19fev
Arquivado em: Parágrafos

Um novo normal para continuar sobrevivendo. Para construir o que você sabe que merece.

 

Este é aquele post familiar que dou uma intenção para determinado ano. Um ritual de passagem do Hey, Random Girl! que chegou tarde, mas o importante é que chegou!

 

Mas, antes de entrar nessa parte, vamos de retrocessos. Uma história em fragmentos sobre as intenções de cada ano e alguns de seus resultados. Venham comigo!

 

 

Era 2013 quando levei o Hey, Random Girl! um pouco mais a sério. Eu não tinha mais a faculdade para me preocupar. Só um novo emprego para me manter. Não existia outra preocupação além de continuar com meu blog (que hoje chamo de site) e eu me lembro que foi um ano bem incrível. Um ano que coloquei a inspiração como motto e aprendi muitas coisas novas. Como o marketing digital que me aprofundei nessa época e fiquei extremamente fascinada.

 

Quando paro para refletir, foi em 2013 que eu encontrei as pautas que gosto (ou gostava) de escrever para este site. Que eu me senti encorajada a escrever para outros sites também. Eu queria me expandir depois do livramento de 4 anos dentro da sala de jornalismo e eu consegui na medida do possível. Até meu portfólio agradeceu, pois os textos produzidos para outros cantos e para esta casinha me serviram de vitrine para minha “carreira de redatora”.

 

Foi nesse mesmo ano que criei uma pasta de inspirações com quotes. Provando que eu levei a intenção a sério. A título de curiosidade, ela ainda existe e foi um tanto emocionante revisitá-la no ano passado, pois, para variar, eu não me lembrava da sua existência. E concluí que inspiração é uma palavra que sempre quero ter comigo. Não é à toa que ela pediu uma nova atenção em 2019, mas no sentido de reencontrá-la. Um insight que amarra a intenção de 2013 onde eu quis encontrá-la. Resultando em uma ponta se amarrando a outra.

 

O que começou em 2013 se alastrou. Eu procurei a inspiração, encontrei-a, atingi o pico e a vi desaparecer em meio às problemáticas e aos dilemas que se apresentaram na minha vida. Mas, antes, 2014 se fez incrível. Lá, eu coloquei como intenção a palavra Excelsior. Inspiração do filme O Lado Bom da Vida. Foi nesse entretempo que saí do emprego para me dedicar ao que me importava e consegui me dedicar 100% ao que hoje chamo de site. Inclusive, terminei de escrever meus livros. Inspiração não me faltou e quase se perdeu em fins desse mencionado ano.

 

Mas eu consegui mantê-la. De quebra, incitei uma repaginada (de muitas) sobre o significado de inspiração. Era dezembro quando eu dei o pontapé na premissa de 2015. Ano em que entrei no I AM THAT GIRL e me tornei, além de uma das que escrevia para o blog, Chapter Leader. Foi um ano definidor na minha história (e como sinto falta!) e o marco desse entretempo foi a criação do Manifesto Aleatório (que era a intenção).

 

2016 chegou e não teve jeito. A inspiração foi se esvaindo. Logo no ano que intencionei colocar minha capa de super-heroína e desbravar o mundo. Não deu certo. A negatividade entrou em cena graças ao reflexo de como estava minha vida. Com isso, me deixou com um rastro de inseguranças e de dúvidas. Com mais infiltrações e rachaduras.

 

Eu me perdi (não pela primeira vez) no meu universo caótico.

 

Era quase 2º semestre de 2016. Um combo de meses que me fez acreditar que eu não gostava mais do que fazia. Eu fui perdendo o interesse diante de um cenário que não mudava. Fiquei cansada. Angustiei na repetição.  Eu não aguentava estar na minha pele. Foi um ano complicado e interminável. Eu não ganhei os aprendizados esperados. Se é que posso colocar dessa maneira visto que “aprendizado” tem vários significados…

 

O que sei (ou acho que sei) é que eu teria tirado o meu 2019 de letra se tivesse aprendido com 2016.

 

Uma realização que soa tão óbvia por resplandecer claramente. Mas não para quem viveu boa parte da vida submersa dentro de si mesma. Com a visão embaçada. Com a mente sempre retornando ao mood funeral.

 

Vestir a minha capa de heroína. Que ironia! Eu confiei no quanto eu parecia resistente e capaz, mas, aos poucos, tudo cedeu. O I AM THAT GIRL continuou nesse mencionado ano. A experiência se manteve frutífera. Em suma, foi o que me sustentou ao longo de fins de 2016.

