14maio
Arquivado em: Speak Now

Aviso de gatilho: eu não entrei em detalhes na abordagem sobre abuso sexual (ou o estupro) e transtorno alimentar. Eu conto partes, sem detalhes, para amarrar o cerne deste texto.

 

Nota da Stefs: eu pensei seriamente se deveria contar algumas partes da minha vida neste texto (e que tem a ver com o aviso de gatilho acima). Porém, percebi que não poderia escrever sobre Jessica Jones sem mencioná-las. É bem capaz que algumas pessoas não saibam que isso aconteceu comigo e tomem um susto. E tá tudo bem!

 

O maior dos créditos deste texto eu dou para o meu período na análise (aka terapia). Toda sessão, minha psico diz para eu escrever sobre o que guardei na gaveta. Como não uso detalhes neste presente caso, Jessica Jones veio como catapulta para eu desbravar sobre. Algo que fluiu com mais facilidade em comparação ao meu relato sobre ter vivenciado um transtorno alimentar.

 

Para eu continuar a seguir com minhas causas, transparência faz um pouco de parte no processo.

 

E cá estamos!

 

 

A primeira vez que eu soube da existência de Jessica Jones foi pelos métodos comuns: justamente durante sua divulgação. Uma época da qual me lembro bem.

 

Era 2015 quando a série teve seus episódios liberados. Mais precisamente, dia 20 de novembro. Dois dias antes do encontro de novembro do I AM THAT GIRL, cujo tema foi Do Primeiro Assédio a internet odeia as mulheres. Agora, raciocinando, acredito que o que sinto pela personagem hoje começou a ser alimentado nas entrelinhas nessa mencionada época.

 

Não me lembro bem a data correta, mas sei que comecei a ver a 1ª temporada de Jessica Jones depois desse encontro. Não havia uma só mulher que não a recomendasse ou a comentasse, e os burburinhos trouxeram certa identificação. O que é um tanto difícil, porque eu não tenho um relacionamento com super-heróis e afins, a não ser X-Men. Mas Jessica veio com uma carga a mais.

 

Ela foi vítima de abuso.

 

Abuso. Uma palavra recorrente no encontro do IATG que mencionei. Ideia que veio inspirada, inclusive, da campanha do Think Olga. Em algum momento de 2015, tal ONG convidou mulheres a se abrirem no Twitter sobre os assédios que sofreram. Conforme eu lia os desabafos, tentei me achar em algum. Não rolou, ao menos não na ponta da caneta, mas esse contexto foi um marco. Foi nesse entretempo que eu comecei a ter mais consciência sobre o que rolou comigo. Assim, me encorajei e contei pela primeira vez durante essa roda de conversa mensal. Foi mais fácil ao que imaginei.

 

Depois de anos sedada, enderecei um tipo de abuso que sofri aos 14 anos. Eu achei que falar sobre o que me ocorrera renderia em uma experiência horrível, mas, naquela época, o IATG era minha extensão. Cada encontro mensal fortaleceu o senso de espaço seguro e eu confiei. Sem pestanejar. Os encontros eram o momento em que eu tentava ser verdadeira, além de me segurar para não pirar por estar desempregada à época. O mesmo cabe para as mulheres que marcaram presença, cujas histórias me inspiraram a ser melhor. Inclusive, a ver que eu não estava sozinha.

 

Atuar como líder desse Capítulo colocou à prova muito das minhas emoções. Muito de quem sou. Muito das mentiras que eu contei para mim. Deu-me descobertas das quais nunca percebi ou sequer me aprofundei. Fez-me ter coragem de desbravar coisas e assuntos escondidos. Deu-me força para vocalizar o que nunca tinha contado para ninguém. Foi nesse grupo que contei com ineditismo sobre meu lado falecido mean girl, sobre meu transtorno alimentar, problemas em casa… De certo modo, eu preparava um palco que começaria a ser tratado em 2018.

 

Intimamente, eu sei que esse foi meu primeiro grupo de terapia, embora eu não curta tal colocação. É muito desonesto dizer isso, sabem? O significado aqui é outro, especialmente quando paro para pensar sobre o quanto eu jamais pensei que algo desse tipo rolaria na minha vida. Não quando sou o poço de desconfiança.

 

O encontro do Primeiro Assédio foi um salto de fé. A escolha de tema mais “pesada” em comparação às pautas sobre autoestima que inseri ao longo dos meses. Eu não esperava ouvir tanta história de abuso. Tão quanto sobre o fato de que muitas não sabiam se o abuso tinha ocorrido. E eu me identifiquei com esse ponto, porque eu nunca soube dar nome ao que me aconteceu.

