14out
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Eu não tinha o menor interesse de reassistir às temporadas da 2ª geração de Skins. Minha ideia era somente revisitar a 1ª por justamente ser minha favorita. Mas, depois de alguns monólogos mentais, acabei mergulhando no que se tornou uma maratona da série.

 

Sendo honesta, eu tinha muito receio de reassistir a S3-S4. Meramente porque eu saí dela com vários denominadores negativos. Algumas lembranças agridoces. A começar pela relação entre Effy, Cook e Freddie. Na minha mente, o relacionamento desses três foi a razão e a causa para eu não ter levado as duas temporadas desses adolescentes com o mesmo carinho que levei as anteriores.

 

Eu me identifico muito mais com a 1ª geração justamente pelos aspectos que comentei em seu respectivo post: os personagens possuem seus subtemas. Além disso, rolou um impacto maior na revisita por eu ter compreendido o que eu não compreendia lá em 2010/2011. Ao contrário desta que trouxe o amor como tema e eu saí achando tudo irritante na primeira vez que a vi. Detalhe esse que se alterou justamente por eu não ter a mesma consciência de anos atrás.

 

Toda a relutância que eu sentia sobre a 2ª geração se dissolveu a partir do primeiro episódio. Contudo, não quer dizer que tenha sido uma experiência menos agridoce. Enquanto a 1ª geração foi finalizada em um ambiente seguro, este grupo deixou um vazio em sua conclusão.

 

Skins foi uma série sobre hedonismo adolescente. Ao longo da jornada com a 2ª geração, eu percebi que essa premissa desviou a possibilidade de análise um tanto mais aprofundada sobre o que movia cada personagem nesse “estilo de vida”. O grupo de Effy não atraiu tanto esse olhar em comparação ao grupo de Tony. Principalmente porque foi aqui que a série atingira o seu hype e todas as romantizações possíveis nasceram. Como da própria Effy.

 

Assim que o primeiro episódio passou, muito das minhas impressões passadas começou a se dissolver. Algo que também se deveu a um melhor entendimento de quem encabeçou esse grupo: a irmã de Tony, o chefe da 1ª geração, que tomou o círculo social de Bristol (e o quarto dele também). E, claro, por eu hoje compreender algumas pautas, como de saúde mental. Assunto bem mais próximo desta geração, inclusive, com direito a nomes, rotinas com medicamentos e experiências na terapia.

 

 

Elizabeth Stonem. O motivo auge dos auges da minha hesitação em seguir com a revisita de Skins, porque eu não gostava dela. Uma hesitação que perdera a força graças à sua jornada com a 1ª geração. Ponto que assentou quem poderia ser essa adolescente, além de dar nuances da sua personalidade.

 

Foi muito fácil crer que Effy não era tão importante por ter entrado em Skins a base do silêncio. Ela estava ali, sempre nos cantos, observando tudo e todos. Os mais velhos nem sequer a enxergavam, salvo Michelle que foi a única a questionar o motivo para a adolescente não falar. Foi uma época que ninguém sabia quem encabeçaria uma possível nova geração e, ainda assim, deram muito sobre ela. Sem precisar envolvê-la no cerne da 1ª geração. Sua presença solo funcionava e seus capítulos ao longo da S1-S2 figuram entre os melhores.

 

Intencionalmente ou não, a personagem criou uma ligação extremamente importante com a série. Por isso, não foi uma surpresa vê-la como rosto da 2ª geração e assim arrematar o que foi visto no Piloto. No caso, um universo criado e fortalecido pelos irmãos Stonem. Os responsáveis em trazer a Skins à tona antes mesmo dela ser popular. E essa popularidade veio nas costas de Effy e de seus amigos.

 

Effy e Tony trouxeram a extensão de um legado que a 3ª geração não conseguiu engatar com a mesma facilidade. Embora os novos rostos fossem estranhos, salvo Pandora que também foi introduzida no 2×07, o resvalar de lembranças da 1ª geração tornou a experiência com a 2ª ainda mais especial. Sem contar que alimentou o ideário de possíveis retornos, como do próprio Tony.

 

Foi com a 2ª geração que Skins estabeleceu seu formato. Que houve uma preocupação ainda maior de manter o hedonismo vivo ao mesmo tempo que tratava de outro tema. Que houve um aumento do uso de mídias sociais para prolongar a experiência narrativa. Mas o maior desafio foi entregar um grupo que tapasse o buraco deixado pelo grupo anterior. Afinal, a 1ª geração armou a barraca. Entregou as fórmulas e os efeitos de impacto. Deixou-se na conta da turma de Effy a responsabilidade de inovar e de manter a essência criada por Tony e Cia.. Havia uma grande missão que, no fim, vingou na medida do possível.

 

Na medida do possível porque foi com a 2ª geração que os roteiristas começaram a perder a mão. Para a sorte do time, ninguém resiste a uma boa angústia romântica. Ainda mais quando envolve um triângulo amoroso de adolescentes. O acerto desta tão quanto seu erro, pois, ao contrário da 1ª geração, esses personagens não tiveram subtemas que apontassem para sua individualidade.

 

O amor acabou distribuído em várias camadas. O amor do triângulo. O amor lésbico. O amor de família. A aceitação de que você pode receber amor. Não houve um leque de conflitos, pois tudo ficou concentrado no tema central que funcionou no começo até chegar desgastado na S4.

 

A partir de agora o post tem spoilers. 

 

I. i’m the man who loves you

 

Skins 2ª Geração - Effy

 

“Love, love, love. What is it good for? Absolutely nothing.”
Effy Stonem

 

Para que serve o amor? No 2×07, Effy Stonem afirmou que para absolutamente nada. Uma linha simples de diálogo. Inofensiva. Quase uma nota de repúdio em resposta a um Tony que ainda angustiava por Michelle. Com uma sutil observada, os roteiristas adiantaram quais seriam as futuras emoções à flor da pele. No caso, o já mencionado amor.

 

É essencial ver o 1×08 e 2×07 para compreender quem é Effy Stonem. É ao longo da 1ª geração que se vê seu modo de operação tão quanto suas angústias. Ela poderia não pertencer ao grupo de Tony e não interferir diretamente na trama, mas se tornara um enigma. E foi na tese de enigma que a personagem permaneceu até o fim de Skins. Sendo um tipo de adolescente que vendia uma imagem que não condizia com o refletor da narrativa.

 

A transição de Effy por intermédio do grupo de Tony foi importantíssima para sua caracterização futura, pois, pelo silêncio, indagamos quais seriam os impactos reais de uma família que é emocionalmente disfuncional. E que ficou ainda mais disfuncional quando o irmão sofrera o acidente – testemunhado por essa personagem e que derrubou mais a dinâmica familiar. Uma reviravolta que fez o pai Stonem fingir que trabalhava fora do país e que fez a mãe Stonem entrar em depressão.

 

Depois disso, o amor parece não existir mais entre os Stonem (ou nunca existiu). O acidente de Tony foi a rachadura que, inclusive, serve de respaldo para o fim da trajetória de Effy na S4. Amarração que resgata os impactos de quase tudo que ela viveu ao longo da 1ª geração. Intenção maravilhosa, porém, o tema da 2ª geração afetou seu contínuo desenvolvimento. Tudo foi sobre manipulação. Controle. De manter o mistério sobre uma garota que tinha sérios problemas de saúde mental e que acabou negligenciada graças ao que os roteiristas nunca mais desgrudaram: valor do choque. Ela foi humanizada na S2 e me pergunto em qual instante simplesmente decidiram colocá-la no fundo do poço em vez de lhe dar uma redenção. Como rolou com Tony.

 

Mas aí eu entendi: Skins sempre foi sobre angústia masculina. Os roteiristas não ligavam para as mulheres e faziam questão de torná-las vilãs para se criar empatia pelos homens. Não é à toa que é muito fácil imunizar Cook e Freddie das artimanhas de Effy. Compreensível, mas há outro impasse que explicarei ao longo deste texto.

 

Digo mais: Tony não tinha respeito por ninguém do grupo também e conseguiu se libertar das suas próprias sombras sem matar ninguém no processo. E, ao longo dessa jornada, foi fácil detestar Michelle.

 

Evidentemente não seria interessante para Skins uma personagem equilibrada. Ainda mais quando Kaya Scodelario se tornou a queridinha e símbolo de muitas adolescentes. O que diziam sobre romantizar o transtorno alimentar de Cassie não chega nem perto da romantização da depressão de Effy. Simbolicamente, ela perdeu a cabeça por amor. O amor a enlouqueceu.

 

Mas, antes de “enlouquecer”, Effy mal sabia que lidaria com o que evitou ao longo da adolescência. Que lidaria com o que julgou ser a ruína da sua família e que facilmente trancou dentro de si para não vivenciar. Seu silêncio nunca esteve ali à toa. Foi parte da sua arma essencial: o controle. Sem dizer nada, apenas observando, a personagem aprendeu a controlar seu espaço.

 

Tony era o único que passava. Ambos foram álibis um do outro. Mais ele para ela, óbvio, pois a adolescente era tratada como apenas uma menina que estudava em um colégio para meninas. Vivia de uniforme dentro de casa e assistindo televisão. Parecia totalmente alheia e excluída do mundo. Jamais que os Stonem pensariam que a filha de ouro escapulia todas as noites para curtir o hedonismo com seu grupo. Um grupo que não tinha a cara da 2ª geração como conheceríamos anos depois.

 

 

Skins 2ª Geração - Freddie, JJ e Cook

 

Os Stonem praticamente se saíram como um tipo de elite de Bristol – mesmo não sendo parte da elite. Ambos se tornaram os adolescentes populares. A cola/não cola de seus respectivos grupos. Enquanto um dissimulava na maior tranquilidade, a outra criou um mistério ao redor de si. Um mistério que atrai James Cook, Freddie Mclair e JJ Jones. O trio de garotos conhecido como Três Mosqueteiros e que mal sabiam da cilada.

