03jul
Arquivado em: Séries

Se há uma palavra da qual eu fui anestesiada desde a adolescência essa palavra se chama divórcio. Um assunto que, definitivamente, me fez descrer de muita coisa, como de relacionamentos. Criou-se uma proteção que narra o que estou calejada de ouvir: por quais motivos gastarei energia quando todo mundo se separa no final? Eu penso nisso como um trabalho, dos mais tediosos, que me inspira a dar no pé assim que o negócio fica intenso. Não sei se isso ainda procede, mas eu continuo me esquivando. A ideia de algo permanente não me apavora. Os destroços me apavoram.

 

Algo que, aparentemente, não abala Darby que, neste episódio, se joga de novo, sem delongas, graças à busca pela Pessoa que permanecerá ao seu lado por toda a vida. Outra ideia apavorante, porque eu levanto a bandeira do quanto deve ser enjoativo ver a mesma pessoa todo dia (alerta mecanismo de defesa). A grande diferença é que a personagem de Love Life revelou que carrega dentro de si o que pode ser considerada uma das artimanhas do patriarcado: acreditar que o valor da mulher está nos olhos do homem. A famigerada dita única prova possível de que só assim você tem valor.

 

E, de uma forma extremamente distorcida, Darby quer essa prova. Não é à toa que foi fácil demais para a personagem se envolver no cabo de guerra entre Bradley e Kate. O casal que a convidou para o tal casamento que Augie marcou presença e que retorna, um ano depois, no caos do divórcio.

 

Apesar do salto temporal de um 1 ano (depois de Augie), que nos levou a 2013, o gancho criou um senso de continuidade a fim de beneficiar o desenvolvimento da protagonista. Isso no sentido de como, ao longo do tempo, ela vivencia outro tipo de relacionamento e descobre algo novo. Honestamente, eu não pensava que Darby se envolveria com o antigo chefe. Porém, ela deixou claríssimo no Piloto que não tem tempo ruim para se relacionar romanticamente. Basta o cara dizer algo que alimente seu senso de expectativas errôneas e, em seguida, lançar o famoso heart eyes.

 

Love Life (1x02) - Darby

 

Ao contrário do episódio anterior, este pincelou em primeira mão a que tantas anda a vida de Darby. Em 2013, ela é pós-graduanda e não tem mais o job de monitora no museu – porque o escritório de Bradley fechou. A narrativa conta que a personagem se sente estagnada e nada como usar o metrô para ilustrar o quanto há ocasiões que a vida é um aperto insuportável. E que você adoraria fugir da sua realidade atual.

 

Só que o direcionamento dessa cena não recai no âmbito profissional, mas sim no tema da Mulher Impossível. A mulher que pertence ao padrão eurocêntrico, a modelo, que supostamente toda mulher precisa almejar e alcançar a fim de ter a validação masculina. A fim de “segurar o homem”. A fim de ser socialmente aceita. Um vislumbre que reforça o que comentei na resenha passada: Darby tem complexos com a autoimagem. Dessa forma, o roteiro se aprofundou um tanto mais nessa questão a partir do instante que ela se envolve com Bradley.

 

Bradley se saiu como outro exemplo de que as coisas com Darby podem acontecer do nada. E ela não refuta. O que era um situar de 2013, com direito a entrega da famosa caixa do desemprego ao ex-chefe, termina em pizza, vinho e sexo. Depois, em um relacionamento que sobreviveu a mais ou menos 11 meses. A rapidez com que tudo escalou disse muito mais sobre a personagem e do quanto ela ainda não amadureceu romanticamente. Tudo porque esse mencionado ano deixou evidente o quanto a protagonista ainda quer um match para comprovar suas questões (ainda não muito evidentes). Com isso, contradizer os efeitos negativos gerados pelo divórcio dos pais.

 

Minimamente, a trama também pontuou os impactos após Augie, começando pela “habilidade” de Darby em se contrair para caber. Sem dizer um A, Bradley ritma a questão da Mulher Impossível e ela dança como se fosse sua música favorita. Sem questionar os motivos de fazer o que faz. O peso maior é que a personagem é muito mais nova, o que fortalece a questão de “modelo”. Afinal, é comum que caras mais velhos corram atrás de mulheres mais novas para sua própria validação. E um dos auges foi o boy da vez afirmar que não era predador. Passei mal!

