04ago
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Nota: esta entrevista foi publicada originalmente no Hey, Random Girl! e depois foi transferida para o meu antigo site Bela e as Feras (que depois virou Contra as Feras). Muita energia geminiana, mas, o que importa, é que a introdução do texto contou com edições para não ficar tão fora do seu tempo original de publicação.

 

 

Entretempo: 25 de maio de 2015.

 

Como todos devem saber – ao menos acho que sabem –, o Ask Her More (Pergunte Mais a Ela) é o desafio do mês de maio para todas as meninas do I AM THAT GIRL, em São Paulo. Já na última semana, nada como o primeiro update dessa aventura com a Carol Porfírio, uma SHEro que assina a série Fight Like a Girl” (Lute Como uma Garota), postada em sua página no Facebook. Tenho certeza que muitas de vocês a conhecem (e se não conhecem, acho que está na hora!).

 

O intuito das ilustrações? Há vários, mas destaco a tentativa de mostrar que personagens femininas não são meras coadjuvantes das suas respectivas histórias. De quebra, transmitir a importância do protagonismo e da representatividade feminina. É uma iniciativa linda que mostra que podemos ser como essas heroínas, lutar como garotas maravilhosas que somos, detentoras de uma jornada única e de superpoderes mais que humanos.

 

Não é novidade que sou uma paqueradora nata, uma ação não voltada para homens, mas para meus desejos. Assim como aconteceu com o formulário do IATG, em que fiquei dias no flerte até preenchê-lo (e que preenchi, engatando um relacionamento sério), o mesmo aconteceu com a página da Carol. Paquerei, paquerei… Até ter um troço no meio da madrugada. Traduzindo: enviei um e-mail mortinha de vontade em entrevistá-la.

 

Uma atitude que me apavora, porque não são todas as pessoas que reagem da maneira maravilhosa como a Carol.

 

E aqui está o resultado de mais uma paquera que deu certo! Morram de amor, se inspirem e…:

 

Arte de Carolina Porfírio

 

 

Fale um pouco sobre você – seu nome, onde vive, profissão, seu talento. O que achar válido contar.

 

CP: Meu nome é Carolina Porfírio, sou do Rio Grande do Sul, sou Game Developer da empresa Kuupu, que fundei junto com meu marido. Atualmente, além de desenvolver jogos, faço freelancer de arte em geral.

 

Ser gamer e ilustradora: tudo o que você queria ser quando crescer?

 

CP: É sim o que eu queria, mas, durante um tempo, me afastei totalmente da arte para trabalhar em outras áreas. Queria muito cursar jogos digitais, mas, como morava em uma cidade pequena e sem condições financeiras, achava isso surreal. Porém, querer foi um passo e, aos poucos, tudo foi se tornando realidade.

 

Hoje, trabalho apenas com arte e jogos, e sim, isso me deixa bastante realizada, com sede de me aperfeiçoar mais e realizar trabalhos grandes.

 

De onde veio a inspiração para criar a série “Fight Like a Girl”? O que você queria atingir ao mergulhar nesse projeto lindo?

 

CP: Iniciei a “Fight Like a Girl” com o propósito de desabafo e acredito que muitas mulheres se identificaram com a série pelo mesmo motivo. É certo que nós, mulheres, somos pouco, e muitas vezes, mal representadas em jogos, filmes e séries. São poucas mulheres que podemos nos orgulhar, que não são hipersexualizadas, que são protagonistas ou possuem um papel forte na trama.

 

Meu desejo é homenagear essas mulheres que, mesmo fictícias, inspiram a vida de muitas pessoas!

 

Como você se sente ao saber que inspira muitas pessoas, todos os dias, por meio da sua página no Facebook?

 

CP: Me sinto grata todos os dias a cada comentário e mensagem. Muitas vezes, não tenho palavras para agradecer. Parece que “obrigada” não basta. Nunca imaginei que iria ter o feedback que estou tendo com a série. É gratificante e inesperado.

 

Você é uma de muitas mulheres que tenta, de certa forma, mudar a cultura voltada para meninas e mulheres. Elas encontram na sua arte força com base em suas heroínas favoritas. O quanto mudar essa cultura é importante para você?

 

CP: Essa cultura sobre a sexualização excessiva e a objetificação de personagens femininas nos jogos não tem nada de diferente de qualquer indústria de entretenimento focada no público masculino, muita vezes com a desculpa de ser apenas “fantasia” ou “liberdade do design”. Sem falar que, na maioria das vezes, as personagens não possuem nenhum valor pra trama, estão ali para “enfeite”.

 

Além da sexualização, também tem a questão da representatividade e o porquê ela é importante, principalmente para crianças. Mudar isso não será da noite para o dia. O caminho é longo, mas acredito que será possível mudar isso.

 

Vamos fazer um pingue-pongue? Vamosss!!! Hahahaha

 

Arte de Carolina Porfírio

 

1. Melhor conselho que lhe deram; Continua.

 

2. Você, Carol, lutando como uma garota…?; Sonhadora? 🙂

 

3. Quem são seus exemplos/mentoras (ou mentores); Ursula Dorada, Luiza McAllister, Fernanda Nia, Bianca Zanette e Dora Oliveira. <3

 

4. Quem é sua SHEro (heroína) do coração; Minha mãe.

 

5. Uma palavra superpoderosa; Empatia.

 

6. Uma mensagem para as mulheres que lerão essa entrevista linda. Lute pelos seus sonhos, sempre.

 

Arte de Carolina Porfírio

 

 

Uma fangirl dá um jeito de encontrar outra e, quando me deparei com o trabalho da Carol pela primeira vez, quase tive um grande AVC. Quanto mais vasculhava a página, mais encontrava diversas heroínas que ainda me inspiram. Que ainda são meus exemplos. Que, de certa forma, ainda me empurram para além da zona de conforto.

 

Retratá-las, com tanta naturalidade e tanta leveza, me fez paquerar o e-mail da Carol por quase 1 mês. O desafio do IATG caiu como uma luva por ter me encorajado a ir atrás dessa linda, que me recebeu com tanto amor que… <3

 

E não me custa repetir o que disse para a Carol via e-mail: é importante demais ter exemplos tão próximos que se empenham a inspirar meninas e mulheres. Orientando-as a encontrar força e coragem para dominar a própria jornada. Além de dar um empurrão para lutarmos pelo nosso espaço.

 

Agradeço a Carol pela entrevista e por ter sido tão amável. ❤

 

Para acompanhar o trabalho da Carol: @kaolporfirio

 

O Ask Her More (Pergunte Mais a Ela) foi uma iniciativa do Capítulo IATG: SP a fim de trazer à tona histórias de uma ou mais mulheres. E, sim, foi inspirado no #AskHerMore que bombou na época. Mais que uma entrevista, o desafio que aconteceu ao longo de maio/2015 reforçou conversas sobre experiências de vida, profissão, sonhos, decepções, etc..

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Stefs Lima
Escritora dividida entre o tempo e o espaço. Colecionadora de achados e perdidos. Ex-líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I AM THAT GIRL. Não poupa no textão e nem nas doses diárias de café. Além disso, acredita piamente que você pode ser sua própria heroína.
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