30mar
Arquivado em: Séries

Antes de decidir passar por esta empreitada de rever Skins, eu me deparei com um artigo do BuzzFeed que afirmou os motivos da 1ª geração ser a melhor de todas. Ao longo do texto, há gifs e informações sobre os acontecimentos mais legais sobre a turma de Tony. O mesmo para a turma de Effy. Só não se pode dizer o mesmo para a turma de Franky. O artigo não mentiu sobre a 3ª geração ser menos memorável, a começar pela falta de lembranças quanto aos nomes dos personagens. Eu concordei avidamente e digo mais: eu nem me lembrava de várias histórias.

 

As únicas personagens que eu me lembrava era Franky, que abre esta geração, e Mini, porque eu gosto da Freya – o que automaticamente me leva a relembrar de Alo por motivos de storyline integrada. Nada além deles e é um tanto afrontoso porque nem do Rich eu recordava (e ele é precioso).

 

Quando comecei a maratonar as S5-S6, que marca o fim de Skins como a conhecemos, eu compreendi o motivo dos personagens não serem tão memoráveis. Muitos conquistaram storylines recicladas das gerações anteriores. Como a própria Franky que acabou como uma nova tentativa de Effy Stonem ao ser lançada – do nada – a um triângulo amoroso. Mini era uma Cassie um tanto mais metida e trouxe o que aconteceu com Jal – a diferença é que a bebê nasceu. Rich era um Sid, mas metaleiro e com mais personalidade. Alo um Chris, mas sem um pingo de graça. O mesmo para a ideia de morte que teve a dessemelhança de rolar no início da S6, mas já não surtia mais efeito.

 

Se na S4 já era sentida a perda de mão dos roteiristas, aqui a prova é escancarada. Com certeza era esperado muito mais (na S6 mais precisamente) de uma geração que tomou a responsabilidade de encerrar uma Era. Porém, tudo se perdeu rumo ao fim. Dessa forma, é inegável que esta turma não superou as anteriores e não foi necessariamente por culpa de contexto. Foi por culpa do intento de replicar bastante do que já tinha passado.

 

A partir daqui o post tem spoilers.

 

I. look’s like no choice to me

 

Skins 3ª Geração - Franky

 

A 3ª geração abre dentro do ritual de um personagem deitado na cama prestes a começar o primeiro dia de aula (salvo Effy que encerrou a S2 dessa maneira). A diferença aqui é que ninguém sabia quem era Franky Fitzgerald. Seu rosto nunca foi visto e seu nome nunca comentado nas rodinhas das outras gerações. Mas é essa jovem que sonda o suposto tema central do que se transformaria no início da última rodada de Skins no canal E4.

 

Franky é introduzida como Tony. Acidenta-se como Freddie. Toma uma chamada de atenção de Mini. Sequência que me fez indagar, já no começo do 5×01, onde esteve a criatividade para dar um pontapé nesta geração. E isso não foi nem a cereja do problema, pois a S6 meio que piorou tudo.

 

Uma piora que vem do fato de que esta geração de Skins não abraçou nenhum tema específico. Essa foi a parte mais triste deste grupo visto que a proposta de enredo nem chegou a perdurar: identidade. O 5×01 vem decidido no que quer transmitir ao navegar nessa questão pelos olhos de uma Franky que é totalmente diferente das garotas que passaram pela série. Não apenas em visual, mas por praticamente carregar a bandeira queer nas costas.

 

Ponto interessante, mas nem um pouco desenvolvido. Na S6, ela surge “ultra hétero” e isso quebrou uma personagem que foi considerada não-binária e, devido a uma linha de diálogo sobre gostar de pessoas, pansexual. Uma caracterização inédita para Skins, mas os roteiristas decidiriam que era melhor ter um triângulo amoroso.

 

Antes da história efetivamente começar, o styling se sai como ponto de foco desta geração. Ao contrário dos personagens das outras, que se vestiam muito parecidos, além de parecer que não tomavam banho. Cada figurino da G3 foi pensado para conversar com a questão de identidade. Além disso, para remeter à realidade de cada personagem. Alo era o garoto da fazenda. Rich o garoto do metal. A equiparidade de guarda-roupa fica mais por conta dos irmãos Nick e Matty que são um a cópia do outro – como se pensassem em resgatar a lembrança de Katie e Emily.

 

Esse senso de moda foi muito mais forte em comparação ao que aconteceu com os grupos passados e Franky foi um pontapé importante. É ela quem dá a entender que esta turma será diferente das outras, pois, costurando cada peça de roupa dos personagens desta geração, o tema de identidade vibra. E vibrar é uma boa colocação para este grupo. Suas temporadas são mais claras. É possível até sentir o cheiro de sabão em pó e amaciante. Todos são muito mais comerciais na aparência. Mini principalmente já que ela caiu no estereótipo da loira padrão.

 

Skins 3ª Geração - Alo e Rich

 

Por meio de Franky, conhecemos Rich e Alo. Juntos, eles passam a formar um trio. O trio dos deslocados. Um trio sem coesão visual em conjunto, porém, estilosos em sua individualidade. O contraste das roupas demarca território, ou seja, de qual tribo cada personagem pertence. Automaticamente, que ponto da cantina ocupam. Algo que Mini sabe, a jovem que entra como Queen Bee e 100% patricinha (e 100% nada a ver com Skins).

 

Ver Mini tão Serena van der Woodsen com uma pitada de Blair Waldorf me fez torcer o nariz. Afinal, não é uma assinatura Skins. Fato que a torna o primeiro ponto de questionamento sobre as inspirações que criaram a 3ª geração. E logo vem outros questionamentos sobre o que diabos aconteceu com a série. Uma inquietude que eu não tive na primeira vez que assisti essas duas temporadas, embora eu lembre do meu tédio.

 

Voltando, Franky, Alo e Rich entregam um novo grupo que não se conhece entre si. Algo que aconteceu com Effy e Cia., onde alguns picados sabiam quem era quem, como a própria Mini que traz Liv e Grace, suas melhores amigas, para o cerne. Um trio que também mostra suas diferenças em estilo. Com mais destaque para Grace que representa a adolescente que não se corrompera. A princesinha desta geração que, infelizmente, entrou para o time de mortes a base de valor do choque.

 

Todo tipo de decepção começa cedo com esta geração, como o instante que Mini e Franky se estranham. O início da jornada delas é uma readaptação de Meninas Malvadas, com direito a Mini praticar um esporte, Mini ter aversão a Rich e Alo (que são Janis e Ian versão heterossexual), e Franky chega a ser abordada na cantina por Mini e sua trupe – e elas vão ao shopping. Eu não me lembrava disso e, de novo, me perguntei onde os roteiristas estavam com a cabeça.