 

Durante meus entretempos sedada a esse fato, que voltava à minha mente mais quando eu estava muito mal comigo mesma, eu jamais o tratei como um tipo de abuso (ou tratei de maneira geral). Para mim, só existia estupro e assédio – como ser encoxada no metrô. Em 2016, passei meses tentando dar nome ao ocorrido, inspirada ainda na campanha do Think Olga, e não consegui. Primeiro porque eu entrava em zona de gatilho. Segundo porque parecia não existir uma “categoria”. Terceiro porque as queridas do IATG eram as únicas pessoas que sabiam. Eu não sossego até ter respostas, mas fiquei sem. Até 2018 pontuar que abuso é abuso e ponto final.

 

Aceitação que veio quando recorri à terapia graças à confusão que a falta de um nome ao meu acontecimento me causava. Depois de mais de 10 anos, fui atrás de saber se era isso mesmo ou coisa da minha cabeça. Justamente porque eu não conseguia descrever ou encontrar o “tipo”. É uma tremenda angústia você saber que algo ocorreu e não ter um nome. Pano para a famosa alienação. Eu passei esses mesmos anos alienada ao que me aconteceu.

 

Eu não batizei o monstro. Eu não tinha clareza. Até eu ler toda a tag do Primeiro Assédio e ver que existem vários tipos de assédio. Ainda assim, eu não consegui me ver, embora houvesse algumas semelhanças nos relatos. E isso me quebrou, especialmente porque os dados destacaram a mesma idade que eu tinha na época em que fui abusada.

 

Sempre achei que eu não seria compreendida ao contar o que ocorreu comigo, mas o IATG me ajudou. Inclusive, deu início a uma jornada que tento traçar, porque eu ainda tenho conjecturas, rastros, resquícios de um trauma que hoje tem sido tratado.

 

E todo esse relato abre para outra verdade: Jessica Jones pode ter entrado na minha vida em 2015, mas foi em 2018, junto com séries de temáticas próximas, que ela se fez compreensível para mim. Ela me ajudou a trabalhar determinados sintomas emocionais, acarretados pela minha finalmente saída da negação, de mãos dadas com a terapia.

 

Jessica Jones: a sobrevivente

 

Jessica Jones - 2x11

 

Jessica Jones é vítima de vários tipos de abuso – sem ser necessário dar nomes – físicos e mentais. Sua história não é segredo para ninguém, mas ela demorou a criar liga em mim. Justamente pelo fato de que eu ainda vivia em negação e sem conhecimento real do que rolou comigo quando assisti a primeira temporada. Por outro lado, eu tinha completa noção de que eu estava diante de uma sobrevivente que, de início, tomou conta da investigação dos rumos de outra jovem que vivenciava o que ela vivenciou nas mãos de Kilgrave. O abusador.

 

Apesar dessa ausência de liga inicial, eu amei a série durante a primeira experiência. Eu assisti até que bem rápido, mesmo ela sendo longa, e aprendi a nunca mais fazer isso. Não reti tanto sobre a história, detalhe percebido quando fui ver a 2ª temporada. Vi-me obrigada a revisitar a S1.

 

E o revival rasgou dentro de mim.

 

Era 2018 quando eu peguei a 2ª temporada de Jessica Jones para assistir. Nesse entretempo, eu tinha saído da negação sobre o meu abuso. Era um abuso. Fim. Várias janelas do meu inconsciente foram abertas. Com direito a pesadelos. Desapreço por mim mesma. Comportamentos autossabotadores relacionados à comida que, no passado, deram margem ao transtorno alimentar.

 

Foi um processo de trás para frente. Afinal, na S2, Jessica lida com o fim da sua negação.

 

Na 1ª temporada, Jessica está em negação. Uma negação que a isolou do mundo. Da companhia da irmã de criação. Ela se aposentou como super-heroína, aceitou-se como investigadora particular e se afoga em todos os comportamentos nocivos que muitas vítimas de abuso desenvolvem. Ela bebe. Não cuida de si. Dorme mal. Come porcaria. Usa do sexo para sentir alguma coisa. Usa do sarcasmo para afastar as pessoas. Não suporta a ideia de ser realmente a heroína do dia. Recusa afeto. Não consegue identificar como outras pessoas são capazes de amar uma mulher como ela.

 

Como ela mesma diz: been there, did that. Jessica é o eco do meu trauma.

 

Durante o caso da S1, Jessica bate de frente com seus demônios. Mais precisamente com o estresse pós-traumático, muito bem pontuado em cada episódio por meio dos vislumbres de Kilgrave e da alteração do filtro para a cor roxa. Ela não teve escolha, pois o que caiu em seu colo era além do verossimilhante. O conflito de Hope bateu em uma ferida que não tinha se fechado ainda. Tudo porque a personagem não estava livre de Kilgrave. O abusador a perseguia. Em todos os campos de sua vida, especialmente o mental. A fonte de controle que a afetou.

 

Nem com a repetição dos nomes das ruas Jessica conseguiu paz. Um aprendizado da terapia que ela mesma abandonou quando o caso ficou quente. Mesmo sendo antivulnerabilidade, a personagem teve vários instantes de entrega sobre um acontecimento que a nublou. O álcool vem como o maior condensador e fica claro que não funciona. Tudo porque ela precisava sair da negação. Porém, essa mesma negação parecia uma proteção do seu ser.

