10abr
Arquivado em: Séries

Eu não via a hora de chegar na 7ª temporada de Skins ao mesmo tempo que eu não queria. Intimamente, eu não desejava o encerramento desta maratona e não foi estranho me ver dominada por um estranho vazio depois de tudo. Um vazio que, quando resenhei esses 6 episódios em sua época de exibição, eu ditei como crise existencial. Sentença que não sei se me identifico hoje visto que faço tratamento psicológico. Um fato sobre mim que me ajudou a rever a série com novos olhos. E um tantinho mais além devido às problemáticas que marcaram a história do outrora hit da E4.

 

Eu não me lembro onde eu estava quando anunciaram a 7ª temporada de Skins. Nem quando anunciaram quem retornaria. O que me lembro, e que ficou registrado em palavras, é que eu queria várias conclusões. Effy não era meu interesse, pois eu ditara no passado que não curtia a personagem. Fato que não se aplicou à Cassie, que se mantém como minha personagem favorita, e ao Cook, que também se mantém no mesmo posto. Independentemente, eu me animei e escrevi as resenhas desses episódios. Algo que me serviu de “legado” de consulta, pois, depois desta maratona, eu reli algumas partes para ver se minhas opiniões se alteraram. E, bem, só sobre Effy deu uma mudadinha.

 

Nessas resenhas do passado, eu esbocei o quanto Effy não mudara. O quanto Cassie atingira o status de pureza almejado em fins da S2. O quanto Cook, o personagem que eu mais esperava uma reviravolta grandiosa, já que ele foi um dos poucos que teve arco completo, merecia um futuro melhor. Muito do que comentei em 6 textos não coincidiu com a maturidade que tenho agora. Uma maturidade que se traduz em um conhecimento mais esclarecido sobre a minha adolescência e de quem eu me tornei depois dessa fase (que foi turbulenta para mim).

 

 

Skins terminou efetivamente em 2013. Ninguém esperava um retorno. Ainda mais um que respondesse ao que ocorreu com alguns personagens. Afinal, a série sempre foi sobre entrelinhas. Sem dar grandes conclusões e até mesmo um grande aprofundamento. Tratou-se de um universo de suposições que rendeu novas teorias sobre quem daria as caras na dita temporada final (já que a despedida verdadeira rolou na 3ª geração). Um hábito não esquecido!

 

Posso dizer que a escolha dos personagens foi muito bem acertada, mas não nego que teria amado saber o que aconteceu com o combo de gerações. Muita coisa, mas eu não me importaria de assistir.

 

Cassie foi uma das personagens que deixou um final em aberto graças à fuga depois da morte de Chris (o que automaticamente incluiu o paradeiro de Sid). O mesmo Cook que ninguém soube o que rolou após a descoberta da morte de Freddie. Já Effy eu não esperava um retorno, pois, da mesma forma que Tony, ela não tinha mais o que contar. A não ser entregar a consciência sobre o que ocorrera com seu namorado (e Cook poderia dar essa resposta) e daí vemos o quanto ela não deixou de ser popular. Talvez, a decepção foi a ausência de alguém da 3ª geração, embora seja contraditório porque está aí uma turma que o fandom não dá muita referência com relação a gosto.

 

Mas eu amaria ver a Mini e sua bebê.

 

Saber o que aconteceu depois da fase adolescente quebrou as regras de Skins. E, quando anunciaram esse comeback não comeback, eu aguardei o anúncio de todos. Tipo: o que aconteceu com Anwar ao apenas decidir ir para Londres com Maxxie? Ficou para a fanfic! De qualquer maneira, a revelação de quem figuraria esses 6 episódios mexeu com a imaginação antes da estreia da S7. Depois veio o efeito da promo que deu spoilers sobre o paradeiro da tríade escolhida. O foco se deu na fase new adult (início da vida adulta) de três personagens populares de suas respectivas gerações. Uma decisão a tempo visto que a série não conseguiria sobreviver além da 7ª temporada. Ao menos, não com a mesma abordagem que a tornou inesquecível para a minha geração e a geração posterior (Z).

 

 

FIRE

 

Skins 7ª temporada - Effy

 

Como eu disse, o foco da S7 foi mostrar os personagens no início da vida jovem adulta. Lá pelos 20 e poucos anos. Effy foi a primeira e seu simbolismo de fogo veio de um tempo passado. Fato que eu havia esquecido quando acompanhei essa temporada em 2013. Na S1, ela brincava com esse elemento e provocou vários incêndios. Sem nem precisar falar. A situação não foi muito diferente em seu retorno, o que deixou a sensação de que Stonem não mudou. Um argumento que expus nas resenhas desses episódios e que permanecem iguais depois da minha revisita.

 

Ainda mantenho muito das opiniões que escrevi nas resenhas de Fire. Porém, várias entrelinhas se tornaram mais compreensíveis. Como o buraco que Freddie deixou. Na primeira vez, não foi complicado associar a figura do chefe da personagem ao adolescente brutalmente assassinado. Entretanto, seguiu difícil compreender os intentos dela.

 

Era só tapar o buraco? Talvez. O tema de Effy foi amor e é plausível ela ainda buscar por isso. Especialmente por seguir a vida acreditando que foi abandonada pelo garoto que ela amou de verdade (o que inclui Cook). Na trama de Fire, se vê que Stonem ainda carrega a necessidade de amar e de ser amada. Foco que se perdeu ao longo da sua relação nada harmoniosa com Naomi. A quem eu sigo sem compreender como se tornou colega de apartamento de uma jovem que sempre se aconchegou mais com Katie Fitch (e sigo me perguntando o que deu entre Effy e Pandora).

 

Mas, assim como Freddie, Naomi só estava ali para se tornar valor de choque para Effy. Para criar toda uma ambientação que relembrasse da fase em que Stonem estava acamada e Freddie a acompanhou. Detalhe esse que se refletiu na presença de Emily que ficou até os últimos minutos da vida de quem continuou a amar.