 

Medo do cancelamento que veio um ano depois? Talvez.

 

Ao contrário das outras gerações que focaram em amizades masculinas logo na abertura, Franky, Grace, Liv e Mini formam um quarteto. Um quarteto excêntrico e que quer dar a entender que funcionará perfeitamente. Uma ilusão completa, pois se nem os Três Mosqueteiros resistiram, né?

 

Skins 3ª Geração - Mini, Liv e Franky

 

Franky se vê fascinada por essas garotas e isso rebate na questão de feminilidade. Caminho que perdura um pouco no foreshadowing da S5, pois faz crer que ela poderia ser lésbica. O que é problemático, pois cai no estereótipo de que lésbica tem que ter aparência masculina. Essa mesma fascinação também cabe à Mini, Grace e Liv, que ficam curiosas pela androginia de Franky e querem saber qual é a dela. Impressões que não são discutidas. Meramente porque as integrantes desse grupo soam o tempo inteiro como inimigas. Salvo Grace que só quer saber do seu balé, de manter as boas notas e o estado de paz entre as amigas.

 

A dinâmica das garotas, que nem nasce direito, se estraga quando os garotos entram em cena. Eles se tornam mais relevantes e desmontam a panelinha feminina com extrema facilidade. Consequentemente, se esquece totalmente da proposta inicial de identidade, pois ela é trocada por vínculos amorosos. Liv, que soa como uma nova Jal, é extremamente errática por causa do consumo deliberado de drogas e de bebida. Essa parte dela não é atendida, como aconteceu com Effy, e a fuga, que a torna uma “dor de cabeça”, está em se envolver com Nick às escondidas. O cara que entra na série namorando Mini. Para piorar, ela se envolve com Matty, o irmão de Nick, que alimenta emoções por Franky. A Mini que lutasse para aguentar tanta sacanagem.

 

Essa é a primeira de muitas tentativas de inserir um novo triângulo amoroso nesta geração, como um dia foi Cook, Effy e Freddie. Com isso, se gerou ruído no suposto tema central que nem chegou a lutar também.

 

O início desta geração deixa as emoções mistas, pois não há um objetivo na premissa. O 5×01 ainda passa, mas o 5×02 traz perdas visto que o tema central fica largado no churrasco. Embora fosse a temporada de introdução, não há tanta carga dramática em comparação às gerações anteriores. Nem subtemas que servem para dar os famosos conflitos individuais e assim preencher mais a história para que todos transitem. Até chegar no 5×05, tudo é preguiçoso, sem amarração, e o mais marcante nesse quesito é o episódio de Liv (5×04). Ela passa um dia bem louco na companhia de Matty – que se torna o ponto de conflito das duas temporadas – e isso traz nada de pertinente.

 

Skins vinha de duas gerações que conseguiram amarrar os subtemas dos seus personagens ao tema central. Aqui isso não acontece e parece que todo mundo está à deriva. Não rola aquela conexão emocional imediata, especialmente porque esses adolescentes parecem muito bem. Suas problemáticas são comuns. Muito banais perto do que os grupos liderados pelos Stonem viveram.

 

E isso também nunca foi Skins que fez fama pelo seu caos exagerado e personagens destrutivos.

 

Skins 3ª Geração - Matty e Nick

 

A desorganização desta geração se reflete no 5×05. É quando o tom muda, pois relembram que havia um tema. A identidade volta como pauta e traz a chance de conhecermos melhor alguns adolescentes por meio da reivindicação de individualidade diante de pais que são extremamente regrados. É quando a S5 dá uma melhorada e fica envolvente. Principalmente por engajar um tipo de comportamento que não foi visto nas outras turmas.

 

Ponto que mora minha profunda tristeza. É nessa troca adolescente vs. adulto que se vê que Franky e Cia. tinham potencial para se equiparar ou para ser um tanto superiores ao time de Tony. Histórias existiam, mas não souberam trabalhá-las. Como a da própria Liv. E Rich que entrou e ficou sem drama familiar.

 

Enquanto alguns desta geração estão confortáveis com a maneira que são vistos e transitam no cotidiano de boaça, outros começam a combater a causa de tanta distorção externa. É quando esse grupo decide relembrar que os pais de Skins são as principais fontes de impasses emocionais e mentais dos filhos. Um viés que posso dizer com tranquilidade que foi um dos diferenciais da G3.

 

Na 1ª geração, os filhos se tornaram babás dos pais (Sid?). A 2ª repetiu algumas nuances da 1ª, mas trouxe um pouco mais de confronto, como Katie e Freddie. A 3ª se propôs a prolongar essa briga e a surpresa veio ao se notar que os adultos são menos disfuncionais. Os pais são mais críveis por se preocuparem com o bem-estar dos filhos. Franky é um exemplo, pois ela foi transferida de colégio por bullying e seus dois pais (gays e perfeitos) fazem de tudo para protegê-la.

 

Foi aí que também se viu o que fez da 3ª geração vencedora e perdedora. Seus personagens não eram tão problemáticos quanto os anteriores. Isso se pensarmos somente nos plots individuais, pois em diálogos e em comportamentos as problematizações seguiram normalmente aqui em meu escritório.

 

No contexto que Skins foi lançada, em que hedonismo e pais sem noção foram o motto, Franky e Cia. são quase perfeitos. O grupo é mais realista, por assim dizer, e isso se refletiu nos adultos que são mais conscientes à existência dos filhos. Aqui, não teve a questão de abandono. A não ser para Franky, embora tenha rolado uma motivação que quase perderam a chance de trabalhar: a adoção. Há uma harmonia esquisita nessas relações e isso não é ruim. Só é esquisito visto que, por 4 anos, esta série entregou adultos lixosos que ferravam a saúde mental dos teens.

 

Os adultos desta geração são convidados a parar de impor suas vontades aos filhos e fazê-los se projetar às suas figuras. Enquanto Effy viu tudo ruir, Alo simplesmente perdeu as estribeiras por não querer viver do jeito imposto pela mãe. Viés que também se aplica aos próprios pais que querem mantê-lo em casa. Aos moldes da família porque é “melhor”.

