24jun
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meses antes.

 

I.

 

Há uma linha invisível flertando com o coração dela.

Esperando o momento perfeito para estilhaçá-lo

– até que ela se renda aos seus próprios medos.

 

Há uma mão invisível mirando sua garganta.

Esperando para sufocá-la em ansiedade

– e se disfarçar em fumaça.

 

Há monstros sob a cabeça dela.

Dançando enquanto esperam pelo momento de mantê-la na prisão

– a letargia sendo sua única amiga.

 

Há fogo na alma dela.

Chamejando.

A autocombustão contra aqueles que não terão o prazer de fazer nada disso.

 

Ela chegou primeiro:

Fechando seu coração;

Engolindo a fumaça;

Abraçando os monstros.

 

A prisão nunca foi tão gentil.

Mesmo que temporariamente (e sem ela saber da temporariedade da prisão).

 

II.

 

O que é um novo normal no final das contas? Você acredita que tem uma nova chance de sobreviver e você sobrevive em virtude dos lembretes do que, aparentemente, roubou a essência da vida.

 

Vale a pena?

 

Ter um novo normal que você teme os escritores da sua jornada?

 

Que esperam você se mover a fim de mostrar, novamente, que a guerra nunca terminou?

 

Como confiar?

 

limbo.

 

… Ela contempla os escombros que a faz temer

o retorno da escuridão para roubar mais do que não se tem…

 

semanas depois.

 

I.

 

O céu se parece com o cérebro dela.

Metade nublado.

Metade alerta.

Mas não distante o suficiente para não fazê-la testemunhar outro renascimento.

 

Hora de honrar o trabalho árduo de se reconstruir e de abraçar a nova vida que se revelara assim que saiu da prisão.

 

II.

Ela pensou: 

Recomeçar, como a natureza, é fácil na mente,

Desenham-se possibilidades,

Cores, pessoas, expectativas e sentimentos.

 

Ela realizou que precisaria seguir os seguintes passos para recomeçar:

 

Reconhecer que ela se perdeu de novo por dentro;

Que a esmagaram de um jeito que se interrompeu os ritmos da vida,

De um jeito que é preciso recuperar a orientação na desorientação.

 

Reconhecer que ela precisará de tempo para se colocar inteira;

Sentir-se inteira para reencontrar onde a história se interrompeu.

Para ver se não é necessário mudar a trajetória.

 

Reconhecer que ela precisará pausar e decidir como curar a alma, corpo e mente;

Tudo bem deixar a vida no background por um tempo.

 

A prioridade é reencontrar o caminho de volta para si mesma

E sinalizar ao universo que ela ainda está aqui.

Que ela tentará novamente, pois está fora do contrato ter um coração obscurecido,

Uma alma infeliz, um corpo desimportante, uma mente estática.

 

De novo.

 

hoje.

 

I.

 

Começar de novo leva tempo.

Como os ciclos da natureza.

O que não muda é a sobrevida – presente.

De se ver diante da chance de reconstruir em meio ao que se partiu.

 

Ela sobreviveu e a sua sobrevida é aqui.

Com ou sem tornados virulentos.

 

Imagem em destaque: Wes Hicks (via Unsplash)

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Stefs Lima
Escritora dividida entre o tempo e o espaço. Colecionadora de achados e perdidos. Ex-líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I AM THAT GIRL. Não poupa no textão e nem nas doses diárias de café. Além disso, acredita piamente que você pode ser sua própria heroína.
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