 

Com tanta informação em cena, o episódio de Effy acabou desconfigurado da sua pendência (Freddie) e contou uma problemática para que revivêssemos o que ela costumava ser na adolescência. Está certo que a S7 foi basicamente sobre isso: fazer os personagens darem de cara com os fantasmas do passado e mostrar o quanto aprenderam/se superaram. Pode-se dizer que Stonem não aprendeu muito, pois seu autocentrismo prosseguiu como prioridade. Tão quanto sua necessidade de controle (especialmente emocional) para não quebrar em nome do amor.

 

Vieses que desviaram da aparente ideia inicial de vermos uma Effy finalmente bem-sucedida em algo que não fosse justamente seu próprio tema (amor). Contudo, o caminho dela retornou para a sua personificação de jovem misteriosa e as consequências disso. JJ certamente daria outro berro avisando que chega da garota misteriosa!

 

Skins 7ª temporada - Effy e Jake

 

O que calhou em repetições de padrão. Como nos velhos tempos, Effy usou dois corações e entregou dois resultados. Um ela usou para escalar. O outro ela relou para substituir quem claramente continuou fazendo falta. Contudo, em um novo fim, Stonem saiu de cena como a jovem egoísta. Nada novo, pois isso foi visto na companhia de Pandora.

 

Sendo que, nas entrelinhas, Stonem entregou uma problemática não lidada que é se envolver emocionalmente com o que não tem controle. Ela tinha total controle sobre Cook e Freddie. O mesmo quando se envolveu com o chefe nessa dobradinha de episódios. Até o controle sumir por meio de Naomi e da trairagem do boss. E o que Effy fez? Começou a fugir por dentro e isso eu entendi melhor na revisita. A situação da sua colega de apê é zona total de gatilho tão quanto se ver diante de um novo abandono amoroso. A jovem só quis dar no pé (como fez com Cook).

 

Há dois momentos que enfocaram os fantasmas de Effy: a cena que ela chora no hospital visto que é o ápice da indicação da memória de Freddie. Entregando que essa parte da sua vida segue complicada. Depois, a cena em que Stonem recorre ao Dominic quando seus “talentos profissionais” são descobertos e quase engaja o sexo. A faceta desesperada de arrumar as coisas (do pior jeito) e isso foi visto no 3×08 quando ela se sentiu excluída do acampamento em grupo. A diferença é que não houve fuga. Ela teve que ficar para lidar com as consequências.

 

Effy também entregou o modo de operação de buscar um dito equilíbrio na adrenalina. Fato que se viu nos esquemas do trabalho e indo à balada no meio de uma noite insone. Combo que a impulsionou para longe da tentativa de ser uma amiga de verdade. Ainda mais quando voltou a ser o centro das atenções dos homens (o que a faz abandonar as meninas). Ela dificilmente demonstra responsabilidade emocional quando se autocentraliza ou quando tem uma validação que a assegura. Quando a atitude positiva vem, é meio tarde e ela sai 100% queimada. Só o tempo para a personagem saber se ainda é bem-vinda já que muito das suas decisões empurrou as pessoas para fora da sua vida.

 

E eu voltei a sentir raivinha dessa decisão da roteirista!

 

Tudo que Effy precisou na adolescência foi de adrenalina (além de ser o centro de tudo, claro). O fazer errado, por assim dizer, a deixa mais viva. Impulsiona o fogo incandescente que gera o escapismo, resultando em danos nos arredores. Ciclo que se refletiu nesses episódios. Ao longo da sua jornada em Skins, a personagem ensinou sobre sua necessidade de validação, por incontáveis motivos dependendo do ponto que ela se encontra na trama, como aconteceu com o chefe. Ao ponto dela cair na lorota de ser reconhecida pelo seu grande alcance em números.

 

Nessa maracutaia, Effy deu a entender que ainda não encontrou o que quer. Talvez, uma recíproca que um dia Freddie deu e o chefe validou temporariamente. O gatilho aqui foi se ver abandonada de novo atrelado ao medo de terminar na cadeia. Quem era Naomi quando Stonem se viu perdendo tudo de novo?

 

Skins 7ª temporada - Effy e Dominic

 

Stonem foi uma figura extremamente tóxica ao longo da sua carreira em Skins, mas muito disso não foi porque ela quis. Ela sempre teve um buraco que nunca soube como tapar. Cheio de feridas que a impulsionava a ferir. O que me faz entrar na questão da depressão que torna uma pessoa autocentrada em alguns momentos, sem perceber. Só que os roteiristas não souberam escrever essa parte, tornando fácil crer que Effy é apenas uma cretina.

 

Minha consideração por Effy nasceu quando eu entendi como a depressão foi tratada como seu caráter e não como uma doença. Além disso, como catapulta para Freddie morrer – algo que, desculpem, não me cansarei de repetir! E não foi surpreendente ver que tal transtorno mental não foi pincelado nesses episódios e eu escolhi crer que foi uma questão de distanciar a série do hedonismo desenfreado. Vai que desse certo para outro retorno com outros personagens, né?

 

O fogo é o elemento de Effy e ela sempre precisou queimar. Só que o incêndio sempre foi às avessas e esses episódios honraram essa questão. Aí eu volto no sexo que se refletiu como o único resquício da versão adolescente da personagem. O controle base da sua personalidade que, na menor brecha, também expressa seu elo emocional com quem está interessada. Só que houve um revés interessante. Da jovem adorada, Effy foi descartada duas vezes.

 

Pode não ter doído como na época adolescente. Período que ela basicamente conseguia o que queria. Mas certamente deixou efeito. Eu até traduzo esse resultado como inconsciente, pois, talvez, deveria existir ainda na mente de Stonem a autoconfiança de que todo mundo a desejaria sob quaisquer circunstâncias. Foi como ela “aprendeu a se virar” e Dominic alimentou essa parte ao passar pano onde sua crush pisava. Até ele ser astuto e sair dessa furada.

 

Cenário que trouxe outros contrapostos. Effy não era adorada pelos homens da firma. Eles não admitiam seu destaque e ela teve que provar que era inteligente. Um ambiente de trabalho sexista que Skins não daria um jeito. Não era sua expertise visto que condenar personagens femininas sempre foi uma de suas principais abordagens. Contudo, eis a entrelinha: Stonem pode ter derrubado o chefe ao reunir forças com Victoria, a ex que caiu na mesma cilada. Gosto do possível desdobramento de vingança feminina contra um embuste. Não vou mentir pra agradar!