 

A proteção de não sentir o verdadeiro impacto do abuso. O que não é imposto. Ao menos para mim, essa proteção foi se criando. Como musgo. Silenciosamente até me cobrir por inteiro.

 

Sair desse tipo de negação é equivalente a assumir o que ocorreu. Eu levei mais de 10 anos para passar por esse processo (e ele ainda não se encaixa dentro de mim). Eu mantive tudo guardado, trabalho preciso do meu cérebro, mas os vislumbres não deixavam de vir diante de gatilhos. Nem mesmo o pensamento sobre o que aconteceria se eu abrisse a boca para minha mãe, por exemplo. Sem um nome, eu não sabia o que isso significava. Como me afetava. Com isso, eu dançava dentro de uma espiral esquisita. Que parecia disparada por tantos outros motivos menos o abuso.

 

O meu entretempo dos 14-17 anos foi recheado de contratempos. Eu não soube priorizar, por assim dizer. Às vezes, na terapia, eu me vejo sem saber o que mais influenciou depois da linha do tempo do abuso. Identificar o que “realmente me estragou”. Ao longo dos anos, minha mente mudava de foco. Sempre foi assim. Automaticamente, eu não lidava com nada e me alienava.

 

De certo modo, eu não via além do embaçamento da situação. Nem quis a profundidade disso visto que nunca me analisei para capturar o peso do resultado. E nem tinha condições. Como uma adolescente, sem muito apoio em casa, porque os pais eram ausentes devido ao trabalho, não contei o que eu não sabia explicar. E isso me custou muitos preços ao longo do crescimento.

 

Minha mente tomou conta e criou a camada de proteção. E a camada de proteção foi o transtorno alimentar. A resposta da evitação já que algo em mim estalou e me deu outra “ocupação”. Ao contrário de Jessica que sempre me pareceu consciente das suas escolhas sabotadoras. Como o sexo para sentir algo além do seu entorpecimento.

 

A camada de trauma engrossa ao longo dos anos. Na menor chance, sempre rola uma rachadura e o grande impacto vem, por exemplo, nas mudanças de comportamento. Ou nas suposições. Algo que ocorre com Jessica que vai da mulher antipática a quem não tem paciência com quem tá começando. Nuances que me identifico também. Afinal, sempre é muito fácil julgar a pessoa a questionar o que pode ter rolado no background. O que pode soar como o famoso “ninguém nasceu assim” e eu concordo. Algo interpelou o caminho e trouxe mudanças que podem não ser positivas.

 

A diferença que aqui reside é que Jessica sempre soube o que lhe ocorrera. Após Kilgrave, ela viu suas mudanças. Em vez de contradizê-las, a personagem as assumiu. Ação que nos afasta de quem somos. Ação que pode nos transformar em outra pessoa. E aí reside outro impasse, pois, uma vez sem negação, o que fazer com todas as defesas e etc.? Jones simboliza muito bem esse ponto, porque a versão que nasceu depois do trauma pode ser difícil de deixar ir. Meramente porque você não sabe como ser outra pessoa e também não se recorda de como você era antes.

 

Dessa forma, há aquele terror de que você não funcionará sem o fato X, Y, Z. E há certo medo nisso. Mesmo que, aparentemente, seja mais uma mentira que se conte para si mesma.

 

A partir do instante que Jessica sai da negação, ela tem que lidar com os pedaços remanescentes dos traumas que Kilgrave lhe causou. É na 2ª temporada que se inicia essa tentativa de colocar um ponto final na espiral e a tensão é ainda maior quando se vê que a personagem não abriu mão das camadas que a protegem. Jones não quer responsabilidades além das investigações. Ela se distancia e é possível se perguntar se há chance de existir depois do abuso.

 

Tarefa que não se mostra fácil para Jessica, especialmente quando outras vulnerabilidades vêm à tona. Uma mais específica: descobrir quem ela será depois disso. Ela surge aparentemente mais centrada na S2, porém, reclusa. Sem querer dar satisfações. Algo muito seu. O trabalho de investigadora segue, mas, por outro lado, se abre a questão de ser heroína. Selo que Jones não quer. Ato que segurou, ao longo dos episódios, a redoma para alienar as pessoas ao seu redor e continuar se alienando. O que parecia o fim é um começo. E a personagem não consegue lidar, pois não há mais brecha para segurar a negação quanto ao que Kilgrave lhe causou.

 

Muitas pessoas acreditam que depois de falado basta viver normalmente em seguida. Jessica é um bom exemplo ao mostrar que não é isso que acontece. Mesmo sem a negação, a personagem seguiu com seus métodos nocivos. Além disso, ela seguiu refutando seu papel de super-heroína sem uniforme. Tudo que Kilgrave acarretou em sua vida a transformou profundamente e tentar sair disso não é fácil. Não rola de uma hora para a outra.

