24abr
Arquivado em: Escrita

Este post é para dar um update sobre a minha escrita ao longo de quase 2 anos. Isso pensando em uma nova (mas não tão nova) história, o que rendeu a famosa retomada da escrita. Afinal, eu parei de escrever qualquer coisa com o intuito de se tornar um livro em 2016.

 

O resgate dessa jornada mostrou que eu estava emperrada. Sem um processo. Tudo o que eu sabia estava velho, uma parte que eu conto em outro post. Hoje, eu quero pincelar a minha jornada de retomada por meio de um projeto que continua a ser desenrolado durante este período de distanciamento social.

 

 

Era 2017 e eis algumas coisas que vocês precisam saber
(e que eu não me lembrava):

 

Eu comecei uma história que chamo de Alice (por ser o nome da protagonista) em 2017. Mais precisamente no NaNoWriMo desse mencionado ano. Depois de quase 1 ano sem escrever absolutamente nada – e depois de 3 anos frenéticos com o We Project –, eu retornei com a escrita dentro de uma competição que “exige” 50 mil palavras escritas em 30 dias. Eu achei apropriado para reativar meus músculos de escrita e não imaginei que seria tão difícil.

 

Quando esse novembro acabou, não me lembro o que eu fiz depois. Certamente, arquivei parte do que escrevi nesse ínterim de tempo. Porém, a Alice ficou na minha mente e continuou falando. Principalmente porque eu dei a ela dois eventos que mudaram o curso da minha vida na era adolescente e eu senti que precisava de uma resolução. Por essas e outras que eu não consegui deixá-la de lado. Então, eu decidi continuar em 2018.

 

Uma decisão que veio uns bons meses depois do NaNoWriMo de 2017. Algo que não é muito anormal, pois há escritores e autores que pausam depois do desafio e retomam os projetos mais tarde.

 

Nessa primeira experiência, sem direito a outline, Alice era uma jovem adulta que escondeu uma gravidez (e isso nem aconteceu comigo) e retornava ao seu antigo bairro por causa de um reencontro do colégio. Daí eu percebi que havia algo mais importante a ser contado e foi quando uma repaginação aconteceu. O conflito que seria definitivo.

 

Só que, em vez de já ir com o tal conflito, eu insisti no plot da gravidez. Porém, com uma Alice adolescente. Não deu certo e foi aí que eu foquei no que tinha que ser focado desde o início.

 

Resultado:
a história foi saindo de modo truncado.

 

Eu retornei para a Alice quase no meio de 2018. Depois de assistir séries que narravam o conflito que se consolidou depois do lance da gravidez. Não me lembro muito bem como eu me sentia na época, mas algo em mim dizia que, a partir do momento que eu decidi tratar um dos pontos mais complexos da minha vida, não dava para deixar essa história dormir. Eu não podia simplesmente largar o que eu comecei. Não de novo. Eu precisava botá-la para fora.

 

Era 2018 quando eu vi o caos da escritora em mim:
pela milésima vez em minha existência.

 

Entre 2018 e início de 2019, eu estava em uma zona de caos e de indecisões. Eu perdi o jeito de montar uma história, mesmo que superficialmente para desenvolver os capítulos. A própria Alice não fugiu do drama sendo a primeira fonte de impasses. Uma hora ela tinha 20 e poucos anos. Depois 20. Depois 17. Hoje ela tem 30. Depois, veio o foco narrativo. 1ª pessoa do presente. 1ª pessoa do passado. 3ª pessoa. Eu testei todas essas vozes e terminei com a 3ª.

 

Mas, em vez de seguir com o foco narrativo que considerei mais apropriado para a história, eu mantive a 1ª pessoa.

 

Eu não tenho Touro no meu Mapa Astral, caso indaguem sobre essa teimosia literária!

 

Muito dessa decisão veio do fato de que eu foquei no caminho Young Adult e segui sua convenção até o fim do primeiro rascunho. Sucesso, mas eu não me vi satisfeita. Eu senti que havia algo errado. Algo não se encaixava.