 

Ainda assim, foi fácil acreditar que Bradley é aquele que pode retornar a qualquer momento da temporada. Simplesmente porque, ao longo da trama, ele soa como o cara certo. Ele fala na mesma língua artística que ela, é educado e culto, é maneiro com os amigos, manda bem no sexo, chama de namorada sem sequer precisar pedir em namoro, elogia e assim por diante. De quebra, esse homem sabia como massagear o ego dela, fazendo-a se sentir estelar e segura nesse embarque amoroso aparentemente eterno. Elementos que, em 2013, Darby acredita ser sinônimos de match de sucesso.

 

Love Life (1x02) - Darby e Bradley

 

Geralmente, Mulheres Impossíveis acreditam que a razão da sua existência é a validação masculina. É tudo que elas precisam, mas, como disse, é artimanha do patriarcado para controlar as mulheres. Para mantê-las ocupadas com sua aparência em vez de se preocuparem com sua própria educação. É o meio de manter mulheres passivas e disputando entre si – principalmente por homens.

 

Propagandas são criadas por homens hétero-cis e eles exibem versões femininas inalcançáveis. As versões que eles almejam possuir e controlar, criando o ciclo de crença de que só sendo a loira da TV você será completa. O que não se diz é que elas se tornam objetos (sujeitos, inclusive, à violência). Afinal, eles querem uma mulher desde que tenha a dita beleza e seja passiva. O objetivo é exibi-la e, “quanto mais em dia”, mais valiosa ela é. Assim, ela se torna acessório para a exposição. Ela se torna a vitrine que nada tem a ver com seus talentos, mas do quanto o homem é bem-sucedido.

 

Como Bradley é envolvido em arte, consequentemente em beleza, Darby achou que tinha que atingir tal padrão. Mesmo que do seu jeito desengonçado. O que incluiu roupas caras, cabelo impecável e restaurantes sofisticados. A personagem queria tanto ser parte da história dele que chegou ao ponto de bancar um curso de fotografia do qual não tinha interesse.

 

“Deixá-lo orgulhoso”. Ai, ai essa Darby!

 

Fato é que ela se tornou papel de parede e correu em círculos no vagão Bradley. Sem querer, Darby se torna a Mulher Impossível. Sem perceber, ela se torna uma modelo em 2013. Ironicamente, há a transformação da protagonista na garota do metrô e ela nem percebe. Afinal, lhe parece natural fazer dívidas para se encaixar no mundo do boy (e sem o boy pedir porque as mulheres são condicionadas a sempre agradar, não importa como). Para ser desejada pelo boy mesmo que isso custe seu bem-estar, sua personalidade e suas concepções profissionais. Atitudes que trouxeram novas consequências ao longo deste capítulo da vida amorosa da personagem.

 

Óbvio que o auge dos auges de Darby veio no ato de largar o curso de fotografia e decidir “fluir” no vagão Bradley. WTF? Eu desacreditei, mas tudo bem. Acontece. O lado bom é que a mudança revelou outros de seus defeitos: people pleaser, aquela que agrada e diz sim o tempo todo, e sufocadora, graças às suas inseguranças. Por ter mudado e decidido ser papel de parede, a protagonista começa a sufocar ele e a si mesma, a fim de manter a relação (de validação), e a se comprimir internamente, a fim de evitar conflitos (para o amor não descarrilar).

 

Desde o episódio passado já sabíamos que Darby se molda para caber na vida do homem. Com Augie ainda foi leve perto do que transcorre na companhia de Bradley. Assim, fingir que você curte esporte é quase inofensivo perto do quanto a personagem altera sua “embalagem externa”. O que refletiu nas supostas decisões de carreira visto que segue claro que a jovem quer trabalhar com curadoria de arte (vide a maneira como ela fica deslumbrada diante dos quadros de Bradley).

 

Quem era fotografia na fila do pão, gente?

 

Love Life (1x02) - Darby

 

O engraçado (além de positivo) é que não se comenta nada sobre aparência e nem se aprofunda na carreira. A Mulher Impossível é largada na história como se fosse um devaneio da protagonista, bem como a linha de diálogo sobre almejar ser curadora. Contudo, esse falso devaneio feminino se tornou artifício sombreado na trama. Darby mostrou, em vez de contar, como muitas mulheres ainda se alteram e como abandonam suas futuras carreiras para agradar o homem. A grande questão aqui é que a personagem faz tudo por conta. É o que ela acredita ser certo.

