteiro manda a mesma mensagem de Aziz Ansari – que voltou para a Netflix.

 

E me cortou ainda mais ver Alex de boa tirando sarro do selo Jefflex em um episódio que falava de abuso físico e emocional. Coragem teve, mas noção não, hein, roteirista?

 

Penso que é hora de enfiar isso na caixinha de ficção ou meu ranço será maior que o de Patrick.

 

Mentira, pois tem o Ryan. Eu não sei mesmo o que dizer sobre esse personagem e o trabalho de foreshadowing no livro que revelou que ficção pode ser uma realidade. Sério?

 

Concluindo

 

Matt McGuinness assinou este roteiro e me pergunto o motivo. Sim, me refiro ao plot das modelos. Logo em um episódio determinante como este me colocam homem de roteirista visto que o 1×10 Sarah Watson quem assinou e o 2×06 foi Amy-Jo Perry. Sinceramente…

 

E foi ele quem escreveu o famigerado Betsy. Desacreditei, mas faz sentido. Afinal, o fim da história de Pamela caiu em suas mãos e, bem, não houve aprofundamento algum. Porém, aqui o caso foi um tantinho mais acertado. Meramente porque não tinha mais para onde ir.

 

E daí eu entro em conflito porque ele escreveu The Breast Issue e eu amei este episódio.

 

Laudo: mais do que evidente que a visão da showrunner comprometeu todo o time.

 

Fora Adena, este episódio veio mais para preparar o final da temporada pelos olhos de Jacqueline e de Jane. Essa é a storyline pertinente para o encerramento da S3 e foi fácil começar a temer pelo resultado. Há muita furtividade em cima de mais furtividade sobre assuntos e realidades que bombaram na internet e nas mídias jornalísticas no ciclo que esta temporada foi produzida. E eu não curti tanto assim, mas não há mais nada a ser feito. Só seguir em frente e fazer a pêssega.

 

Não nego que, apesar dos pesares, foi aqui que eu comecei a sentir a série novamente. Para além das minhas considerações com o caso Pamela, eu curti o resultado maduro e equilibrado. A tríade funcionou muito bem em suas storylines graças à ausência dos extras e o foco em Adena só acrescentou. Porém, contudo, entretanto, a falha maior ficou na conta da história de Pamela que era para ser o centro e não Kadena.

 

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Stefs Lima
Jornalista, fundadora do Contra as Feras e ex-líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I AM THAT GIRL. Não poupa no textão e nem nas doses diárias de café. Além disso, acredita piamente que você pode ser sua própria heroína.
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