 

Eu não me senti emocionalmente envolvida (especialmente no processo). Por meses, eu pensei que era o fato de eu não ter o domínio de escrever em 1ª pessoa – porque na minha mente parece a minha própria voz, a que aparece neste site. Daí, eu me convenci que era uma questão de prática. Fui minimamente convencida quando me vi chorando, o sinal que eu preciso para saber, mais ou menos, se estou no caminho certo. Eu levo meu GPS emocional muitíssimo a sério.

 

Antes do término em 1ª pessoa, a escrita seguiu entre trancos e barrancos. Eu senti frustrações que nunca senti. Chegou uma hora que eu pensei que minhas inseguranças se deviam a falta de outline estruturado, porque eu deixei o rascunho do NaNoWriMo ir por vontade própria. Eu só anotava as sequências dos capítulos para não me perder. Com o andar da carruagem, eu comecei até a crer que não sabia mais escrever e que romance não é meu forte.

 

Quando a real era: eu seguia fórmulas e convenções demais.

 

Eu jamais pensei que até nessa questão as minhas mudanças interiores afetariam meu processo de escrita. Uma coisa é você escolher os tópicos que têm mais interesse depois de certo amadurecimento e escrever sobre dentro da mesma estrutura/voz. Outra é você perceber que o que você fazia antes não condiz com quem você é agora. O que, automaticamente, inclui sua forma de escrever e de elaborar a estrutura.

 

Não sei se eu um dia encontrei minha voz de escritora. Às vezes, eu acredito que não e imagino que é isso que me faz demorar tanto com a história da Alice. Ao mesmo tempo que eu escrevo, eu busco, não sei, o meu eco.

 

Por um tempo, eu amei escrever em 1ª pessoa. Eu até gosto de desbravar o que nunca desbravei. Foi uma ótima experiência, mas ainda não é a que mais se adequa comigo. Parece que eu não tenho liberdade com essa voz narrativa visto que o alcance é uma pessoa (isso se você não cogita alternar narradores). Eu realmente atingi um ponto de envolvimento nada esperado com essa pegada de contar a história da Alice. Entretanto, algo no fundo da minha mente dizia que não era a voz adequada. Que eu estava inventando moda quando a 3ª pessoa sempre foi a minha pessoa. E encontrar autores que narram seus YAs em 3ª pessoa me deram confiança em mudar o foco.

 

Acredito que eu queria ver se conseguiria quebrar o “tabu” da 1ª pessoa, mesmo na dificuldade. Aspecto que incluiu uma rotina que não dava a mesma abertura que eu tinha quando escrevi incansavelmente o We Project.

 

O que restou? Uma testa quente de raiva!

 

2018 foi um ano complicado em todos os aspectos criativos para mim e pode ser que eu não tenha me envolvido com a 1ª pessoa como deveria. Afinal, é uma voz narrativa mais próxima. Exige mais concentração (ao menos para mim rolava uma meditação até acessar a voz da Alice) e dedicação para não perder o tom. De um minuto a outro, eu não conseguia escrever em uma quantidade e de um jeito que me satisfizesse. E nem precisava ser 1.500 palavras por dia, por exemplo, pois minha necessidade era sentir que eu progredia e que o texto fazia sentido. Contudo, eu não tinha concentração e me perdia fácil.

 

Até que minha vida contou com uma mega reviravolta em novembro de 2018. Percebam que novembro é o mês que mais repito e acho que posso entender que novembro é onde tudo acontece para mim. Mas, antes desse plot twist, eu aproveitei minhas férias do job para encaminhar mais esse rascunho. Daí, veio a reviravolta e eu só consegui terminar essa versão em 1 de fevereiro de 2019. Uma versão finalizada em 1ª pessoa. Nem eu acreditei.

 

Mas não significou satisfação. Ao menos, no aspecto de contar a história.

 

Era 2019 quando eu quis desistir da escrita:
pela milésima vez em minha existência.

 

Eu marquei a primeira reescrita oficial, com rascunho acabado e tudo, para maio. Tempo o suficiente para pensar sobre a história, entender algumas coisas – e tinha poucas coisas para entender em cima de algo que estava tão cru. Eu decidi que reescreveria em 3ª pessoa. Sim, eu comecei a ser meu próprio trabalho, mas o motivo é justo:

 

Eu não me senti eu mesma escrevendo em 1ª pessoa. Eu terminei com satisfação de ter terminado e não com o resultado (mesmo consciente de que era um resultado parcial). Como disse, algo faltava e o problema com a narrativa seguiu como se não houvesse amanhã.