 

Não é algo meio Game of Thrones que vende estupro como evolução de caráter e que passa rápido. Ainda há muito acerto de contas, especialmente no que condiz à relação com quem somos. Penso que isso pode levar outros anos.

 

Somente agora eu tenho consciência de que certos comportamentos meus não “foram uma invenção”. Tudo, desde o meu abuso, é um evento em conjunto. Nada se isola, a não ser situações muito cotidianas. Impasse que também ocorre com Jessica que crê que suas escolhas vêm de um espaço livre de dor. Livre de trauma. Mas, conforme a negação se esvai, ela quebra junto. E só quebrando para o ponto de vista da sua vida ser outro.

 

Jessica tenta sobreviver dia após dia e eu não compreendi a intensidade dessa espiral até 12 de outubro de 2018. Período em que comecei a ver a S2 da série. Eu não esperava por isso, mas aconteceu: eu finalmente saí da negação e coloquei a minha história às claras. Foi súbito, inesperado, e eu saí arrebentada. Principalmente por ver o quanto uma pessoa pode se sentir culpada pelo que ocorreu com você.

 

É muito diferente dizer que nunca é culpa da vítima quando você também é a vítima e se culpou. É difícil demais e Jessica tem esse momento com Hope. A jovem que tem um nome que me pareceu ironia visto que a protagonista é uma mulher claramente desesperançada. Que não tem saúde mental. A negação a corrói até essa jovem entrar em seu caminho. Instante que o Piloto a questiona sobre os próximos passos: fingir ou lidar?

 

Daí, Jessica percebe a treta da vez: saber o que é real significa que você precisa tomar uma decisão: ‎ continuar em negação. Ou tomar uma atitude. Agora eu reconheço mais essas palavras porque eu decidi tomar uma atitude. E é difícil se dar o crédito sobre algo tão importante quando você acha que não tem mais solução.

 

Que passou do tempo de resolver qualquer coisa.

 

Mas aí vem a chave de tudo: sobreviver. Precisamos continuar sobrevivendo.

 

Da negação ao dito controle

 

Jessica Jones

 

Sempre houve algo mais na problemática de Jessica. Algo que ela ignora, mas que vemos: os seus superpoderes. Ela é uma Super, embora não encaixe o Heroína. Ao menos não até a S2 chegar.

 

Há vários marcos para Jessica ao longo da S2. Além dos superpoderes, há um tipo de origem conturbado das suas relações amorosas. O que destaca o fato de que a personagem não conhece a reciprocidade em sua pureza, pois seus poderes se tornam a fonte essencial de interesse. Especialmente masculino.

 

Nessa season, se vê que Jessica amou antes de Kilgrave. O que rendeu a origem da jaqueta de couro que é sua assinatura desse ano da série visto que, na S1, a personagem usou casacos diferentes e o cachecol simbólico com um tanto mais de cores. Aqui, é como se ela tivesse retornado para onde tudo parou. O que precisamente confere já que a premissa da S2 responde o acidente que custou sua família. Duas linhas que se cruzam e que entregam o quanto ela só quer ser amada.

 

Inclusive, ser aceita. E a grande questão é que Jessica segue fingindo que não se importa.

 

Jessica passou por várias camadas de furto ao longo da vida e boa parte veio em função dos seus poderes. Seu corpo foi violado de incontáveis formas e ela nunca se recompôs. Ela foi tirada dela mesma antes que descobrisse como se pertencer. Um dos resultados depois do abuso.

 

De certo modo, Jessica só conheceu a desvalorização ao longo da vida e é fácil culpá-la. É fácil dizer que “ela é difícil” quando a responsabilidade da mudança de seu comportamento vem de um trauma. Ou de vários deles. Ela se importa. Ela cuida. A diferença mora no como receber isso em troca. A personagem não desaprendeu a amar. Ela subiu muros depois do abuso que sofreu.

 

O distanciamento emocional é proteção. Contudo, é um de seus pontos fortes. Eu me assemelhei a isso porque eu criei minhas próprias defesas depois do abuso (e de outros fatores). Com isso, eu fui julgada muitas vezes de ser reclusa, antipática e sem coração. Jessica rebate algumas vezes, mas, no fim, se percebe que ela só “aceita”. Isso poupa explicações.

 

O resultado disso? Você abraça tudo e mais um pouco do que não te pertence. Ação que não é vantajosa, pois se cria mais buracos dentro do seu ser. Meramente porque parte de si sabe que o que é dito não é verdade. Parte de si sabe de onde isso vem. Ou não, como foi o meu caso. Independentemente, há a ínfima crença de que somos assim e, tão quanto o resto, é possível descrer das chances de se existir sem tais nuances.

 

Nuances que não são suas. Elas lhe foram dadas. Como uma reputação.

 

Com tantos altos e baixos, Jessica se conformou a se esconder na S2 e isso se refletiu nas mencionadas roupas. Ela usa o mesmo look que tem o intuito de torná-la invisível. Cores neutras. Peças folgadas. A soma da invisibilidade que tira a atenção do seu corpo. Escolhas, partes de uma leva, que foram confrontadas assim que descobriu a verdade sobre a mãe.

