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Mas quem é vivo sempre aparece não é mesmo!? Prazer, me chamo Stefs e estou aqui para reiniciar o tempo do Hey, Random Girl! antes que ocorra outro colapso entre tempo e espaço.

 

Antes de contar o que tenho para contar, vocês estão bem? Espero que sim! Tenho que dizer que é engraçado publicar este texto em um dia que não é comemorativo (como meu aniversário). Algo que aconteceu no ano passado e, putz, quanto tempo se passou, não é?

 

O que não muda o sentimento de estar empolgada. Toda vez eu fico empolgada!

 

 

As coisas ficaram complicadas aqui do meu lado nos últimos meses e isso contribuiu para a interrupção de publicações no Hey, Random Girl!. Convenhamos que as oscilações de updates nunca foram secretas, mas o ápice da causa continuou a ser sobre algo que comentei no ano passado: eu segui sem saber o que escrever.

 

Sem saber o que escrever = sem ânimo.

 

Mas digamos que havia sombras de possibilidades, mas os últimos meses foram malignos.

 

 

O ano é 2020 e o tempo me foi dado, sem eu pedir, mas, anterior a ele, eu tentei me reajustar a partir de uma faxina nas categorias deste site. Isso, durante e depois de um tornado virulento. Não deu certo. Pensei que poderia ser apenas mau costume já que meu ritmo também não é mais o mesmo e engrenei as resenhas de Love Life.

 

Não deu certo também.

 

Tudo isso também calhou em algo que comentei no ano passado: eu mudei.

 

Mudei = o que eu já sei não me apetece mais.

 

E mudei de novo ao longo de 2020 por motivos de força maior (aka o mencionado tornado virulento). O que tornou o Hey, Random Girl! menos relacionável. Muito mais em comparação ao ano passado – o período que essa inquietude estalou. Não pela ausência de entendimento dos conteúdos, mas porque eu sigo me desconhecendo.

 

Daí temos um processo contrário: não há como ter conteúdo se eu me desconheço.

 

Eu poderia falar sobre vinhos, porque é o único elemento correto no momento.

 

 

Eis uma situação que também se fez presente ano passado: a paquera em encerrar o site. Se reencontrar, ou se encontrar, é um processo longo e ficou cansativo tentar retornar para uma casa que não parecia minha.

 

Pela lógica, minhas mudanças tinham que se refletir no site e eu estava perdida.

 

Além de estar diante de uma tremenda bagunça que pedia uma nova orientação.

 

Continuo meio que perdida, mas encontrei um novo tipo de bússola.

 

 

Em 2019 eu já não tinha certeza sobre o que escrever depois de um processo de expurgação de emoções negativas, traumas e etc.. Houve uma limpeza profunda no meu organismo (e ainda em andamento) e a vida começou a ficar mais clara. Eu comecei a ficar mais clara. Assim, o que eu escrevia antes deixou de ter sentido. E, quando o layout novo (que já é antigo) foi lançado, eu me senti em uma espécie de nova Era. Uma nova Era que não usufruí graças a essa perturbação de não saber quem eu me transformei depois dessa limpeza profunda. Eu me sentia perdida.

 

Era como se algo muito grande faltasse dentro de mim.

 

Quando, na verdade, se extirpou o efeito de um dos antigos traumas. Eu saí da negação para aceitação.

 

Por essas e outras que um Novo Normal surtiu de ser a intenção de 2020, porque eu queria descobrir o que faltava e encontrar um caminho novo para comportar essa nova pessoa. Eu tinha muitos planos que resultariam em muita escrita. Porém, eu fui interrompida pela pandemia (como tudo mundo) e por outro assunto que não estou pronta para falar ainda.

 

De maneira geral, eu não tive tempo de acolher a minha versão que deu olá em 2018. Uma versão que se revelou com outros gostos, desejos e perspectivas que começaram a ser desenhados em 2019. 2020 atropelou essa versão que queria as coisas de um possível jeito e fez nascer outra que não sei bem o que quer. Ambas, porém, querem explorar.

 

E, apesar disso, a diferença essencial entre ambas é a elucidação sobre o que escrever. Hoje eu sei sobre os assuntos que quero escrever e isso vem regido de um pouco de medo. Penso que isso é bom já que se toca na zona de conforto.