 

Ainda mais quando se tem Kate, a ex-esposa, como parâmetro de sucesso. Rolou o famoso dobrar a meta!

 

Foi agoniante vê-la correr para se igualar ao invisível. Escapar da sua autenticidade. Crente de que seria o único jeito de se manter ao lado de Bradley. Consequentemente, a única maneira de fazer com que a nova relação fosse permanente. Eu fiquei em um misto de raiva e de tristeza. E nem por culpa dela, mas sim devido a essa cultura da beleza e da dieta que me dá nos nervos! O que acrescenta o quanto absorvemos essa necessidade de agradar sem nos dar conta – e, no caso de Darby, tenho certeza que isso envolve as já mencionadas questões sobre o divórcio dos pais.

 

Darby assume um papel que se torna insustentável e o episódio transmitiu isso muito bem. A protagonista não apresentou sua versão autêntica, mas sim uma criada que comprovou o quanto a Mulher Impossível é realmente impossível de manter. Não é à toa que a trama foi intensificando o lado people pleaser que a tornou irritante. Inspirando, no fim, o ato de colocar a culpa nela pelo novo relacionamento fracassado.

 

Embora seja adulta, há evidentemente danos do passado que a acompanha e que a faz repetir padrões. Como agir desesperadamente diante de uma nova perda e ela nem brigou dessa vez. Na realidade, houve uma briga interna que a fez gastar mais dos seus nervos românticos para sustentar Bradley. Isso o sufocou também, fortalecendo o comentário (válido) da professora de fotografia e que calha no que acredito ser a manifestação do universo no timing certo: ela se esforçava demais. Relacionamentos são leves e inspiram autenticidade. Não era o caso aqui.

 

O que me faz destacar que Love Life quer mostrar que feridas antigas moldam o depois. Moldam como encaramos o amor, por exemplo, e o que o amor provoca em uma mente traumatizada.

 

E, sim, divórcio, dependendo de como aconteceu, deixa suas marcas no caríssimo cérebro.

 

Love Life (1x02) - Darby no funeral

 

Da estagnação, a personagem se envolve em um falso movimento que começa a cair por terra assim que ambos partem para o lar de Bradley devido ao falecimento do pai dele. É o momento que fica evidente que Darby é a Mulher Impossível. O que destacou outra questão importantíssima: Mulheres Impossíveis normalmente não recebem respeito. Principalmente quando são mais novas que o boy, o que dá mais motivos para serem desrespeitadas e vistas como temporárias. Reduzidas a sua aparência visto que elas não são uma pessoa.

 

Assim como a garota do metrô, Darby não é tratada como uma pessoa. Ela é o chaveiro que Bradley se esquece uma vez no cerne familiar e é aí que comecei a detestá-lo mais (já que o papo de predador o queimou na hora comigo). Automaticamente, os familiares a ignoram. Nem sequer perguntam seu nome. O que deu margem para outro auge: quando um dos parentes a chama de modelo. Eu ri de nervoso, na moral!

 

Quando Kate chega é como se a mulher de verdade adentrasse o ambiente. O ar se condensa, pois a mulher mais velha, mais madura, mais altiva e que nem se esforça – o dito revés da Mulher Impossível – está em cena. A ex de Bradley não se esforça, pois sabe o que quer. Ela tem autenticidade e não é passiva. O que a torna ameaçadora e isso inspira Darby a tentar se justificar (e nem precisava). Um reencontro que deixa a protagonista à mercê de suas inseguranças e beber é o gesto para abafar que, de novo, ela perderá. Como aconteceu no casamento do episódio passado.

 

Abandonar o curso de fotografia e ingressar no mundo de Bradley disse bastante sobre a busca por validação que se expande ao longo da reunião em família. O mesmo para o lado people pleaser que engrandece no ato de se explicar para Kate a fim de evitar desconforto e conflito. Pode ser que o propósito do roteiro fosse mostrar o quanto Darby é ainda imatura nesse âmbito e faz sentido. Ela retorna com o mesmo foco do episódio passado, que ainda não envolve A Pessoa, mas sim o desejo de assegurar que não é permanente.

 

Ela quer ver se Bradley é capaz de ficar já que Augie pulou fora!