 

O grande porém desse viés resultante é que Effy entrou em cena querendo atingir o patamar profissional de Victoria. Ela cheirou o erro e estudou sobre. Desbancou-a para cair em cilada. O seu desejo inicial acabou perdido em um desenvolvimento mais ou menos. Sem firmeza. No fim, não houve uma lição sobre Effy Stonem. Só mais do mesmo.

 

Daí, eu pergunto: o que Effy Stonem aprendeu depois de ter vivido o próprio inferno na adolescência? Nem que fosse minimamente? Sigo acreditando que quase nada e por isso mantenho meu tom de decepção. Enquanto ela não for capaz de cobrir seu vazio que corresponde ao tema amor, não haverá evolução. Ela não se abrirá e o que lhe restará é mais distanciamento. E, bom, essa recuperação leva um baita tempo. Por essas e outras que ainda acredito que era essencial a personagem saber o que aconteceu com Freddie. Estava nítido que a jovem não seguiu em frente.

 

E, nisso, a gente acaba chamando ecos do passado.

 

Effy está totalmente presa dentro dela. O que destaca os erros na sua escrita (que comentei no texto sobre a 2ª geração). A personagem sempre foi complexa, mas os roteiristas a trataram como de única faceta. Tinha tanto para explorar, mas, de novo, apostaram na versão misteriosa, que entra e sai e ninguém sabe o que houve. Ela não se apaixonou depois de Freddie e ainda assim saiu prejudicada pelo mencionado buraco que se traduz em vazio.

 

Eu acredito que meio mundo queria saber como estava o emocional dela e não sua faceta de mistério. Afinal, é uma personagem que saiu de cena sem saber o que houve no finale da sua própria geração e o texto nem sequer pontuou tal questão. No mínimo frustrante para não dizer outra coisa. Por isso que eu acho que ela se safou do processo de prisão por fraude. Falamos de Effy Stonem nas mãos de roteiristas que a veneravam (e o fandom junto).

 

Skins 7ª temporada - Effy

 

Ainda considero Fire pouco coeso. Principalmente porque os roteiristas se agarraram ao valor de choque em matar algum personagem. A história dela, e nem de Naomi, precisava disso. Gerou-se um conflito sem necessidade na trama e a emoção da perda nem escalou, porque os olhos de Stonem nunca estiveram concentrados nessa situação que remontou à internação dela. De tantas janelas que abriram no finale da S4, intentaram embutir todas em dois episódios e o resultado não ficou tão sólido quanto o visto nas tramas de Cassie e de Cook.

 

Digo isso mais pela quantidade de informação em cena. Não havia um recorte como em Pure e Rise.

 

Enquanto Effy vivia a nova vida dela, a ambientação foi feita para ecoar Freddie. Em uma primeira olhada, essa informação não é entregue de pronto, a não ser pelo chefe que lembra o falecido adolescente. E não engata, porque Naomi e Emily desviaram a atenção. O que culminou na mesma sensação de que um objetivo não foi cumprido e eu nem sei qual seria o objetivo, pois havia muitos temas em Fire. Em contrapartida, alguém teve que morrer para honrar um dos fantasmas da protagonista. E, de novo, a morte em si aconteceu sem pé e nem cabeça.

 

Dizem que a gente normalmente repele quem (ou o quê) é muito próximo das características que não gostamos em nós e não teve um instante que eu não me vi nos mesmos sapatos que os da Effy ao longo desta maratona. Tirando, claro, a quantidade de drogas e de bebidas, pois eu fui uma adolescente careta. A revisita em Skins me deu novos olhos sobre essa personagem e eu aprendi a adorar sua dramática (apesar de não tão bem construída). Ela tem um vazio, e carregou esse vazio, que eu compreendi melhor.

 

Como mencionei, seu tema foi o amor. A emoção que ela fez de tudo para se afastar. Um comportamento que o tempo tomou conta visto que o agridoce do medo do abandono já existia dentro dela por meio de Tony. Depois do pai e da mãe. Freddie foi a cereja do estado oco de Effy Stonem.

 

Por eu mesma não ter entendimento do amor e negá-lo, Effy Stonem meio que se apresentou como o espelho desses meus buracos. Sem saber o que rolou com o único garoto que se apaixonou, a personagem ainda tem rastros daquele sentimento de não achar possível ser amada em sua naturalidade. E, quando isso acontece, ela segue refutando. Ela só captura o que acha que vale a pena, como na sua adolescência. O que não mudou é o vácuo que Freddie deixou e seus dois episódios não deram o que meio mundo queria saber. Como ela seguiu ao acreditar que foi abandonada.

 

Ninguém queria ver Naomi morrer, sabem?

 

Outro ponto falho foi a ausência de menção da depressão. Ela se tratou? Toma medicamentos? Em seus dois anos como protagonista de uma geração, seu transtorno mental não passou de expressão de caráter. Além disso, sua doença serviu de estepe para Freddie navegar a perda da mãe e morrer em seguida (eu disse que não pararia de repetir isso). Mesmo que o intento fosse mostrar uma jovem adulta poderosa, as pontas soltas da vida dela não foram amarradas e eu poderia dizer que isso é bem Skins. Contudo, a série voltou para uma suposta temporada final. O básico deveria ser respondido, especialmente porque Effy sempre foi um tanto complexa. E sua complexidade fez os roteiristas simplesmente perderem a mão e o reflexo apareceu nesses dois episódios. Não havia foco.

 

O que é meio triste, porque quem acaba por responder uma parte dessa história é Cook. O que impede a minha defesa de que Effy poderia ter se esquecido e seguido adiante. Ou que ela se convenceu de que foi abandonada. Meramente porque até Cassie respondeu o que aconteceu com Sid – e essa era a pauta que os fãs queriam saber.