 

 

Meus últimos meses transcorreram como se fossem um dia. Do nada, eu cheguei a tempo de não perder agosto e nem acredito que é setembro. Desorientação ainda reina e está de mãos dadas com a ausência de noção de mundo e de quem sou depois do que vivenciei nesses últimos meses que transcorreram como se fossem um dia. Eu estou em meio a uma nova recuperação interna, com uma pessoa que quer ação enquanto o sistema se reinicia e regenera.

 

O desejo primordial é continuar a jornada e explorar. Criar novas notas de campo e vivenciar as mudanças.

 

Realizações que vieram até mim por conta própria nos últimos meses. Foi surreal sentir essa energia, como se linhas invisíveis finalmente se conectassem. Não gosto da ideia de que certas coisas ruins te mudam pra melhor, ainda mais quando essas coisas ruins são irreparáveis. Entretanto, isso gerou um posicionamento de baixa guarda e o universo conseguiu agir sobre mim. E, sim, eu acredito no universo, embora a gente costume se estranhar bastante.

 

Tudo começou com a minimização do meu senso de controle. Isso tem me ajudado a deixar as coisas se manifestarem do jeito que tem que ser e agosto rendeu a maior prova disso – como eu finalmente ajeitar as categorias deste site pelo que espero ser a última vez. Mesmo na minha própria desestabilização, raiva e exaustão, eu agi mais que retive, pois organizar a desorientação me dá um pouco do senso de mim. E tal feito aconteceu sem pressa.

 

Pressa. Outra palavra perdida ao longo desses últimos meses.

 

Coisas que eu pensava ser impossíveis no ano passado retornaram para me mostrar que eu não estava tão distante de alcançar uma parte da pessoa que me tornei entre 2018 e 2019. Afinal, eu desenhei o escopo e agora o tenho para botá-lo em prática. Só que o rompimento do meu tempo em 2020 me fez acreditar que eu retrocederia demais (para o desespero da minha analista), mas, na virada de julho para agosto, eu decidi empacotar as malas e entrar no primeiro trem imaginário. Uma ideia que me conforta, pois, para minha própria surpresa, eu escolhi seguir.

 

Eu sigo pelo que me vem.

 

Na não-ação veio sincronicidades que me botaram na superfície de novo. Não digo que com uma nova energia, pois eu ainda me recupero. Mas é energia e eu escolhi preservá-la. Além de encapsulá-la por meio da escrita que sempre foi a minha solução para articular emoções. Em pleno 2020, eu não poderia me afastar do ofício quando é o que me resta (já que não dá para ir ao cinema sozinha com a bolsa cheia de chocolate #lágrimas).

 

Tenho que dizer que não houve um só dia desses últimos meses que não pensei em largar este site e o ofício, pois eu não me via mais “nessas coisas”. E isso teve muito a ver com os impactos do que vivi e é até estranho querer ser a mulher que sobe em uma moto em alta velocidade sem capacete. Eu não farei isso na realidade, não se preocupem!

 

Uma vez alcançando a superfície, eu só queria saber de continuar explorando. Vi-me querendo movimento e isso tornou ainda mais difícil meu retorno para este site já que bunda na cadeira não é mais interessante também. É como ficar à deriva depois do naufrágio e evitar a terra firme. Sendo que eu quero explorar a terra firme e atualizar o diário de bordo.

 

O lado bom é que não há a febre do piloto automático.

 

Hoje, eu faço com o que eu posso.

 

 

Nesse ínterim de tempo, eu me vi na outra febre que envolve pensar no passado. Por algum motivo, a minha nova bússola apontou para os últimos cinco anos e meu cérebro começou a reagir. Lá eu vi fragmentos de algumas histórias pendentes e eu resolvi cuidar dessas pendências, mas sob a ótica de uma mulher de 34 anos. Euzinha aqui e isso foi um baita choque! Justamente porque eu percebi que nunca reconheci minha idade como uma fonte essencial de transição. Não no conceito chato de adultona, mas de me perceber por dentro e capturar as mudanças.

 

Uma realização que veio no ínterim de tempo dos últimos meses. Em meio a vários espaços ruins, sentindo coisas que eu acreditei que haviam sido reparadas ou esquecidas. Foi uma coisa horrorosa, mas eu ultrapassei. Estou do outro lado, não muito inteira, mas ainda desejando desbravar mesmo não muito orientada sobre onde começar.