 

O que torna este episódio a pura demonstração dos efeitos colaterais causados por Augie também. Outro tipo de sombra de Darby por ser o cara que partiu e que, certamente, a impulsionou a agir como agiu. Houve um tipo de impressão de margem de erro em que somente ela é o erro de ambas as histórias.

 

E esse erro precisava ser corrigido. Nem que custasse ela mesma.

 

Dessa vez, Darby teve um passado influente e pesaroso para se espelhar. Inclusive, para usar de base para “fazer melhor”. Bradley se tornou o rebote de uma situação outrora vivida. Só que com muito mais cobranças e mais necessidade de aprovação (e provação). Pode ter se passado um ano no contexto deste episódio, mas não se nega que Augie foi supostamente o primeiro que chegou muito perto de atender todos os anseios e aspirações da personagem. Eles estavam apaixonados, vamos lembrar (ou não…).

 

O impacto de Augie revela uma questão de abandono. Mesmo sem querer. E isso deve ter se intensificado porque o ex nem sequer deu sinal de vida (só houve um comentário aleatório sobre sua existência). Diante de Bradley, a protagonista vê a chance de reparar supostas falhas amorosas, mas termina sufocando tudo ao redor. Incluindo a si mesma. Foi pesaroso vê-la sendo babá do namorado. Checando se estava tudo bem em meio à sua embriaguez mais por medo de perdê-lo. E aquele discurso…

 

Love Life (1x02) - Bradley e Darby

 

A perda de compostura de Darby durante seu discurso dá a entonação da nova perda. Eu entrei em completo desespero, porque era óbvio que daria ruim. E deu ruim demais! Foi o suprassumo do limite da personagem em querer ser aceita e validada. Mas, como disse a professora de fotografia, ela se esforçou demais. E nada de bom vem quando você se anula tanto ao ponto de nem saber como se comportar ao lado de quem gosta.

 

Inclusive, vale dizer que a ausência de conflito me incomodou, mas, por outro lado, me faz acenar para Augie também. Foi irritante vê-la se poupar, mas capaz que Darby tenha achado que sua atitude de pinicar uma treta foi a causa do ex nem mandar SMS nos meses conseguintes. Outra marca negativa para quem evidentemente tem muitas e lida com um total de zero. Entremeando-se na sensação de que ela causou o fim. De novo. Talvez, por ter “algum defeito”.

 

A cena-chave disso é quando Darby questiona se Bradley está de cara com ela devido ao discurso. E ele responde que acabou de perder o pai – o que, automaticamente, escancara que a personagem estava sendo insensível ou egoísta. Eu me contorci na cadeira, ainda mais porque tal diálogo transformou este episódio de maneira a favorecer o cara e não a protagonista. Foi fácil sair compadecida por ele visto que essa embriagada mulher perdeu as estribeiras.

 

Ela cutucou a questão de comparativo de carreira do nada no episódio anterior. Neste, ela pede para Bradley não ficar bravo por causa da bebedeira quando ele estava enlutado pelo pai. Há uma profunda distorção no como a personagem se enxerga e, com certeza, suas paranoias acarretam um tipo de ansiedade que a faz se sentir errada o tempo inteiro. O que retorna ao divórcio dos pais que calha na resultante dela se achar inadequada. Assim, ter que se adequar lhe soa natural para se sentir aceita, muito embora esse seja um comportamento quase imperceptível. Foi o que aconteceu na sua transição de casa em casa ao ponto de se tornar aparentemente supérflua na família.

 

O que explica bastante a forma como ela se jogou no vagão Bradley. Nada como uma pessoa para tapar um buraco. Ou, artisticamente falando, nada como um quadro novo para pendurar sobre o prego exposto na parede. Darby tinha uma ferida exposta, de tantas outras que ainda não sabemos e que claramente não foram endereçadas, mas essa em específico ainda estava em carne viva.

 

E nada disso a impediu de perder de novo e cair em outro limbo emocional. Assim como Bradley, ela teve sua responsabilidade visto que as inseguranças a deixaram autocentrada e isso a fez ultrapassar os próprios limites para se manter ornante ao estilo de vida do então ex. Inclusive, para conter quaisquer conflitos. Soma de evidências que ainda me manteve ao lado dela.