 

 

É. Talvez seja um caso de onde está minha voz de escritora!

 

O prazo para terminar essa reescrita mirou em agosto. Três bons meses. Mas chegou fins de agosto, setembro, outubro… Eu mastigava as mesmas dificuldades e me deu vontade de desistir. Eu empacava no mesmo ponto. Parecia a maldição do capítulo 13, pois eu não conseguia ultrapassá-lo. E eu me senti extremamente inadequada e flopadíssima. Foi então que veio a pior parte: eu comecei a ser extremamente dura comigo mesma. Cobrando-me por não cumprir o básico. Um “básico” que não fazia sentido já que fazia tempo que eu não escrevia um romance.

 

Escrita é prática e hábito. Disciplina de certo modo. Eu perdi tudo isso em 2016.

 

Até que veio o NaNoWriMo de 2019 e eu não tinha a menor intenção de participar. Afinal, eu já tinha começado meu projeto. Sem contar que meus planos era terminar de reescrever a Alice em agosto para ter novembro livre para navegar pela história que surgisse em algum momento. Para me divertir, sabem? Não rolou. Ainda assim, eu cedi à competição como Rebel. A meta era um capítulo por dia que incluiu um arquivo zerado e injeção de novos capítulos.

 

Em 3ª pessoa.

 

Meu grande impasse é que eu penso muito. Eu penso demais. E, durante esse processo de reescrita, antes do NaNo, eu dava espaço hábil para pensar demais. Questionar demais. Uma coisa que aprendi na marra durante a escrita é ouvir minha primeira ideia. É ela que vem da intuição, eu acho. É o chute da personagem que sinaliza para onde ela quer ir. Quando o segundo pensamento vem, ele se aproxima da minha racionalização e aí eu racionalizo ainda mais.

 

Resultado: não funciona e eu sempre me vejo reescrevendo.

 

Meu problema não é o outline em si, mas eu ser uma grande ruminadora. Eu esqueço com facilidade de que os primeiros rascunhos são uma grande meleca e que eu posso ajustá-los no futuro.

 

Eu preciso colar isso na minha testa!

 

Eu já estava rígida na época do NaNoWriMo. Cansada. Eu só queria terminar pelo prazer de terminar. Mas a competição foi me dando o que eu não me dava de bom grado: não pensar. Justamente por causa do gosto de completar as metas de palavras do dia para assim se alcançar as 50 mil (e eu foquei em bater as minhas metas de capítulos). Eu tirei minha ruminação da sequência, porque eu foquei em produzir. E fluiu. Foi exaustivo, mas fluiu.

 

Depois de meses me achando uma escritora fake (e pode ser verdade), eu me vi retomando o estado de graça que é escrever. Meu músculo de escrita estava atrofiado e eu cobrava por uma fluidez que eu tinha perdido por ter parado de escrever. Para quebrar isso só escrevendo!

 

E eu decidi desde então que não pararia mais de escrever a fim de não passar perrengue.

 

Se estou cumprindo? Há contestações!

 

Mas eu constatei algo muitíssimo importante: eu deixei de me divertir escrevendo.

 

A época de fanfics foi a mais fluida da minha vida. Do We Project também. Quais motivos de me cobrar tanto?

 

Eu sou uma boboca!

 

Antigamente, eu pegava a ideia e ia embora. E esse é o mood do NaNoWriMo. Eu precisava disso como jamais imaginei que precisava. Quando o fim da história veio, eu chorei horrores.

 

Foi uma completa epifania que fechou muitos pontos do momento que eu vivia em 2019.

 

 

Depois de ter finalizado o que considero a segunda versão do mesmo livro, eu me vi pronta para criar a ficha de personagens, dar mais profundidade a eles fisicamente. Além de analisar a narrativa e perceber quem era a narradora para eu desenrolá-la ainda mais adequada ao que quero na próxima reescrita (que já está rolando). Esses e outros detalhes que muito tutorial diz que deve ser pensado antes. No meu caso, tudo isso veio depois.