 

PURE

 

Skins 7ª temporada - Cassie

 

Cassie deu tudo o que ansiei sobre seu retorno em Skins. A fuga para NY foi o que moveu Sid atrás dela e esse foi o assunto das entrelinhas. Honestamente, eu nunca shippei Cassie e Sid e hoje eu dou graças por isso! Um ship tóxico a menos na minha conta (porque Effy e Freddie ainda existem no meu coração e sofro como se fosse 2009).

 

Sigo suspeita para falar dessa personagem, pois é 2020 e eu ainda a amo. Foi ótimo saber como ela transitou de um ponto a outro (no caso voltar à Londres) e o que aconteceu com Sid. Cassie nem precisou falar muito, pois todas as informações necessárias foram entregues em diálogos extremamente pontuais e funcionaram com perfeição.

 

Sid e Cassie viveram o amor juvenil. Urgente. Ela viveu o momento com intensidade ao ponto de quase morrer (uma das grandes romantizações de Skins). As coisas não necessariamente continuam como na adolescência e saber que eles terminaram, depois de ao menos experienciarem tudo o que possivelmente tinham que experienciar, me deixou contente. Tratou-se de um respaldo que a história de Effy pecou bastante, pois, repetindo a informação, todo mundo queria saber dela e Freddie. Até mesmo sobre a existência de algum contato com Cook. Stonem pareceu um caso isolado, algo que combina com sua personalidade. Contudo, isso se descredita por ela ter vivido com Naomi.

 

E vamos lembrar que Naomi também foi bastante próxima de Cook. E nem Naomi sabia de Cook, WTF?

 

Skins 7ª temporada - Cassie

 

Ao longo dos episódios, Cassie não fugiu da prerrogativa dos roteiristas de sempre acabar com as mulheres da série. A personagem é fotografada às escondidas por quem se revela um colega de trabalho e tais fotos abrem para que ela se torne uma modelo. Mas, antes disso acontecer, a jovem se sente perseguida e fica paranoica. Tudo piora quando o rapaz meio que se sente seu dono e pira com a ideia dela ser fotografada por outras lentes. Uma relação problemática que me lembrou Effy e o psiquiatra que não queria sair de perto por estar “apaixonado”.

 

Como é de Cassie que falo, a melhor solução do plot foi apaziguar a situação. Havia outro problema a redor dela e esse problema também veio do vício de escrita de Skins: um pai que não consegue fazer o mínimo para se virar. Inclusive, que precisa ser salvo por alguma figura feminina (que se transforma em sua segunda mãe). A mãe da personagem é dada como falecida e a figura paterna não passou pelo luto. Com isso, Reuben, o irmão mais novo, se encontra em uma situação meio precária e preocupante. Quem assume a marimba? A própria Cassie!

 

Mais um homem se sente vítima por perder uma mulher. E os roteiristas de Skins nunca esconderam a “aversão” pelas figuras femininas. Todas foram vilanizadas ou como as esposas que traíram ou como as viúvas que caçaram validação ou versões que simplesmente vazaram porque assim quiseram. O que nunca foi dito ao longo da série é que esses pais foram uns completos inúteis. Dependentes. Abusivos. Não é à toa que o próprio pai da Cassie se usa de seu luto para que a filha assuma a responsabilidade de ficar no fim do mundo que ele e Reuben se encontram.

 

Felizmente, ela tem uma ideia melhor. Uma que foi milagrosamente condizente com sua storyline: deixar o pai ir.

 

Skins 7ª temporada - Cassie e Reuben

 

Reuben é o estado máximo de pureza de Cassie. Assunto que fez parte do seu discurso em uma briga com Sid na S2, em que ela questiona porque tudo não pode ser inquebrável. Praticamente sem maldade, como sua personalidade, e digo com tranquilidade que ela seria o Holden Caulfield de Skins (que tinha o intento de proteger as crianças contra a perda da pureza). É o modo de operação dela e os dois episódios expressaram isso muito bem. Até em sua estética.

 

Aqui temos uma jovem que nunca demonstrou ambição. Seus momentos de ira e de malandragens vinham de um ponto ruim, como acontece com qualquer adolescente. Aqui, não tinha drogas (que ela nega em uma festa) e nem bebidas. O que a personagem queria e conseguiu era um status de linearidade. Fazer o dela. Viver em paz.

 

Hannah Murray trouxe a mesma caracterização de uma personagem que entregou que sua essência foi recuperada. Apesar de não ter mais a pureza, Cassie a manterá no que for possível para sobreviver. É uma vantagem contra o mundo e uma visão que a mantém viva. Detalhes que se encontram na sua relação com a música. Pincelando o fato de que ela sempre será lembrada como a garota que dançou antes de finalizar uma prova e se formar.

 

Assim como Effy, Cassie mostrou que ainda percebe e se incomoda com os fantasmas da adolescência. A personagem apresentou uma consciência melhor no mundo caótico londrino e eu senti orgulhinho. Porém, nada disso deixou de entregar o quanto o passado ainda é fonte de muitas das suas inseguranças e dos seus maiores gatilhos. Como ser sexualizada e objetificada. Conflito que tem Sid como principal responsável. Vamos lembrar que ele tinha um pôster dela no quarto e que se tornou o ponto de desmoralização dessa jovem.

 

A ideia das fotos foi outro ponto de retorno e segue como meu contraposto favorito da S7. Foi extremamente significativo, especialmente quando se lembra do que foi esquecido: Cassie teve um transtorno alimentar e isso acarreta problemas na autoimagem. Um ajuste sutil de background que escapou na história de uma Effy que fechou a trajetória no período adolescente em estado de internação graças aos episódios de depressão psicótica.

 

Foi muito condizente os fantasmas de Cassie serem a pureza e sua própria imagem. Ela claramente se esforçou para se reinventar e se afastar da adolescência. O que não apagou seus gatilhos e isso foi importantíssimo.

 

O melhor de tudo foi vê-la se olhar de verdade. Perceber que ela pode valorizar sua própria imagem depois do transtorno alimentar. As fotos me soaram como uma forma benéfica de fincar o início de uma recuperação emocional da personagem. De fazê-la entrar em contato consigo mesma de uma forma saudável.