 

Dessa forma, o real desafio de alguns personagens da G3 foi se desvencilhar do controle dos pais. O problema não foi o hedonismo que, inclusive, me pareceu mais estratégico. Nem a constante perturbação sobre ter um lugar no mundo externo, pois cada um aparece e soa extremamente consciente do que faz e do que se pode fazer para melhorar. E para essa melhora ser anunciada, alguns adolescentes cortaram o cordão umbilical. Um tanto mais cedo que o comum já que a briga de reivindicação transcorre no primeiro ano desta geração. Resultado que eu considero um erro tremendo, pois se tratou da carga dramática que Skins deixou de entregar ao longo da S6 que se escorou em morte de personagem.

 

Foi ótimo ver Nick enfrentar um pai coaching que o influencia a ser positivo o tempo todo e sem condições de viver nessa falcatrua. Alo também tem seu dilema, pois a mãe o quer trabalhando na fazenda e não passeando pela cidade. Grace vive em seu próprio conto de fadas e é controlada a base disso pelo pai (como ter que tirar boas notas e ser ameaçada de ir para um colégio interno por namorar Rich). Um pai que, inclusive, é o único elo que rememora a 2ª geração.

 

Os episódios desses três personagens durante a S5 entregam o que esta geração acaba por perder na S6. Eles brigam e se impõem contra os pais que nada mais é o mundo. Os pais são o mundo deles, porém, o pedido é que uma divisão seja realizada. Basicamente, um pedido de espaço pessoal. Detalhe que não rolou nas outras gerações, pois os adultos só ligavam para eles mesmos ao mesmo tempo que ocupavam todos os espaços e atenções.

 

Nesta geração, há pais que nem aparecem. Diferente do que rola com Chris, por exemplo, não há rastro de abandono. A G3 não traz nenhum sentimento pesaroso como as anteriores no âmbito família. Em contrapartida, há esse embate não visto antes, pois os adolescentes não querem as expectativas dos adultos e nem ser a sombra deles. Nem seguir as regras deles. Eles querem manter sua identidade e viver os prazeres da idade.

 

Um posicionamento que fez bem para a S5. Deu para acreditar que esta geração tinha uma mensagem e um caminho. Principalmente por ter esse diferencial de pais um tanto mais estruturados. Além de bem-sucedidos e que agem como âncoras dos filhos – ou aprendem a ser âncoras no processo, como acontece com a mãe de Mini na S6. Franky traz dois pais adoráveis que a apoiam a todo o momento e não teve como não achar isso muito estranho. Afinal, pais disfuncionais eram tema de Skins e eu sempre quis jogá-los na lixeira mais próxima.

 

O que me faz destacar outro momento raro experienciado em Skins: Franky teve o talento de me deixar ao lado dos pais, porque não teve mesmo como defendê-la na S6.

 

Skins 3ª Geração - Alo

 

Skins sempre deixou claro que os pais não valem nada. Que eles são as verdadeiras crianças. Sentimento que muda nesta geração, mas isso não significa melhorias em caracterização. Salvo os pais de Franky que formam o primeiro casal adulto gay assumido da série, as mães seguiram ausentes (como a de Liv) ou como objetos sexuais (como a de Mini que é a soma da mãe de Michelle, de Cassie e de Cook) ou controladoras (a mãe do Alo que também controla o marido 100% bunda mole). Os roteiristas continuaram a fazer menos das mulheres até o fim. Em contrapartida, a fusão S5-S6 trouxe uma queda significava no sexo escrachado e na objetificação feminina.

 

Há uma queda também sobre as questões de saúde mental. Um ponto não muito palpável dessa vez, salvo por Nick que parece ter ganhado o mesmo karma de Cook por perder a cabeça e não lembrar depois. De maneira geral, eis uma turma que é mais “saudável”. Mais equilibrada.

 

Foi desconcertante ver esses personagens não entrando em Skins do avesso. Ou ficar do avesso ao longo da S6. Afinal, o avesso foi a marca registrada da série. Mas isso não se engata em seus últimos anos de vida. Nem mesmo quando ocorre a morte de Grace, pois a mesma se torna produto da mente daqueles em que foi mais chegada. A terapia John Foster de fingir que nada aconteceu ao mantê-la “viva” para agir como bússola dos mais perdidos. Como Liv.

 

Esta geração já entrega todos os seus lados. Muitos não evoluem, como Alo e Rich que saem de cena exatamente como entraram (salvo o cabelo de Rich). Acredito que até Grace não mudaria tanto se tivesse sobrevivido. De todo modo, o confronto com os pais não garante menos comportamentos erráticos no futuro deste grupo. Contudo, o hedonismo não é o caminho mais interessante visto que a adolescência em sua banalidade se tornou prioridade nesta geração. Movida por algumas festinhas aqui, encrencas acolá, um pouco de drogas. Nada no mesmo nível das outras que, apesar dos pesares, mantiveram a essência de Skins em querer subverter o contexto de séries teens.

 

Há muito hormônio masculino em vez de hedonismo, como é o caso de Alo e não é divertido. É um ponto de exagero que Skins sempre curtiu investir, mas não convenceu dessa vez. Saturou. Sid fez todo esse trabalho com maestria e ele não era tão xenofóbico/objetificador/fetichizador quanto o farm boy. E pensar que eu curti Alo na primeira vez que assisti aos episódios da 3ª geração… Hoje, eu peço desculpas!

 

Skins 3ª Geração - Mini e Liv

 

Mesmo com esses pontos positivos, é efetivamente na 3ª geração que Skins se esquece como tudo começou. Detalhe já sentido em fins da 2ª geração e que se escancara com esta turma. Os roteiristas simplesmente não sabiam o que contar. Da identidade tudo se tornou familiar para depois ser sobre o quadrado romântico e a morte de Grace. A S6 foi sobre Franky e seus maridos, o que desconfigurou até sua caracterização.

 

Apesar de ofertarem um tema, o tema não rege. Não há nada que segure os personagens até o final. E isso inclui o interesse que conta com a sorte de você sentir afinidade por alguém (meu caso foi a Mini). A graça de Skins sempre foi a vivência em grupo, mas a amizade não é tão memorável nesta geração. Talvez, só Mini e Franky, mas do pior jeito possível. Principalmente porque me fez lembrar de Katie que tratava Emily como sua propriedade particular – sendo que era a questão de abandono visto que Franky foi abandonada mesmo sendo acolhida anos depois.

 

Um viés que pulsa perto do series finale e é apressado. Além de perder o brilho, porque Nick e Matty são incluídos em uma jornada que era só para ser de Franky.