 

Mas eu terminei o ano dormindo em cima da minha capa de heroína. Sem inspiração alguma!

 

 

Eu tenho “aquela coisa”: quando um ano é ruim, eu preciso fazer o próximo melhor. Não é uma lógica condizente, porque não tem como controlar os eventos da vida. No entanto, a ideia é sempre voltar à tona depois do caos. Escalar pelos escombros. Reaparecer. Retomar de onde tudo parou. É a ordem de uma parte de mim que resiste e que me impulsiona a sempre emergir de alguma maneira. Demora, mas acontece.

 

Foi assim que eu abri 2017 (e vários outros anos da minha vida).

 

Era 2017 quando eu criei o que chamei de Timshel Project. Um projeto que não se tornou intenção do Hey, Random Girl!, mas sim algo pessoal. Tratou-se de um meio de reconexão com as coisas que eu gostava depois do meu afastamento em 2016. Tal ideia foi inspirada na música do Mumford & Sons de mesmo nome (sem o Project) e uma das partes mais marcantes do texto é a que diz: eu não posso mover as montanhas para você. Eu tinha que começar a mover minhas próprias montanhas. Quem sabe, prosperar. Mais uma vez.

 

Não foi surpresa para mim colocar um trecho de Awake my Soul, também do Mumford & Sons, como intenção de 2017. A intenção veio com um mega delay. Quase como este post que traz a intenção de 2020. A diferença é que, em 2017, eu tive que despertar primeiro. Acomodar-me. Voltar a ter noção, me readaptar e decidir o que eu queria atrair ou no que eu queria focar. Ações que refletiram na minha decisão de que, no primeiro dia do ano, eu retornaria à vida a base de todas as coisas que me inspiravam (ou costumavam inspirar).

 

Então, antes de chegar na intenção de 2017, eu li livros focados em me afastar de 2016. Criei um Tumblr para registrar o que consumia. Mantive o Pinterest. Eu queria a inspiração de todos os jeitos possíveis e inimagináveis de volta. Eu me queria de volta também. Funcionou. Eu acreditei.

 

Mas era meio verdade. Meio mentira.

 

 

Dizem que, depois de uma queda brusca, você não retorna a mesma pessoa.

 

Muito da minha vida é um acúmulo de quedas bruscas. Eu sempre acreditei que me recuperava de todas elas e isso me dava a inspiração e a força para voltar à tona. Eu retornava. Aparentemente bem. Capaz de ser como antes. Bastava começar de novo. Colocar os pensamentos no lugar. Não repetir o que passou.

 

Bem, eu demorei para sacar que não era bem assim e continuei com a (conhecida) trajetória.

 

Eu não rendi tanto neste site em 2017, porque eu comecei um novo emprego. Nova adaptação e etc.. Sinal de que começava a valer a pena o fato de ter emergido. Tudo se ajeitava. Eu poderia me restabelecer emocionalmente.

 

Até me ver sem uma gota de inspiração ou de encorajamento.

 

Eu estava mais do que quebrada. Eu não era mais minha. Havia muitas infiltrações e rachaduras na minha vida.

 

Realizações que viriam um ano depois.

 

O novo emprego não me inspirou e criou estática no meu sistema nervoso. De novo, eu estava onde não queria estar, mas precisava trabalhar como todo mundo precisa. Aguentei, pois, naquela época, eu estava entorpecida. Mas estava tudo bem. Tudo se ajeitando. Eu tinha minha independência de volta – e isso incluiu a financeira. Mas estava tudo esquisito. Tudo diferente. Não deu para investir meu amor e, assim, investir na minha vida.

 

Eu não sabia mais o motivo de estar aqui. Em 2013, eu sabia. Assim como em 2014. 2015. Alguns outros anos atrás.

 

2016 criou um abismo dentro de mim. E 2017 me levou para outros caminhos. Para outra fonte de inspiração: pessoas. Foi o marco desse ano ao ponto de eu ter retomado a tradição de cartões de Natal.

 

Mas, antes dessa retomada, eu voltei a escrever. A história da Alice nasceu em 2017.

 

Duas situações opostas. Dois tipos de inspiração.

 

De certo modo, meu Timshel Project deu certíssimo. Mais que a intenção que coloquei para 2017 no geral. Eu poderia não executá-lo com data e horário marcados, mas eu aprendi algo novo e que mantenho desde então: registrar minhas ideias e meus momentos. Eu anotei tudo o que eu pensava. Ideias de posts, prompts e afins. Inconscientemente, eu fui cimentando uma bifurcação. Inconscientemente, eu fui criando um caminho que me tiraria da linearidade.