 

Nisso, Reuben entra como a esperança. A calmaria no oceano particular de Cassie.

 

Perto de Effy, Cassie amadureceu bastante. Ela aprendeu a abrir mão do que não lhe servia mais e a correr atrás do que importa. Ao menos, no ínterim de tempo que acompanhamos a continuação da sua história.

 

RISE

 

Skins 7ª temporada - Cook

 

Quem entregou todo o abalo das consequências do passado foi James Cook. Personagem que saiu da sua geração sendo procurado pela polícia por dois motivos diferentes. Um por ter arrebentado um cidadão em uma festa, motivado pelo ciúme de Freddie e Effy, no início da S4. O outro por ter assassinado o psiquiatra que assassinou seu melhor amigo. Esse último, o verdadeiro ponto de interesse de quem se revelou muito mais solitário em comparação às meninas.

 

Enquanto Effy e Cassie ficaram com emoções mais suaves, Cook seguiu em frente perseguido pela morte. Uma morte que sugere vários sentidos. Morte da inocência. Morte dos hábitos adolescentes. Morte do melhor amigo. Morte por perder Effy (a única garota que ele amou). Morte até mesmo por JJ que, assim como Pandora, esquecido.

 

Mas o que pesou foi a morte da identidade. Cook ressurgiu não sendo ele e não querendo falar sobre si.

 

Onde se meteu o grande extrovertido?

 

Os episódios desse personagem entregaram o que eu não esperava: Cook norteado pelo agridoce do fardo da morte. Considerando quem ele costumava ser, eu esperava um Cook inabalável. Ainda mais pela passagem de tempo. Porém, ele silenciou e se tornou uma sombra. Sem identidade. Sem background. Sem amizades. Sem amor. Esse jovem acabou resumido à sua própria constatação que foi entregue na S3: nada de bom fica com ele.

 

Skins 7ª temporada - Cook e Emma

 

O personagem ficou à mercê do mundo. Algo que ele tirou de letra por sempre ter sido, literalmente, mais do mundo. É seu habitat natural, mas não de um jeito saudável. Afinal, quem é que gostaria de ser um transeunte da própria vida? Esse foi o James Cook entregue em dois episódios que quebraram meu coração pela segunda vez.

 

Cook sempre foi quem supostamente não ligava para nada. Mas ele ligava. Ele ligava até demais. Eu te amo saía da sua boca como manteiga. Apesar das melecas, o personagem sempre foi muito leal e esclarecido com suas emoções. Salvo o temperamento, um assunto que também não foi tocado (mas pincelado nos minutos finais da sua dobradinha).

 

Se não fosse todos os seus problemas, acredito que Cook teria sido um ótimo compasso moral para sua geração. Algo que ele começou a ser em fins da S4, mesmo sendo tratado como vilão da história de todo mundo. Uma perspectiva que o personagem aceitou e é fácil crer que por isso ele caiu no esquecimento. James Cook seria aquela pessoa da nossa adolescência que não gostamos de lembrar ou que lembra somente coisas ruins.

 

Talvez, não para JJ. JJ sempre teve um grande coração.

 

Trazer Cook depois de Cassie gerou um conflito climático. Na pureza, tudo é claridade. Na falta dela, tudo é escuridão. Nos dois episódios de Rise, há uma sombriedade narrativa demasiadamente impactante. Tão quanto sufocante graças ao monólogo do personagem que faz o trabalho pontual de entregar que ele não é mais a mesma pessoa. O que resta na solitude a não ser refletir? Essa é a vida de um Cook que não tem mais vida.

 

Skins 7ª temporada - Cook

 

Enquanto Kaya e Hannah não trouxeram tantas mudanças no semblante de suas personagens, Jack O’Connell trouxe a ausência de brilho no olhar de James Cook. Toque profundo. Íntimo. Além de discrepante diante de toda a trajetória desse outrora adolescente. Não há mais confete. Nem bolos inteiros de aniversário. Ele perdeu tudo, desde a casa ao melhor amigo. E isso o aproxima minimamente de Effy que também tem uma vida solitária.

 

A diferença é que na rua não há julgamentos. O lugar que o abraçou com todos os seus defeitos e seus crimes.

 

É na carreira de traficante que Cook encontrou uma solução de sobrevivência, pois, male, male, traficantes se protegem contra a polícia. O guarda-chuva perfeito, mas não o suficiente para blindá-lo do peso interno. Nem é possível lembrar que o personagem um dia sofrera por amor, pois há o luto ao redor e que pode ser interpretado de várias maneiras também. O efeito em cadeia do passado o acompanha e, ao contrário da história de Effy, o vazio de Cook é mais palpável. O que causa uma inquietude misturada ao desejo de que tudo fique bem.

 

Mas é exigir demais de uma série como Skins. Ainda mais quando falamos sobre James Cook.

 

Cook não bebe e não engaja com drogas (salvo em um momento específico na balada e ele passa mal depois). Nem quer chamar atenção para sua pessoa e essa é a parte de mudança. Ele vive na miúda e é tachado de controlado e focado. Faz julgamentos contra a artificialidade. Características que não remetem ao Cook do passado.

 

Embora a morte seja seu tema, Cook também é jogado para lidar com outro fantasma. Um fantasma que remete ao afeto. Tanto tempo na rua não nega o desejo por intimidade e aí se entra um novo triângulo amoroso. A charada é que sua pessoa é a desejada da roda. Ele é o cara que as meninas gostam e cada uma tem características que o personagem não se ligou em analisar. Emma é a pessoa saudável que eu cheguei a chamar de Freddie nas resenhas dessa temporada. Charlie é a própria imagem de Effy que é sua real assombração. Trope que poderia dar na famosa questão de escolha, como aconteceu com a própria Stonem anteriormente, mas se torna em um ciclo de vingança.

 

Skins 7ª temporada - Charlie e Emma

 

Charlie tem o espírito Effy de querer curtir adoidado e Cook não cede de primeira. Cook é contido. Controlado. Não quer dor de cabeça. A reviravolta vem quando essa jovem o provoca, chamando o eco de quem ele era para assumir o jogo iniciado. Só que ela é inconsequente, além de curiosa sobre o misterioso rapaz. Para piorar, ela é a namorada do patrão que tem problema de temperamento e é abusivo. Parte de um espelho de quem o protagonista de Rise costumava ser.