 

E o Hey, Random Girl! nunca deixou de ser meu espaço particular para (re)começar.

 

Agora com uma visão mais Random Woman (e não, não vamos mudar o nome do site).

 

Ch-ch-changes

 

 

Os últimos anos do Hey, Random Girl! foram resumidos em pressa e eu atualmente abraço o conceito de slow content. Eu não consigo mais consumir conteúdo rápido e eu nem quero, pois sinto que não aproveito. Nem usufruo da companhia ao ponto de criar fanfic na minha mente (até hoje eu não superei o replay de Skins).

 

O mesmo para a ideia de outros artigos que eu espero postar em breve e que requerem uma semana de revisão.

 

Isso significa que o site será atualizado duas vezes na semana. Eu já disse que estou empolgada, né?

 

Sobre as categorias: quem se despede é a de Escrita. Tais postagens não ornam mais aqui e foi uma das razões que me estressei na hora de reorganizar a casa. A única parte que se manterá é a categoria Parágrafos que faz parte do DNA do site e eu jamais abriria mão das intenções de cada ano. Virou ritual de passagem!

 

O Contra as Feras transitou para Antídotos e voltou a ser Contra as Feras, mas em newsletter. Depois de 84 anos, eu consegui dar aval a uma vontade e aconselho assinar agora mesmo, pois o projeto começou no último dia 23 (e traz conteúdo comfy para o coração, hein?).

 

Não quer dizer que a ideia não existirá mais e eis a categoria #beok, que trará conversas de bem-estar para mulheres e sobreviventes. Fazendo-lhe companhia estará a categoria #speaknow (sim, igual ao nome do álbum da Taylor Swift já que eu precisava de uma menção da ícone em minha casa virtual), que abrigará conversas sobre eu ser mulher de +30 (e eu não me responsabilizo pela quantidade de sarcasmo).

 

Musings se tornou Prismas, mas a ideia segue a mesma. Aleatoriedades também, a categoria mais antiga da casa e que não poderia ir embora. Eu ainda consumo livros, séries, filmes, música e etc., mas as atualizações não serão feitas afoitamente como nos tempos em que eu tinha forças para resenhar várias coisas ao mesmo tempo.

 

 

Como escrevi em 2019, eu sinto como se começasse tudo de novo. Um de novo que reflete no tanto de tempo que eu precisei para me reencontrar minimamente e retornar com um pouco de segurança. Realização não tão nova e que ainda orna com o que eu escrevi nesse mencionado ano:

 

É inexplicável, mas eu me sinto diferente. Tudo é muito estranho. Tudo soa desconexo. Por mais que eu exista dentro de mim é como se eu não conhecesse esta nova pessoa. De quebra, ainda lido com o processo de me despedir das camadas da minha antiga versão. Daí vem o famoso desbravar. Para eu descobrir quem eu sou neste entretempo, eu preciso atravessar o novo percurso. Por isso que faz sentido para mim dizer que este retorno é um novo início que, sim, eu poderia chamar de reinício. Mas é um novo-(re)início. Nesta nuance ilógica, mas que tem lógica (?).

 

Parte do que era antigo segue não cabendo mais e esse pensamento me ajudou nos últimos meses. Retornar a quem eu era, saltando até a versão que surgiu em 2018, não me ajudaria e nem me salvaria.

 

O tempo me foi dado para fazer o que minha analista me ensinou: elaborar e ressignificar. Continuo, pois saí de outro ciclo penoso que ainda não se apresentou como transformador. Contudo, eu sei que criando eu posso me sarar.

 

E tudo começa não pelo caminho de onde tudo se perdeu, mas pelo horizonte além dos destroços.

 

Sem metas. Sem grandes objetivos. Apenas deixando a jornada tomar conta.

 

Bem-vindes de novo ao Hey, Random Girl!.

 

Imagem em destaque: Ross Findon (via Unsplash).

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Stefs Lima
Escritora dividida entre o tempo e o espaço. Colecionadora de achados e perdidos. Ex-líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I AM THAT GIRL. Não poupa no textão e nem nas doses diárias de café. Além disso, acredita piamente que você pode ser sua própria heroína.
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