 

É Freddie quem nos leva para a introdução de uma nova geração. Ele anda de skate. Quase sofre um acidente. Encontra seus amigos em uma esquina. James Cook bebe uma cerveja antes do almoço. JJ é aquele que destoa dos dois.

 

Onde está a figura de Effy que encerrou o 2×10 dando a entender que seria a protagonista?

 

Logo ela aparece. Muito diferente da jovem deixada na temporada passada. Ser expulsa do colégio de garotas exigiu uma mudança no figurino e ela se torna uma espécie de it girl. Olhos bem marcados, roupas metalizadas e de cores escuras. Atributos que chamam a atenção dos três garotos que começam a competir entre si sobre qual deles ela encara sem pestanejar enquanto fuma.

 

Ninguém parece se importar com a gritaria do pai Stonem que tenta resolver um acidente-não-acidente. Um ruído que não deixou de ter Freddie como parcialmente culpado e de ser uma chance para Cook se mostrar. Effy, entediada das observações, sai do carro e abre sua primeira interação. Um gesto pequeno, mas o suficiente para excitar os garotos que têm seu momento Sid de hormônios bombando. Além de ser outro momento para mostrar que Skins continuaria objetificando as personagens femininas só pelo prazer de objetificá-las (sem background algum).

 

Claramente, não há necessidade de reintroduzir Effy, porque isso aconteceu na S1-S2. A personagem entra pronta e assume as rédeas de uma narrativa que entrega rapidamente sua intenção de gerar conflito entre os amigos. Com mais foco para Freddie e Cook – e até hoje sigo achando a maior forçada de barra colocar JJ na mesma posição visto que se esqueceram dele. Como se honrasse o DNA de Tony Stonem, a adolescente inicia um jogo que culmina em uma lista de desafios. Ideia que ritma o primeiro episódio da 2ª geração e que expressa a consciência dela sobre o seu poder. Sobre sua forma de controle.

 

Cook e Freddie engatam as tarefas da lista, mas Cook sai como vencedor. O vencedor que ganha o direito de fazer sexo com Effy. Ato que firma o início de um ciclo vicioso dito como amoroso e que não demora a tragar Freddie que amou à primeira vista. Dois garotos que a veem totalmente diferente.

 

Laudo: Effy se tornou um objeto desde o dia 1 da 2ª geração. Além de se auto-objetificar para expor sua “necessidade” de controle sobre os garotos. Tudo a 200% por hora de Chernobyl, mas vamos seguir adiante.

 

Skins 2ª Geração - Effy e Pandora

 

Ao contrário de Tony, Effy não conhece os adolescentes que cruzam seu caminho e não os introduz. Salvo Pandora. Um a um ganha o seu momento inaugural no 3×01, como as gêmeas que têm um pouco mais de atenção. Alguns estão animados com a ideia de volta às aulas. Outros não. Porém, tudo soa novo para todo mundo e a estratégia de Skins para tornar esse todo mundo conhecido foi reuni-lo no mesmo ambiente. Na quadra que também beneficiou a reintrodução dos docentes.

 

Sem dúvidas, James Cook é a grande estrela do episódio de estreia da 2ª geração. Falou-se muito sobre ele ser um “novo Chris”, mas, ao longo da jornada, se revelou que 100% nada a ver. Ele foi mais um canal para que Chris não fosse esquecido. A 1ª geração como um todo, na verdade, visto que esse pentelho se tornou canal para que a turma de Tony fosse rememorada. Foi facílimo me deixar levar de novo pelo carisma inconsequente e problemático do personagem. Tão quanto pela bocuda Naomi Campbell, que chama a atenção de Emily e de Katie Fitch, e que ele inferniza.

 

Cook é o chamariz desta geração e conquista o segundo episódio. Ele é o tipo de personagem que conversa com todo mundo. Até quando ninguém quer ouvir a voz dele. Identificação fácil de captar durante o seu aniversário que criou um point de encontro para esta geração. É quando o vemos em seu exagero, algo que Skins não desapegou ao longo da jornada deste grupo também.

 

Por meio dele, compreendemos como é a dinâmica dos Três Mosqueteiros e quem seriam os outros 2 Mosqueteiros. JJ é o garoto legal e inocente que ama mágica. Ele é autista, o que faz de Freddie muito atento ao cuidado do amigo. E esse mesmo Freddie é quase uma babá de Cook e, mais tarde, o guindaste que carrega uma deprimida Effy. Ele é um misto de compasso moral com esponja, pois é com esse personagem que todas as soluções parecem residir.

 

Por isso até hoje eu digo que Freddie merecia mais!

 

Aniversários é um tema constante desta geração e é assim que Pandora também é reintroduzida – o 2×07 deu um pouco sobre sua pessoa. Ela é um ponto de inocência que se aproxima de Cassie. A diferença mora no fato de que a personagem demora a cair no hedonismo da sua geração (ao menos se pensarmos na trajetória dela antes). A jovem não chega ao fundo do poço por motivos de droga e de bebida. O fundo do poço era se apaixonar. A real droga desta geração.

 

É na festa do pijama que a jornada de Pandora começa. É nela que sua inocência se reparte, pois Effy a decepciona. Decepção que a leva ao estilo de vida da BFF tendo Cook como catapulta. Decepção que é a primeira de muitas acarretadas por Stonem que vira uma acumuladora emocional ao longo da S3. Enquanto Tony saía imune das mancadas, Effy é culpada rapidamente. A diferença crucial entre os Stonem, pois Effy também toma consciência muito rápido das mancadas.

 

Mancadas essas inspiradas pelo fato de Effy ser o centro das atenções e Pandora é a primeira a botá-la no famoso devido lugar. O que não funciona de imediato.

 

De melhores amigas, Effy e Pandora se tornam duas estranhas. Contudo, Pandora é boa demais para este mundo e ainda tem esse senso de lealdade com relação à melhor amiga. Tudo fica meio esquisito, mas não por muito tempo. Até porque os relacionamentos amorosos as separam naturalmente e eu considero isso uma grande lástima. Ambas poderiam ter se ajudado mais.

 

A amizade delas foi tudo no 2×07 e deixou de ser prioridade assim que a trajetória da 2ª geração começou. Pandora não tinha espaço entre os Três Mosqueteiros que passaram a ocupar a vida de Effy. O que chega a ser injusto com menina Moon, pois ela esteve em Skins antes dos outros.

 

Skins 2ª Geração - Freddie

 

Freddie merece mais destaque neste texto por todos os motivos óbvios (isso se vocês assistiram Skins). Ele se revela realmente como seu olhar: bondoso. Porém, triste. O garoto tem como angústia a perda da mãe que é largada nas entrelinhas como ocorrera com o irmão de Chris. Ninguém diz a procedência da morte, mas a morte é o suficiente para incomodar esse adolescente que não perde tempo em julgar sua irmã que usa o rombo emocional dos Mclair como bait em um concursoFato que traz algo que normalmente se espera acontecer no 2º ano de cada geração: transição de amadurecimento. De quem reluta o fato, ele se torna um braço apoiador. O que dá a entender que tudo fica bem, mas lá vem ela. A garota chamada Effy que o corrói por dentro.

 

É em seu episódio de introdução que se aumenta a angústia do triângulo, pois Effy diz o que catalisa mais os sentimentos de Freddie:

 

“Nobody breaks my heart. And anyway, why would I want that?” 

 

De novo, Effy renega o amor sendo que obviamente começa a sentir algo por Freddie. Enquanto Cook incita a irresponsabilidade de Stonem, Freddie é aquele que a chama para a consciência. E essa consciência é o que a adolescente teme, pois, automaticamente, lá se vai seu poder de controle.

 

É com Freddie que Effy vê que dá muita mancada. Como na festa de Pandora em que ela tenta se desculpar até com ele. Ele a faz enxergar que suas formas de causar danos para ter atenção não são atraentes. Algo que cabe ao Cook também que chega a um ponto da narrativa em que ninguém o quer por perto. Um desejo que também cabe ao Freddie que começa a se afastar do melhor amigo por não conseguir mais lidar com a imaturidade dele.

 

Freddie e Effy alimentam o tema de amor. Ele sabe o que sente. Ela, por outro lado, bloqueia e toma suas próprias providências. No caso, seguir com o sexo casual com Cook. Escolha que traz a nuance de ser esse o amor que ela merece. O amor marginal como diria Johnny Hooker.

 

De fato, Effy parte o coração de Freddie. Ele desiste de se declarar ao vê-la junto com Cook pela janela do quarto de Stonem. Abrindo espaço para a corrosão amorosa que se estenderia por toda a S3.

 

Skins 2ª Geração - Naomi e Emily

 

O sentimento de corrosão amorosa também se dá entre Emily e Naomi. O famoso shipper Naomily que ganha a chance de ser desenvolvido. Na geração anterior, Maxxie nasceu pronto. Nesta, as duas criam uma oposição, pois precisam aceitar a questão de orientação sexual. Ponto que calha mais em Naomi que vira e mexe diz e garante que é heterossexual. E Emily dá de ombros.

 

É nesta geração que há o primeiro relacionamento lésbico. O que parece ser apenas uma curiosidade de Emily na verdade é a exposição de um sentimento que ela domina bem. Tão quanto sua orientação sexual que é sempre jogada embaixo do tapete por Katie, a gêmea dominante e homofóbica, junto com o que sente por Naomi. Além de ser apagada, Emily ainda tem que aguentar a possessividade da irmã que não tem a menor intenção de dividi-la. Ainda mais com outra garota.

 

E possessividade é outra palavra-chave desta geração.