 

Tudo porque a personagem centraliza suas questões e contém as emoções que dançam no buraco do divórcio dos pais. E o divórcio tem seu jeito esquisito de mandar a mensagem de que seus pais não conseguem ficar juntos nem por você (isso de um ponto de vista adolescente que é o caso dela). Gerando o DNA do abandono ou rejeição ou os dois ou mais outras feridas que se unem e moldam algum âmbito da vida adulta. Darby achou que na brincadeira de tentativa e erro, que a mudou de um segundo a outro, encontraria a fórmula de como permanecer também na vida de outra pessoa. Deu certo no começo. Ainda mais quando lhe pareceu seguro acompanhar Bradley.

 

A surpresa fica por conta de que, ao contrário do 1×01, é neste que Darby desmorona pra valer. O baque desse término foi intenso. Deixando a lição de que nem a Mulher Impossível vence.

 

Love Life (1x02) - Darby no metrô

 

A história começou com uma faísca que inflamou rapidamente. Transformando-se em uma fumaça densa que consumiu Darby. Claro que ela poderia ter feito muitas coisas diferentes, como se assumir, mas não o fez. E, se vale de algo, eu diria que a personagem não superou Augie. Ainda mais por causa do seu próprio mood de funeral que coincide tranquilamente com as fases do luto. Aqui, as fases do fim de um relacionamento que, evidentemente, essa jovem não se permitiu sentir.

 

Eu acredito que várias reações se apresentam a partir dos buracos acarretados por traumas não endereçados – e que, normalmente, apontam para os pais. Eu não cresci sabendo me esquivar de relacionamentos. Pela lupa do caos, eu compreendi que esse tipo de relação não vale o esforço e o sofrimento. Eu tinha 14 anos e só hoje eu sei que se faz necessário desconstruir tais pensamentos para ter relacionamentos saudáveis. A começar comigo mesma.

 

Talvez, Darby precise passar pelo mesmo. Começando por compreender que é possível existir sozinha. Mas, até isso acontecer, se acontecer, a personagem seguirá ecoando sua desvalidação afetiva. Procurando novos quadros para cobrir os pregos anteriores até O Quadro se apresentar.

 

Neste episódio, Darby evidenciou que ainda não tem percepção de quem ela é e muito disso se alcança em péssimos jobs ou relacionamentos (e sempre digo que há certas coisas que poderíamos ser poupadas de passar). E é esperado que esses dois momentos da sua vida sirvam de amadurecimento no futuro.

 

But your love is such a swamp

You don’t think before you jump

– This is The Last Time ; The National

 

Essa música contribuiu para o suor em meus olhos mais conhecido como lágrimas! Foi o instante que, vale dizer, se captura com afinco as justaposições dos mínimos detalhes que fortalecem a passagem no tempo. Cenários e símbolos conectam a história amorosa, dando um antes e depois. E é perfeito!

 

No 1×01, o que começa no inverno termina no inverno. Aqui, o que começa no metrô apertado termina no metrô vazio. Com uma personagem desolada, segurando a caixa do desemprego que a aproximou de Bradley. Ela não tem o look impecável. Ali, naquele banco, segurando para não abrir o berreiro, está a verdadeira Darby Carter. Mesmo que essa Darby se sinta derrotada e falha.

 

This is The Last Time é uma das minhas músicas do coração cuja letra se adequou perfeitamente a Darby. Ela se joga sem pensar. E, como manda a regra, só ela pode recolher os pedaços de si. O que reflete em outra parte essencial da mesma canção: it takes a lot of pain to pick me up. Sem dúvidas, a personagem precisa se reconstruir. Talvez, repensar que as idealizações não se aplicam no mundo real.

 

Dizem os estudiosos que o amor simplesmente acontece, né?

 

Outros comentários

 

Love Life (1x02) - fotografia que Darby comprou

 

Este episódio entregou um resultado interessante. No caso, a primeira revelação de Darby fora do antro amoroso – já que no episódio passado se manteve as entrelinhas sobre novos amores acontecerem e A Pessoa estar à procura dela a fim de aquecer o contexto de Love Life. O movimento amoroso está no mood autoexplicativo e isso dá espaço para o profissional se solidificar.

 

Quase imperceptivelmente, ela comenta um “quem dera ser uma curadora”. Então, foi fácil reafirmar a formação em artes e que a experiência em museus é isso: experiência. O que deu mais uma camada para o que ela almeja profissionalmente e Bradley, querendo ou não, a ajudou a se desestagnar.