 

A única amizade que convence é entre Rich e Alo. Liv, Mini e Grace se tornam estranhas graças aos garotos. Embora esta geração traga a essência de companheirismo, dentro da fórmula que popularizou Skins, é meio difícil acreditar que se fomentou laços duradouros. Um sentimento muito mais forte em comparação ao que comentei no texto sobre a 2ª geração. Eu não capturei a eficácia de um transitar pela vida do outro, mesmo que Franky e Mini tenham cumprido esse papel. Se Effy e as meninas não conversavam direito, aqui isso deixa de ser uma impressão.

 

Se tivessem desenvolvido o tema identidade, capaz que o resultado fosse outro. Afinal, se abriria a chance de um conhecer o mundinho de cada um, como aconteceu entre Rich e Grace. O que me faz fortalecer o argumento de que essa proposta nasceu somente para atender Rich. Ainda há uma tentativa com relação à Franky, especialmente porque ela tem um conflito de expulsão, mas o background morre no mar. Como muita coisa desta geração.

 

Eu senti que os roteiristas dedilharam nesse viés de mundo particular e foi bacana enquanto durou. As rotinas dentro de casa se tornaram base para as apresentações dos personagens desta geração. Não há muito tempo de rua como nas turmas passadas. Outro ponto de diferença, pois nenhum lar vira festa. Salvo o de Grace depois da sua partida, mas porque fica abandonada. Soma que dá mais verdade ao fato de que hedonismo não foi a praia deste grupo que pareceu ser vizinho de Marissa Cooper. O que confirma a diminuição dos exageros. Por conta disso, é bem comum ainda ouvir que Franky e Cia. são um poço de clichês e que são sem graça.

 

Mas o que aconteceu é muito simples: esta geração desviou do que Skins costumava entregar. Isso injuriou o fandom, especialmente os romantizadores da 2ª geração. A 3ª possuía um tema central e subtemas que bateriam tranquilamente de frente com Tony e Cia. se tivessem contado com o mesmo tipo de cuidado e de atenção. Apesar das mudanças de prioridade dos roteiros, esta turma conseguiu se comunicar mesmo que minimamente em outras áreas. Sem se escorar no hedonismo e isso conta bastante visto que é dessa série que falamos.

 

O mundo particular definitivamente refletia a identidade e os roteiristas acharam melhor resgatar o trabalho feito para a 2ª geração (que cumpriu sua tarefa por ser justamente seu tema central). Falharam drasticamente e ignoraram a beleza que os bonecos sem gênero de Franky trouxeram logo no início da S5. A beleza de Mini em sua dubiedade para esconder suas inseguranças. Os conflitos de Liv que vivenciava o vício por substâncias solitariamente e ninguém ofereceu ajuda. Há um combo de teens que não se comunicou além da sua bolha. Fosse porque os conflitos eram fracos demais. Fosse por falta de afinidade com outros personagens.

 

Isso pode ser reflexo da verdade de que esta foi a geração que sofreu de menos com background. Não havia liga, pois este grupo sentiu a posição de sombra das gerações anteriores. Assim como a G2, a G3 tinha a responsabilidade de ser inovadora e atraente, mas perdeu sua personalidade. Tudo porque acharam bom reviver Effy Stonem.

 

II. and rebuild, and destroy

 

Skins 3ª Geração - Grace

 

A S6 seria a chance de fechar Skins com chave de ouro e botar mais brilho nas amizades. O 6×01 traz esse convencimento a partir de um ponto de surrealidade que foi ver a turma em Marrocos.

 

Com que dinheiro, né? Pareceu até a viagem para a Rússia.

 

Só foi o acidente de Grace acontecer para as amizades, muito rasas desde a S5, afundarem de vez. Um remanejamento foi necessário, pois, em oposição ao que rolara com Freddie e Chris, Skins entregou uma morte (aleatória) no começo do que se transformaria a última temporada da série. A ideia era fazer este grupo passar pelo luto ao vivo, mas ninguém efetivamente passou por ele. Não de maneira transformativa como aconteceu com a 1ª geração que fez um belíssimo trabalho em um season finale. Já na 3ª, ninguém fala sobre e quem fala toma um grito. Ninguém lamenta em conjunto e esse é o único ponto que faz sentido. Afinal, Grace poderia conversar com todos os personagens, mas não significava que rolava uma amizade.

 

Até porque ela passava muito tempo com Rich. Por isso reforço que esta geração me pareceu mais conhecidos no colégio. Salvo quem tinha as relações já definidas.

 

Franky é quem sente a perda de Grace e não de um modo positivo. Ela carrega a culpa do acidente e ninguém a confronta. Fortalecendo o quanto esta geração não se comunica entre si (podia ter uma Cassie que apertava a ferida sem dó!). Não quebra o pau como as outras. A solução foi fazer de Grace uma presença recorrente. Fruto da imaginação. Porém, o problema foi as ligações. Liv e Mini sentiam falta da “amiga”. O mesmo Rich. Mas somente Franky passou a ter comportamentos erráticos que perderam a relevância por ela ter se associado a três garotos. A personagem fechou Skins com 3 caras nos calcanhares. Grace o que temos a ver?

 

E aí eu digo o mesmo que aconteceu com Freddie: Grace teve que morrer para mudar a protagonista.

 

Digo com tranquilidade que Mini levou a S6 nas costas. Foi uma grata surpresa visto que eu não me recordava desta geração. Ela entrou na série como Regina George. Nem um pouco multifacetada. As facetas vieram com o amor, o papel do pai e a gravidez. Vieses que acarretaram um desenvolvimento com certa linearidade. Com certo senso em comparação à Franky que muda simplesmente do nada – e quiseram justificar por meio do namoro com Matty.

 

Ao contrário das outras personagens, Mini foi desafiada a deixar de ser uma falsa malvada para ser autêntica com seus sentimentos. Para ser autêntica com ela mesma. Embora Franky estivesse insuportavelmente ao seu redor, usando-a como sua própria fuga da realidade, sufocando-a, a Queen Bee toma as decisões mais difíceis desta geração. E por conta própria. De quebra, é essa adolescente que entrega o peso do luto por Grace de forma mais particular e isso me lembrou de Jal instantes depois do funeral do Chris.

 

Mini traz o drama que faltou nesta geração de Skins. Seu episódio na S5 é passável, mas não se pode dizer o mesmo sobre o 6×05. É quando se recebe o mimo do conflito em uma relação disfuncional entre mãe e filha – que orna no papel dos roteiristas em fazer da mãe a maior vilã e desesperada por atenção masculina. Desde o começo fica evidente que a figura materna não inspira uma visão positiva na autoimagem de Mini – e ambas são abaladas pelo culto à aparência por causa do male gaze. O mais interessante é que a jovem não se apega a esse detalhe quando se vê grávida. O que ela teme é não ter recíproca de sentimento e isso fica claro quando seu pai entra em cena.