 

Emily vive nas sombras. Com um conflito interessante de ser a gêmea dominada. Ao ponto de não ter a liberdade de ser como é e nem de explanar o que sente por Naomi. Aos olhos de Katie, ambas formam uma entidade. Não podem se separar nunquinha. E o desafio de Emily, antes mesmo de poder ter algo com Naomi, é se separar da irmã para viver o que chamamos hoje de nossa própria verdade.

 

Juntas, as gêmeas seguiram como donas de subtemas interessantes. Mais Katie que desafiou o amor de irmãs e de família. Mesmo com Naomi fazendo pulsar o tema desta geração entre as gêmeas, nada impediu que as Fitch se tornassem marcantes isoladamente. Elas trazem a história do lar que precisa dar reboot e começar do zero. As dificuldades dos pais testam a união como um todo e foi bom ver que ao menos uma família não é tão disfuncional.

 

Naomi vira e mexe é defensiva ao que sente e às dúvidas que Emily lhe provoca. Sua mãe é nada mais, nada menos, que Olivia Colman, que tem um coração enorme para ativismo. Detalhe esse importante visto que é parte da caracterização da adolescente. Algo muito legal, pois esta foi a geração que trouxe um tipo (raso) de interesse político por parte de algum personagem.

 

Mas, como aconteceu com Effy, Naomi acabou sendo foco de algo e esse algo foi assédio verbal e sexual. Cook traz esse viés problemático ao jurar que ele seria capaz de “torná-la heterossexual de novo”. E dá raiva ver que os roteiristas chegaram perto de cometer essa burrada.

 

O viés político dado minimamente à Naomi acaba esquecido por causa do seu envolvimento com Emily e da ausência da mãe. E está aí um ponto que eu considerei tão inaceitável quanto à exclusão súbita de Pandora. Quadro que entrega que vários subtemas de personagens foram aniquilados por causa de arcos românticos. O que torna a 2ª geração mais fraca que a 1ª no quesito de ter uma oferta de personagens que mostram ser interessantes quando não estão com o grupo. Não há muito recorte de storyline fora da bolha amorosa e a S4 sente essa ausência.

 

Katie é uma das poucas que tem uma storyline que funciona sem o arco romântico. Algo que se pode dizer sobre Cook também. Os dois melhores personagens na minha opinião graças às suas complexidades individuais – que chegam a testar diferentes tipos de amor – e à luta com e contra suas identidades em forma de sobrenomes. Ambos apagam facilmente uma Emily que se perde por ter sua história fundida a de Naomi. O mesmo serve para Freddie com Effy.

 

A gêmea do mal tem linearidade na escrita em oposição a muitos desta geração e entregou do que era feita. Além disso, Katie passa pela transição de identidade até encontrar o ponto de redenção. A personagem era sua própria toxicidade e foi bem incrível acompanhar sua mudança.

 

Revendo Skins, eu passei a crer que Katie tinha também a visão de heterossexualidade compulsória. Ela queria tanto que Emily fosse como ela e esse ser tinha a ver com homens (especialmente mais velhos). A gêmea do mal não aceitava o fato de que a irmã beijou Naomi e tentou de todo jeito “recuperá-la”. Principalmente diante da mãe, a única que poderia “consertar” tudo.

 

Não foi só de homofobia e de possessividade que Katie fez história. Jal criou um contraponto de inteligência e de influência com relação ao Tony, e a gêmea Fitch cria o mesmo efeito sobre Effy. Ambas são espelhos opostos. Bacana, mas elas entregam uma fórmula de séries adolescentes da época que Skins dizia não querer – garotas atraentes que podem ou se unir ou se tornar rivais.

 

A princípio, Stonem não liga para as chamadas de Katie. Contudo, as coisas mudam quando Katie começa a se relacionar com Freddie. Um ponto pra lá de destoante e que trouxe o trope básico das séries antigas da CW sobre meninas que brigam pelo boy. Contexto que fez esta geração muitas vezes perder o propósito. Skins como um todo, na verdade, pois acreditaram realmente que essa era a fórmula de sucesso ao ponto de repeti-la na 3ª geração. Insuportável do mesmo tanto que foi ver Freddie e Cook se odiarem por causa de Effy. Sem condições!

 

Katie é quem dá mais volume à caótica saúde mental de uma Effy que, para chamar a atenção, quase a mata em seu delírio drogado. Já Freddie começa a perder a sua caracterização no mesmo ínterim de tempo ao ser usado para despertar a consciência amorosa de Stonem de vez – e depois a consciência da tragédia. Tudo isso no 3×08 que entrega o quanto a irmã de Tony quer atenção para si ao mesmo tempo que é evidente que ela está descompensada emocionalmente.

 

E não é por culpa de Freddie, embora Freddie seja catalisador.

 

Effy e Katie se diferenciam. Stonem é independente. Joga sozinha. Ela é consciente do seu poder e do enigma que a rege e que atrai as pessoas. O mesmo não pode ser dito sobre Katie que é só dominante com relação à Emily. Sobre garotos, ela perde totalmente a personalidade.

 

De quebra, Katie é totalmente adultizada. Ela se porta como a mãe e esse é seu dito canal de superioridade. Quando, na verdade, ela usa da moda e da maquiagem para se mascarar. E sua história é a pura derrubada dessa máscara que não esconde uma jovem insegura. Que faz o que faz para ser aceita e por ter horror de existir sem a companhia da irmã.

 

Skins 2ª Geração - JJ

 

JJ é meu filho precioso que pertence ao grupo de personagens que funcionaram sem arco romântico. Como disse, ele faz parte dos Três Mosqueteiros e o considero o personagem mais completo desta geração. É ele quem aproxima Skins da chance de debate sobre saúde mental visto que é autista. Por meio dele, se mostra as consultas na terapia, a irresponsabilidade do psiquiatra em só medicar, como isso impacta a rotina da família e como estar nessa condição o afeta socialmente. O 3×07 é muito coeso nessas questões e traz a verdade de que esse anjo se acha menos que os outros. Consciência que nada tem a ver com o poder enigmático de Effy.

 

Ele se sente para trás. Ele acha impossível ter uma experiência adolescente como todo mundo. Emily entra como força de apoio e ambos se identificam por certo tempo da S3 ao enfrentarem problemas com relação a quem são.

 

Mas tudo muda drasticamente na S4 e ele começa a cair em clichê atrás de clichê sobre sua saúde mental. Além disso, ele se torna saco de pancada de Cook e de Freddie gratuitamente. Está certo que eu curti demais o fato dele fazer uma serenata cantando True, mas nada disso apaga o fato de que JJ foi esquecido ao longo dessa temporada. Como Pandora.

 

JJ deixou de ser um dos Três Mosqueteiros. Effy ofuscou tudo, pois seus amigos só queriam estar ao redor dela. Em contrapartida, não houve um real abandono, pois os amigos fora dessa bolha ainda falavam com ele. Só que tudo de mais pesado pertencia a esse personagem, pois havia também o pai que era um radio silence sobre seu autismo. Além da mãe protetora e exausta.

 

Assim como os Fitch, JJ traz uma história de reconquista familiar. Sua jornada é sobre ser visto. Amado. Sobre ter uma rotina “normal”. Os poucos alicerces que esse personagem encontra servem para fazê-lo se preocupar com o futuro e para reencontrar seu cerne. E, apesar de tudo, Freddie se manteve próximo o máximo que pôde. Revelando ser a verdadeira base dos Três Mosqueteiros.

 

JJ reflete aqueles que acabam por desbravar a adolescência por conta própria. Tomando suas próprias iniciativas sem saber se dará certo ou não. Ele é muito consciente da sua realidade e criou seus próprios mecanismos de sobrevivência – e que bate na quina de alienação. Como mágica e Astronomia. Duas pontes que o tornam simplesmente encantador e foi ótimo nada de ruim acontecer com ele. Salvo o soco que Cook acertou no meu precioso e que acabou a amizade.

 

Mesmo que todos estivessem focados em Cook, Effy e Freddie, JJ foi o único que trouxe a complexidade de querer ser amado pelo mundo e esperar essa recíproca. Essa era sua validação amorosa por querer ser aceito em uma sociedade que o ignora. Nisso, ele meio que se aproxima de Cassie devido ao desejo de algo puro e verdadeiro. Leal. Ponto similar à Pandora também, com a diferença de que ele não cede ao hedonismo. Uma decisão relevante da parte dos roteiristas, porque o adolescente tomava medicamentos de tarja. Foi responsável mantê-lo distante.

 

Skins 2ª Geração - grupo

 

Ao longo da S3, há a construção de amizades e de alguns relacionamentos amorosos. E os relacionamentos amorosos começam a sugar algumas amizades. Não porque Effy foi um tipo de agente provocador, mas porque o foco desta geração foi amar e a busca de ser amado. Nada foi dito sobre se amar, uma questão que rebate fortemente em Stonem que vai perdendo o controle.

 

Como a adolescência é urgente, se apaixonar também é. É a experiência que muitos adolescentes querem ter e com esta geração não foi diferente. A S3 é basicamente o despertar para essa necessidade e, pouco a pouco, cada um se isola nas angústias de uma emoção difícil de vivenciar nessa fase. Digo difícil porque tudo é questão de morte. Tudo soa como uma perda irrecuperável.

 

Naomi e Emily marcam bem a angústia de morte. Um shipper que nunca imaginei que fosse esquecer. Elas encheram meu coração de nostalgia, mas, no fim, eu me vi desejando que ambas simplesmente terminassem. Passada as dificuldades sobre orientação sexual, as duas se tornaram muito tóxicas. O florescimento do amor é tudo de bom, mas quando vem a trairagem…

 

Effy e Naomi meio que se complementam na toxicidade. Quando a S4 chega, o clima é sufocante. É insuportável acompanhar Naomily nessa temporada em questão. Até mesmo Freffy, mas isso já na S3. Por ser Skins, o amor não saudável se tornou motto, pois ninguém ali estava preparado para amar.