 

A mãe que também não deixou de ser abusada. Ela teve seu corpo usado para experimento sem autorização. Nas mãos de um homem que supostamente era para ser maneiro.

 

Na S2, o mundo de Jessica se apresentou com outro filtro. Todo mundo que se aproximou queria alguma coisa dela e esse querer a tornou ainda mais alienada sobre si mesma. Uma tática que deixou de ser muito sua para ser o único repelente que lhe restou. Presa ao senso de que faz bem manter tudo em preto e branco. De quebra, de fazer crer que ela funciona como funcionava antes.

 

Mesmo relutante, o mundo na S2 é outro e esse mundo trouxe o chamado. Sua jornada de heroína pode ter começado na S1, mas foi na S2 que rolou uma autoconsciência. Ilustrada pelas cobranças que vinham de uma impossível Trish e, depois, da mãe que queria que sua filha compreendesse que ser heroína não requisita uma capa.

 

O movimento é o que a bota em contato com sua humanidade. E é isso que ela mais precisa depois de tirar as amarras que restavam fisicamente com Kilgrave. E ela odeia. Daí, mais uma dose de álcool para fingir que nada daquilo é com ela. Sendo que é.

 

Sua dor e sua vocação não desaparecem na S2. São esses pontos que movem sua sede de ajudar as pessoas. Mesmo que não perceba, o que ela sente a impulsiona a ser ativa e não alienada – e a personagem bem tentou fincar a alienação até ter sua atenção chamada.

 

Há outro ponto que faz Jessica questionar sua moral no mundo. No caso, ser uma assassina. Antes de Kilgrave, tudo esteve atrelado aos seus poderes e ao que fazer com eles. Ou aos caras que queriam usá-la ou à irmã de criação que encheu o saco na S2 (use desse poder para ser a heroína do dia). É evidente que ela passou por todo tipo de pressão por ser sobre-humana, mas nunca se sentiu pertencente. Adequada a assumir esse seu lado.

 

E piorou, claro, quando esse seu lado foi explorado por Kilgrave. Daí se criou uma zona intocável.

 

Trish estava lá para dizer o que faria se tivesse poderes. Porém, atravessou um dos pontos cruciais depois do abuso e que já mencionei: como criar um novo normal depois de tudo aquilo?

 

A S2 ainda pediu mais: como ser heroína quando não me acho merecedora de tal papel?

 

Jessica tem um histórico de abandono fortíssimo e não é ignorável sua busca por pertencimento. E ela não pede por isso. Nem se lança de joelhos. O mesmo para o papel de heroína que refuta, basicamente ao som do sem tempo, irmão. Sendo que há a fagulha e não dá mais para ignorá-la.

 

O pertencimento em torno da protagonista vem na forma das pessoas que ficam. Ao menos, na S1, pois na S2 a personagem perdeu muitas relações. Sua relutância de usar do que tem para contribuir positivamente com o mundo cobra caro e mais mortes terminam aos seus pés.

 

A moral dos homens, que não sejam o Malcolm, é básica: eles são as fontes de abuso. O cara da jaqueta de couro disse que Jessica faria de tudo porque o amava. Ele, além da má-fé, distorceu tudo que ela almeja: o mencionado pertencimento.

 

E esse pertencimento vem de sobra na S2, pois foi o caminho que Kilgrave atropelou junto com a ação de Jessica finalmente tentar ser uma boa heroína. Quando ela estava inclinada a se reivindicar, ela foi roubada de novo e isso lhe custou basicamente toda sua integridade.

 

Toda a trajetória de Jessica é sobre lidar e sobreviver. No modo dela. Ao longo dos episódios da S2, Kilgrave se torna uma memória distante até ela espiralar no questionamento de assassina. E mesmo tendo feito o que fez, vemos a personagem reconquistar um tipo de controle.

 

A voz do seu abusador não a domina mais.

 

Da subestimação ao heroísmo

 

Jessica Jones

 

A premissa da S2 traz Jones com um estilo de vida quase desconectado dos abusos. Porém, não muito diferente.

 

Foi preciso alguém voltar dos mortos para avisá-la de que também estava morta. Por dentro. Graças ao tempo de negação, Jones não sabia mais como ser uma pessoa funcional. Nem muito menos sabia o significado de ter sobrevivido para assim viver. E tudo começou na subestimação de acreditar que o que lhe ocorrera era igual a nada.

 

Porque há problemas mais importantes.

 

A patinação emocional de Jessica em não saber como retomar sentimentos bons, como o amor propriamente dito, é latente. Tão quanto sobre como ser e existir sem Kilgrave. Como amar visto que ela acredita que não merece receber esse sentimento porque não sabe dá-lo. Todas as vezes que a personagem cedeu amor, houve a descoberta de que sua importância era meramente ilustrativa por conta dos poderes que possui. Salvo por Trish, a única pessoa que ganhou uma declaração por parte de Jones. Assim, ser esquiva se tornou o método de lidar com as pessoas e com o mundo.