 

É na storyline de Mini que se vê que Skins ainda conseguia ser Skins das antigas. Isso desde o 5×03 que marca o início da trajetória de uma personagem que tem um foco maior na S6. Por meio dela, se vê o avesso da relação mãe e filha que se altera sem precisar de um grande impacto. Como aconteceu com Anthea e Effy que passaram por uma profunda depressão para alcançar a trégua – um movimento projetado exclusivamente para matar Freddie.

 

A magia vem quando mãe e filha amadurecem juntas. O que inclui um padrasto que realmente se preocupa com o bem-estar de Mini, especialmente depois que a gravidez vem à tona. O conflito com Alo consegue ser tragável, pois ele nunca foi responsável e nem honesto. Contudo, é no cerne família que essa storyline vence.

 

Mini se tornou a personagem mais interessante desta geração e sem nenhuma dificuldade. Afinal, os demais mantiveram um ciclo de repetições que os tornaram facilmente esquecíveis e mais insuportáveis. Liv, Matty, Nick… Quem são essas pessoas no final da S6? Fica aí o questionamento, pois nem eu sei.

 

Na S6, o exagero comum da série retorna e ultrapassa todos os limites possíveis. Nem por causa do hedonismo, mas sim pelas storylines sem coesão. Como a mencionada morte de Grace que veio como outro valor do choque para movimentar os personagens. Personagens que ficaram como o gif do John Travolta ao longo desta temporada. Sem saber o que fazer. O que contar. Nick o maior exemplo, pois, subitamente, se vê apaixonado por Franky. O auge que mostrou que Skins não se sustentava criativamente como antes e os sinais vieram no fim da S4.

 

De uma proposta de identidade, logo esta geração se torna um grupo sem destino. Eles circulam como se fossem a deixa de Chris e de Cook. Um disse foda-se ao futuro. Outro disse que a jornada é importante. Mas o foda-se e a jornada de Franky e Cia. se perderam em meio à tentativa de replicar histórias passadas. Daí, volto ao outro maior problema de Skins: os estereótipos. Como não havia “tanto incômodo” na época de transmissão em se usar da mesma ideia de garota loira e popular com transtorno alimentar, de garota perfeita que quer deixar de ser perfeita aos olhos dos pais e do namorado, de usar transtorno mental como traço de caráter, os escritores não alteraram as fórmulas. Dava certo.

 

Até não dar mais. Transformando-se no ponto essencial que Skins não conseguiu mais inovar. Não dá para ir além se você se amarra aos mesmos tipos de personagens. Ou melhor, às memórias de antigos personagens. Para piorar, entre a 1ª e a 2ª geração houve o fator Stonem. A 3ª entrou em sua S5 sem qualquer ligação com o passado e tudo que movia esse universo. Franky e Cia. se esqueceram do fator nostalgia, pois os roteiristas tentaram entregar uma série nova. Só que pecaram ao reciclar o que já tinha existido logo em uma fase que deveria ser sobre despedida.

 

Isso de um ponto de vista geral. O que cai no que foi vivenciado à época: a vontade de rever antigos rostos para celebrar o término de Skins. Nem que fosse a base de menção honrosa e isso nem teve.

 

As gerações anteriores tiveram um bom desenvolvimento dentro de um tema. Com mais singela perfeição na 1ª geração, pois a 2ª perdeu demais com o súbito episódio depressivo de Effy que só foi plantado para culminar no desdobramento de Freddie. Algo que a 3ª nem teve chance, porque nem tema tinha. Apesar de alguns personagens possuírem dramas familiares que poderiam dar certo, como Liv, a busca por algo sem nome se tornou mais relevante. Ninguém sabia o que queria no final das contas. Tony e Cia. queriam passar de ano. Effy e Cia. queriam reatar com seus pares.

 

E a 3ª geração? Bem, eu nem ouso dizer que cada um aguardava a bebê de Mini nascer.

 

Skins 3ª Geração - Franky e Mini

 

O algo sem nome pode ser identificado como a busca pelo shipper. Mini, Nick, Liv, Matty e Franky fizeram a dança da cadeira na tentativa de se acertar um casal memorável e não conseguiram tanto assim – pois todo o hype caiu em Mini e Franky. De uma ponta de identidade, a trama se transformou em uma personagem ficando com o namorado da outra ou com o garoto que a outra gosta. Além de se criar triângulos de amizade entre quem se mantinha ao lado de Liv ou de Mini – que passam a se odiar. Indecisão que entregou uma geração nada efetiva em sua mensagem. Não havia o que necessariamente contar sem um tema central e nem a perda de Grace cobriu esse “vazio”.

 

Eu comentei nos outros textos que Skins é sobre angústia masculina. A morte de Grace seguiu como reflexo disso. A diferença é que simplesmente ignoraram Rich ao longo da S6 já que o foco era afetar Franky. De maneira que os boys continuassem a brigar – além de tentar salvá-la dela mesma. Effy too much? Quem aguenta?

 

O que me faz retornar para Grace. A personagem não teve um desenvolvimento como aconteceu com Chris e com Freddie antes da morte. Honestamente, eu não senti o impacto da perda dela. O amor dela por Rich veio acima da sua identidade ao ponto de afetar até a história dele também. Não há um marco nesse casal a não ser representar o único shipper que valeu a pena na 3ª geração. Além de serem os únicos saudáveis de toda a trajetória de Skins.

 

Vejam bem: o shipper do hype existia nesta geração, mas escolheram o efeito Freffy. E se esforçaram demais para encontrar o que já existira em Skins. No caso, garotos brigando pela garota.

 

Como se é aprendido com Skins, quem abre a geração é o peão da trama, mas não neste caso. Franky simplesmente some de uma hora para a outra na S6. Ela se deixa engolir pelos dramas de Mini e deixa de ser a base do quadrado da amizade lançada no 5×01. O mesmo se aplica à Liv que, já na S5, perdeu em trama ao se envolver com Nick e Matty. Sendo que ela possuía um vício e acabou sozinha. Uma personagem que não era ruim. Sua personalidade forte e seu estilo faziam muita diferença dentro de um grupo que, independentemente de temas, era interessante.