 

Naomily assumiram a linha de frente do romance junto com Freffy. Os dois casais experimentam a ingenuidade e o mistério na S3 e é fofo. Eles oferecem a angústia de querer estar juntos e não poder. Até tudo descambar e entregar esse sentimento de urgência em viver o que geralmente todo adolescente quer. Os escrúpulos, as quebras de limites, a perda de autorrespeito, a dificuldade de comportar o amor dentro de si e abraçá-lo… Esse quarteto confronta essas e outras questões que marcam a necessidade mútua de reciprocidade. E, quando não há reciprocidade, todos afundam.

 

Muitos ali têm medo de amar. De entregar reciprocidade, mas a recebem. O caso de Effy que, como disse na abertura desta seção, trancou o sentimento em reflexo do que vivera em casa.

 

Skins 2ª Geração - convite

 

Nesta geração, Skins trabalhou com várias ironias a fim de consolidar o seu tema de amor. A começar pelo novo diretor do colégio que se chama Mr. Love. Algo não tão novo nesta série que sempre se utilizou de pequenos itens para fortalecer o seu foreshadowing. Como o livro que Cassie lia enquanto Chris dormia (sobre transtorno alimentar) e o livro que Effy lê quando está internada (que basicamente denuncia que o psiquiatra tem parafusos a menos). Detalhes que sempre curti muito de ver neste universo, embora eu os tenha capturado melhor na segunda assistida.

 

A S3, que é a primeira parte desta geração, consegue balancear as relações. Mesmo com o triângulo correndo a todo o vapor. Os personagens fazem um caminho de oposição diante da 1ª geração, pois todos começam iluminados e aparentemente saudáveis. Effy e Cia. mostram o seu lado direito primeiro e o avesso começa quando há a descoberta do amor. E a chance de perdê-lo.

 

Literalmente, o amor vira muitos personagens do avesso na S4. Destrói-se relações que, obviamente, são imaturas. Porém, cheias de intensidade. Regadas com a emoção adolescente de querer aquilo mais que tudo no mundo.

 

A S4 poderia trazer o caminho de redenção a partir de uma crise de consciência como aconteceu com a 1ª geração. Mas se prolongou o caos romântico. Colocando o pior de todo mundo à tona e foi aí que Skins como série começou a se perder. Justamente por se esquecer do seu próprio início.

 

II. songbird

 

Skins 2ª Geração - desenho da Sophia

 

“Nothing good ever stays with me.”
James Cook

 

A geração anterior viveu um tanto mais de selvageria e fez jus à canção Wild World. A 2ª geração teve seu volume um pouco abaixado, porque seu tema foi tão simples quanto complexo. O amor trouxe uma queda de tom muito sentida na trilha sonora deste grupo. Não tem mais os guturais de Crystal Castles, que casavam com as baladas e a sujeira da 1ª geração, mas uma pegada mais folk. O clima não é tão iluminado e cheio de contrastes como o de Tony, mas mais monótono e sombrio.

 

Justamente porque a premissa não foi necessariamente focada em amizade, embora amizade tenha seguido como parte essencial de Skins como um todo. O foco foi expressar como amar outra pessoa dói. Supostamente enlouquece. Tão quanto mata. Além de ser difícil de se encaixar dentro de adolescentes hedonistas. Ou seja, adolescentes que só lidam “bem” com o prazer.

 

Enquanto a 1ª geração temeu o futuro, o seu baque de realidade, a 2ª teve que decidir ou se amava direito ou se deixava de amar. Decisão nada fácil. Ainda mais quando um grupo de jovens não gosta muito de ficar por baixo.

 

Um grupo de jovens que não ficou confortável em não entender o porquê.

 

É na S4 que surge o egoísmo de Emily, a toxicidade de Naomi e de Effy, o desolamento de Freddie e o desamparo de Cook. O quarteto que ganhou mais atenção ao longo da S4 e isso afetou os demais. Meramente porque o amor cegou o que estava ao redor. Ninguém queria saber dos amigos.

 

Assim como na S2, a S4 se dividiu em dois momentos. O primeiro foi somente para Naomily que fortaleceu o rótulo de Skins – A Romantizadora. O conflito de ambas começa por meio do suicídio de uma garota que ninguém ouviu falar. A causa da morte foi, claro, o amor – por Naomi. Revelação que a torna a primeira fonte de raiva desta geração por engatar a dor de Emily que a ama “loucamente”.

 

Na cena de repartição do casal, Emily diz:

 

“Everything’s so fragile.”

 

E essa é a frase que combina com todas as gerações de Skins.

 

Eu não me lembrava que Naomi e Emily eram tão desgastantes na S4. Ambas conseguem afetar o clima ao redor delas. As poucas amizades que existem. E ninguém se mete. Elas ficam em caos enquanto Freddie e Effy entram com um mood compensatório. Freffy curte a fase clean e suas sequências traz leveza.

 

Que não duram muito infelizmente!

 

Skins 2ª Geração - Emily

 

Claro que, no meio da treta entre Naomi e Emily, os personagens transitam. Capengando, mas transitam. Ao contrário da S3 que todo mundo passa muito tempo junto, a S4 traz o afastamento. Thomas, que nem sequer comentei por acrescentar um total de vários nada, como a Sketch, e é 100% estereotipado, é o primeiro a se retirar da história (mesmo que temporariamente). Pandora tem sua participação diminuída. Effy fica ausente pelo primeiro episódio inteiro. Cook se torna o vilão que ninguém quer por perto e tudo piora quando ele perde o temperamento para cima do anjo JJ. JJ fica sozinho em seu mundo. Katie ganha uma problemática à parte de Emily. É nessas ausências que se vê que o tema amizade foi muito raso na 2ª geração de Skins. As meninas nem se falavam direito como acontecia com Jal e Michelle, por exemplo.

 

A 2ª geração tinha o único job de transcender sobre o que cada um sentia romanticamente. Além do mais, reatar as amizades. Óbvio que ninguém me ouviu. Em poucos episódios da S4 foi impossível aguentar Naomi e Emily. O mesmo Pandora que teve que engolir slut-shaming por parte de Thomas. Um quadro muito familiar, pois as garotas continuaram a ser tratadas como um nada. Até mesmo Effy que seguiu como um objeto a se ter sendo que ela precisava de ajuda.

 

O afastamento dos personagens é fortalecido por Freddie e Effy. Passado o atrito de Naomily, os olhos se voltam para o casal que finalmente se torna um casal. Cook não está mais na jogada, porque ela escolheu seu melhor amigo no finale da S3. Contudo, não quer dizer que o sentimento tenha morrido. A questão é que Freffy termina de isolar toda a narrativa e Cook vira um transeunte.

 

Como disse na abertura deste post, Effy testemunhava um Tony de coração partido por Michelle ao ditar seu pacto sobre ficar longe do amor. Tão quanto o caos de relacionamentos que funciona como seu incômodo real ao longo da jornada entre as S3/S4 por causa dos pais (especialmente a traição da mãe que ela flagra). A personagem se trancou por dentro mais de uma vez e as coisas começaram a mudar quando ela escolhe. Escolher é admitir. E ela admitiu uma emoção da qual prometera jamais se prestar ao papel.

 

Enquanto Naomily sombrearam a morte por boa parte da S4, que culminaria de ser o ponto de conclusão sobre a temática, Freffy “enlouquecem”. A “loucura” que os leva a dois tipos de morte.

 

É a partir daí que os roteiros perdem totalmente a concisão.

 

Skins 2ª Geração - Effy e Freddie

 

Effy é o amor em seu aspecto destrutivo e foi normal esperar uma redenção. Ainda mais depois de ter recebido uma chamada de atenção de Freddie sobre ela ser a culpada de separar os amigos por conta da bendita lista. A personagem apenas fez o seu melhor: tomou o controle e manipulou tudo até se tornar em algo tóxico para os envolvidos. Inclusive para ela mesma. Uma garota que nunca se amou e que nunca viu amar outra pessoa como possibilidade.

 

Para piorar, Effy foi se tornando autodestrutiva devido à sua saúde mental extremamente debilitada. Detalhe que, ao contrário de Cassie, se tornou tudo de bom e do melhor de Stonem aos olhos de quem assistia Skins naquela época. Abriu-se espaço para a romantização da depressão, pois era “legal estar deprimido o tempo todo”. Para piorar um pouco mais, a negligência com a saúde mental dessa adolescente a tornou uma inimiga. Tudo por ter feito os garotos sofrerem. O mesmo se aplica à Pandora, a amiga que deixa de ser a melhor amiga por necessidade de atender ao triângulo.

 

Effy basicamente dizia que pessoas deprimidas são babacas. Isso foi bem errado! Afinal, os roteiristas entregaram que ela perdeu a cabeça por não compreender o amor. Por isso, ela foi lá e jogou com Freddie e Cook. Mesmo que eu a defenda por motivos de saúde mental, sua necessidade de controle pelo prazer do controle nunca foi inconsciente. Porém, se cria uma linha estreita em que se exige separar onde o amor começou a doer e onde já doía.

 

A personagem-chave da 2ª geração é o olho de um tema que a geração do seu irmão não ligou muito. Tony e Cia. queriam sobreviver enquanto Effy e Cia. queriam ser amados. Um ponto que não chega tão perto de negligenciar a questão do colégio, mas não quer dizer que essa finalização tenha sido tão boa quanto da 1ª geração. Ela simplesmente foi socada, porque os roteiristas tinham outra intenção. No caso, atender à sombra de um livro chamado Hamlet.