 

Sem toque. Sem aprofundamento. Um modo que me é conhecido.

 

Daí entramos de novo na subestimação. Jessica não se vê como heroína sendo que ela é uma heroína praticamente completa. Não é o uniforme que a define, mas justamente a ausência dele. E o que faz e ela não se dá crédito. Não associo esse comportamento totalmente ao abuso, embora seja parte, mas sua vida em si foi composta pela solitude. Sem muito apoio. Tudo que a personagem teve que desvendar foi por conta própria, independentemente do seu ar precoce de defensora.

 

Em The Defenders, Jessica deixou isso claro. Deu para ver que seu papel de investigadora é também um meio de se eximir de qualquer chance de ser uma super-heroína. Teoricamente, ela já faz o suficiente. O que se reflete no repúdio ao uniforme. Tanto na S2 da sua série quanto em The Defenders, essa mulher refutou o papel heroico. A personagem não se enxerga como grande coisa, sendo que é enorme.

 

Sua relevância, ou a falta dela, é tratada com o mesmo sarcasmo cedido a Malcolm. Ela evita qualquer envolvimento positivo para não ter a famosa responsabilidade emocional. Tão quanto para afastar as chances de se ver vulnerável – o que é irônico quando a personagem não esconde seus porres. Mesmo deixando o grupo dos Defensores no 1×04, ela continuou caçando informação. Ela continuou sendo útil para a trama. Ela foi a maior ponte de desenvolvimento.

 

Jessica não vê seu heroísmo, mas é esse heroísmo que a bota para fora de casa. Ela é grande. Mais do que imagina. As pessoas ao seu redor veem essa magnitude que nega com tanto vigor.

 

Ela ousou ser uma super-heroína de uniforme, mas foi silenciada. E é na roupa mundana de cada dia que a personagem se reivindica ao salvar alguém. Porque isso a salva dela mesma. Algo que também me identifico, porque é sempre mais fácil colocar os outros para cima e assim por diante.

 

Sendo que, dependendo dos casos, nos ajudamos sim no processo.

 

A mãe de Jessica veio para tocar a humanidade que a própria Jessica não acredita. Sem presentes. Sem mimos. Apenas palavras. Trish pode ser a melhor amiga, mas não cutucou a ferida que dizia que não há problema algum em tentar viver depois de um trauma. Que não há problema algum em resgatar a heroína interior depois de tanto furto e subestimação.

 

Daí vemos Jessica recuperar seu poder e perder drasticamente no final (e me deu raiva). Apesar do fim trágico de sua mãe, vemos a heroína ser a heroína que nasceu para ser. Depois de todos os seus eventos avassaladores, ela abriu suas mãos e deixou fluir o poder que é somente seu e de ninguém mais. De nenhum homem. De nenhum Kilgrave.

 

Jessica vê suas dualidades e os flashbacks da série contribuem para essa realização. O lance da jaqueta. O lance dela dizer a Luke que é bom falar do trauma sendo que ela não cruza essa linha. Ou quando ela ajuda Hope a se lembrar das ruas para recuperar o senso do pensamento. Mesmo que ela fuja dos Vingadores, e não tenha contato com Carol Danvers na série, essa personagem cruza o desconhecido e traz o melhor de si à tona. Aí que mora sua libertação.

 

Mesmo com todas as marcas e os assuntos que precisam ser endereçados mentalmente, ela rompe a reclusão. Ela rompe o distanciamento de si mesma. Ela assume seu próprio poder. Ela finalmente percebe que quem a controla é ela mesma. Ela seguiu sem querer nada de ninguém.

 

Ao menos, não em voz alta.

 

No fim, ela percebe algo importante: é possível retomar o controle depois de tanta porcaria que aconteceu na sua vida. Uma nova realização da sua trajetória que imagino que pedirá uma resposta na S3. De certo modo, não há mais como ela refutar em ser sua própria heroína. Em contrapartida, sabemos que certos hábitos não morrem. Hábitos esses de uma mulher que, mesmo no controle, ainda não retornou ao auxílio mental que contara rapidamente na S1.

 

A minha heroína

 

Jessica Jones

 

Eu tinha encerrado a maratona da série quando percebi que a bolha sobre meu abuso estourou. Para Jessica, esse tempo foi o da S2 basicamente inteira. Não existia mais negação e a ferida se apresentou sob uma nova luz. Em carne viva, porque ela só tinha sido abafada com band-aid. Abriu-se um caminho desconhecido e Jones ajudou na minha própria transição. Eu finalmente entendi como ela se sentia depois do abuso. Eu entendi a alienação que protege. Não o suficiente, porque os monstros sempre se mantêm ao redor. Tentando controlar quem somos.