 

Tudo transita para que Cook volte a ser quem ele nunca negou ser: James Cook (em caixa alta). Charlie e Emma caem no enigma que é esse rapaz e querem saber do seu background. Ele não fala até chegar o momento de confessar o que os fãs queriam tanto saber. E nem precisaria, pois o clima desses episódios falam mais que os personagens.

 

De uma pessoa expansiva, Cook se tornou um mistério. Sua graciosidade vem do saber se virar mesmo que termine com nada nas mãos. E ele encerra com mais um balde de nada nas mãos. Um fim de trajetória que é inquietante, pois, de novo, ele se vê diante da faceta da morte. Emma é assassinada no que se transforma em corrida vingativa e foi impossível não pensar em Freddie. Principalmente porque o protagonista desperta e quer aniquilar o patrão.

 

Cook se vê diante da possibilidade de matar novamente, mas não o faz. Novas reticências ficam, porque ninguém sabe se ele continuou com seu exercício de ser sombra da noite ou se ele se entregou para a polícia a fim de “ter paz”.

 

Nada de bom ficou com ele e eu quis que isso mudasse. Mesmo consciente de que a vida jovem adulta, ainda mais depois de uma adolescência conturbada, não tende a sorrir. O sorriso demora a vir. Às vezes, não vem. Esses episódios entregaram que o final feliz não é para todos. Nem muito menos a chance de se reencontrar depois do caos. Isso é dilacerante pelos olhos de James Cook.

 

Há até certa poesia nos episódios desse personagem. O caos começa em uma noite e se prolonga por toda uma madrugada, sob a Lua Cheia. Tudo se encerra junto ao nascer do Sol entre pesadas nuvens. Um testemunho dramático de quem teve que resgatar do tártaro a sua antiga identidade. Cook, James Cook, a fim de sobreviver.

 

E não foi tão bom. Ser James Cook é o gatilho principal do próprio James Cook.

 

E ele aprendeu a abandonar o James Cook (em caixa alta) para ser sombra e não lembrar. É sua segurança.

 

II. juventude roubada

 

Skins 7ª temporada - Cook e Charlie

 

“The role takes a hold of you, becomes the whole of you.
You’re looking at the stolen youth”.

Roots Manuva – Stolen Youth

 

Quando terminei a maratona, concluí que há dois pontos de vista sobre Skins: quem assistiu na época de sua exibição e quem a encara agora. Da série de obviedades que têm sentido. Quem não assistiu tem mais dificuldade de passar pelas temporadas. Provavelmente, a achará péssima e não discordo. Não é um conteúdo tranquilo. Há muita coisa problemática, como os estereótipos de caracterização feminina. Além do foco não ser trama.

 

Quem já passou por Skins na época de exibição pensa duas vezes em repetir a dose. Ainda mais quando há intenção de proteger o que um dia foi querido. Por essas e outras que deixo a dica: é preciso retornar para a mentalidade de 2007 e não se negar a ceder críticas no tempo atual. O olhar crítico sobre esta série traz certo gosto de maratonar tudo de novo. Além de oferecer um novo olhar sobre os pontos que você achou que se identificou antes e, hoje, #deusmefree!

 

Apesar dos meus incômodos e constatações negativas, eu ainda dou vários créditos a esta série. Ela estremeceu o gênero. Ela nasceu para quebrar o mundinho fictício adolescente que é sempre perfumado, cheio de grana, e funcionou. Funcionou perfeitamente para a época e não tem como mencionar uma série teen sem usá-la de referência. Não existia nada igual em meados de 2007. Nada como o hedonismo que encantou vários jovens que, claro, almejaram o mesmo “estilo de vida” – o que faz deste universo ainda mais problemático por ter romantizado muitas coisas, como a storyline de Effy.

 

Há um legado aqui, como tendências quando falamos de tecnologia. A série teve seu próprio desenvolvimento transmídia, com vlogs dos personagens, páginas no Myspace e o site funcionando como live chat. Algo que Skam fez a lição de casa e se muniu do Instagram para antecipar os plots dos episódios. Pretty Little Liars pode ter o crédito do boom das redes sociais por meio do mistério das suas narrativas, mas Skins já tinha comprido essa tarefa. Eis o exemplo do famoso tudo que você faz agora e sua geração acha sensacional e novo eu já fiz. A diferença mora na melhoria.

 

Skins se tornou referência para o futuro das novas narrativas adolescentes que não querem ser Gossip Girl. Mente quem acha que Euphoria não deu uma bebida nessa fonte para acertar o tom e conversar com uma geração que não é a minha. Isso não é ruim. É válido porque a comunicação se alterou e todo ano precisamos de histórias melhores. Além de alinhadas com a atualidade.

 

Skins 7ª temporada - Effy

 

Outro fator importante é que Skins desmistificou o papo old de que não dá para escalar atores da mesma idade que os personagens adolescentes. Aqui se viu atores com idades próximas ou iguais às de seus personagens. Muitos entregaram um ótimo trabalho e continuam na indústria (como os três atores que estrelaram a S7). Fato relevante porque se viu grupos teens expostos sob a luz mais natural possível. Conforme a idade e contando moeda para pagar pizza. Com estilo de se vestir particular a cada um e que, hoje, me pergunto como virou moda. Os gloriosos anos 2000!

 

Skins representou uma geração que queria muito mais que festas bem produzidas em séries adolescentes. Ou adolescentes felizes e satisfeitos o tempo todo. Ou histórias que dão certo no final. A série alimentou quem tinha uma adolescência difícil. Quem se sentia deslocado. Quem tinha transtornos mentais e nem sabia. Quem se sentia largado pela família. Quem não tinha dinheiro. Aqui temos grupos adolescentes com espinhas na cara que só tinham os amigos a quem contar. Inclusive, a rua já que ficar em casa era totalmente impossível. Claro que faltou um chuveiro ali, mas ok. Vamos chamar de meros detalhes!

