22Maio
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Espasmo I

Quanto mais um coração pode quebrar?

 

Eu não posso dar uma resposta quando o meu se quebrou incontáveis vezes. Não em reflexo ou como resultado de um tipo de desilusão amorosa. O que me faz pensar, às vezes, que eu não tenho mais um coração.

 

Talvez, eu me tornei muito protetora do meu coração.

Talvez, eu não ache possível um coração suportar tantas tentativas de arrancá-lo.

Ninguém pode quebrá-lo se não o mostro.

 

Coração; Sempre precisa de mais tempo,

Por ser a pulsação que se reencontra na alma.

Espasmo II

Quanto um corpo pode suportar?

 

Eu também não sei. Mas sei que meu corpo se assumiu armadura.

Tornando-se um mapa de cicatrizes que se foragiram,

Entrelaçando-se aos músculos para que se lembrem de cada golpe,

Cada ferida, cada palavra, cada tornado, cada furto.

 

É quando eu penso em um coração falso.

Devo ter um para amortecer os efeitos do atrito contra o corpo;

Do veneno que faz o corpo inteiro ser irreconhecível

E a mente a herança de riscas dos tornados (virulentos).

 

Espasmo III

Quanto uma mente pode lembrar?

 

Muito, mas não com imagens claras.

 

Passado o tornado (virulento), o que fica é a desorientação,

A visão anuviada, a sensação de que algo falta.

O laudo primário é: você não tem muita certeza sobre o que aconteceu.

 

Apesar de aparentar uma regeneração mais rápida que a do corpo,

A mente armazena o que eventualmente retesará a pele,

Transformando-se em farol sobre tornados (virulentos) à vista

— o que faz o coração também se retesar em alerta.

 

Às vezes, você nem sabe quais são os perigos e os resquícios;

Eles se condensam.

Escondem-se; A leitura da mente que protege,

Que se manifesta quando tem que ser.

 

Mente; A única parte de mim que não é falsa.

Por ser a parte que mais luta,

Abrindo janelas e mais janelas de fuga para que o corpo não se desintegre.

 

Espasmo IV

Quanto tempo?

 

Eu não sei, mas sei que os tornados drenam.

Não há onde se ancorar imediatamente.

 

Tudo é peso; Para baixo.

O tempo pode ser do mar que tenta se acalmar depois da ressaca.

 

Espasmo V

Quando se recobre a consciência?

 

Quando você emerge e resfolega,

Enxerga o horizonte,

Sente o vento em sua face.

Alguns sinais de que ainda há vida e que é preciso continuar.

 

É complicado, porque o primeiro comportamento é questionar e duvidar.

E você acredita que a vida te tirou demais e não há vontade de confiar nela.

 

Ainda mais quando se há a sensação de que não se lidou com outros tornados e chega outro para impedi-la de ser inteira. Criando a exaustão, as dúvidas, as espirais negativas, sobre quando você deixará de ser interrompida.

 

Quando você volta a ouvir suas músicas favoritas (mesmo as tristes).

Você passa por um tipo de luto e precisa articular suas emoções.

É o timing para reencontrar a alma que se perde entre os espasmos

E pode ficar esquecida pela preocupação exclusiva com a armadura.

 

Quando você finalmente reencontra suas âncoras.

Quando você finalmente conta a verdade.

Quando você finalmente escreve ou fala sobre.

Quando você finalmente se deixa quebrar.

 

Quando você volta a crer que a vida vale a pena.

Quando você escolhe não submergir novamente.

Quando você finalmente acolhe antídotos

E relembra de ancorar em sua alma.

 

Espasmo VI

Como lidar com a sobrevida?

 

O coração palpita e assim se convida a alma –

Para aquecer a pele embaixo da armadura,

Para impedir os espinhos que flertam com a mente,

Para ejetar os venenos que miram as emoções,

 

Para restabelecer a conexão com o corpo,

Para aliviar a coceira das novas cicatrizes,

Para evitar que o vácuo ocupe o lugar do coração.

 

A alma; Âncora que palpita a sobrevida –

Pulsando para reavivar o coração,

Transmitindo o espasmo correto para que corpo e mente

Não se fechem em tempestades e não se desintegrem.

 

A alma; A bússola em meio à neblina,

Que garante o caminho

E a força para viver a sobrevida.

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Stefs Lima
Escritora dividida entre o tempo e o espaço. Colecionadora de achados e perdidos. Ex-líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I AM THAT GIRL. Não poupa no textão e nem nas doses diárias de café. Além disso, acredita piamente que você pode ser sua própria heroína.
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