 

Fatos que eu só enxergaria e entenderia em 2019. Mas, antes, eu tive que passar por 2018.

 

 

2018 foi o ano que eu me senti menos inspirada. Mais em comparação a 2017. Algo estava errado. Comigo. Senti-me no limite sobre todas as coisas. Injuriada. Frustrada. Eu não me suportava!

 

Eu comecei a notar que havia algumas coisas erradas com a minha saúde mental. Os impactos de 2016, e de outros anos da minha vida, começaram a mandar vários boletos. Impedindo que eu praticasse a intenção de me celebrar. Não tinha como quando eu entrava em um estado catatônico ao derrubar café na roupa. Ou quando um ciclo de resfriados psicossomáticos não me deixava em paz. Ou quando eu simplesmente me via estressada por não cumprir o que eu chamava de básico – como publicar os posts combinados para determinada semana e assim por diante.

 

2018 nem tinha começado e eu decidi buscar terapia. Era o momento depois de acompanhar pessoas ao meu redor falando sobre isso.

 

Foi quando as coisas começaram a mudar mais uma vez. Para o bem. Para o meu bem. Ao começar a endereçar meus problemas, eu vi as infiltrações. As rachaduras. Eu não queria mais viver somente dentro do meu universo caótico. Eu queria aprender a lidar com ele. Assim, a bifurcação, que começou em 2017, passou a ser consolidada.

 

Eu nunca encarei as infiltrações e as rachaduras. Nunca me interessei para saber o que existia além dos escombros. Além dos muros que eu já conhecia. Além das versões de mim que já existiam. Eu chegava a sair, confirmando que estava tudo bem, que eu mudara, mas eu acabava refazendo o mesmo caminho para fazer as mesmas coisas. E o caos vinha.

 

Quando tudo ficava ruim, eu me escondia entre muros. Fazendo nascer mais infiltrações e rachaduras. Perdendo-me em mais escombros que me impediam de ir além. Prendendo-me dentro de mim mesma.

 

Foi meu looping por anos. E sei que ainda pode ser se eu não agir de um modo diferente.

 

Com a ajuda da análise, eu percebi que a grande questão não era eu não gostar de fazer as mesmas coisas. Havia algo no antigo que não me atraía mais. Havia algo em mim que não sentia mais prazer no que já existia.

 

Algo em mim queria voltar para 2013, 2014, 2015, mas eu continuei sem conseguir. Eram outros tempos. Com outras motivações. Outras inspirações. Com outros desejos. Eu estava em um novo tempo e precisava de algo novo.

 

Eu precisava ser nova. O grande problema é que eu nunca soube como ser “nova” e nem como “inovar”. Eu tinha ideias na cabeça. Ainda tenho. Entretanto, há dificuldade de colocar em prática. Aguardando o dia para isso mudar!

 

O novo começou a se apresentar no 2º semestre de 2018, mas eu não enxerguei a princípio. Nesse ínterim, a análise foi os sapatos seguros. Senão o melhor de todos, porque eu me sinto cada vez melhor (o que não anula os dias ruins).

 

A prova de que intenções não se concretizam como pensamos.

 

Assim que eu abri uma das portas do meu passado, as coisas começaram a se transformar ao meu redor. Eu vivenciei coisas novas. Eu comecei a me apaixonar de novo pelo que via ao meu redor. Eu voltei a adorar a noite. O dia.

 

Mas eu ainda me sentia presa.

 

De qualquer modo, a análise se saiu como a representação da intenção de me celebrar. Eu me coloquei  em 1º lugar depois de anos me deixando para depois. Eu fui atrás de ajuda ao reconhecer que não dava para caminhar do mesmo jeito. Dançando entre funerais. Dando-me um cuidado psicológico, eu mostrei que ainda me importava. Que não queria mais dormir em cima da minha capa de heroína. Que eu queria investir meu amor e, com isso, na minha vida.

 

A partir daí, eu fui notando os ciclos. Eu fui expurgando os venenos. Eu fui ficando… Diferente. Eu comecei a falar realmente dos meus problemas e, hoje, eu vejo que o I AM THAT GIRL foi o aquecimento do que se transformaria em 2018, 2019 e 2020. Anos que comecei a conversar e continuo conversando. Escrever é essencial para mim, mas botar tudo para fora na fala é algo assim de outro nível.