 

A fatalidade da S6 foi tornar Franky um problema para o grupo como um dia foi Effy. E toda sua identidade é modificada para trazer algum tipo de coesão ao estilo das outras meninas e explicar como ela supostamente se transformara ao namorar Matty – e o quanto ela se sentia sufocada. De uma temporada a outra, ela se torna a réplica Stonem que não deu certo. Ainda mais quando os dois personagens que ficou interligada também não tinham mais sentido de existir. Nick, principalmente, que nunca sequer olhou para Franky de um modo diferente e se apaixona do nada.

 

E nem me atrevo a dizer que foi por causa da adolescência ser emocionalmente volúvel. Afinal, Nick namorava e gostava de Mini. E depois gostou de Liv. Depois veio essa de amar Franky sendo que ela namorava seu irmão. A tentativa funesta dos roteiristas em acertar o efeito Cook, Effy e Freddie. Ação que sacrificou todos os personagens envolvidos. Até Rich termina esquecido no churrasco.

 

Skins 3ª Geração - grupo

 

É bem real que eu poderia gostar muito mais desta geração justamente por eles serem extremamente diferentes. De tribos diferentes. Cada um tinha a chance de ser muito rico em storyline, especialmente por terem elementos não vistos nas gerações anteriores. Mas o peso da queda de audiência de Skins à época deve ter sido muitíssimo sentido ou não teriam mudado Franky. Tão quanto a preferência pelas gerações anteriores que, querendo ou não, casam entre si.

 

Não tem como você sair da 2ª geração sem imaginar que Cook e Chris seriam ótimos brothers. Aqui, eu não consigo nem pensar em quem das outras gerações aguentaria tanta “caretice”. Quem suportaria um Nick (eu vejo Tony e Cook botando esse garoto para correr do parquinho). O mesmo no sentido oposto, pois não vejo Mini lidando com a montanha-russa emocional de Effy. Nem muito menos a magia de Pandora. No máximo, Mini seria BFF de Michelle – e competiria com ela.

 

Esta geração não teve emoções exacerbadas. Nem teve suas próprias emoções exploradas. Não há o que dói no âmago e espirala, algo que aconteceu com as gerações anteriores. Detalhes cruciais que tornaram Skins muito próxima de quem a assistiu lá no comecinho dos anos 2000. Faltou as crises existenciais em busca do seu lugar no mundo. Faltou a máxima da angústia. Franky e Cia. não questionaram sobre ser e não angustiaram de maneira geral. Mesmo com as pinceladas de drama, tudo foi temporário. De um jeito que você não se lembra anos depois. E não foi culpa deles. Os roteiristas não mantiveram o tema central e o grupo perdeu sem esse norte.

 

Naquela época, eu não esperava um cancelamento de Skins, mas agora eu entendo. A 3ª geração não passou de um tiro fora da curva, com um elenco de personagens improváveis que não contou com norte de escrita. E esta turma poderia ter sido simplesmente tudo justamente por ser um bando de improváveis. Tudo pareceu extremamente raso e nada tátil. Sem contar que muito limpo para uma série que queria ser tudo menos parecida com Gossip Girl.

 

Os únicos personagens que eu realmente senti autenticidade do começo ao fim foram Rich e, depois, Mini. Ele serviu de compasso moral desta geração, como foi Jal e JJ. Além disso, o personagem se posiciona de um jeito que me fez lembrar do início dos anos 2000. Época em que o rock atropelou o pop. Inclusive, em que “não podia” ser pop e rock ao mesmo tempo. Ser metaleiro era sua identidade. E ele emanava isso por todos seus poros e Grace se encantou.

 

No caso de Mini, ela permitiu ser acessada. Parou de jurar que era segura e que tinha tudo sob controle. Ela quebrou sua própria redoma. Com isso, nos permitiu que a conhecêssemos melhor e dentro da sua intimidade. Detalhe que frisa o que comentei neste texto sobre o mundo interior dos personagens ser a casa e eis uma história incrível.

 

Enquanto Rich entrega valor e crença que não são interrompidos quando Grace entra em sua vida, Mini precisa encontrar seus próprios valores e crenças sem se escorar na aceitação de um homem. Ou no que esperam que ela faça a base do que emana falsamente como pessoa. Ao contrário de Rich, que foi unilateral do começo ao fim desta geração, Mini esbanjou várias facetas que toda personagem precisa ter para conquistar um desenvolvimento decente.

 

Skins 3ª Geração - Franky

 

Repito a minha crença de que a 3ª geração poderia ter sido melhor que a 1ª. Não pelo hedonismo, mas porque cada um foi pensado para trazer novos dramas e houve sim novos dramas. Automaticamente, novas caracterizações. Havia o suficiente para despachar o fantasma da 2ª geração, mas…

 

Olhá-los hoje traz a certeza de que alguns subtemas seriam capazes de fortalecer a proposta inicial do 5×01. Afinal, Skins não deixou de ser sobre identidade também, mas abandonaram essa conversa no meio do caminho. Deixando a G3 completamente perdida em Bristol. Franky e Cia. chegaram perto da chance de mostrar que, apesar da amizade e do amor, eles pertenciam a si mesmos acima de tudo. Por causa da identidade, cada um tinha uma vida interessante. Como Nick entregou na S5 – e se perde por ter se tornado aquele que gostou de todas as garotas do grupo. Claramente havia mais confiança nesses personagens e é uma pena que as storylines tenham ficado na mão de um jeito esdrúxulo.

 

A S6 veio na base do que supostamente faltou na S5. Não tinha casal. Nem angústia. Nem hedonismo em excesso. Aniquilar Grace no começo pareceu uma “ideia inteligente”, pois, ao contrário de Freddie, ela deu chance para todo mundo viver o luto enquanto a série transcorria. Uma perda que se torna chata por motivos de Franky. O único que se preserva é Rich que assina um dos melhores episódios da S6 por recordar também como era Skins. O 6×02 me lembrou o 1×02 e 2×06, obras de arte que entregaram o melhor de Cassie e de Tony.

 

Talvez, a pior emenda da 3ª geração tenha sido Alex. Ele nasceu para tapar o buraco de Grace e para fechar a ausência de um personagem LGBT. Ele representou um good vibes. Além da lembrança do hedonismo faltante neste grupo. Liv se torna seu anexo e eu considerei a relação de ambos emocionalmente abusiva. Ele a controlava. Ele a fazia sentir falta dele. Foi uma das piores relações desta turma e que ajudou em absolutamente nada no desenvolvimento de ambos.