 

Ao longo de 2018, eu senti que a falta de tratamento com relação ao meu abuso (e outras coisas mais) cobrava seu preço no âmbito mental. No âmbito de não conseguir me relacionar. Como Jessica na S‎1, eu nunca me preocupei com terapia, mas também nunca me prendi a essa de que a vida me curaria. Mas eu achei que era capaz de me ajudar. Melhor que qualquer outra pessoa.

 

De novo, a independência que se forma. Assim como Jones, eu pensei que as minhas medidas para controlar esse e outros traumas eram efetivos.

 

Não ter um nome para o que rolou comigo me ajudou demais nesse fade in e fade out que fortaleceu a negação e a alienação. Que se encerrou assim que entrei pela primeira vez na sala da psicóloga e disse que precisava tratar isso. E foi a primeira vez que chorei ao confidenciar.

 

Uma intenção primordial que, hoje, dou amém por ter endereçado a fim de finalmente retificá-lo. Ou, como não canso de ouvir da própria psicóloga, ressignificá-lo. Esse desdobramento puxou vários outros, o que me fez carregar uma bagagem pesada demais por muitos anos. Até que chegou o instante em que eu quis carregar menos peso. Buscar um bem-estar que parecia abalado desde que eu nasci.

 

Eu recebi muitos sinais de que o ano passado seria o ano ideal para finalmente contar com tratamento especializado (e eu sou a pessoa do nada é por acaso, não custa lembrar). Uma vez que vocalizei o problema em novembro de 20‎15, seu tom saiu um pouco do embaçamento e passou a me incomodar de forma mais presente anos depois. Falar foi o suficiente para saber que a marca ainda existia. Que não era fruto da minha imaginação.

 

The Bold Type foi a série responsável em me ligar ao pedido de ajuda (que demorou um bocado para acontecer), pois o season finale da S‎1 apertou todos os meus botões. Até outros que eu não sabia que existiam. E, graças à música acionada na cena que envolve Jacqueline Carlyle, que é minha personagem favorita, notei o quanto de silêncio eu me envolvi depois do que me aconteceu. E não me pareceu justo.

 

Depois, engatei Sweet/Vicious e Jules soou como minha raiva canalizada. Eu não passei pelas fases do abuso (semelhantes as do luto), porque o transtorno alimentar veio para me ocupar. A negação me custou muito e mudou a minha forma de ver o mundo. Como também a forma como me vejo.

 

Foi depois dessa série que tomei providências de ir atrás de terapia de novo – porque eu praticamente tinha desistido da busca – e Jessica entrou no plot twist rumo ao “fim” dessa história.

 

“Fim” porque eu ainda levo o que ocorreu e ainda há muitos sintomas.

 

O que me leva ao cerne deste texto. A experiência de Jessica de lidar com o depois casou com o início do meu depois. Ela me deu a mão em um início de transição que não acabou porque, às vezes, eu espirá-lo. No processo de compreender o depois, essa personagem se tornou o meu norte. Um norte que não dei bola na primeira vez por não ter o entendimento do que me ocorreu.

 

Minha psicóloga tinha razão sobre o fato de eu ver essa série como tratamento de sintomas e não como forma de autossabotagem. Jessica me serviu de análise sobre vários dos meus comportamentos, como a bebida dela ser a comida para mim. Meu relacionamento com a comida pode ser ótimo tão quanto nocivo, pois parto daí para me boicotar. Uma expressão que se atrela ao transtorno alimentar que também foi traduzido na terapia: foi meu meio de pedir ajuda.

 

E outros psicólogos também afirmam que após um abuso a mulher tende a desenvolver um TA.

 

Por ter conquistado um novo olhar sobre o que me aconteceu, não só relacionado ao abuso, Jessica se tornou compreensível e relacionável. Não que não fosse antes, mas eu ainda não enxergava a raiz da dor. Mesmo para baixo, dizimada, Jones ajuda os outros, porque acredita que não pode ajudar a si mesma. Ou que ajudando os outros alguma coisa melhorará dentro de si. E a personagem faz tudo isso com puríssima vulnerabilidade.

 

Depois de um abuso, há a ligeira impressão de que não há outro espaço a se ocupar. Daí, nos comprimimos para caber. Validação. Pertencimento. Falta de amor… Algo do qual me relaciono, pois corri muito atrás dessa tríade.

 

Depois de um abuso, é possível acreditar que não há muito mais espaço para si e dentro de si. Para Jessica, o espaço criado na sala se tornou seu único point. Para mim, o quarto, que me isolou da vivência lá fora, de qualquer chance de relacionamentos mais profundos, que alimentou meu lindíssimo sarcasmo e que sempre me deixou muito à parte do resto. Às vezes, eu tenho até aquela sensação de atraso que rebate muito na minha idade. Enfim…

 

Seja pelo abuso. Seja pelo transtorno alimentar. Algo em mim se fechou no que considero muito cedo. Como algo se fechou em Jessica. O isolamento transforma e não muito bem, pois defensivas se abrem. Com isso, é comum manter tudo no raso quando tudo que se quer é uma mão amiga para dividir o fardo. Para escapar do ácido que sempre ataca primeiro.