 

Era 2018 quando eu comecei a abrir as portas do meu passado. Desbravar minhas infiltrações e rachaduras. Encorajar-me para sair dos escombros de uma vez por todas. Antes, eu estava cansada e indisposta para me colocar para cima. Nada inspiradora. Crente de que qualquer coisa me faria bem, porque eu me convenci de que eu era qualquer coisa.

 

Por anos.

 

Até 2018 chegar e eu abrir a porta para alguns venenos saírem. Isso foi me deixando mais leve. Embora celebrar tenha uma conotação de festa, eu segui a intenção desse mencionado ano por meio de um tratamento que tem me dado mais vontade de melhorar. Mais vontade de estar aqui. Mais vontade de continuar criando.

 

Mais vontade de me curar.

 

Não quer dizer que tudo se tornou simples. Fácil. É difícil. Há coisas que eu não quero dizer, mas preciso.

 

Ou eu me perco de novo entre escombros, infiltrações e rachaduras.

 

 

Era 2019 quando eu coloquei reencontrar a inspiração como intenção. Pela falta de movimento deste site, é possível imaginar que eu não a reencontrei. Porém, é importante dizer que intenções se manifestam de jeitos inexplicáveis. Não exatamente como imaginamos. Como vocês puderam ver ao longo deste post. Nem sempre a emoção que me leva a intenção me traz o mesmo resultado.

 

Surpresas sempre caem bem, né?

 

Retomando. Havia “falhas no meu plano” de reencontrar a inspiração, mas a frase nunca deixou de soar adequada. Ainda mais porque eu queria retomar a história deste site. O impasse é que eu passava por transformações. Eu deixava de ser a mesma pessoa conforme eu tirava os espinhos que sustentavam meus muros. Conforme eu expelia venenos, encerrava infiltrações, interrompia inundações e me afastava dos escombros.

 

Contudo, algo ainda me mantinha grudada no percurso antigo enquanto eu expurgava o veneno ao endereçar os pesos do passado. O famoso vai e vem estrelando o percurso que eu não queria estar – e 2018 me deu essa luz. Eu queria continuar experimentando o novo. Renovando-me. Mas 2019 me fincou mais uma vez em um concreto já muito familiar. Isso me fez segurar as mesmas coisas quando essas mesmas coisas já não me serviam mais. Como o mesmo tipo de trabalho. O mesmo tipo de discurso. A análise continuou me impulsionando pra frente. Para a saída dentro de mim mesma. Para longe daquele mesmo caos. Do looping.

 

Em 2019, eu comecei a brigar entre altos e baixos emocionais. Eu precisei rever a bifurcação que nasceu em 2017. Relembrar o que foi importante em 2018. Refazer e revisar caminhos. Desapegar dos outros anos em que fluí dentro das intenções como o universo achou que tinha que ser. Entender que os anos ruins não precisam ser o holofote o tempo inteiro.

 

Sem saber, eu queria alcançar algo novo. Mas, para isso, eu teria que largar o antigo.

 

O mundo que eu já conhecia e que começava a não ser mais meu.

 

Mesmo ainda tendo a impressão de ser o único mundo possível para mim.

 

 

Eu reencontrei a inspiração em 2019. Não do jeito esperado. Ela estava camuflada no que eu ainda considerava prioridade e revelou que os entretempos de 2016 a 2019 roubaram algo que eu vivenciei de 2013 a 2015: fluência.

 

Os últimos anos foram sobre controle. Rigidez. Não tinha como me sentir inspirada. Ou encontrar algo novo.

 

E 2019 me ensinou a continuar lutando para sair do local que eu sempre achei que deveria ficar.

 

Embaixo dos escombros. Sustentando os muros com os espinhos. Acumulando infiltrações e rachaduras.

 

Mesmo que eu não publicasse mais nada aqui, eu continuei pensando. O que eu queria escrever? O que estava acontecendo? Será que tinha chegado o verdadeiro momento de deletar o RG? 2019 foi ano de abrir mão de mais outras coisas e o site Contra as Feras foi minha primeira medida. Eu não me identificava mais com ele. Sem contar que ter dois sites era sinônimo de dois trabalhos. Duas energias que poderiam se condensar em uma e provocar o mesmo efeito de satisfação. A parte mais esquisita é que eu me vi bem diante dessa decisão (de certo modo eu sou muito apegada). Livre da preocupação em produzir mais conteúdo sendo que eu não sabia mais o que escrever.