 

Por meio de uma foto, de uma aluna da mesma aula de fotografia e que ganhou os biscoitos da exigente professora, Darby aparentemente compreendeu que seu papel é ver a vida e recolher o melhor que há nela. Nada mais perfeito que ser por meio da arte.

 

O que não anula também o comportamento de coletar o que foi bom de relacionamentos passados e usar para a criação. Darby ainda não chegou nessa última parte, embora um de seus relacionamentos a direcionara na carreira.

 

Teoricamente, esse foi o primeiro negócio dela como dita curadora. Além de ser o primeiro encontro com uma artista (mesmo que em formação). É quando eu digo que certas coisas na vida não acontecem do nada. Que nada é inofensivo, como uma aula de fotografia que estava ali o tempo todo avisando Darby sobre parar de se esforçar e indicando que seu talento é curar arte. Mesmo que a área amorosa siga cinza, a profissional apresentou possibilidades e eu gostei.

 

E vale dizer que Lola é maravilhosa, minha Deusa!

 

Houve outro aprendizado sobre Darby: a questão já comentada sobre sua percepção diante de outras mulheres. Quanto maiores essas mulheres, ou quanto mais as mulheres que ela pensa que “só um doido as escolheria para casar” conseguem segurar o boy, mais ela se sente insegura e esquecida na sua jornada romântica. Vamos ver se esse âmbito melhora! Até porque, neste episódio, ela se tornou a tequila que evitou beber no reencontro com Bradley.

 

Daí a conclusão do roteiro ganha um tom mais relevante: a vida tem outros percursos e um inusitado se abriu. No pedido pela fotografia se viu uma mulher mais confiante. Dando a entender que as transformações começarão no que ela verdadeiramente ama: a arte.

 

Concluindo

 

Love Life (1x02) - Darby e os amigos

 

Em 2013, Darby ainda é a mulher que quer agradar. Que ainda está inclinada a se fantasiar de outra mulher em vez de abraçar sua autenticidade. Que se esforça demais para ser irreal – o que cai na regra da nice girl. Daí eu volto a pensar no poder da narradora de Love Life que pontua como a protagonista vê as situações amorosas. E, por dois episódios, ainda há uma mulher que precisa parar de tentar se achar em outros homens. Darby pode, e precisa, se encontrar sozinha.

 

Daí fica o questionamento: quem seria Darby Carter quando ninguém está olhando?

 

Do aperto e da estagnação, ela conseguiu espaço para respirar. Mas era isso que a personagem queria? Talvez não, pois se vê o agridoce da perda antes da grande revelação. Em contrapartida, Darby aparenta ser atenta sobre outros aspectos da vida. Ela só se perde nas questões amorosas e acho que nessas questões ninguém atinge 100% de maturidade.

 

No fim, Augie e Bradley não se distanciam do que provocaram no interior da personagem. Do que quebraram. O caminho foi quase idêntico – começo aleatório, clima de lua de mel e a ideia de ser A Pessoa. A diferença calha na busca da Mulher Impossível já que ela não mudou tanto assim com Augie.

 

Esses dois episódios se contrastam entre a emoção ingênua do primeiro cara que parece o cara certo e o segundo round de mudar para ser amada/tentar corrigir supostos erros que fizeram o ex pular do barco. Dois lances de escada que consumiram 1 ano e 11 meses da vida de Darby. Ainda bem que houve uma realização à parte, muito embora eu torci pelo momento em que ela sacasse que seu comportamento não ornava.

 

Mas o que importa é que a personagem encontrou uma parte de si. No verão.

 

E, me usando de Taylor Swift, pode ser que rolou o daylight!

 

Eu acredito que relacionamentos surgem para nos ensinar alguma coisa e eles não precisam ser necessariamente amorosos. Todas as pessoas entram na nossa vida com um propósito e uma vez que cumprem esse propósito elas vão embora. É a minha ordem de pensamento e faz sentido para mim. E fez sentido para este episódio. Pelo menos Bradley fez uma “coisa boa”, né?

 

PS: o squad da Darby é maravilhoso, meu Deus! A Sara merece o mundo!

 

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Stefs Lima
Escritora dividida entre o tempo e o espaço. Colecionadora de achados e perdidos. Ex-líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I AM THAT GIRL. Não poupa no textão e nem nas doses diárias de café. Além disso, acredita piamente que você pode ser sua própria heroína.
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