 

A tragédia shakespeariana entre Effy e Freddie.

 

A Sra. Stonem, como quase todas as mães de Skins, é uma traidora. Daí temos o atrito de Effy: se a mãe não é fiel a quem ama, por que se dar ao esforço de amar? O amor na adolescência não tem estribeira e essa personagem encarnou isso muito bem. A pincelada de conflito e de complexidade veio do fato de que a adolescente não conseguia compreender como o amor era tão debilitante. Ao mesmo tempo que volúvel, como a própria adolescência.

 

Mas, na verdade, o que era debilitante era sua depressão. O amor por Freddie apenas pesou mais na vida de quem já não era saudável. Ele abriu as portas de tudo que Effy reteve desde que foi inserida em Skins. O garoto girou a chavinha da caixa de Pandora mental de quem também amava demais.

 

Por essas e outras que muito cai na conta dele e volto a dizer que assistir aos episódios 1×08 e 2×07 é essencial. A caixa de Pandora mental de Effy começou a ser alimentada pela família. O flagrante da traição da mãe foi o estopim do agravamento de sua estabilidade. Sem contar que seu silêncio não funcionava mais de ponto de atração para sua pessoa.

 

No caos, Effy encontrou refúgio em Freddie. E Freddie, já melancólico pela perda da mãe, encontrou muitas fugas na companhia de Effy.

 

Skins 2ª Geração - Effy

 

Como também mencionei no texto sobre a 1ª geração, é possível dizer que quase todo personagem de Skins tinha ao menos um transtorno mental. Como o próprio Cook que, para mim, tinha um gravíssimo transtorno explosivo intermitente.

 

Effy é diagnosticada com uma depressão psicótica. A primeira vez que Skins dá nome a um transtorno mental. Um viés que não trouxe conscientização como aconteceu com JJ, pois a fragilizaram para engatar a história de Freddie. A meta era trabalhar a angústia masculina para culpá-la no fim.

 

O que é muito ingrato visto que o episódio 3×08 existe. A viagem do grupo para o meio da floresta e que Effy sente tudo e mais um pouco diante do fato de que Freddie está com Katie. A personagem quebra ainda mais ali. Se auto-objetificar e se drogar eram sinais de que ela se perdia dela mesma.

 

Mas, como se trata de adolescentes, pedir para que alguém notasse isso seria pedir muito. Ser autocentrado é parte dessa fase também e Michelle ensinou da melhor forma possível. Para mudar esse contexto de negligência, só mesmo Freddie que se tornou o alguém que vivenciou algo parecido.

 

O que a coloca em um patamar próximo de um Cook que transformaram em vilão aos olhos de todos. É nessa vilanização que ambos funcionam por certo tempo até Effy perceber que quer ficar com Freddie. O buraco que Effy acarretou e que os roteiristas não deram chance para ficar tudo bem. Sendo que ela começou a S4 saudável. E, se não fosse para mantê-la saudável, que continuassem sondando seu transtorno mental. Como aconteceu com JJ.

 

Aproveito até para dizer que perder uma saudável Effy, iluminada, tão depressa me deixou injuriada. De repente, ela cai dentro de um buraco obscuro e Freddie vai junto. “Tudo pelo amor”. Ambos tinham a chance de se redimir para um relacionamento minimamente equilibrado, mas o casal ganhou um fim a base de muito valor do choque que reflete a irresponsabilidade desta geração em comunicar saúde mental. A depressão de Effy foi artifício para a morte de Freddie.

 

Apesar de ter ficado arrasada de novo, a morte de Freddie ofuscou a importância do estado mental de Effy. Estado esse que nada tinha a ver exclusivamente com o namoradinho. Nisso, voltemos ao silêncio de Stonem. Detalhe da sua caracterização que nunca foi capricho. Foi uma realidade de quem compartimentalizou tudo que via e sentia. Inclusive, de quem aderiu ao movimento de não fazer questão de sentir. Dizer que ela ficou doente só por amor é muita cara de pau, sabem?

 

Tudo que tira Effy do eixo está em sua mente. Não necessariamente no coração. Um nó que é reflexo do caos emocional da sua casa. Tony era um mentiroso traidor. Os pais então nem se fala. Apesar de odiar o psiquiatra que “cuida” dela, sua presença foi crucial para relembrar o instante em que o interior da personagem se rachou. O impacto que volta para o irmão que quase morreu e ela testemunhou.

 

Imagino que o encerramento da 2ª geração seria muito bom se focassem em ajudar Effy a partir do acidente de Tony. Porém, tudo dá errado quando, do nada, ela também se inclina ao suicídio. E não pensaram em melhorias depois dessa ação, pois ela foi pensada para engatilhar Freddie. Só isso!

 

O estado de Effy fez meio mundo crer que Tony retornaria, especialmente depois da tentativa de suicídio. Suicídio esse que também caiu no valor do choque para explicar como Freddie perdera a mãe. Vejam bem que, além dos aniversários, suicídio se saiu como principal trope de angústia amorosa. Romantizado em todas as frentes que envolveram Naomily Freffy.

 

Não que a 1ª geração tenha se imunizado disso. A própria Cassie caiu nessa romantização também, pois ela reagiu à falta de recíproca de Sid por meio do suicídio. Se não me falha a memória, ela disse que o amor era percebido como estado de morte e sua quase morte estava aí para provar.

 

Dessa forma, nada do que aconteceu com Effy do meio para o fim da S4 foi naturalmente dela. Foi disparado para mover a história de Freddie. Para fazê-lo se sentir angustiado, explicar como a mãe morreu e dar respaldo ao “bilhete de partida”. Aqui sim eu boto tudo na conta dele. E dos roteiristas, claro, pois o adolescente carregava o luto não trabalhado sobre a mãe. E daí me enfiam um psiquiatra obcecado por Stonem e que leva a objetificação a outro nível. Putz, só tinham um job, né?

 

O que se criou no 4×05 foi o início da ruína de Freffy. Um episódio que me pareceu muito deslocado do resto por seu aspecto mórbido. Por não fazer sentido algum. A partir dele, bloco atrás de bloco foi simplesmente colocado sem qualquer critério para alimentar o efeito dramático. Algo que Chris ensinou a não fazer em um episódio. Freddie morreu sem nenhum tipo de razão plausível. Dizem que foi por amor, mas eu digo que foi falta de coerência no roteiro mesmo.

 

Daí pensemos em Hamlet. Que é a “desculpa” de Freddie ter tido aquele final horrível. Gente, sério, a primeira vez que eu experienciei essa morte eu fiquei sem chão. Eu fiquei dias pensando naquelas batidas. A segunda vez me deixou ainda mais arrasada e pretérita.

 

Ajuda não é uma palavra que existe nesta geração e está aí um fato triste. Caminhos existiam, mas a necessidade de ter algo dramático e contemplativo com a morte foi mais influente. Está certo que falamos de Skins, a série que nunca prometeu alegrias. Mas pelo amor da Deusa coerência é tudo!

 

Freddie é quem saiu mais debilitado desta geração. Não somente pelo que ocorre no final, como também porque ele perde seu cerne de mundo. E sua storyline. O personagem literalmente entra em piração junto com uma garota que se revela emocionalmente instável. Ambos poderiam se ajudar, mas o que é entregue é um amor dependente que visou nada além da destruição de uma das partes. Eu fico muito triste. Apesar desses erros, eu sempre gostei do Freddie.

 

Algo que não posso dizer sobre Freffy, o shipper em si. Minha opinião sobre eles é sempre dúbia, mas, depois de rever Skins, eu os teria separado já nas férias mesmo e é isto. Mas, para além da dependência e da toxicidade, o que eu amava neles, e ainda amo, era a angústia. Meramente porque existe até hoje a maldita reticência sobre Effy não saber o que rolou com Freddie (ela acha que ele foi embora). 2019 e eu ainda quero ligar para Stonem e saber como ela se sente…

 

Skins 2ª Geração - Cook e Naomi

 

James Cook se torna uma espécie de conselheiro e um paquerador da redenção (que não vem) na S4. Sem brincadeira, ele foi o personagem que me deixou de coração partido ao longo da 2ª geração. Muito mais que Freddie.

 

Aqui temos um dos poucos personagens da história de Skins que contou com algum tipo de desenvolvimento moral. Do garoto que só queria sexo, drogas e que alguém acariciasse suas bolas, ele foi percebendo que nem tudo era farra. Por um erro, ele começou a testemunhar sua vida desmoronar. Mas, diferente de Tony, esse adolescente não encontrou um caminho de saída.

 

Em contrapartida, Cook não deixou de ser Cook. O único muito ligado à própria identidade junto com Katie. Assim como Katie era Fitch, ele era o Cook. Não existia outro Cook como também não existia outra Katie Fitch. Uma assinatura que a S7 dá uma alterada, pois, no fim, só Katie conseguiu ser Katie. James Cook saiu da S4 sem poder dizer seu nome ou voltaria para a cadeia.

 

Sua independência o tornou um compasso moral às avessas para quem ainda se dava ao trabalho de ouvi-lo. Como Naomi. E uma falsamente estabilizada Effy. Mesmo ferrado, o personagem estranhamente sempre tinha algo positivo a dizer. Quase poético, como afirmar que só a jornada importava. E a história de Cook foi toda sobre jornada. Jornada com Freddie e JJ, com a família, com Effy e com o pai para terminar em sua própria companhia. O que não deixa de ser triste para quem também precisava de apoio psicológico. E amor, algo que o adolescente foi percebendo na S4.