 

Muito de Skins é real ao mesmo tempo que não é. É um hedonismo exagerado para adolescentes que acreditaram que não tem futuro e que o futuro é inalcançável. Eu assino tudo isso. Eu fui a adolescente que preferia ficar na rua que em casa. Que acreditou que não tinha um futuro, embora tentasse moldar um. Minha identificação com a Cassie nunca foi aleatória. E, hoje, considero a inclusão de Effy no combo de personagens da série que me relacionei.

 

A série não teve receio de mostrar seus adolescentes em sua pureza caótica, sem coesão estética e sem filtro. Não há classe, nem formalidades. O que foi espelhado é a juventude em sua carne crua. O efeito de Skins foi único para a minha geração e o início da geração Z. Por essas e outras foi fácil eu navegar em seu ritmo novamente e eu não esperava tanto desconforto. Afinal, eu só tinha a memória afetiva visto que fazia anos que não via nada sobre a série. Reassisti-la foi como retornar ao meu eu adolescente e fazer uma profunda análise. E não rendeu muito confete.

 

Teve muito gatilho (que eu não capturei na época de exibição). O que me impediu de consumir tudo de uma vez.

 

Mesmo que a série tenha perdido a mão em fins da 2ª geração, a S7 veio para mostrar outro ponto da realidade que confronta com finalizações de muitas séries adolescentes: nem tudo fica bem e tudo pode dar errado e seguir errado. Cassie foi a única que terminou razoavelmente bem sendo o ponto de leveza. Ao contrário de Effy e de Cook que ainda são assombrados e ainda não descobriram como preencher o vazio.

 

Quem é que não cresceu assim? Ou quem ainda não se sente assim?

 

Atualmente, eu compreendo o quanto da minha adolescência afetou meu amadurecimento. Do quanto eu, em tese, perdi por ainda me ver abraçada por muitas sombras e muitos fantasmas. Não há um auge específico após a adolescência e Skins entregou isso. Mesmo enganando durante o transcorrer da storyline de Effy na S7.

 

Embora eu ainda mantenha bastante do que disse nas resenhas da S7, hoje eu entendo melhor o objetivo dessas tramas. Quem viveu uma adolescência como os adolescentes de Skins (e nem é preciso inserir drogas e álcool no contexto), leva um tanto mais de tempo para se reestruturar emocionalmente. Tão quanto mentalmente, a pauta que a série nunca escondeu, pois praticamente todos tinham algum transtorno mental. Ponto esse que se sai como negativo visto que não se esclareceu o que afetava cada um dentro desse quadro.

 

E isso traz um adendo bacana: só atualmente eu entendi que a série trabalhava com entrelinhas no intento de fazer quem assistia se reconhecer nos sintomas. Um bom intuito que deu errado. Afinal, Effy não era triste. Era deprimida. E seu “estado de espírito” se tornou supercool.

 

Eu mesma não tinha conhecimento aprofundado sobre transtornos alimentares. Principalmente sobre o tipo que eu tive. Quando revi a storyline da Cassie, realmente só me restou aplaudir de tão pesarosamente realista.

 

Skins 7ª temporada - Naomi e Emily

 

“Você também acha que conhece a vida. Fica a par das coisas e a vê passar, mas não está vivendo. Não de verdade. Você é apenas um turista, um fantasma…”

— James Cook.

 

O vazio veio depois dessa revisitada. Tudo é frágil. Não digo apenas pela morte que Skins passou a explorar por todos os motivos errados, mas porque a falta de estrutura familiar, uma vida mais externa que interna em busca de preencher vazios, de viver a velocidade mais alta da adolescência, tiram a estabilidade que se precisa buscar na vida adulta. Para alguns a estabilidade pode ser financeira, emocional ou mental (ou os três). E digo isso porque eu pertenço a esse grupo.

 

Reassistir Skins me deu a verdade de que seu universo ainda tem seu próprio jeito de conversar comigo. Minha adolescência nunca foi um episódio de Gossip Girl. Nem muito menos minha vida adulta foi um projeto de Sex and The City. Está certo que eu quis algo O Diabo Veste Prada, mas ainda não encontrei meu auge. Às vezes, eu ainda acho que estou no meio-termo. Tentando largar um passado para ter um presente. E é dolorido, porque parece que não há um tipo de paz visto que não se anula o questionamento de como seria se eu não tivesse passado por todas aquelas coisas.

 

Raciocínio que eu me vi fazendo várias vezes ao longo da maratona e o que me restou foi imaginar como a vida dessas gerações seguiu. E eu espero que tudo tenha ficado bem.

 

Por meio de Skins, eu voltei a quem eu costumava ser em um tempo menos esclarecido sobre o que acontecia e que me trouxe ao presente. Sem retração. Sem tanta dificuldade de digerir o que eu via, especialmente na storyline de Effy. Tudo na adolescência é quase caso de vida ou morte. É velocidade. É querer fazer de tudo e não poder (e fazer mesmo assim). Na maratona, não houve um pedaço de mim que não tenha se identificado com cada pedaço da série. Até mesmo com a 3ª geração que, apesar de não ter sido bem desenvolvida, me fez guardar alguns nomes dessa vez.

 

E é um sentimento bizarro. Eu me conectei com a série melhor que antigamente sendo que eu esperava uma raiva eterna! Eu estava prontíssima para cancelar Skins, mas ter amadurecido, ter desconstruído algumas coisas da minha vida, tornou a leitura da série mais fácil. Meramente porque a série em si foi um tanto alienante. E para uma jovem adulta já alienada em 2007, a história não passou de um veneno.

 

Hoje, a experiência funcionou como esclarecimento. Principalmente sobre os motivos que me faziam detestar as personagens femininas (salvo Cassie). Eu não tinha maturidade para acompanhar Skins naquela época.

 

Se é que posso colocar dessa maneira, pois maturidade é muito relativa.