 

Alex não teve valor, especialmente porque apostaram em uma “promiscuidade”. Em outras palavras, montaram nele para trazer o hedonismo e a nudez de volta já perto do fim de uma geração. A parte boa é que ele entrou na trama consciente da sua orientação sexual, mas todo mundo já tinha visto alguém como esse adolescente. No caso, Maxxie e Emily. Foi um tempo gasto à toa e que poderia ter sido doado à Franky que seguiu pela S6 como antagonista.

 

Skins 3ª Geração - Mini

 

Depois de ter passado por todas as temporadas de Skins, eu senti que meu tempo com a série tinha que se esgotar logo. A 3ª geração deixou muito perceptível essa minha sensação, especialmente por fortalecer o quanto esse universo não envelheceu bem com o passar dos anos. Alo e Mini são extremamente problemáticos pela quantidade de homofobia e de piadas sobre estupro por segundo. A boneca inflável negra, minha Deusa, a coragem! Não que os outros personagens sejam muito ajustados, porque não são. O projeto em si nunca foi sobre adolescentes sadios e saltitantes. Conscientes e militantes – até porque não era o mood daquela época e posso provar!

 

Outro impasse capturado ao longo da 3ª geração foi o posicionamento das adolescentes na trama. Enquanto Effy, Michelle e Cassie tinham um pouco de autonomia, as meninas da G3 ficaram extremamente à mercê de validação masculina. Em cada ponto de suas histórias havia uma culpa que caía em uma responsabilização pelo sentimento dos garotos. Ou melhor, de um garoto e esse garoto era Nick – que poderia ter morrido no lugar de Grace, não mentirei. Por terem fugido tanto do tema para ajustar um novo romance, o elenco feminino acabou se afogando no que hoje chamamos de angústia masculina. Se havia dúvidas antes, este grupo deixou isso claríssimo.

 

Acredito que o mais “grave”, ainda mais por considerar que esta geração encerrou a história de Skins, foi a falta de caminho para o amadurecimento dos personagens. Houve a tentativa de colocá-los no fundo do poço por causa da perda de Grace, mas só Franky nadou no fundo do poço ao ponto de entrar em um relacionamento abusivo e querer socar todo mundo para extravasar suas emoções. Outro viés interessante se não embutisse outro cara na história. Foi um caminho tão sem noção, mas o suficiente para reduzir a única preocupação que essa galera tinha que ter: o futuro.

 

O pensamento sobre o futuro não existiu. Não com a mesma palatabilidade da 1ª geração. Pincelaram no series finale porque era um series finale – um erro da própria 2ª geração. Resultado que destaca um grupo inserido em uma série que terminou desgastada. Sem muita personalidade.

 

A 3ª geração fechou Skins sem uma assinatura que a tornasse memorável mais de 10 anos depois. Ao ponto dos seus nomes e de suas histórias serem recordados com a mesma nostalgia e com o mesmo agridoce das gerações passadas. E isso segue sendo muito triste. Uma desfeita danada! Havia um mar de possibilidades na G3.

 

III. everybody flirts to their ideal place

 

Skins 3ª Geração - Rich e Grace

 

Quando parei para pensar, a S5 teria caído melhor se tivesse sido usada para encerrar uma Era chamada Skins. Meramente porque as outras gerações não enfrentaram seus pais. A fonte real dos problemas. O drama que a G3 deveria viver no fim foi o começo e a S6 se tornou um poço sem propósito algum.

 

A S6 se escorou absolutamente na gravidez de Mini e nos efeitos muito mal trabalhados sobre a perda de Grace. Confesso que ainda dou uma salvada no que transcorreu em fins da storyline de Franky porque trouxe respostas. Porém, não foi o ponto que a trouxe de volta, pois, assim como rolou com Effy, a personagem teve que decidir entre os garotos. E, vejam bem, ela não queria decidir!

 

O que eu entendi com o tratamento da 3ª geração é que a S6 teria que ser a S5 por entregar personagens sem uma gota de amadurecimento. Caóticos, infiéis. Totalmente sem noção. A S5 com sua questão de imposição funcionaria bem como uma S6, porque aqui havia brecha de amadurecimento. Um amadurecimento que esta geração quis vender que aconteceu por meio do fantasma Grace.

 

A morte foi o resultado principal desse universo como um todo. O maior simbolismo de que a vida é frágil tão quanto o maior símbolo para tentar salvar o que não dava mais para ser salvo. Isso mesmo, a própria Skins.

 

As outras gerações tiveram amizade, lealdade e amor confrontados o tempo inteiro. Em uniformidade. Esta geração se perdeu do que queria comunicar sendo que a S5 montou um palco quase perfeito e que poderia levá-la a um ponto além ao que a 1ª geração alcançou. De qualquer forma, aqui há um grupo que conquistou arduamente seus méritos. Como encerrar como encerrou.

 

O principal ponto de revés foi encerrar uma Era dentro da ideia de que outra vida nasce no lugar da que foi perdida. Eu curti a conclusão oriunda do nascimento da filha de Mini, especialmente porque fechou com um close em Rich olhando para o teto cheio de gratidão. Despedindo-se de Grace e dos fãs. Eu dei uma choradinha e fico até mexida só de lembrar desse momento que foi sim precioso.

 

Assim como a 2ª geração foi sobre os Três Mosqueteiros, é inegável que esta geração foi sobre Grace. E parcamente visto que a personagem só teve um episódio focado em sua história. Por essas e outras que a morte dela não me afetou tanto. Eu não a conhecia como conheci Freddie e Chris.

 

Por mais que sua morte não tenha rendido muita coisa em trama, os personagens precisavam retornar a um estado de graça e ela se saiu como caminho para que os mais chegados recuperassem o cerne da vida. Isso destaca que Skins queria terminar em um estado de pureza e otimista. Dois itens que caíram muito bem se pensarmos que a S7 nem estava no forno na época. Principalmente quando eu me recordo do vídeo promocional da S5. Todos nus embaixo d’água. Trajando em seguida suas identidades em forma de figurino para enfrentar o que havia além da superfície.

 

E é na água que essa geração simplesmente se encerra. Limpando tudo pela frente.

 

Pode não ter rolado amadurecimento, mas esta geração entregou o que a 2ª não fez: redenção. Franky resolveu suas questões com a família, Mini com Alo, Matty com Nick. Em vez de reticências, esta geração abriu para um novo começo. Uma nova chance de fazer melhor por eles mesmos. Uma mensagem que seria mais impactante se não tivessem fugido da proposta inicial de identidade. Muito dessas reconquistas vieram como resultado de algum coração partido por amor (nada) romântico – e esse foi o tema da G2.