 

Enquanto muitos personagens tinham uma visão distorcida de quem eram, Cook sempre soube que era pavio curto e que não engoliria sapo. É fato que ele veio na fórmula de Chris salvo a diferença de ter um temperamento duvidoso e ser escalafobético. Indesculpável. Ainda assim, o personagem também era fuck it e levava isso como sua verdadeira paixão. Agir como agia era seu estilo de vida. O que o faz mais independente que Effy, mas não menos carente emocionalmente.

 

Na S4, ele perde a cabeça uma vez e isso é o suficiente para mudar o curso da sua vida totalmente. Effy ainda rege certa influência em seu aspecto saudável na vida de Cook. O mesmo Freddie, mas se vê ali que a amizade segue balançada. Stonem soa como a única que consegue mantê-lo um pouco na realidade. Em tentar fazê-lo ser um pouquinho melhor. Porém, ser James Cook fala mais alto. O garoto simplesmente não se conforma com regras.

 

É fato que a vida dele se parte mais quando Effy volta com Freddie e ele colhe as consequências. Ou quase, pois, em menos de dois episódios, Cook se torna foragido da polícia. E não é essa a dor da sua história. Na verdade, é a realização de que, literalmente, nada de bom permanece com ele.

 

Os pais. O irmão. Os amigos. A vida em si. Nada.

 

É na S4 que o vazio de Cook é sentido e se escancara. E, pra variar, o buraco que ele tem foi causado pela família. Esse adolescente não é tratado como um filho pela própria mãe que é outra aparente narcisista. Não fica entendido as razões da repartição dele com a mãe, a não ser a entrelinha de que o personagem provocou sua saideira da própria casa. É quando se vê que Stonem parece ser o menor dos problemas na condição que esse jovem se encontrava.

 

Cook e Freddie ainda se alfinetam na S3 pela garota, mas o tempo intermediário para esse tipo de ação não dura muito. Entretanto, há rastros, pois Cook é tão vazio quanto vários personagens de Skins. O que o torna forte é a autoconsciência. Conturbada, mas lhe serve bem. Ele é autoconsciente em demasia e é capaz que isso aconteceu porque o personagem basicamente viveu por conta própria. Ele tem um acesso admirável sobre suas emoções mesmo que essas mesmas emoções sejam seu próprio gatilho.

 

Emoções que transbordam na S4. O tempo em que boa parte dos personagens está amorosamente desiludida. Ou prestes a ficar como aconteceu com Naomily. O caso de suicídio que abre esta geração também rebate em Cook e traz um senso que o torna ainda melhor que Tony: assumir certas responsabilidades. Esse personagem não é manipulativo. Ele é expansivo em demasia e não dosa as consequências. Esse jovem é o famoso vida louca, mas os boletos chegam e revelam que tudo nele dói também. Tudo porque ele também quer ser amado, mas ninguém o leva a sério.

 

Cook não saiu feliz da sua geração de Skins. Ele traz o reflexo oposto do que aconteceu com JJ e que fica claro em uma curta conversa entre ambos. JJ diz que se ajeitou na vida, que está apaixonado e que pretende ter um relacionamento. Ao contrário de Cook que acha muita graça, como sempre achou das “viagens” do melhor amigo, sendo que é um foragido da polícia.

 

De quebra, Cook não tem reciprocidade de ninguém. Todos viram as costas para o personagem e vê-lo se identificar com Naomi em alguns episódios foi plausível. Ambos traíram e/ou machucaram. Os dois se tornaram pontas soltas que ninguém queria por perto. Effy ainda teve Freddie no fim de tudo.

 

Jack O’Connell deu vida a outra alma da festa que é totalmente quebrada por dentro. Abandonada. Em oposição ao Chris, o personagem transita sempre como o amigo e o inimigo. Como a pessoa que meio mundo pode contar, mas desde que não se aproxime muito para não movimentar o caos.

 

Skins 2ª Geração - Cook e o irmão

 

Sobre o amor, Cook traz outro tipo que não é muito comentado nesta geração. No caso, o impacto das “loucuras” das mães. Os roteiristas deixaram claro que não gostam das mulheres ainda mais se essas mulheres forem mães. A mãe desse jovem me lembrou demais da mãe de Michelle e de Cassie. Autocentradas, pintadas de taradas e que acham os filhos uns doidos. Eu sou a favor da figura materna ser multifacetada, mas desde que faça sentido. Algo que não pode ser dito do começo ao fim de Skins.

 

Esse adolescente tem um elo emocional com o irmão que ocupa por certo tempo o vazio acarretado por Effy e por Freddie. Algo muito Cassie que basicamente vigiava o irmão enquanto seus pais a ignoravam. Cook mina a impressão de que sempre dependeu dos amigos para ser feliz ou para se sentir bem. O que não é uma mentira, mas sua carência vem de berço.

 

A dor de Cook e dos demais personagens sobre a família é mais tangível em comparação a 1ª geração – cuja família foi os amigos ao ponto de um basicamente morar na casa do outro. Ponto que derrubou minhas defesas sobre esta geração, porque ausência de amor familiar dói mais que a falta de reciprocidade de alguém que você quer se relacionar. Mesmo que Effy tivesse seu peso, Freddie era o irmão. Assim como JJ. De uma hora para a outra, esse jovem não tinha nem os amigos para contar.

 

O que reforça ainda mais que esta geração era para ser dos Três Mosqueteiros. Não é à toa que a foto deles vira e mexe retorna na S4. A lembrança do que se foi e que nenhum dos três teve chance de recuperar. Transições.

 

É aí que penso o quanto esta geração também perdeu no quesito amizade. JJ, Cook e Freddie diluíram o elo um com o outro por causa de Effy. E, de novo, as meninas nem se falavam direito. Provando que o amor romântico foi o tema inteiro visto que não houve tanta brecha para outros subtemas como aconteceu na 1ª geração. Por essas e outras que, se não fosse por personagens como Cook, essas duas temporadas não seriam tão atraentes. Ele, assim como Katie, é todo o conflito.

 

Skins 2ª Geração - os Fitch

 

O que eu não lembrava sobre esta geração é de sua variedade de nuances sobre o amor. Os roteiristas tentaram ao máximo mostrar que o amor ou a falta dele dói bastante. Infelizmente, uma dor negativa. Visão que incluiu os adultos que são também desamparados emocionalmente. Um dos episódios mais perfeitos é o 4×04, que reúne as gêmeas Katie e Emily e os pais. Todos juntos em um entendimento familiar. Esse foi um dos desenvolvimentos que mais gostei, especialmente por Katie descobrir seu ponto de fragilidade que arregaça o impacto da ausência de afeto e de entendimento materno.

 

Ao contrário da 1ª geração que tinha muita individualidade de trama, a 2ª trouxe personagens dependentes um da história do outro. Quem se deu mal foi, óbvio, quem não teve um par romântico dentro da própria panelinha – e ainda ficou a desejar tipo Thomas e Pandora. Na S3 ainda há a introdução de cada um, mas logo os envolvimentos românticos se tornam toda a mensagem que esses adolescentes precisam transmitir. De início, tal processo funciona, pois ainda não se vê o avesso de alguns por culpa do amor. Tudo é novo. Tudo é borboleta no estômago. Até a S4 vir e mostrar a toxicidade desta turma. Tem tanta coisa problemática que eu queria entrar na série e dizer: meus filhos vocês merecem mais!

 

A 2ª geração não amadureceu aos meus olhos. Justamente por causa do viés do tema. Curar-se do amor leva tempo. Curar-se mentalmente também. Por não ter mais respostas, a S4 encerra com outro valor do choque. Bem quisto pelos motivos óbvios, mas que serve para mudar ainda mais James Cook.

 

Aquele que abriu o rolê com seu aniversário e o encerrou no dia do aniversário de Freddie.

 

III. at death, a proclamation

 

Skins 2ª Geração - Freddie e Effy

 

Effy: Don’t do that! I went crazy when I was with you. I can’t let that happen again. Love is not supposed to do that. You made me go mad.

Freddie: You making me mad now, Effy. And that’s exactly what love’s supposed to do.

 

Skins sempre foi crua à sua própria maneira e cru foi a demonstração de muitos sentimentos durante a 2ª geração. Um excesso de emoções que eu não recordava e que traduz o dilema adolescente de achar que ninguém os ama. Como aconteceu com James Cook. Fato que também cabe no intento dos roteiristas em compensar um pouco a relação desta turma com os pais.

 

Não totalmente, porque perfeição e harmonia nunca foram foco desta série. O intento sempre foi levar os personagens ao limite, mas, no caso da 2ª geração, houve um caminho inverso. Aqui temos adolescentes bem estruturados no início. Eles participam de festas e tudo mais, mas o avesso de cada um vem ao longo da 4ª temporada. É quando o pior lado desta turma vem à tona.

 

O amor é exacerbado e reprimido nesta geração. Freddie exacerba. Naomi reprime por não querer ser presa ao que sente por Emily e sua resposta foi feri-la mesmo que indiretamente. O mesmo cabe à Effy cuja negligência da sua própria saúde mental se tornou aparato para angústia masculina.

 

O gosto de ferir é equivalente ao gosto de possuir. Por ser uma fase da vida de poucos julgamentos, a possessividade se tornou outra emoção pulsante na companhia desta geração. Cook se achava proprietário de Effy como Katie se achava proprietária de Emily. Diferentes formas de um dito amor que são igualmente nocivas à sua maneira.

 

Nessa idade, além de doer como se fosse o fim dos tempos, o amor é idealizado. E essa idealização pesa em Effy que é a garota desejada por todos. A garota objetificada e ela mesma se auto-objetifica. Por meio dela, Skins se vê dentro dos clichês de outras séries teens, como o papo de Queen Bee. Ela é considerada a mais bonita do grupo. A mais desejada. Líder do rolê. Estilosa. Camadas e mais camadas que a tornam inacessível e que, tão quanto o amor, a destroem.