 

Foi quando eu comecei a perceber como funciona meu novo processo de escrita.

 

Que não é tão novo, porque eu não me ligo em caracterização quando estou escrevendo. Eu tenho que me forçar a pensar que preciso descrever aparência, pois, se depender de mim, eu não dou informação nesse quesito.

 

Para além da Alice…

 

 

Por ter focado tanto na Alice nos últimos dois anos, eu tive meus flops. Eu queria mesmo fechar 2019 com outro projeto de escrita publicado e que seria um presente aos leitores depois de tantos anos de Hey, Random Girl!. Não deu tempo e joguei para 2020 (e nem sei se dará certo visto o clima de pandemia).

 

Também flopei na ideia de escrever 10 contos entre as folgas do processo da Alice. Eu nunca mais escrevi contos e foquei nesse estilo para o free writing básico – e sempre nasce algo novo. Quando eu escrevi este post, eu não tinha lembrança de um arquivo que criei para lançar qualquer insight de ideias. Eu encontrei histórias que eu sequer recordava e que eu posso trabalhar em algum futuro. É. Até que eu escrevi bastante. #heartclaps

 

Inclusive, um conto natalino completo. Esse foi meu pensamento seguinte depois de encerrado o rascunho da Alice em 2019. Foi um pouco difícil começar, porque eu descansei e passei por toda angústia de “vamos começar a escrever”. Com a folguinha veio as dúvidas sobre mim (como achar que eu só sei escrever um tipo de coisa e isso pode ser verdade). Enfim. A autossabotagem.

 

Mas eu consegui e foi muito divertido. Tenho novas personagens e muito interesse em dar vida ao enredo delas – que pode ser em 2020, mesmo que seja o primeiro rascunho. O tema da história eu tenho. Era o tema que eu queria trabalhar no NaNoWriMo (que não tinha sido pensado para atender às necessidades da dona Alice).

 

E o que vem aí?

 

 

É 2020 e é embaçado escrever nesse mood de enterro da pandemia.

 

Mas, antes da quarentena chegar, eu prometi que escreveria mais este ano. De um modo um tantinho mais organizado (spoiler: não está dando certo!). Parece que eu saí da angústia de “não sei escrever” para simplesmente produzir. Meu foco principal é a história da Alice, que logo menos completa realmente 2 anos de trabalho, e eu quero me aproximar o máximo que eu puder de uma versão final. Se eu conseguirei? Olha, amigues, eu espero que sim!

 

Updates da Alice: eu entrei no processo de releitura em dezembro de 2019. Dia 27. Em seguida, eu marquei a reescrita fase II. Reler foi uma experiência interessante para quem não gosta de reler as próprias coisas. Foi um aprendizado pessoal, porque eu sempre acho que tudo está odioso e que tem que ser engavetado. Já sobre a reescrita, eu alonguei mais um mês por motivos de: a Alice agora tem 30 anos. Eu desisti do YA (conto em outro post).

 

Sobre o projeto que não rolou em 2019: ele está na fila de revisão II. Eu não vou dizer que conseguirei publicá-lo em fins deste ano, mas, considerando o prazo que eu dei, e por se tratar de um projeto simples (não é um romance), acredito que sim. Uma roda de oração!

 

Sobre contos e afins: seguem como minha meta para free writing. Eu diminuí a meta e coloquei 4 contos para fechar 5 contos. Parece algo justo considerando que é algo mais curto e sem tanto compromisso no momento.

 

Acho que esses são meus updates de escrita. Prometo ser mais leal a essa editoria do site, especialmente porque é uma das minhas partes favoritas.

 

Vamos adiante!

 

Indicação de Leitura: 

Diário de Escrita #4: o escrever que engasga, mas uma hora sai

 

Crédito dos gifs: charlieswatson

Tags: .
Stefs Lima
Jornalista, fundadora do Contra as Feras e ex-líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I AM THAT GIRL. Não poupa no textão e nem nas doses diárias de café. Além disso, acredita piamente que você pode ser sua própria heroína.
Você pode gostar de ler também Deixe seu comentário
Siga @HeyrandonGirl no Instagram e não perca as novidades