 

Eu entrei em crise com a minha escrita novamente ao longo de 2019 e isso me levou para antigas lembranças que não ouso repetir – porque eu já disse aqui tantas vezes e não vale mais a pena. Eu reescrevia uma história que mais engasgava que minhas tentativas de voltar ao RG (Alice você me prometeu!).

 

De novo: frustração, raiva, as pirações comuns.

 

2019 foi muito sobre controlar demais. Verificar demais. Duvidar demais. Agir de menos. Querer desistir demais. Eu me vi dentro de um looping familiar e voltei a me ter como companhia. Eu corri atrás de mim mesma quando eu deveria me afastar. Desprender-me da versão que me acompanhava e de outras que surgiram ao longo da minha jornada. Minha vida não era mais linear. Existia uma bifurcação. Existia uma pessoa embaixo dos escombros.

 

Uma pessoa que eu nunca conheci.

 

 

O grande elemento de todas as idas e vindas, de quedas e de levantamentos, é que eu não paro de fazer o que eu preciso fazer. Eu sempre digo que a preocupação virá quando eu parar de fazer. Mesmo pirando, eu continuei escrevendo em cima dos meus medos e novembro me fez esquecer dos meus medos. Eu vi a inspiração retornar. Meu ânimo também. Eu vi as coisas se transformando e eu terminando satisfeita. Finalmente, eu estava indo a algum canto. Um canto que eu gostava. Esse processo me soou como um novo retorno depois de anos entre funerais.

 

Havia fluência.

 

E eu vi algo essencial: eu fui a antagonista da minha própria história.

 

No fim, fez sentido eu dormir em cima da capa de heroína por todos esses anos.

 

 

Voltando ao tempo presente, eu meio que amarrei as pontas de 2013 a 2019. Girando dentro da mesma palavra.

 

Inspiração. Que pode ser força. Desejo. Motivação. Coragem. É assim que eu vejo.

 

Porque você quer mudar algo no fim das contas e precisa do solavanco para transformar.

 

Nesse processo todo, eu tive que aceitar que a pessoa de 2013 não é igual a de 2015 que não é igual a de 2019 que não é igual a essa que chegou em 2020. Logo, a minha visão de inspiração se alterou junto com essas versões de mim. Eu mudei. É isto. Eu perdi várias e várias vezes até sacar que a resposta estava nos escombros. Foi difícil, porque percebi que eu não estava aceitando as mudanças. Parecia que “ser como antigamente” era mais seguro. Quando não era. Nunca foi. Eu tinha medo de tudo. Ainda tenho, mas a vista do outro lado dos escombros me animou um tanto mais.

 

Lá, eu posso descobrir coisas novas. Aprender coisas novas sobre mim e fazer um novo caminho. Antes, tudo era sobre se refazer e isso resultava na praxe de repetição.

 

Nessa conjunção, as configurações de inspiração foram atualizadas. Junto com a versão que sentou para escrever este texto e que eu não sei quem é – e essa é a parte mais complicada atualmente. E, a quem pergunte, eu não dispensei minhas versões do passado. Nem as últimas intenções. Tudo se amarra. Tudo é minha história.

 

Tudo me trouxe até aqui.

 

O que eu precisava aprender era começar a deixar o que passou. Encorajar o meu espírito a renovar a bagagem. Além disso, agradecer às minhas versões antigas e deixá-las em seus respectivos capítulos. Aceitar que mudei e seguir ressignificando vários pontos da minha vida – e a inspiração está inclusa no pacote. Aceitar que não dá para imitar outros anos porque foram supostamente melhores. Nem se ater ao ruim como se fosse uma segunda pele.

 

Trabalhos em progresso para quem passou anos em negação por tantas coisas, alienando outras, enfrentando reativações que não chegavam na aceitação. O que vejo agora é a chance de um exercício de aceitação.

 

Uma chance de viver um novo normal.

 

 

N.O.V.O N.O.R.M.A.L: sobreviventes seguindo adiante. Ou, para mim, o período de aceitação.

 

Eu ouvi essas palavras pela primeira vez em 2018 graças a um episódio de The Bold Type e algo em mim continuou reverberando essas palavras. Novo normal apareceu no meu caderno de ideias desse mesmo ano. Apareceu em um bloquinho que usei em 2019 para anotar qualquer coisa. Não me espantei quando eu decidi que essa seria minha intenção de 2020.

 

Algumas coisas são simplesmente certas.