 

Skins 7ª temporada - Cassie e Reuben

 

O que posso dizer com base na S7 é que muito da adolescência pode não te largar. Muito da adolescência ainda fica. Dependendo do que você passou, o gatilho vem. A cicatriz mental lateja. Você tem medo e tem receio. Você mal consegue respirar. São marcos e marcos que relembram padrões, seja de controle, de autossabotagem ou de brigar por atenção. Mas é igualmente importante aprender a reconhecer esses padrões, porque eu acredito, ou ao menos tento acreditar, que o que foi roubado pode ser substituído por pessoas e coisas melhores. Não precisa ser biscoitos, mas, quem sabe, aceitar o que passou. Eu sou uma ativista de lidar com o passado para se ter um presente livre.

 

E ser presente. Além de aprender a cuidar de você em todos os âmbitos.

 

É difícil não sofrer para se encontrar. Para não ser um turista da própria vida. Não tem como escapar dessa sombriedade se você passou por todo tipo de coisa ruim em uma fase que era para ser simples. Em uma fase que era para ser só a catapulta do ser adulto.

 

O que me restou depois desta maratona foi, de novo, imaginar e ruminar. Skins tinha sido esquecida no fundo da minha mente e foi intenso reviver todas essas experiências. A série nunca propôs uma cura ou um caminho de retorno. Os próprios personagens eram o caminho de saída e eu quis ser a tia que dá a mãozinha e mostra ao menos parte do caminho.

 

Este é um conteúdo que queria conversar sobre seu elenco adolescente e não sobre o desenvolvimento intrincado de storylines. Eu pude ver melhor as nuances de cada um, especialmente aqueles que eu dizia que detestava. Volto a repetir o próprio caso da Effy que se saiu como um resgate da minha lista de adolescentes fictícios que eu não suporto. Ela merecia mais que ser a personagem objeto favorita. Talvez, não no mesmo tanto que Cook, pois seu fim é excruciante. Ele não precisou morrer fisicamente. Ele morreu internamente.

 

De fato, todos precisam de um passe terapia.

 

A tradução de Skins veio ligada ao rótulo de Juventude à Flor da Pele e faz jus, pois não há pudor. Nem censura. Tudo é possível quando um grupo de jovens não tem apoio em casa e tem liberdade demais. Há a carne crua em um mundo desordenado e abandonado. Ritmado pelo vazio. Assustador pela ausência de visão sobre o futuro.

 

Uma hora tudo melhora. Foi nesse pensamento que me vi abatida depois que terminei de ver Rise. O vazio me deixou abalada pelos dias conseguintes. Lembrando-me que Skins foi criada não somente para subverter o gênero, mas para entregar o pior lado da moeda que é tentar continuar depois de uma adolescência insuportável.

 

Skins ensinou que nem tudo é happy ending. Que ainda há muito a percorrer em nome da reestruturação mental e emocional. Cassie provavelmente conseguiu. Assim como penso que rolou com Tony, Maxxie, Pandora, Emily, Mini e Rich. Sempre alguns ficam para trás e o caso aqui pertenceu a Effy e Cook – que deixam até hoje na imaginação se um dia se reencontraram.

 

 

Depois da maratona, ainda é possível recomendar Skins? Não posso dizer. Mas eu bem indicaria como lição de casa de como não escrever determinados personagens. Ou simplesmente conhecer outro sentimento adolescente. Se consumida em doses lentas, funciona. Tão quanto vestir quem você era em 2007 (e a vergonha vem!).

 

É conta e risco. Ao menos para quem já assistiu.

 

Como mencionei várias vezes neste especial, Skins não envelheceu bem. Eu espero em algum momento destrinchar alguns aspectos problemáticos da série, mas, por enquanto, o que posso dizer é que todo o contexto desse universo funcionou na época em que foi exibido. Uma época em que piadas sobre estupro, racismo, homofobia, assédio e objetificação feminina passavam batidas e pareciam “normais”. Acredito que a 1ª geração é a que mais incomoda nesses quesitos por ter sido mais crua. Tanto na caracterização quanto nos diálogos.

 

Diálogos esses que, apesar de tudo, merecem uma grande ressalva. Em tempo sem tanta tecnologia, ou você conversava ou fazia a Effy. Conversar é a tarefa mais complicada entre os adolescentes e Skins deixou o seu efeito nesse quesito também.

 

No mais, esta série pode contar comigo para sempre e digo isso não com vanglorização. Eu finalmente entendi muita coisa que não entendi antes. Eu a acompanhei em um entretempo que eu estava longe da minha adolescência. De um jeito que eu não queria pensar sobre. Além disso, que eu não sabia como funcionava essa coisa de vida adulta. Nem meus sintomas (eu nem sabia o que era um transtorno alimentar nessa época, veja bem).

 

Sem contar que Skins trouxe grupos de adolescentes com os mais variados backgrounds e todos ausentes de perfeição. Como a adolescência é, onde há muito de uma dita coragem e parca noção. Quem nunca foi problemático, né? Ainda mais nessa fase (e no começo dos anos 2000).

 

Tenho que dizer que lamento pela turma que assiste Skins na Netflix, pois há mudanças drásticas na trilha sonora. Foi horrível esperar Seven Army Nation e Hometown Glory tocar em cenas-chave da 1ª geração e não acontecer. Essas músicas me marcaram com a série e foi brochante não ouvi-las. Eu nem consegui chorar como eu esperava que fosse ao ver certas cenas. Há muita perda de valor dramático para quem lembra da música + cena. Outra frustração!

 

Encerro aqui as análises sobre Skins e espero que tenham curtido. Em algum momento da vida, eu espero voltar a falar da série (tudo bem que vira e mexe eu continuo a falar, mas lá no meu Twitter. Me sigam lá!). ❤

 

Para continuar lendo: 

Reassistindo Skins: análise sobre a 1ª geração

Reassistindo Skins: análise sobre a 2ª geração

Reassistindo Skins: análise sobre a 3ª geração

 

Imagens: screencaptures por Kissing them Goodbye

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Stefs Lima
Escritora dividida entre o tempo e o espaço. Colecionadora de achados e perdidos. Ex-líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I AM THAT GIRL. Não poupa no textão e nem nas doses diárias de café. Além disso, acredita piamente que você pode ser sua própria heroína.
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