 

A 2ª geração teve seus motivos para não entregar um happy ending e não focar tanto no futuro como aconteceu com a G1. Não era seu foco e isso ficou claro no instante que meteram o foreshadowing sobre a morte de Freddie no seu próprio episódio de introdução. A G3 tinha outro tipo de amor em cena, de pais e filhos, mas escolheram desgastar outra morte, na tentativa de vender amor, que só funcionou, na medida do possível, com os personagens mais interligados à Grace. No entanto, ela não mobilizou com a mesma intensidade que Tony – que passou pela falsa morte.

 

Ainda assim, a G3 se aproxima muito mais da G1. A saída veio dentro deles mesmos. A única diferença foi no aspecto da amizade que este grupo não me convenceu. E roteiro, claro, pois eu ainda creio que esta geração tinha plena capacidade de superar a primeira. Independentemente do texto ter abandonado os extremos do hedonismo. Este grupo veio carregado de cores e formou um aesthetic muito particular. Eles são caretas. Tinham problemas até que “banais”. É possível até dizer que esse grupo foi mais verossimilhante em questões de problemáticas adolescentes.

 

Volto a lamentar pelo destrato de subtemas. Esta geração tinha tudo para ser ótima, pois fisgou gravidez na adolescência, adoção, possível transtorno explosivo intermitente, câncer. Mini não era apenas uma cretina, Nick não era apenas um jogador bobão (continuo a não gostar dele) e Franky tinha toda uma questão de não se sentir como as outras garotas (e automaticamente não pertencer). Muito do que foi trazido como conflito na S5 foi engolido pela S6 que viveu a ilusão de luto pela Grace. É triste perceber que havia potencial. Skins poderia ter acabado com todos os louros.

 

Ao contrário da 1ª e da 2ª geração que usaram reticências em suas finalizações, detalhe que combinou com as temáticas, aqui não teve motivo para isso. Não houve mistério e bem que tentaram ao fazer temer a perda do bebê de Mini. De qualquer viés, todos terminaram com um ponto final. Não houve deixa como aconteceu com os outros grupos. Talvez, romanticamente, como imaginar se Mini e Alo deram certo (eu acredito que não) e se Rich ficou legal depois de tudo.

 

Skins 3ª Geração - Rich

 

Lembro-me como se fosse ontem das expectativas sobre a temporada final de Skins. Muito se foi cogitado sobre quem apareceria ou deixaria de aparecer. Depois desta maratona, concluí que fez muito bem ninguém aparecer, pois outro problema da 3ª geração foi ter nascido sem nenhum tipo de laço com as gerações anteriores. Tony e Effy deram vida à Skins e em sua continuidade. Ambos sustentaram uma essência sem grandes dificuldades. Com direito a menções de um ao outro e que largaram o agridoce da saudade da turma anterior. A 3ª pareceu à parte de tudo. Longe do que a série costumava ser em seus tempos áureos e é compreensível que não tenha sido inesquecível.

 

Mas não quer dizer que eu não tenha me emocionado. Me emocionei sim. Foi um tempo bom acompanhar Skins e a S6 foi o marco da despedida. Eu realmente amei a série como um todo e confesso que ainda a amo. Eu realmente acreditei que eu teria outras sensações ao revê-la, algo sentido já na 1ª temporada com tanta coisa problemática por metro quadrado. Entretanto, é esse tipo de abordagem que eu gosto um tanto mais quando conversamos sobre adolescentes. Obviamente que eu diminuiria a quantidade de drogas e de bebidas tão quanto da nudez e da objetificação, mas realmente é a fase. Apesar de vários argumentos meus, a adolescência é errática.

 

Meninas se auto-objetificam para serem aceitas (e muitas nem sabem que fazem isso e Euphoria está aí para provar um trabalho que Skins já fez). Meninos não pensam em outra coisa a não ser quando e como perderão a virgindade. A falha desta série nesse e em outros quesitos foi nunca se comprometer no desenvolvimento dessas questões. Tais comportamentos passavam batidos, ornando com uma época que não havia a consciência que há hoje sobre representatividade e afins. E eu nem considero uma “falha”, pois o texto desta série focou em entrelinhas. A meta, como aconteceu na storyline da Cassie, era mostrar os comportamentos. Não necessariamente nomeá-los.

 

E isso foi ótimo. Foi importante. Até a depressão de Effy ser apenas plot device.

 

É importante ter uma crítica sobre qualquer conteúdo hoje em dia. Ainda mais das antigas, como Skins, que envelheceu mal demais. Fato que, feliz ou infelizmente, não afetou em nada meu amor. Eu tenho background demais com esta série para cair na furada da cultura do cancelamento (que só cancela na mente de quem cancelou, risos). E amo demais meus filhos que cresceram junto comigo e sofro toda vez que saem fotos deles juntos.

 

Kaya Scodelario conte comigo pra tudo!

 

No fim, Skins é seus personagens e não a trama. Por essas e outras que é difícil esquecê-la. Ela foi e ainda é referência no gênero. Há séries que ainda se inspiram nela, como aconteceu com Skam que foi um upgrade, mas todo o senso criativo veio inspirado em SkinsEuphoria também bebeu desse suco, mas também deu seu upgrade. Confirmando que esta série se tornou o exemplo do que não fazer sobre conteúdo teen nos tempos atuais.

 

Skins marcou a minha geração de Millennials, especialmente quem não teve a adolescência ajustada. Nem muito menos clara. Nem com muito suporte. Convivendo com adultos disfuncionais. Uma fase que foi uma completa zona, uma oposição à Upper East Side. Reencontrar esses personagens me fez tocar nas partes ainda sombreadas do meu ser e que ganharam pungência quando eu respirei fundo e encarei a S7.

 

O instante que causou rebuliço porque Skins ganhou fama de deixar o emocional no lixo. De não ser um happy place. E a S7, o comeback da série, foi a prova viva de que felicidade nunca foi meta desse universo. Felicidade sempre foi para poucos e vocês entenderão isso no próximo e último texto sobre a minha maratona.

 

Imagens: screencaptures por Kissing them Goodbye

Tags: , , , .
Stefs Lima
Escritora dividida entre o tempo e o espaço. Colecionadora de achados e perdidos. Ex-líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I AM THAT GIRL. Não poupa no textão e nem nas doses diárias de café. Além disso, acredita piamente que você pode ser sua própria heroína.
Você pode gostar de ler também Deixe seu comentário
Siga @HeyrandonGirl no Instagram e não perca as novidades