 

Assim como Jessica, acredito que preciso me reconhecer como uma sobrevivente que ainda tenta todo dia. Com roupas mundanas. Todo dia é dia de criar um novo normal para que novas emoções entrem e que sintomas sejam curados e não remanejados. Quem sabe uma hora a gente consegue!

 

Não é um processo fácil quando se passa muito tempo da sua vida mais para dentro que para fora. Ou por achar, como ela mesma diz, que há pessoas que sempre sofreram mais. Isso desvalia seus próprios sentimentos e seus traumas. É desonesto. Precisamos do mesmo cuidado, quem sabe muito mais, que damos aos outros que amamos.

 

Jessica ainda não chegou no pedido de ajuda, mas eu aprendi que pedir ajuda não é desistir. Não é ser mais fraca. É reivindicar-se tão quanto perceber que não dá para fazer tudo sozinha.

 

Reconhecer que não dá para sobreviver pela metade.

 

Jessica Jones

via Tumblr

 

Você está de pé sobre os destroços como um raio de sol. Heroína não é uma palavra ruim, Jessica. É só alguém que se importa e faz algo a respeito.

 

Essas foram as últimas palavras da mãe de Jessica. Por meio dela, a protagonista lidou com outras emoções, como a ausência familiar. Além da entrelinha que um dia foi Kilgrave na pele de outros homens que se usaram das mulheres, que inclui até Jeri, para benefício pessoal. Jones testemunhou a mesma coisa, com marcas demais para se relacionar.

 

O que traduz que o fardo que a personagem carrega só se aliviará com o tempo.

 

Odeio começar do começo. É o que Jessica diz no final da S2 e está aí algo que também me identifico. Mas eu tive que voltar. Bem lá atrás. Talvez, quando eu sonhava ser uma Power Ranger ou uma Sailor Moon. Como Jessica que terminou esse respectivo ano com o gosto de que pode ser heroína e amar no final do dia. Uma conjunção que resulta no possível reconhecimento de que podemos ser mais. Muito mais que as partes despedaçadas da nossa história.

 

A verossimilhança aqui é voltar ao ponto em que tudo se rompeu. Um caminho que pode não ser muito claro, porque foi suprimido pelo que passou a ser a única dita verdade. O que fizeram conosco e as consequências do depois. O que veio mais atrelado a esse evento. Limpando essa nuvem, espiar pelo ombro é tão assustador quanto a ideia de se criar um novo normal.

 

Um novo normal para continuar sobrevivendo.

 

Para construir o que você sabe que merece.

 

Jessica Jones importa. A série como um todo mostra como essas narrativas são relevantes, independentemente de partir de uma fantasia que envolve uma mulher com superpoderes. A premissa das duas temporadas soube navegar pelo abuso sem precisar romantizar. Explorando várias nuances disso até por meio de outras personagens.

 

A série cai no exemplo do papel do entretenimento como influenciador positivo. A história leva o abuso a sério e só tenho a agradecer às mulheres envolvidas. Sem dificuldade, Jessica se tornou uma fonte inspiradora de bravura. De vulnerabilidade. De encontrar sua própria força quando o desejo do momento é desaparecer.

 

Mesmo com minha constante falta de interesse sobre super-heróis, Jessica traz à sua maneira o heroísmo de modo cru. A partir do que viveu de traumatizante. Tudo ao seu redor é resposta para o que suportou e suas ações transmitem que ainda há sempre uma brecha para sair da escuridão.

 

E, logicamente, ela se tornou minha heroína de nº 1. Não apenas pela ausência de uniforme, mas porque ela me deu tudo de mais humano. Ela me mostrou que eu teria que quebrar a fim de lidar com a próxima temporada da minha vida. E, honestamente, eu ainda não sei.

 

O que sei é que ganhei uma heroína para chamar de minha e me entristeceu a notícia de cancelamento (mesmo que esperada). Sendo que essas narrativas são urgentes. Elas importam por combater, especialmente, o abuso como artifício exclusivamente de trama.

 

Jessica é uma sobrevivente que saudou a sobrevivente que há em mim. Mesmo que esse tom de sobrevivência seja extremamente distante e diferente.

 

 

Nota da Stefs: eu sei que dizer que não é sua culpa pode não gerar um resultado imediato. Mas, acredite, não é. Se você passou por algum tipo de abuso, denuncie. Tão quanto tente colocar esse veneno para fora do seu ser. Sua dor é importante e há sim vida depois disso. Demora-se para enxergar esse ponto, mas uma hora essa visão vem. E será a hora de você endereçar e retificar um capítulo da sua história para assim verdadeiramente se curar. ❤

 

Imagens: Netflix/Reprodução.

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Stefs Lima
Escritora dividida entre o tempo e o espaço. Colecionadora de achados e perdidos. Ex-líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I AM THAT GIRL. Não poupa no textão e nem nas doses diárias de café. Além disso, acredita piamente que você pode ser sua própria heroína.
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