 

Assim como as outras personagens femininas de Skins, Effy não é verdadeiramente vista. O que Freddie ganha é uma camada de quem precisava de auxílio para sair dos surtos depressivos.

 

A 2ª geração é o retrato do egoísmo adolescente canalizado pelo amor em seu auge. Um amor que torna quase imperceptível a ausência de amor-próprio. Pandora é sombra de Effy até se tornar sexualmente ativa. Katie vive de manter as aparências ao mesmo tempo que ela se desvaloriza por achar que precisa de validação masculina.

 

Katie ainda dá visão à pressão familiar que é justificada com amor e com preocupação, sendo que tais atitudes contribuem para reprimir emoções que uma hora explodirão. E ela explode. O que a coloca em um patamar bem próximo de Cook que terminou a geração perdendo o temperamento.

 

Muito desta geração cobra assumir suas próprias emoções. Em compreender que tudo bem você sentir o que sente em uma fase da vida cheia de moldes, de nãos e de muita solitude. Cook e Katie servem como espelhos de quem chutou o balde e de quem ainda precisava desse balde para se sustentar. O mundo deles despenca dentro do âmbito familiar, mas de uma forma que eles não são vistos como realmente são. E a relação de Katie com a mãe, o tipo de resolução que elas e a família ganharam, deu muito gosto de assistir. Foi possível acreditar em uma real melhora.

 

Mas poucos ficam com uma aparente real melhora. O amor leva esta turma ao auge. Eles piram pela ausência de compreensão do que sentem e não há ninguém de fora para conversar. Muito dessa piração vem do reflexo familiar também, onde muitos não têm famílias completas. E quando um tem acesso a ao menos uma figura paterna ou materna, as expectativas caem por terra.

 

Há também a verdade de que esta geração não sabe lidar com a felicidade do momento. Em vez de firmarem o que sentem, os casais escolhem a sabotagem entre si e sabotam todos para parar de sentir o que sentem. Parece até o quadro se eu não tô feliz, você também não ficará. Ou você me magoou, então vou te magoar 10x mais. Justamente porque o amor derruba as defesas, mostra vulnerabilidades, e não é todo adolescente que curte isso. Eu mesma odiava.

 

O que faz desse grupo tangível. Além disso, insuportavelmente caótico. O grande problema, que faz da 1ª geração ainda a melhor aos meus olhos, foi o amor ter sido responsável em impedir que a amizade entre todas as partes se sustentasse. Como JJ e Pandora que terminam nas bordas de um modo imperdoável – e foram esquecidos na S7.

 

O lado bom é que Pandora e JJ se aproximaram de um dito final feliz. É o que gosto de imaginar. Ambos foram os personagens mais equilibrados por assim dizer. Eles representam a busca de um amor puro. Ela ainda cai nas próprias traições da idade, mas logo se encontra. O mesmo JJ que mostra sua evolução ao ser praticamente esquecido por Cook e Freddie. Os dois conseguiram finalizações até que acordantes com suas caracterizações, pois encontraram caminho de retorno em meio ao caos do amor e se colocaram em primeiro lugar.

 

Enquanto outros ficaram na bifurcação sem ter a menor ideia de como seguir adiante. Por estar tão presos, tão colados, um no outro. A verdadeira lástima desta geração.

 

Skins 2ª Geração - John Foster

 

O psiquiatra de Effy resume bastante o que foi o amor para esta geração na maior parte do tempo. Ter. Tudo bem que Freddie não tinha essa visão, pois o garoto estava muito apaixonadinho. Ele foi muito precioso com Effy. Sofro!

 

John Foster é o último adulto que se deposita a chance de um futuro bom para ao menos Freddie e Effy. Automaticamente, para todo mundo, especialmente para Cook e JJ. Uma presença que serviu só para fortalecer o trabalho dessas temporadas de Skins sobre saúde mental ao levar JJ e Effy para a terapia. Tudo bem que os dois eram profissionais nada confiáveis, mas foi interessante ver dois personagens imersos nesse aspecto. Com mais profundidade que Cassie.

 

Foi quem deveria dar um final feliz que encerrou esta geração do jeito mais chocante possível. Eu não me esqueci da cilada de Freddie. A morte dele sempre foi vívida em mim. Como a de Chris. Revê-la em uma TV maior me deixou agoniada. Certamente uma das mortes mais perturbadoras de todos os tempos.

 

O que acontece com Freddie é a lógica de que amor também é capaz de matar. Isso pensando no contexto de Skins. Nada mais além que isso, pois Freddie, Cook e Effy formaram a tríade shakespeariana inspirada em Hamlet. O amor pode dar tudo tão quanto destruir tudo. Ou assassinar.

 

O psiquiatra trouxe um tom de finalização que acredito que coube a esta geração. Tudo bem que sua entrada na trama foi sem pé e nem cabeça tão quanto seu “desejo de ter Effy ao ponto de querer aniquilar Freddie e Cook, porque eles afetam a garota”. Esse homem é a pura contradição do amor e que calha no que Freffy conversam. O amor enlouquece. E não é para ser assim. O amor é para ser bom. Se possível, a melhor experiência da adolescência.

 

E eu não sei se existe uma forma positiva para essa questão, mas saindo da boca de Freddie foi realmente lindo.

 

De quebra, John ainda faz com Effy o que comentei: não lidar com o que você sente. O psiquiatra a faz passar por cima das memórias ruins. Algo que ela já fazia por meio do hedonismo. Ele não a ensina a ultrapassar os traumas. Fosse o efeito do acidente de Tony. Fosse o amor por Freddie. Fosse qualquer coisa provocada pelos próprios pais. Ele a prende justamente para que se torne dependente do tratamento, pois a meta era fingir que nada aconteceu.

 

Pior que isso foi só usar o suicídio duas vezes para incitar o pior de cada shipper. Dando a lição de que a saída para o amor é a morte. Mórbido!

 

Como disse, na adolescência é tudo urgente e Skins nunca foi exemplo de nada a não ser de caos. De vazio. De abandono. De deixar incertezas nas reticências. Como o tema desta geração foi o amor, o esperado era mais criatividade dramática. Contudo, a necessidade de matar outro personagem se tornou mais importante que coerência de roteiro.

 

E eu vou repetir que: Freddie morreu por valor do choque e não porque ornava com alguma brecha da sua storyline.

 

Skins 2ª Geração - Pandora

 

Esta geração vendeu que o amor não somente enlouquece como também é trágico. Como os amores de Shakespeare. Isso é resultado de completa desesperança e foi assim que eu saí da maratona. Eu saí totalmente vazia!

 

Depois desta experiência, eu fiquei pensando no quanto de amor eu tive na adolescência. Quando cresci, eu percebi que tal amor não era bem amor. Parecia euforia. Uma criação da minha mente por eu idealizar. Meu meio seguro para “não descobrir” que ninguém gostava de mim ou me achava atraente. Idealizar me manteve longe do caos do amor adolescente e me fez crescer nada crente desse sentimento. Assim como Effy, eu vi meu lar despencar por causa do divórcio e foi aí que eu deixei de acreditar.

 

Eu queria me conformar com o modo que Skins fechou esta geração. Algo que rolou depois da 1ª. Mas, como toda a série, há muita coisa problemática. E a turma de Effy ainda me traz truncagens no roteiro. Não curti!

 

O descaso com a saúde mental de Effy foi o que mais me incomodou. Fato que eu não tinha noção antes, pois simplesmente a considerei mala e chata. Mas, no fim, ela foi mais uma que passou pela fórmula de ter um garoto a tiracolo e causar dor gratuita a esse garoto a tiracolo. Michelle. Cassie. Pandora. Anthea. Todas macetes para gerar dor masculina. Todas objetificadas e todas aguentaram body-shaming e slut-shaming sem apoio de storyline.

 

A diferença é que isso foi mais incômodo na 2ª geração e todo o trajeto de Freffy está aí para provar.

 

As duas temporadas desta geração mostraram que o amor não é saudável quando extrapola para o polo negativo. Quando ele está ali só para quebrar. Quando sobe a cabeça ao ponto de você se perder junto. De você nem saber quem você é. Eu sei que isso não é amor. De maneira alguma. Eu acredito que amor nos mantém sãos.

 

Mas na adolescência não há muito dessa consciência. Quando se quer amor é amor o que os adolescentes querem. Por falta de tê-lo em casa, se procura nas ruas. Mesmo que seja degradante.

 

O próprio caso da 2ª geração de Skins.

 

IV. her eyes dart around

 

Skins 2ª Geração - lista

 

“O my love is light as a dove. Her skin is fair and dark is her hair. And her eyes dart ‘round and fall on the ground. And her lips move along to an old country song.”
Her Eyes Dart Round ; The Felice Brothers

 

Esta geração deixou marcas por ter apresentado um grupo que não estava pronto para amar, mas queria desesperadamente ser amado. Fato que rebate novamente na questão de abandono. Ao contrário da 1ª geração que sabia como preencher o vazio de seus personagens, aqui ninguém sabia nem por onde começar. Aqui a busca de pertencimento foi um pedido exclusivo. Não há intenção de dividir as pessoas. Nem mesmo aquela que é sua irmã. É um pertencimento possessivo. Contrário ao que Tony e Cia. entregaram, pois souberam como quebrar casais e reuni-los sem precisar excluir/assassinar ninguém no processo. Não era o tema, claro, mas fica aí a lição de casa.

 

O possessivo é incapaz de trazer felicidade e esta geração é emocionalmente infeliz. Não todos, mas a grande maioria. Seu mistério foi terminar sem atingir a consciência dos personagens e trazer a esperada redenção. Mostrar o retorno a partir do ponto de desconforto. No fim, tudo foi expelido e o resultado ninguém soube. Nem mesmo os próprios adolescentes.