 

Mas foi estranho porque sempre gostei de quotes e de palavras assertivas. Novo normal parece vago, mas calha na narrativa de sobrevivente. Isso do ponto de vista traumático. Eu entendo esse novo normal como a fase da aceitação. A fase que eu nunca cheguei sobre várias coisas, pois eu demorei para me ajudar.

 

Eu demorei para conectar os pontos. Entendê-los de um jeito que seu poder sobre mim se rompesse.

 

Demorou anos, mas eu enxerguei o outro lado. Um outro lado que me permite buscar essa aceitação. A encontrar a paz sobre tudo que me aconteceu. A ir atrás do que acredito que eu quero. A seguir adiante.

 

A composição que eu estava muito acostumada precisava se romper.

 

Um trabalho que continua em 2020. Afinal, eu ainda tenho algumas coisas para endereçar. E certos hábitos demoram a morrer, como o looping flertar com você e você ceder de um segundo a outro.

 

Ou ficar tão triste por coisas que poderiam ser diferentes…

 

 

Aceitação. Uma palavra importante. Meramente porque eu vivi em vários ciclos de reativação de traumas. Um emaranhado que me alienou de quem eu sou e de quem eu posso ser (se eu não mudar de ideia).

 

Eu nunca “me dei” um novo normal. Eu nunca soube que essa soma de palavras existia e que representa um além que envolve cura e recuperação também. Agradeço The Bold Type por isso.

 

Um novo normal pede fluência. Desbravar o que é realmente novo.

 

Ao menos é assim que eu vejo meu novo normal.

 

Eu preciso viver esse novo normal. De pertinho. Que não se justifica na falsa ideia de que o que passou, passou e não vem mais. O passado tem que ser lidado para se pousar no presente. E, uma vez no presente, você tem que decidir se viverá arrastando capítulos antigos ou se abrirá para capítulos novos. Se continuará com as cicatrizes em carne viva ou se dará chance para elas cicatrizarem. Se deixará ir ou continuar impedindo a mudança de acontecer.

 

Algumas pessoas que dizem que o passado não importa, bem, eu não concordo com nenhuma delas. O tanto que deixei meu passado para trás se igualou a quantidade de vezes que me afoguei.

 

O que eu precisava compreender e aceitar também é que as sombras sempre existirão. Mas elas não precisam me derrubar. Não tão drasticamente. Endereçá-las e tratá-las é o que preciso fazer constantemente, pois não tem como fugir delas. É o assombro. É o teste na jornada. É as manchas. E tenho que lembrar quem é que manda na narrativa.

 

Outro assunto em frequente combate.

 

 

Tudo que contei aqui foi para me situar e situar os registros deste site. Parece até uma repetição do que escrevi no ano passado, no post sobre o ano de reencontrar a inspiração, mas considerarei como o fortalecimento de várias intenções. Que me levaram a vários cantos. Como sempre acontece. Mesmo que não seja de modo muito direto.

 

Inspirar tem várias camadas. Nuances. Trajetos. No fim, inspirar ainda é meu motto. A diferença é que não dá para resgatar o que começou em 2013. Nem o que aconteceu em 2015. O que eu preciso é deixar fluir. Não tentar interpelar o que eu não sei com o que eu acho que ainda sei. Misturar o antigo com o que quer ser novo.

 

E daí eu cito uma frase que escrevi ano passado:

 

“(…) Para abrir caminho rumo à mencionada pessoa que ainda não conheço. E penso que esse foi o real pedido do ano passado: pisar no ponto X e declarar que a busca a partir dali não seria mais sobre “drama”. Mas sim sobre quem mais precisa de mim: eu mesma.”

 

Eu precisava de mim ao mesmo tempo que ouvia que tinha que me separar de mim devido ao tanto que fico presa dentro de mim. Confuso, eu sei. Mas, hoje, eu traduzo isso de uma maneira que eu já afirmei neste texto: o passado tinha que deixar de ditar a minha vida.

 

Outro exercício para continuar em 2020.

 

Eu não tenho ideia de quais caminhos eu seguirei, o que descobrirei, mas eu pretendo contar tudinho aqui. Afinal, é uma nova chance.

 

É um novo normal.

 

Que 2020 seja incrível para nós!

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Stefs Lima
Jornalista, fundadora do Contra as Feras e ex-líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I AM THAT GIRL. Não poupa no textão e nem nas doses diárias de café. Além disso, acredita piamente que você pode ser sua própria heroína.
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