 

Um sentimento que não apaga a nova leva de caracterizações, diálogos e comportamentos problemáticos. Em um tom mais baixo, pois o amor foi a veia nociva. Um cenário que mudava quando James Cook era o foco. Um dos donos dos melhores episódios desta geração, digo com tranquilidade.

 

A S3-S4 careceram do apelo criativo visto nas duas temporadas anteriores. Isso, pensando na oferta de histórias individuais de cada personagem. A 2ª geração preferiu se sufocar entre si. Entretanto, há seu mérito: este grupo não se afastou do tema central. Nesse quesito, o texto estava homogêneo, com diferentes pontos de vista que male, male seguraram as temporadas. Um job quase mínimo, mas que, no fim, atendeu à essência trágica de Skins.

 

Para além do amor, choque é a palavra que fica na saideira desta geração. Os episódios que flertaram com a morte conseguiram o mérito de pulsar angústia. Como a morte de Freddie que, não sei vocês, eu jamais consegui superar e levei comigo pelos dias conseguintes à maratona. Sei lá, é como se eu tivesse sido roubada também.

 

E roubo também é uma palavra que combina com esta geração que não transcendeu para a melhora. Do avesso tudo ficou, embora alguns tenham conseguido ir para a faculdade.

 

Há um ponto que não comentei neste post e este é o momento: o foreshadowing. Prenúncios do que poderá acontecer. Nesta geração foi a morte de Freddie, prevista no próprio episódio de introdução do personagem (3×05):

 

“Hamlet’s basically a teenage boy. He’s got these desires, but he doesn’t have the bottle to reach out for them. So he goes mad and wanks off about Ophelia and ends up so boring that somebody has to kill him.”

 

Naomi é quem diz essas palavras enquanto olha para um Freddie sentado ao lado de Effy. Ao capturar a indireta, eu fiquei arrepiada. Eu não notei nada disso na primeira vez que assisti essas temporadas e ver tudo acontecer dentro de Hamlet me deixou passada. Effy enlouquece. Os ecos de Freddie a perseguem e Cook também. Houve outros indicadores de que ele não sobreviveria e, hoje, penso que percebê-los é um tanto mais possível quando você sabe como esta geração termina.

 

Mas ficar maravilhada com isso também não apaga o fato de que não fizeram o job direito.

 

Skins 2ª Geração - Três Mosqueteiros

 

Apesar do triângulo, que não me incomodou tanto como na primeira vez, eu me peguei pensando que a maior lástima da 2ª geração foi o que aconteceu com os Três Mosqueteiros. Era a verdadeira história de amor que começou a morrer assim que Freddie quis tirar Cook da sua vida em reflexo do que começa a sentir por Effy. É quando me sobe a raiva de Stonem e dos roteiristas. Tenho certeza que nada disso teria acontecido se tivessem endereçado a saúde mental dela direito.

 

Ao menos para mim, esta geração foi mais sobre Freddie, Cook e JJ. A verdadeira razão de eu ter terminado a maratona bem triste, pois a realização dessa quebra veio com tudo. Os três se perderam um do outro. Um trio que formava a única base de amizade sólida desta turma e que se partiu por uma lista. Uma tristeza que atingiu seu auge em Rise.

 

O trabalho de reticências de Skins foi sempre tão efetivo que até hoje eu também me pergunto se JJ ficou por dentro do que rolou com Freddie. A morte que ainda sombreia esta geração depois de mais de 10 anos. Um poder de narrativa muito real! Cook saiu como o único consciente do fato da perda enquanto a irmã de Freddie acha que ele vazou por não aguentar mais (e isso inclui Effy que recebe uma culpa gratuita). O “bilhete” de Freddie é a única possibilidade de que ele esteja vivo. O que aumenta o vazio deixado por esse personagem (que teve até um livro de condolências no site da E4). Principalmente quando se percebe que, além de Cook, só quem assiste sabe o que aconteceu – e com ricos detalhes.

 

Enquanto se é possível recordar de cada personagem do grupo de Tony e de suas trajetórias/términos, aqui a perda de Freddie se tornou o marco. Nada superou esse momento e não digo isso de um jeito positivo.

 

Não mais vivo, Freddie reúne o grupo para se despedir de Skins no dia do seu aniversário. Ironias. Como a série sempre curtiu. Da festa feliz dada por Cook no começo da S3, o finale da S4 cabe perfeitamente no meme de que a festa se tornou um enterro. Dá até uma agonia pensar sobre, porque o negócio é perturbador. Ninguém parece preocupado com o súbito sumiço do garoto. A não ser a irmã que acaba por pedir ajuda a um relutante James Cook.

 

Com o passar dos episódios, os Três Mosqueteiros se tornam uma mera lembrança. A própria fotografia que ressurge no finale desta geração. A ponte de recordação para tempos que foram bons. Ingênuos. Puros, como diria Cassie. A foto do trio é um emblema que traz sua dor não somente pela perda de Freddie, como também por entregar o realismo de que nada mais será como antes. Mais para Cook que não ganha redenção de trajetória.

 

Se há algo bonito a se lembrar sobre esta geração é a facilidade de alguns em dizer que ama. Mesmo sem saber o que realmente vivenciavam. Foco que dou ao Cook que nunca deixou de dizer que amava Freddie. Nem muito menos JJ. Com direito a abraços e selinhos.

 

No fim, ninguém consegue salvar um ao outro. Pode ser porque ninguém queria ser salvo. Ou porque a amizade não tinha mais salvação. Por essas e outras que deixar marcas foi o produto final desta geração. Cook sempre levará Freddie. Effy também, além de nunca saber o que aconteceu.

 

Esta é sem dúvidas uma geração muito mais apelativa emocionalmente que a primeira. Você sente a dor de cada um. O coração na palma da mão. O sangue entre os dedos. É fato que a trama se perde no final graças à necessidade da alusão trágica, mas aqui vemos um grupo que viveu a intensidade do amor sendo que tinha que aprender a tomar conta de suas emoções primeiro. Inclusive, a se perdoar e a não se culpar – e isso bem cabe às questões com os pais. Algo muito complicado de exigir quando eu mesma tenho minhas próprias questões nesse quesito.

 

As resoluções são voltadas para os parceiros da série. Todos são vistos aos frangalhos. Tendo a universidade como único futuro possível. O canal de saída para superar o que houve. Um encerramento que deixa sim muito a desejar. Tão quanto a imaginar se cada um preencheu o vazio, a incompletude da fase, enquanto construíam suas vidas.

 

Ao contrário da 1ª geração, que realmente foca em um amor de amizade, em companheirismo, no luto como impulso transformativo, deixando Cook e Freddie injustiçados diante de uma despedida como a de Tony e de Sid, a 2ª mostra o outro ponto de avesso da adolescência. Quando o amor é um sentimento predominante e de morte. Efêmero pelo medo de não saber o que se sente. E o engraçado foi chegar aqui e ter notado que até o hedonismo em si perdeu seu papel influente entre Effy e Cia.. Pandora, Thomas e até Katie fizeram ao máximo para evitar esse caminho e, considerando que era a proposta de Skins, posso dizer que foi outra perda desta geração.

 

Por um momento, eu cheguei a crer que a 2ª geração roubou o lugar da 1ª no meu coração, mas foi um efeito ilusório de tanto investimento emocional que esta turma exige. Não que a anterior não tenha exigido também, mas a riqueza morou na variedade de plots e de subplots que compensou a jornada de revival. Algo que esta não propiciou tanto assim. Não houve muito dinamismo. Porém, como disse na abertura deste post, não há como resistir angústia de casais. Ainda mais adolescente. Eu me vi totalmente envolvida e investida de novo ao ponto de escrever este textão.

 

Acredito que o grande diferencial de uma geração a outra é: na 1ª você ainda consegue associar história individual com alguns relacionamentos e há o hedonismo do começo ao fim. Na 2ª, você só sabe quem é quem com base no shipper e quem não tem shipper ninguém lembra. Esta geração perdeu bastante em desenvolvimento à parte do tema central e Effy estará sempre aí para provar.

 

O que torna ainda mais impossível imaginar que todo mundo continuou a se falar depois do colégio. Foi um absurdo para mim ver Effy morando com Naomi na S7 com base em uma simples troca na S4. Se fosse com Katie eu até entenderia, pois elas sim tiveram uma boa conversa depois da pedrada. Conversas muito temporárias, vale dizer, usadas só para uma breve calmaria.

 

Enfim. Já escrevi demais. James Cook e Freddie Mclair ainda têm meu coração. Algo que Effy não tinha antes e eu deixei bem claro nas resenhas que fiz sobre a S7. Hoje esse sentimento mudou, pois, como rolou com a Cassie, eu não tinha entendimento das suas questões.

 

Antes, a 2ª geração me marcou como a geração do amor mala e eu não sou a pessoa muito fã de triângulos. Agora, esta é a geração que eu só tenho um belo sinto muito a dizer.

 

Se há algum outro mérito crucial nesta geração, posso dizer que é a identidade. Foi muito mais transparente a tentativa de criar um eu-personagem por meio dos figurinos. A 1ª geração foi puro relaxo e aqui há uma preocupação estética no quesito de aparência. Você consegue lembrar o que se destacava em cada um, como os colares da Effy, as camisetas polo do Cook, os animal print da Katie e o jeito skatista do Freddie. E as garotas são exageradamente maquiadas.

 

Talvez, um palco de teste para a 3ª geração. Geração que falarei um pouco (aka bastante) no próximo post. ❤

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Stefs Lima
Jornalista, fundadora do Contra as Feras e ex-líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I AM THAT GIRL. Não poupa no textão e nem nas doses diárias de café. Além disso, acredita piamente que você pode ser sua própria heroína.
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